É Triste

Um país que nos mostra filas de idosos de 80 e 90 anos ao frio em filas para serem vacinados (hoje, a reportagem era sobre Viseu), enquanto adultos saudáveis, mas com a posição certa no esquema cunhista nacional, beneficiam de confortável vacina, sem demoras, graças a miraculosas sobras das ditas.

E Que Tal Formação Parental Em Civilidade Digital?

Amanhã desenvolvo o tema, porque vou recebendo relatos que revelam que há quem continue a não perceber que uma sala de aula virtual não é uma qualquer casa da (mãe) Joana, sem desprimor para as Joanas que nada tiveram a ver com a origem da expressão e nunca passaram por Avinhão.

O Peso Das Palavras

Quando me lembro de ler algo como “falhanço nacional” acerca do encerramento das escolas e depois vejo dezenas de ambulâncias paradas, horas a fio, a fazer de quartos de enfermaria, no acesso aos vários hospitais do país, penso que só podem estar a brincar comigo.

Quando a propósito de duas semanas sem aulas há quem fale em “geração perdida” ou “destruição de uma geração” e todos os dias morrem, de uma doença que alguns iluminados negam existir ou ser digna de especial atenção, o equivalente a um avião de passageiros, daqueles já bem grandes, quase tudo gente idosa, só posso pensar que estou perante gente que gosta de piadas de mau gosto.

Solucionistas: A 2ª Vaga

Está de regresso aquele grupo de pessoas ética e moralmente superiores que estão sempre prontos para encontrar soluções para todos os problemas e que encontram “oportunidades” em todas as situações de crise. Na 1ª vaga pandémica estiveram firmes no seu posto a salvar a Educação Nacional contra as investidas dos “problemáticos”. O balanço foi a modos que duvidoso, mas, dez meses depois, quando se percebe que o ME pouco fez para prevenir um novo confinamento e que muita da preparação passou apenas por preparar Planos de Contingência e demais papelada, eis que estão de volta, garantindo que nas suas escolas tudo o que havia a ser feito, foi feito e que estão pront@s para novo período de um E@D de excelência. E quem ousa levantar alguma dúvida é logo destratado como sendo alguém que não quer trabalhar, não quer arranjar soluções, é um incompetente ou atrasado digital, etc, etc.

Claro que há quem assuma esta atitude de um poleiro mais alto, que é o de professor@ “superior@”, se possível de um centro de investigação ou de uma instituição de formação (inicial e/ou contínua) de professores, com destaque para quem já andou pelo mundo “inferior” e agora sabe tudo sobre aquilo que abandonou à primeira oportunidade. E fale muito na necessidade de os professores aprenderem a ser professores, aprenderem a ensinar, aprenderem a preocupar-se com os alunos, aprenderem a diversificar, flexibilizar, diferenciar, digitalizar, etc ao cubo. E conhecem imensas “boas práticas” que ajudam a disseminar nos seus “contactos com as escolas”. Escolas onde imperou a boa vontade dos docentes missionários, que ouviram as vozes do Alto e puseram em prática o Verbo Certo.

Hoje, num programa de rádio em que tive direito a 5 minutos de parlapateio, pude discordar de quem acha que uma “boa prática” em tempos de pandemia é (de novo) andar com os computadores das escolas às costas para os levar a casa dos alunos carenciados (olá, Anabela Magalhães! isto não é contigo). Eu até concordo que foi – na primeira vaga – um excelente exemplo de dedicação. Mas não me parece que deva ser algo a repetir. Foi um “remedeio”, não pode ser uma regra. Mas quando afirmo isto, passo logo para o grupo dos “problemáticos”, egoístas, daqueles que não gostam dos alunos e têm uma atitude negativa. Mesmo quando se tem razão, parece que se está num plano moral de extrema inferioridade em relação aos “solucionistas”. Que, como agora se vê, acabaram por não solucionar grande coisa, por muito boa vontade que alguns tivessem.

Apontar “problemas” é ajudar a encontrar melhores soluções. É antecipar equívocos e procurar evitar falhanços óbvios. Até se podem levar computadores a casa, quando não há outro caminho, mas antes disso devem apontar-se as alternativas mais correctas e adequadas a um país que se firma tão moderno e aberto ao século XXI. Só que os “solucionistas” parecem já ter as respostas todas, mesmo se parece consensual que o remendo do ano lectivo passado foi mal amanhado e que os avisos feitos desde então pelos chatos “velhos do Restelo” tinham razão de ser e deveriam ter sido ouvidos.

Mas é praticamente impossível entrar em debate com quem se sente não sei quantos degraus acima na escala da ética e boas práticas.

Há Pessoal Ainda Mais Irritado Do Que Eu

Data: Wed, 20 Jan 2021 20:48:28 +0000
De: **********@sapo.pt
Assunto: Pedido de inquérito-crime
Para: correiopgr@pgr.pt

Excelentíssima Senhora Procuradora-Geral da República

Dr.ª Lucília Gago

Venho por este meio solicitar a V.ª Ex.ª que ordene a abertura de um inquérito que permita apurar se nos recentes contágios de Covid-19, ocorridos no final do mês de Dezembro de 2019, se verificou a prática dos crimes de propagação de doença contagiosa, de ofensa à integridade física e de homicídio, por negligência ou com dolo eventual, cometidos pelo primeiro-ministro António Costa (e restantes membros do governo) e pelo presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa.

Relembro que nos Anos 80, e durante duas décadas, o Ministério Público a que a V.ª Ex.ª preside, talvez com mais escassa fundamentação factual e com mais débil argumentação jurídica, sustentou contra a ministra da saúde de então, Leonor Beleza, a acusação da prática do crime de propagação de doença contagiosa, com dolo eventual.
Disponibilizo-me a V.ª Ex.ª para acrescentar a informação que julgar conveniente.

Com os melhores cumprimentos
Mário (…) Rodrigues, Cidadão português, portador do cartão do cidadão n.º 0******* 9 ***
Morador na Rua (…)
(…)

Não É A “Vontade Dos Professores”, Porra!

O Manuel Carvalho parece que insiste em não perceber as coisas e em voltar a colar-se à tese de “os professores querem é ir para casa”. Mesmo que ache que até têm razão. Veja-se isto:

Ninguém tem dúvidas de que o fecho das escolas tem um custo terrível para os jovens, principalmente os das classes mais desfavorecidas. Foi esse preço que motivou o Governo a recusar os argumentos de uma parte da comunidade científica. Foi esse preço que nos levou a considerar neste espaço o fecho das escolas como um “mal maior”, que deveria ser evitado a todo o custo. Mas importa reconhecer a realidade e admitir que no curto período de uma semana apareceram razões para o Governo (ou o autor deste texto) mudar de opinião. A vontade dos professores tem de ser considerada. O índice de contágios nos jovens também. E a “percepção” dos portugueses que determinou um confinamentozinho com poucas regras e muitas excepções também.

Não é isso o essencial do que está em causa, c’um raio que me parta! Não é nenhum braço de ferro com “professores” de um lado e o governo e “pessoas de bem” e muito trabalhadoras e responsáveis do outro. É entre o bom senso e a teimosia idiota. Eu sou professor e pai, sendo que sou professor numa zona bem “desfavorecida” e que lida diariamente com aquilo sobre o que outros escrevem e vêem de longe. Será que pensam que o que eu quero é ir para casa passar horas agarrado ao computador que o ministério não mandou a tempo para eu ou os meus alunos “mais desfavorecidos” trabalharmos?

E não foram “os argumentos de uma parte da comunidade científica”, tal como é escrito em outra passagem lamentável, como rapidamente a esmagadora maioria se apressou a esclarecer. E essa comunidade não tem nenhuma “percepção errada” dos “perigos que ameaçam o país” como se imputa aos cidadãos.

Será que este é um professorzeco disfarçado de “especialista”?

Manuel Carmo Gomes, epidemiologista, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e também um dos peritos que o Governo escuta nas reuniões do Infarmed, não tem dúvidas de que o fecho das escolas é uma medida que se impõe, perante uma situação “de emergência sem precedentes”.

“Não é tempo para estarmos em discussões académicas sobre onde os jovens se infetam. Temos de manter a proteção relativamente aos mais idosos. Não creio que consigamos desacelerar a velocidade a que vai esta epidemia com velocidade necessária para não nos encontrarmos na situação de estarmos agora muitas semanas com os casos acima dos dez mil.”

O que está em causa é um problema de segurança sanitária e saúde pública, pá! É preciso que se entenda que há quem tenha tido a percepção das coisas em devido tempo e antecipado o que se iria passar – é o que dá ser do povo e andar entre o povo e não fechado em tertúlias bem-pensantes e sensíveis a “narrativas” sedutoras do Poder – e há quem tenha falhado em toda a linha no raciocínio ou conveniências ou sei lá o quê, em grande parte com base em preconceitos sem sustentação.

Lá por ser professor não posso ter tido razão no que previ, sem que pensem que eu quero qualquer coisa para mim? Que m€rd@, estou mesmo farto desta forma pequenina e medíocre de pensar. Um gajo é “profe”, logo, quer é ficar em casa. Phosga-se! Porque será que há quem meça os professore sempre por uma bitola de desconfiança e condescendência? Onde é que esta malta se doutorou em Ética e Superioridade Moral?

Manuel Carvalho, pá, estavas errado, tão errado e entendo que não queiras que se ande agora em busca de “culpados”, porque alinhaste activamente com eles. Só que a realidade é um muro complicado de fingir que não está lá.

Dados apanhados há bocado na TVI. Não são de um “professor” no sentido de “zeco”.

Por mim, quero informação, clareza, rumo. Duas a três semanas podem evitar uma catástrofe maior do que aprenderem o Condado Portucalense depois do Carnaval.

“Chegam-me casos de escolas que ocultam casos, diretores que só disponibilizam a situação no seu agrupamento em caso de extrema necessidade. Ou seja, sabemos muito pouco do que se está a passar, nada disto é totalmente transparente e isso obviamente que não oferece segurança”, sublinha. “Devia haver uma comunicação semanal do Ministério sobre a situação nas escolas. Se não é o que se vê, além de uma disparidade de critérios sobre quem vai ou não para isolamento e afins”, acrescenta. “Compreendo que não se queira criar um alarme social, mas é preciso dizer às pessoas o que se passa para se conseguir quebrar as cadeias de transmissão”, frisa ainda Guinote, antes de rematar: “Se fechassem duas ou três semanas, até podia ser desfasado, por ciclos, já eram muito menos pessoas a circular”.

Encarar um eventual “fecho das escolas” na lógica da vitória/derrota é um enorme equívoco. Isso é a análise do político de terceira categoria. O que está em causa é muito mais importante do que isso.

Para uma qualquer próxima vez – basta uma – tenta não encarar as coisas sempre dessa forma enviesada, em que vocês é que se preocupam com os “tadinhos dos pobrezinhos” do alto da vossa sobranceria (junto com os porfírios deputados e os raposos e baldaias e o outro que é filho d’algo) e nós, professores, que trabalhamos em condições desgraçadas tantas vezes e fazemos o pino para encurtar as desigualdades no terreno, é que somos os “corporativos” e “egoístas”. Por mim, podes ficar com os meus testes, as minhas vacinas, tudo, desde que, por uma vez, mudes o raio das lentes!

E descansa, já sabemos que se pararmos um par de semanas, estarás na linha da frente a pedir mais dois meses de aulas para “mitigar” as perdas enormes nas aprendizagens.

Os Meninos À Volta Da Fogueira

Parece que o Conselho de Ministros vai reunir de emergência amanhã, por causa do fracasso do pseudo-confinamento que foram ELES a decretar. Mas aposto que as culpas vão ser atiradas para “os portugueses que não seguiram as regras” e tiraram partido das múltiplas excepções (52 que, ao contrário do que a ministra da Saúde disse hoje não são as mesmas de Março). Parece que o problema é o grande problema é das “vendas ao postigo” de bebidas, veja-se lá! Ou dos cafézinhos. Quando um bando de galinhas se desorienta é complicado voltarem a ir ao lugar. O desnorte tem origem bem clara e não vale a pena virem com aquela conversa do “preço de sermos humanos”, porque o valor de centenas de vidas não se mede pela idiotice de alguns, lá porque se acham grande coisa.

O que vão fazer? Aumentar coimas? Impedir umas lojas de abrir e permitir a outras que estejam a atender filas de gente nas zonas comuns dos centros comerciais? Fechar teatros, mas manter abertas as secções de ciclismo das lojas de artigos desportivos? Abrir os atl para justificar escolas abertas? Será que não entenderam ainda que perderam quase toda a credibilidade de tanto quererem agradar a uns e outros, mais amiguinhos, chamando “essencial” ao acessório e insistindo num modelo de confinamento que se via à distância que era uma treta? E que vai assim continuar a ser, pelo que se vai percebendo?

A culpa é do “povo”?

Não, a culpa é de governantes bons para festas e eventos, camarotes e carros à disposição, visitas vip e um crescente descolamento da realidade. Até porque só houve 58 contra-ordenações este fim de semana.

O perigo vem do oportunista Ventura?

Não, o perigo (e mede-se em centenas de vidas) vem de vocelências, impantes em toda a vossa enorme vacuidade. Vocelências é que, em toda a vossa inépcia e cedência a interesses “esquisitos”, acabam por lhe dar força.

Escolas Abertas: Apenas Um Pensamento Final

Se o ensino presencial “essencial” e a relação entre professores e alunos é assim tão “insubstituível” e “incontornável”, porque raio os governos dos últimos 15 anos (mais de 10 com o PS e 5 com o PCP pela trela) têm tratado a classe docente com a mais absoluta falta de respeito, sucessivas ofensas e amesquinhamentos públicos?

Bardamerda, Pá!

Ficamos conversados acerca disto?

Acho Absolutamente Inadmissível

Colegas do ensino público a convocar alunos a meio de um domingo para aulas síncronas na manhã de um dia em que foi decretada a suspensão de actividades lectivas e em que isso até foi imposto pelo ME ao próprio ensino privado. Aulas de duas horas e com tarefas de avaliação. Inadmissível. A tantos níveis, Perderam aulas com as “pontes”? Flexibilizem! Não foi isso que vos andaram a dizer para fazer? Não andaram em tantas formações a aprender a flexibilizar? Aulas síncronas de duas horas, com alunos a ser avaliados em que foi explicitamente decretado que não haveria actividades lectivas? Há quem só tenha o que mereça. O que me custa é que a miudagem fica com receio de não aparecer,

Se o órgão de gestão não sabe, deveria saber. E não permitir. Ou fingir, depois, que não soube ou que já nada pode fazer. Uma absoluta vergonha. Estamos no primeiro período. Os feriados já estavam no calendário. É por causa de duas aulas que tudo vem abaixo? Grelhem menos e aprendam mais jogo de cintura. Eu que até sou para o rotundo e dizem que teimoso, aprendi.

4ª Feira

No contexto actual de agravamento das medidas restritivas em muitos concelhos e em que se sugere – ou impõe – a redução de “convívios” sociais ou familiares e das deslocações ao mínimo essencial, merece especial adjectivação vernácula quem anda a convocar reuniões de avaliação presenciais para o final do 1º período. Cheira logo a mando de quem ou não tem reuniões dessas ou acha que não deve ficar na escola sem companhia alargada, mesmo que isso signifique desnecessários riscos acrescidos para os ex-pares. É nestas alturas que custa imenso não partir para uma escalada verborreica, porque realmente há gente que não merece tal esforço de contenção.