Aquilo Que O Ricardo Costa Parece Incapaz de Entender (Mas Não É Só Ele)

A seguir ao ministro Tiago, veio dizer que Portugal fez mal em não abrir as escolas todas mais cedo, pois – diz ele – “temos agora o exemplo vivo” [sic… duplamente] de que não se deram casos de transmissão dentro das escolas. E começou a dizer que praticamente todos os países europeus tinham aberto as escolas, o que é rematadamente falso.

Ora bem… para além disso em primeiro lugar, não sei se é bem assim, essa do “exe,plo vivo” (faz-me lembrar a retórica do “dever cívico”). A propaganda vale o que vale. É como com os lares de idosos… se somarmos tudo o que se sabe aqui e e ali, excede largamente os números oficiais, mas parece que não. Enfim.

Em segundo lugar e mais importante… o problema em si não é a transmissão “dentro das escolas”, mas tudo o que envolve o regresso às aulas e pode ser levado para casa. Se o pessoal urbanito da geração do Ricardo Costa (se repararem, os grandes críticos da não abertura das aulas andam quase todos pela mesma idade e é gente com “responsabilidades” e pouco tempo para “perder” com petizada sem aulas ) não entende isso, nada a fazer. É como com a manutenção de centenas de novos casos positivos em Portugal, dando a entender-se que é problema apenas de uns bairros. Quem defendeu o desconfinamento e logo se via, nem fala disso ou fala como se fosse tudo natural e nada de mais.

O Boris Johnson era mais ou menos assim até ter levado com a coisa na sua própria testa.

cansaco-mental

Há Dias Assim

Posso discordar dele em muita coisa, mas também em muitas ocasiões posso perceber o raciocínio. Mas o artigo de hoje no Público do João Miguel Tavares, dando a entender que há mais infecções e contágios “nas ruas” entre jovem, porque as escolas estáo fechadas é demasiado mau, das premissas à “demonstração”, absolutamente desligada de qualquer base empírica ou nexo causal. Deram-se as infecções em que jovens, de que idade, de que ano de escolaridade e aconteceram em que contexto? Só a partir daí se poderia erguer uma qualquer teorização válida, mas JMT prefere disparar na direcção habitual, aquela que parece dar “créditos” permanentes junto de uma certa tertúlia urbana de pensamento fixo. E se estes jovens até forem daqueles que têm escolas abertas ou que, quando as tinham, mal punham lá os pés?

Por acaso, tenho uma filha adolescente (está entre as que voltaram, bem como a mãe, que lecciona 12º ano) e bem vejo o que se passa à porta de algumas escolas secundárias da tal “grande Lisboa”. O JMT já se deu ao trabalho de passar por lá e analisar o modo como está a ser retomada a “socialização” junto aos portões? Acha bem, mais ou menos ou nem por isso?

Beavis and Butthead

Pensamentos Da Pandemia – 17

Começaram, claro que começaram, os primeiros “murmúrios” acerca da possibilidade de haver cortes nos vencimentos ou alguma forma de congelamento de progressões. O “clima de afectos” entre o PM e o PR é de assumida troca de favores e engana-se quem procurar achar uma fissura na muralha d’aço que constituem. Pelo menos até às presidenciais. Claro que “ajuda” termos uma especialista em quebrar contratos na tutela das carreiras da administração pública (sim, procurem na sua produção “científica”), nada será de espantar. Mas – e eu seu que da “esquerda” à direita direita dirão que isto é demagogia, mas é mentira – a verdade é que isto se discute quando não há dúvidas nas transferências para o Novo Banco (o “banco bom”, relembre-se) ou há uma encenação de polémica para injectar mil milhões de euros na TAP privatizada.

Então é assim e que fique desde já muito claro… se me voltarem a cortar vencimento ou a congelar a progressão, enquanto financiam empresas que privatizaram ou pagam compensações a parcerias, se quiserem que eu continue a pagar do meu bolso o ensino à distância (quando dão milhões para o desenvolvimento, aperfeiçoamento e actualização de plataformas 360 que não servem para um chavelho de cernelha) garanto que entrarei em situação de stress profissional e burnout financeiro-emocional. E mandem quem bem entenderem, de preferência alguém novo e dinâmico, para me substituir. Porque eu já não tenho reservas de pachorra para gente sem um pingo de vergonha nas fuças.

Sim, a terminologia começa a vernaculizar.

Palavra de não escuteiro.

Haddock

Justifica-se Que Exista Algo Chamado CTT “Expresso”…

… quando em poucos dias, são duas as encomendas que o sistema SIGA indica não terem sido entregues por estar o destinatário ausente, quando um tipo está em casa e até levou com dois sms a avisar, um na véspera e outro logo de manhã, que a coisa chegava?

Pior… no caso anterior, a encomenda não terá sido entregue a 12, o sistema indicava que tinha sido deixado aviso no posto errado dos CTT e quando chegou (o aviso, a 14), já eu tinha conseguido descobrir onde estava e recolhido.

Hoje, começou novo processo… não percebendo para que se paga um serviço “expresso” que nem se preocupa em parar à porta dos destinatários, provavelmente com medo que um vírus esteja alojado na a campaínha.

E viva a privatização dos correios!

Turd

Não Queria Acreditar, Mas…

… os contactos que fiz ontem e hoje confirmam-me o essencial do que publiquei acerca das ameaças (ali pelo segundo semestre de 2019) de um grupo de directores “jovens” acederem a classificação que os isentasse de quotas ou então que se demitiriam (o que duvido muito), o que permitiu a muitos escaparem a esse gargalo de progressão.

O complicado é que… quando um tipo escava as coisas, descobre, qual Vasco Santana de prego e martelo em punho, o que não espera, só que desta vez não é branco, nem tinto, apenas um truque “legal” (como me foi sublinhado) para ultrapassar a questão das quotas por outra via.

Em “expilico”

Ao que parece houve director@s, em número que não me é possível apurar, que se demitiram do cargo para serem avaliadas como docentes “regulares” e assim obterem a classificação desejada para a progressão(por vezes, d@s avaliador@s que nomearam como coordenador@s de departamento), voltando depois a candidatar-se ao cargo que tinham vagado, voltando a ser avaliador@s de quem @s tinha avaliado.

(claro que nada disto me foi explicado por extenso, porque já todos aprendemos que o melhor é ficarmos pela via oral…)

O que me faz lembrar aquele truque dos alunos que davam uma voltinha pelo profissional para terem grandes notas para se candidatarem à Universidade.

É “bem pensado”? É.

É legal? É.

É de uma promiscuidade aterradora? É

É este modelo de avaliação e progressão uma enorme vergonha? É.

Mas fez-se? Sim.

É vagamente moral ou ético? Não me parece (mas eu estou quase sempre enganado nestas coisas…)

Este tipo de conduta explica tanta coisa, em particular quando é feito com a complacência da cadeia de comando central. E também explica que tanta gente vã de peito feito para certas reuniões, clamando por isto e aquilo e proclamando certas posições, e delas saia com a trela posta e a cabecinha a-dar-a-dar.

cadeia-e-teia-alimentar

E Já Andam Por Aí Com Dezenas De Milhar De Visualizações…

… gravações de aulas por vídeoconferência através do Zoom. Como é óbvio não irei linkar as horas disponibilizadas no Youtube por hackers de meia-tigela. Enquanto os gurus da nossa Educação Digital não reconhecerem o erro (e quando o fizerem é como se tivessem sido sempre eles a avisar) que é recomendarem plataformas altamente inseguras. A idiotice de alguns pseudo-iluminados deve ser travada pelo bom senso e a cegueira e as vaidades apressadas só ajudam a aumentar o problema, não a resolvê-lo.

Zoom

 

Pode Vir A Ser Um Erro Muito Caro

Se insistirem em fazer regressar o Secundário a aulas presenciais a 4 de Maio só para não recalendarizar os exames. Mesmo dessa forma serão perdidas 5 semanas de aulas presenciais e não há “telescola”, tipo Youtube ou RTP Memória que as substitua. Gostava de saber se, fosse isso o ano passado, certas pessoas concordariam com a mera hipótese de tal decisão. Porque brincar com a saúde dos outros (alunos, pessoal não docente e docente) é mesmo muito giro. E olhem que se “esticarem” o ano aqui por casa a maioria terá de o aguentar, portanto… não estou a defender qualquer interesse em ter “férias”,

manguito