Não Me Espanta

A falta de “cólidade” de muita informação oficial começa a ser norma. DE a culpa não é sempre dos sistemas informáticos ou dos dados na origem, mas mesmo da lata de competência do factor humano, recrutado com base em critérios muito distantes da competência técnica. E o mesmo se diga (com maioria de razão) das próprias chefias.

Os dados de vigilância epidemiológica da Covid-19 cedidos pela Direção-Geral da Saúde aos cientistas contêm “dados com caráter provisório”, que “poderão ser ainda alvo de validação” e com erros graves – entre os quais falhas na proteção da identidade e “homens grávidos”.

A Direcção-Geral da Saúde cedeu aos cientistas dados incompletos e com erros sobre os doentes com Covid-19, revela esta sexta-feira o Observador. Segundo o jornal, há homens grávidos, falhas graves na proteção da identidade e artigos científicos com dados errados.

Segundo o Observador, o ficheiro recebido pelos investigadores a 4 de agosto tem os dados dos doentes com Covid-19, como idade, sexo, se teve de ser hospitalizado, que cuidados recebeu e se recuperou ou não da doença, até ao dia 30 de junho, mas a base de dados não protege a identidade dos doentes. Mais de 90% dos mortos são potencialmente identificáveis, acusam alguns dos investigadores.

Os investigadores apontam a existência de artigos científicos com dados errados ou com “caráter provisório, que poderão ser ainda alvo de validação e que podem não coincidir com aqueles reportados pelo boletim diário da DGS”, além de falhas graves nos dados, como é o caso de homens grávidos, entre os quais uma criança de 5 anos.

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O Que Interessa É A Certeza Absoluta Da Pseudo-Verdade Dos Números Centénicos

Políticos decidem nova abertura sem certeza científica sobre a primeira fase. Os bastidores da reunião no Infarmed e o “quarto pastorinho”

Até porque há que perceber que os apóstolos da Boa Educação obedecem, quando aperta, à Economia e não se fala mais nisso. Até se inventam razões educativas e de saúde (!!!) quando o que está em causa é “libertar” a mão-de-obra.

Reabrir creches e pré-escolar é fundamental

Fatima

Leituras

Agradecendo as referências ao Livresco:.

CORONAVIRUS: HOW ASYMPTOMATIC CARRIERS SPREAD A VIRUS LIKE COVID-19

Can you have COVID-19 without showing any symptoms? That may be main driver behind the pandemic, according to scientists.

Coronavirus is spreading panic. Here’s the science behind why.

From prehistoric predator encounters to frantic toilet paper runs, our anxious brains can short-circuit when faced with the scary unknown.

Porque o discurso anti-Conhecimento e anti-Ciência, quando no poder, é profundamente perigoso:

The deep ideological roots of Trump’s botched coronavirus response

How the GOP’s decades-long war on expertise sabotaged America’s fight against the pandemic.

CovidCartoon

O Que Me Está Aqui A Escapar?

De: direção **** <*****@gmail.com>
Date: quarta, 11/03/2020 à(s) 14:56
Subject: Esclarecimento sobre Assistente Operacional da ****

A toda a comunidade educativa

Hoje, dia 11 de março fomos informados por uma Assistente Operacional da Escola Básica (…) que o seu educando se encontra infetado pelo vírus Covid 19.

Esclarece-se que o aluno em causa não é aluno da nossa Escola, frequenta a Escola Básica (…) e pertencia ao grupo de turmas que há uma semana atrás foi colocado em isolamento profilático porque uma das suas professoras foi confirmada com Covid 19.

Nesse mesmo dia a Assistente Operacional foi para casa acompanhar o seu educando não estando por isso ao serviço desde o dia 4 de março.

Face ao exposto entrámos em contacto com a Senhora Delegada de Saúde Coordenadora do ACES Lisboa Norte que nos esclareceu através do email que a seguir se transcreve:

Exma Senhora Directora

Agrupamento de Escolas *****

“Respondendo ao seu email cumpre-me informar que a situação descrita referente à funcionária, mãe de aluno da escola da Amadora, não oferece risco para a vossa comunidade escolar tendo em conta que a mãe do aluno é um contacto de um contacto de um caso de doença. O contacto com a pessoa doente foi estabelecido pelo aluno, logo a mãe não oferece risco.

Há ainda a ter em conta o facto da funcionária da vossa escola estar em casa desde o dia 4 de Março, dia em que foram suspensas as aulas das turmas que estiveram em contacto com a professora doente”.

Fico ao dispôr

Cordiais cumprimentos

Teresa Pestana Gonçalves

Coordenadora da Unidade de Saúde Pública Francisco George

Delegada de Saúde Coordenadora do ACES Lisboa Norte

Esta situação levanta-me três dúvidas:

  1. No mail da direcção não se refere que o aluno está “infetado”? Eu não leio “suspeita de infecção”. Foi alguma imprecisão?
  2. Não sendo imprecisão, o que significa exactamente que não há risco por ser “um contacto de um contacto”?
  3. Uma “cadeia de transmissão” não se baseia em “contactos de contactos”?

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E Agora, Um Cérebro Mitigado Em Todo O Seu Esplendor Natural

Este homem é governante e é, cumulativamente, um avançado mental que tem uma visão inovadora da fauna do estuário do Tejo.

Vejamos a passagem mais antológica de todas e que eu acho ao nível do mais sublime que a “Ciência Política” produziu entre nós.

Não há aeroportos sem impactos. Os caranguejos podem ser lentos, mas não estão em extinção. É um impacto não mitigável. Mas os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem. E este postulado arriscado é tão cientificamente sólido como o seu contrário: o de que eles não vão encontrar outras rotas migratórias, outras paragens estalajadeiras, como no Mouchão. Ciência sem dados comprovados não é ciência.

E onde alcançou tamanha sabedoria científica contrafactual o senhor secretário de um Estado que se devia envergonhar de lhe dar emprego?

É só escolher, porque a sua vida é uma corropio de lugares ligados à investigação científica e, quiçá, à epistemologia do conhecimento.

Fica um naco significativo do seu aviário, desculpem, currículo:

É licenciado em Direito (pré-Bolonha) pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (Ciências Jurídico-Económicas) em 1981.

Pós-graduado em Direito Europeu pela ULB – Universidade Livre de Bruxelas (1983).

Pós-graduado em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (1985).

Mestre em Ciências Jurídicas (Pré-Bolonha) – Direito Europeu, pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa (1993).

Integrou a direção dos assuntos jurídicos da Caixa Geral de Depósitos entre 1984 e 1991.

Integrou o Departamento jurídico do Banco Europeu de Investimento de 1991 a 1998.

Foi Presidente da Câmara Municipal de Aveiro entre 1998 e 2005, tendo ainda presidido ao consórcio «Aveiro-Cidade Digital» e à AMRIA – Associação de Municípios da Ria entre 1998 e 2001 e integrado o Conselho de Administração da «Aveiro Pólis, SA», entre 2001 e 2005.

Foi vice-presidente da ANACOM – Autoridade Nacional das Comunicações entre 2006 e 2012.

Foi «Data Protection Officer» do Banco Europeu de Investimento entre 2012 e 2017.

Foi vogal não executivo do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, presidente da Comissão de Governo da Caixa Geral de Depósitos, membro da Comissão de Auditoria e Controlo Interno da Caixa Geral de Depósitos, membro da Comissão de Nomeações, Avaliações e Remunerações da Caixa Geral de Depósitos, presidente do Conselho de Administração da Fundiestamo e administrador sem funções executivas da Fundação Eng. António Pascoal até fevereiro de 2019.

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Entretanto, Parece Escassear Interesse Em Outras Coisas

O comunicado já tem umas semanas. Agora imaginem que o shôr ministro não era “cientista”.

COMUNICADO SOBRE A ENTREGA DOS PRÉMIOS DA 16ª EDIÇÃO DO PRÉMIO FUNDAÇÃO ILÍDIO PINHO “CIÊNCIA NA ESCOLA”

Como até ao momento não foi possível obter disponibilidade do Ministério da Educação para a renovação do Acordo de Colaboração na continuidade do Projeto “Ciência na Escola”, com o objetivo de prosseguir o empreendedorismo científico escolar integrado com os ecossistemas das universidades e, destas, com as comunidades que as envolvem, tendo em vista o upgrade da cultura científica e tecnológica nacional, entende a Fundação Ilídio Pinho:

1. Não haver ainda condições para anunciar a 17ª edição do Prémio (2019/20).

2. Não haver condições para encerrar a 16ª edição com a habitual Mostra Nacional.

(…)

Ciencia

O Futuro É Ali

It’s 2059, and the Rich Kids Are Still Winning

Editors’ note: This is the first installment in a new series, “Op-Eds From the Future,” in which science fiction authors, futurists, philosophers and scientists write op-eds that they imagine we might read 10, 20 or even 100 years in the future. The challenges they predict are imaginary — for now — but their arguments illuminate the urgent questions of today and prepare us for tomorrow. The opinion piece below is a work of fiction.

Future