Pode Fazer Sol, Mas Também Pode Estar Nublado

Chover ou estar nevoeiro. Ou granizo.

Ninguém sabe. Ponto final. E aquilo de um computador por aluno foi, como diria um cortesão costista, apenas uma boutade para ninguém levar muito a sério.

Ministério da Educação quer aulas presenciais em setembro mas admite outros cenários

Vamos ser claros: não fazem a mínima ideia e apenas esperam que as coisas evoluam favoravelmente, mas nada indica que assim seja. E para quem acha que isto tem sido um “inferno” com as escolas fechadas e a petizada em casa, se calhar será melhor pensarem no nível de risco que estão dispostos a aceitar para que as coisas finjam alguma normalidade.

DGS mantém escolas abertas mesmo com casos de covid-19

Regras da DGS preveem que alunos identificados como contactos de risco fiquem em casa. Mas o isolamento profilático não se aplica aos pais e irmãos dessas crianças.

Escola secundária em Faro põe fim às aulas presencias após novos casos de covid-19

Caso de infeção na Escola Domingos Saraiva em Mem Martins

Covid-19: quatro alunos infetados em escola de Massamá

Catavento

O Determinismo Histórico Funciona Só Quando Dá Jeito

Ouvia hoje, perto das 14, na TSF, a conversa de “senadores” entre David Justino e o representante do PS que hoje era José Luís Carneiro (em vez do mortalmente pastoso e entediante Carlos César). Quando chegou a parte de explicarem porque os níveis de pobreza em Portugal se mantêm quase inalterados apesar da propaganda acerca do aumento dos rendimentos, ambos se refugiaram na questão “estrutural” e do “contexto histórico” em que tem evoluído o fenómeno em Portugal, salientando, apesar de tudo, os ganhos significativos conseguidos nas últimas décadas.

Ora, sendo eu normalmente criticado por insistir na questão “estrutural” do nosso atraso educacional e na necessidade de atender ao “contexto histórico” que tem condicionado a evolução dos nossos indicadores, apesar de tudo com ganhos muito significativos conseguidos nas últimas décadas, fiquei algo baralhado.

Ou não.

Porque se há coisa que sei é que isto do argumentário político é como os interruptores e os cataventos.

Interruptor

Só?

Pela contabilidade do final da semana as provas de aferição facultativas do Ensino Básico serão feitas em 57% das escolas. Julgo que este será o valor de acordo com o que já foi comunicado à tutela, restando saber se sempre existirão indeferimentos a fazer subir este número. De qualquer modo, esperava que fossem mais a fazer porque sei até que ponto o ME procurou desincentivar quem não queria fazer, assim como houve director@s que se atemorizaram demais com as (pseudo?) dificuldades e o exemplo dos dirigentes das duas organizações de directores foi num só sentido,l o de fazerem. A tudo isto se somam – por via do poder unipessoal dado ao ME aos directores para decidirem apesar do que fosse a opinião do C. Pedagógico, professores ou mesmo encarregados de educação – aquelas personagens com tiques ditatoriais e as que se preocupam imenso em preservar a sua imagem de liderança. Confesso que me deixaram boquiaberto algumas declarações do presidente da ANDE, Manuel Pereira, que eu não esperava ver defender a realização das provas este ano por ser “uma forma de defender a escola pública”. Esperaria algumas justificações dele, mas não esta. Claro que eu não tenho responsabilidades de gestão nem de dependência hierárquica com o ME (mesmo como presidente de um CG a minha posição tem a comodidade da eleição pelos pares e posso participar em decisões que sejam mais fracturantes com menos medos e truques de linguagem), mas acho que a defesa da escola pública se faz por outras vias. E olhem que eu sou daqueles que defende a existência de provas de avaliação (as más) externa, só discordando do calendário em que eram feitas. Muito me admira que quem dizia há pouco mais de um mês que “não se pode começar a trabalhar com um determinado tipo de metas e depois alterar a meio e esperar que as coisas corram muito bem” ache agora que este processo defende a Escola Pública. Mas é a vida e as pessoas responsáveis adaptam-se com flexibilidade às circunstâncias.

Dito tudo isto, a minha homenagem a quem não se vergou às conveniências externas e preferiu manter alguma coesão interna nas suas escolas.

sinal

Contorçociononismo Torcicolado

Um dos pais da ideia de fazer da avaliação deste ano uma manta de retalhos lamenta a falta de diálogo que ele próprio ajudou a delinerar, de certa forma, validou ao – de acordo com a Renascença que está para o actual presidente como a acção socialista para o governo actual ou o observador para os órfãos do anterior (a TVI é mais como um boletim municipal para um presidente de câmara) ter sido ele a enxertar a ideia de fazer boca-a-boca às provas de 4º e 6º ano após o seu estertor final e a achar a boa ideia do fazes-se-quiseres-mas-se-não-fizeres-és-um-menino-mau.  A nota da presidência consegue, por comparação, fazer a do ME parecer um monumento de clareza e resvala, com alguma previsibilidade política, para o a-culpa-não-é-minha. Para primeiro acto de evidente colaboração institucional não vai nada mal. Nota 9/10 na categoria continuo-a-quer-agradar-a-gregos-e-troianos-mas-assim-ainda-me-lixo. Até porque dá a entender que foi ele que teve a ideia de dar “liberdade” e “autonomia às escolas” para tomarem as suas decisões e não o ME, o que é sempre divertido quando se lêem escritos da malta das esquerdas e do sindicalismo responsável da FNEprof a aplaudir a solução.

Contorcionista