Já Se Percebeu Que Tudo É O Que Não Parece

O sindicato dos motoristas de matérias perigosas marcou uma nova greve, desta vez ao trabalho suplementar, para Setembro. Isto sem que tenha ocorrido sequer qualquer negociação. O que faz pensar que a suspensão da última greve foi apenas táctica e destinada a não perder a face num contexto que começava a ser complicado do ponto de vista jurídico, político e económico (devido à forma como o governo estava a aplicar serviços máximos-mínimos, alegando que iria existir uma mediação que, afinal, nem chega a ser. Será que Costa encontrou, enfim, a sua verdadeira oposição ou um salvo-conduto para a maioria absoluta? Confesso que ainda não percebi.

contorcionismo

6ª Feira

Quem o impacto ou eficácia de uma greve que não não tenha efeitos “negativos” que pressionem quem decide (seja o patronato formal ou informal)? Uma greve meramente simbólica vale tanto como um cravo na lapela no dia 25 de Abril. Fica bem, mas vale de pouco. É triste ver o direito à greve ser sucessivamente demonizado e espezinhado pelo nosso governo mais à “esquerda” desde 1976. Se era para isto, declaro-me mais do que arrependido por ter achado, em 2009 (primeiro manifesto em defesa de uma solução PS/PCP/BE) e 2015, que valia a pena experimentar.

cravo murcho

E Eu É Que Sou Do Contra?

Pelas 13.40, Francisco Louçã e Carvalho da Silva, na hora de almoço da TSF, arrasavam a estratégia mais recente de Mário Nogueira, chegando o último a dizer que em certas alturas há “quem se agarre a qualquer coisa”  a propósito do apelo que o líder da Fenprof fez a PCP e Bloco. Repare-se que nem estou dizer se estão certos. Apenas que se fosse eu, era logo de anti-sindicalista e anti-comunista para baixo.