A Lei Da Greve Até Pode Continuar A Existir Formalmente…

… mas na prática morreu. Como naqueles regimes em que existem formalmente eleições, mas em que os resultados calham sempre à casa, neste momento só existirão greves, no sector público ou privado, quando não perturbar quem manda nos cordelinhos dos serviços máximos e da requisição civil (ou dos militares). E tudo no turno das “esquerdas”. Fosse isto no Brasil do Bolsonaro (ou na França ou Itália) e já haveria aí alminhas a gritar contra o regresso do fascismo. Por cá, até há sindicalistas a aplaudir, de forma mais ou menos encoberta. Ou artigos disparatados (tipo bssantos há dias) contra uma anémica extrema-direita que dificilmente faria pior do que isto.

À meia noite eram três governantes (incluindo aquele do ambiente que nem se percebe se foi o que estava mais à mão), em directo ou diferido nas televisões a lavar-nos mais branco o fim de um dos princípios da liberdade.

Wall

 

E Que Tal Perguntarem-nos Se Gostámos De Ser Congelados Pelo PS Em 2005, 2011 E Ainda Sodomizados Profissionalmente Em Público Durante O Último Ano?

Centeno manda suspender inquérito polémico à Função Pública

Inquérito perguntava grau de satisfação dos trabalhadores da administração pública sobre a reposição dos salários e os efeitos do período da troika, ou seja, do anterior governo de Passos Coelho. Sindicatos falaram em campanha política.

Centeno King

E Já Agora Peçam Para Nas Próximas Palavras Cruzadas A Shodôna Mercedes…

… ou quem a substitua, caso ande cansada, mandar rever definições. Porque, afinal, há aqueles que “ensinam quando não estão em greve ou morreram”, Porque há gentinha mesmo sem ética nenhuma… então faz algum sentido morrer em plena aula e deixar os alunos traumatizados. Seria caso para processo disciplinar post-mortem.

Scream

Domingo

Apesar do tempo cinzento, a silly season estival já se instalou de forma bem firme nos noticiários e intervenções públicas de políticos e derivados. Deixemos em paz Rui Rio e os seus recorrentes tiros ao lado do essencial, porque aos sobredotados está reservado um cantinho especial no reino dos Céus. Fiquemo-nos pelo rico batatal que é a Educação e o seu ministro, sempre feliz quando regressa ao seu torrão a mostrar obra para efeitos eleitoralistas. Entretanto, multiplicam-se notícias indignadas sobre a necessidade dos alunos (a família, os professores) apagarem os exercícios feitos nos manuais que não foram oferecidos ou “emprestadados”, mas apenas emprestados, que isto dos vouchers não é bem o que alguns pensavam. O problema é idiota a vários níveis, desde o facto de criar óbvias desigualdades entre quem apanha os manuais pela primeira vez, novinhos em folha, e quem os leva já numa 2ª ou 3ª vaga que, por muito que não se queira, após meses e meses de utilização e transporte em mochilas em conjunto com comida, ténis e outro material para Ed. Física, dificilmente estarão em condições próximas das ideais. Mas há mais aspectos a destacar como o facto de a generalidade dos manuais já não contemplar espaços para resolver exercícios. O que não impede que, por exemplo na leitura de um texto, o aluno, em especial um bom aluno, faça pequenas ou grandes anotações para se orientar. Que tudo isso tenha de ser apagado não é propriamente o fim do mundo em cuecas, mas começa a ser um pouco excessivo que agora queiram que sejam os professores a acrescentar isso ao conteúdo funcional da sua profissão, quando os encarregados de educação consideram como menor e indigna tal tarefa.

Entretanto, no CNE, volta.se à produção de documentos absolutamente inócuos a menos que correspondam aos desejos da elite política em exercício. A qual tem manifestos problemas em articular um argumentário lógico ou, sequer, intelectualmente honesto. Em notícia sobre a correia de transmissão do Governo no organismo, lêem-se coisas de pasmar sobre a carreira docente como “a pouca atratividade da profissão se liga, desde logo, aos números de desemprego”. E eu pensava que a “pouca atratividade” se devia à sua crescente proletarização material e desqualificação simbólica, fenómenos que levariam muita gente a não querer ingressar na docência. Mas não… é o desemprego que faz com que faltem professores o que só não é um paradoxo na cabeça da conselheira em causa.

Mas, não satisfeita, Inês Duarte continua em grande estilo, afirmando que aquilo que tem sido apresentado como “privilégio” da docência é, afinal, uma desvantagem, pois “a estrutura da carreira, cuja progressão é essencialmente baseada na antiguidade, torna-a pouco atrativa”, pelo que “a sua alteração parece-me essencial para a dignificação da carreira e para a revalorização social e profissional dos educadores e dos professores”. Ou seja, considera-se que é preciso eliminar o que ainda há pouco era apresentado como uma vantagem “injusta” da docência. Sendo que já se sabe que a alteração se destina não a revalorizar qualquer carreira, mas a limitar ainda mais o seu ritmo de progressão, alargando o tempo de permanência em cada escalão e apertando os critérios para essa mesma progressão.

E a mim, ainda choca esta falta de decoro em pessoas que não passam de tarefeiras políticas, cujo discurso se adapta a qualquer conveniência e sem qualquer convicção própria ou, sequer, preocupação com a coerência. Neste particular, a silly season é todo o ano, mas, em conjunto com a proposta de eliminar a prova de Matemática no acesso aos cursos que dão formação para a docência, convenhamos que Junho está em alta na parvoíce quanto às estratégias propostas para “elevar” a “atratividade” da carreira docente.

E ainda que reconhecendo a “necessidade de uma formação sólida em Matemática para quantos iniciam a aprendizagem das crianças desta disciplina”, o CNE defende, no entanto, que os tópicos que se aprofundam no ensino superior para se ser professor são os ensinados até ao 9.º ano de escolaridade, “não havendo assim relação direta entre a realização de um exame de Matemática do ensino secundário e conhecimento matemático necessário para um bom desempenho enquanto professor que também ensina Matemática“.

Entretanto, para compensar, a “atratividade” da carreira sindical em regime vitalício está igualmente em alta.

Stupid2

Quanto Àquela Colega, Manuela…

… as notícias que chegam são as piores, quer em termos de perspectivas, quer quanto à forma como estas situações são tratadas pelos poderes de proximidade. A opacidade e o abuso de poder cristalizam-se como a regra, chegando mesmo a ameaçar-se quem apenas quer aceder a informação sobre si. Quanto se pensa que falta pouco para se encontrar o pior que há no humano, temos sempre margem de expansão para a indignidade. Mas quase aposto que são pessoas que numa perspectiva de flexibilidade, perfilam muito o século XXI como um tempo-espaço de Cidadania. Pena que a não pratiquem.

grito