Pelo Educare

Umas bengaladas no voluntarismo do ministro Tiago, que nada fez para democratizar o funcionamento das escolas, antes pelo contrário.

A Escola da Abstenção

É muito mais importante dar o exemplo, dentro e fora da Escola, que a Democracia vale a pena, que o modelo democrático é essencialmente o mais justo para os cidadãos e que a tal “Cidadania” deve ter tradução prática numa intervenção cívica permanente, não apenas nas grandes causas com certificação superior (“defender o Planeta”), mas também em micro-causas que reforçam a confiança de proximidade no regime democrático.

pg contradit

Flexibilizar, Transversalizar, Articular, Partilhar, Desburocratizar, Desburocratizar, Desburocratizar…

Hoje foi o dia da minha dt (7º ano) começar a apresentar o seu trabalho de projecto sobre reciclagem – o Eco-Jogo – nas escolas do 1º ciclo onde a maioria del@s andou. O trabalho envolveu Cidadania (selecção do tema e apoio logístico), Ciências Naturais (tratamento dos conteúdos) e Educação Visual (tratamento gráfico). Transversalizou e articulou horizontalmente, portanto. E ao envolver esta semana turmas da pré, do 1º ano e, a breve prazo, do 3º, articulou verticalmente e, para além de saciar nostalgias (“professor, posso ficar e dar uma volta pela escola”), promoveu a partilha de experiências entre várias escolas do agrupamento e alunos de diferentes ciclos.

Nada disto é especialmente inovador. Pelo contrário, é algo mais do que conhecido e praticado. Não é por causa disso que escrevo. Escrevo porque tudo foi conseguido sem ser necessário qualquer tipo de papelada típica dos “projectos” do pafc, sendo tudo organizado com base naquele método arcaico do contacto pessoal, da conversa, entre docentes envolvidos (na horizontal na preparação, na vertical na aplicação), entre estes e os alunos. Não foram necessárias grelhas de preparação. de monitorização dos progressos, de avaliação intermédia etc, etc. Ou seja, sem aquele acréscimo de “representação dos actos” tão típico do que voltou a ser moda. Apenas foram gastas 6 folhas A4 de papel para formalizar a autorização dos EE (várias por folha) para a saída nos dois dias, assim como para o seguro escolar.

Todos os envolvidos concordam em que tudo correu conforme planeado, mais ou menos detalhe, e estão satisfeitos com isso. Nem a mim apetecia que fosse de outra forma.

 

Cidadania E Subdesenvolvimento

Hoje ao sair de uma aula, a meio da tarde, e ao ir pelo corredor deparei com um aluno (coisa de 6º ano, no máximo) que exibia perante as colegas os seus dotes de arroto bem sonoro, de que me fui apercebendo mesmo à distância. Quando lhe recomendei que o fizesse em ambiente familiar e perguntasse o que achavam da competência demonstrada com elevada mestria, lá se calou, mas mal me viu pelas costas, recomeçou enquanto saía do bloco pelo lado oposto ao meu. Má sorte a dele eu ser tinhoso e ter dado a volta por baixo e ido dar de caras de novo com o petiz enquanto descia as escadas todo risonho, a arrotar com toda a alegria do mundo. O que a seguir lhe disse tirou-lhe o sorriso parvo da cara e fez-lhe extinguir os gases em excesso no estômago e esófago. Terei sido pouco flexível e quiçá rígido, mas há coisas que não sendo aprendidas de pepino, é tarde quando não se é pequenino, a menos que a explicação seja assim um pouco em força ao nível dos “afectos”.

Burp

Cidadania E Desenvolvimento – As Sagradas Escrituras

Documento cujas propriedades indicam ter origem no gabinete do SEE (e não comecem outra vez a dizer que isto e aquilo, escreveram sobre outro e tal). Tenho o resto que posso ir publicando para nos divertirmos um pouco em época de Quaresma. Não… não me foi nada  fornecido por qualquer colega do meu agrupamento. Temos uma cláusula de confidencialidade nesse aspecto. Só recebo materiais de fora. Por uma questão de confiança, claro.

Eu divulgo, porque acho que todos temos direito a saber ao que andamos e a verificar o que é trabalhar em versão beta os pré-conceitos de uma clique de luminárias.

Apresentação: AFC_Reuniao Rede LVT fev2019 vFinal.

PAFC Fev2019

Cidadanias Divergentes

Há quem pareça ter descoberto o Colombo e o ovo nos últimos anos. Mas há muito tempo que a coisa se discute, por vezes com excesso de palavras e mais intenções do que actos.

Vem isto a propósito de uma publicação de 2009, em que se trata da Cidadania Global e em que o primeiro artigo, curto (“Ruma a uma educação transformadora”, pp. 15-17) do italiano Antonio Nanni termina de uma forma que acho exemplar.

Porque se há coisa que eu acho essencial é que se resista ao imenso esforço que um grupo político-mediático tem desenvolvido para domesticar a classe docente. Sim, têm conseguido boa parte desse seu desejo, mas haverá sempre quem ache que a “transformação” não começa ad nihilo nos alunos, sem professores que sejam cidadãos críticos e activos, dificilmente se poderá ensinar aquilo em que se desacredita. Por muitos bloqueios que façam, por muita desinformação que lancem, por muita mentira rasca que espalhem nos corredores e bastidores.