Choque Frontal

Numa sondagem rápida (quase “científica”) à fornada da geração da minha petiza que chegou agora à Universidade (pessoal nascido em 2003, que passou por quase todas as experiências dos últimos 20 anos), desde a senhora da festa à “inovação” actual, passando pelo “rigor” cratista) fica bem claro que aquela conversa mole que ouviram durante 12 anos é para esquecer. Nem quero pensar em que lá venha a chegar na geração do PASEO. Por isso é que querem mudar as regras de acesso ao Superior. Porque, cada vez mais, querem transformar a escolaridade obrigatória num passeio. E depois, das Artes às Letras, passando pelas Ciências, o pessoal é atropelado logo às primeiras tentativas de atravessar a estrada.

Afeganistão

Parece o país mais ingovernável e inconquistável dos tempos modernos, a menos que seja por talibãs. Depois do fracasso russo e americano, tenho curiosidade em ver como seria se fosse a China a tentar tomar conta daquilo. Eu sei, não precisam dizer-me que não faz sentido. Mas lá que gostaria de ver a eficácia chinesa naquele território, gostava. O quê? Faziam estradas e pontes que colapsavam em seis meses quando as tropas dos barbudos fossem a passar?

Agora mais a sério: o que se está a passar é um monumento trágico à inconsciência militar dos tempos do Bush e a demonstração de que, afinal, aquela guerra tecnológica e “inteligente” é um mito.

4ª Feira – Dia 66

Mas, tão ou mais grave, é quem torna os filhos como reféns das suas próprias incapacidades e das más opções ou dificuldades do passado, Quem parece que inveja que os novos consigam ir além do que eles foram. Quando se diz a um filho que se não se foi mais longe e mesmo assim se sobrevive, então o estudo é dispensável ou secundário. Cortar a possibilidade de voar, só porque não se conseguiu fazê-lo em seu tempo. Criar inseguranças adicionais a quem já se sente naturalmente inseguro. Querer manter domínio através de chantagens psicológicas abusivas.

Uma Deliciosa (Dolorosa?) Lição De Direito Fiscal

A poucas páginas do fim da sua intervenção, o juiz Rosa lá encontrou um alegado crime cometido por Sócrates e pelo amigo Santos Silva e é um dos mais peculiares: “corrupção sem demonstração do ato pretendido” ou algo parecido. Parece que não acreditou na tese do “empréstimo”, o que até me espantou. Mas parece já estar tudo prescrito. Mas havia a acusação de não declaração dos montantes recebidos ao fisco, pelo que estava acusado de crime de fraude fiscal. Com uma lógica cristalina, o juíz Rosa explicou que, se foi dinheiro recebido por acto criminoso (prescrito), não tem obrigação de ser declarado para efeitos fiscais, pois não se enquadra nas tradicionais categorias de rendimentos colectáveis. Pelo que, sendo dinheiro com origem criminosa, não é crime não o declarar. O que tem a sua lógica, mas também nos consegue arrancar um doloroso sorriso.

Phosga-se! Série “Absolutamente Inaceitável”

Os tempos andam muito maus para o mais leve resquício de preocupação com a legalidade. Ou de mera decência. Isto é um exercício de controlo absolutamente inaceitável tanto para os visados quanto para o “agente” que é induzido a fazer algo que pode “parecer” lógico do ponto de vista do “registo”, mas é de um desrespeito atroz pelos direitos à imagem e à privacidade.

Numa escola perto de si, em especial se morar em Braga.

O Horror! O Horror!! É O Apocalipse!!! AiJazuze!!!

Bastam duas semanas em aulas e o homem entra em colapso mental.

E este novo #ficaremcasa não representa só a destruição do futuro de uma geração de alunos pobres; também representa a destruição dos sonhos profissionais de muitas mulheres de todas as classes, porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos.

Este texto é escrito a sério, mas parece arrancado à melhor (?) comédia de costumes, em tons de dramatismo milenarista. Quinze dias em casa e a uma geração de alunos pobres (para dar um toque “social” ao delírio) é destruída, assim como os “sonhos profissionais de muitas mulheres” (a demagogia a galope) “porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos” (acho que ele não percebe bem quantos disparates concentra nesta frase, embora eu destaque o do “sacrifício”).

O Henrique Raposo já pareceu novo, mas agora parece daqueles velhos sempre a anunciar o fim do mundo. E isto digo eu, que em regra sou considerado assim para o velho do restelo, sempre a apontar “problemas”.

Mas o que me custa mais – e nesse caso, não sei se consigo sequer achar graça – é o escriba achar que é por causa de dois anos lectivos interrompidos que “nunca mais o sistema conseguirá agarrar e salvar milhares de jovens da pobreza material e cultural em que vivem”. E eu que pensa – mas sou um inconsciente – que essa pobreza material e cultural é o resultado de muitas décadas de governança em interesse próprio. Que tanto que agora sofrem pelos “pobrezinhos”. Que enorme falta de decoro. Embora há uns anos o mesmo autor tenha ganho muito saber nestas matérias, pois até terminou prosa (não muito diferente do discurso actual do Ventura sobre as “pessoas de bem”) dando a entender que se aprende muita coisa, fazendo “antropologia suburbana durante quinze dias”.

O que direi eu que lá dou aulas há décadas. Tenho muito a aprender com o Raposo, que não gosta que lhe chamem betinho.