Sucesso, Mas Calma Lá Nisso!

Provas vão ter até o triplo das perguntas obrigatórias para evitar notas “demasiado elevadas”, mas mantêm modelo do ano anterior, com um grupo de perguntas opcionais em que só contam as melhores respostas.

(aquela conversa anti-exames? pois… claro… depende dos anos… das conveniências ocasionais)

I Fought The Law

Tem uma dimensão muito irónica ver e ouvir António Costa a afirmar que “lei é lei”, que a Constituição é uma espécie de sal da Terra e luz do Mundo e ainda algo como a “incerteza legislativa produz insegurança” e outras pérolas em alguém que chefia um governo que atropela leis como modo de vida, incluindo algumas que legislou ou que faz interpretações especialmente criativas de passagens bem claras.

(lembro-me sempre daquela interpretação legal que “fundamenta” os indeferimentos dos pedidos de escusa de avaliador externo e que alarga o conceito de participação nas actividades de avaliação da escola à participação na avaliação de docentes de outras escolas…)

Domingo – Dia 28

Todos os anos recebemos nas escolas orientações sobre a avaliação dos alunos. Todos os anos somos bombardeados com a mesma condescendência dos teóricos e burocratas acerca das metodologias que devemos adoptar para melhor e mais justamente avaliar os alunos, de modo formativo, diferenciado, equitativo, individualizado, flexível, motivador, mobilizador, etc, etc, etc, como se tivéssemos anualmente de revisitar sebentas dos tempos da formação inicial ou da profissionalização.

Este ano não é excepção e receberam-se os “Princípios Orientadores para uma Avaliação Pedagógica em Ensino a Distância (E@D)” e lá temos direito a mais uma lição dos especialistas em avaliação do Ministério da Educação, mesmo se raramente deram aulas nos contextos acerca do quais dissertam. 

Uma Petição Com Tudo Para Ter Sucesso

Defende a “Realização apenas de exames que servem como prova de ingresso no ensino secundário.” Algo que eu, apesar de não ser da facção anti-exames, já o ano passado achei bastante razoável, atendendo ao contexto da pandemia.

Mas com tanta gente que se afirma anti-exames, desde as tradicionais críticas à classificação do trabalho de anos de um@ alun@ muma prova de apenas 2-3 horas àquela mais recente mas que evoca o “medo ancestral” dos portugueses aos “exames, espero que as cerca de 2750 assinaturas que lá estão à hora que escrevo aumentem de forma exponencial.

Antes de mais, aos promotores, eu sugeriria – se já não lhes ocorreu – que a enviassem para assinatura e patrocínio ao ministro Tiago, ao secretário Costa e a tod@s aquel@s conselheir@s do CNE que assinam sempre de cruz, batendo no peito, qualquer relatório ou declaração contra a existência de exames, nomeadamente no Secundário.

Esta petição é um meio caminho, pois visa a não realização apenas dos exames que não são essenciais para o acesso à Universidade, ou seja, aos exames que, em boa verdade, até se podem considerar “inúteis” por alguém como eu que, repito-o, não milito na trincheira aguerrida dos que defendem o fim dos exames, excepto se tiverem mesmo o poder de o decretar na prática. Porque já se percebeu que a pandemia ainda aí estará no próximo Verão e, mais de um ano depois, houve tempo mais do que suficiente para pensar nestas coisas e adequar as práticas às circunstâncias e, mais importante, às teorias tantas vezes repetidas.

Eu não assino pela razão acima e porque sou parte interessada no assunto, pelo menos de modo indirecto, pois a minha filha está no 12º ano e poderiam achar que a minha posição dependeria disso (mesmo se defendi as provas finais de 4º ano quando ela estava nesse ano e teve de as fazer… e mesmo se, com esta petição, ela teria na mesma de fazer o exame de Matemática). Mas acho que, por coerência e convicção, o senhor ministro, o senhor secretário, a presidente do CNE, os conselheiros Azevedo e Rodrigues, o conselheiro-relator Lourtie, a conselheira Figueiral, só a título de exemplo, deveriam subscrever uma petição que vai ao encontro do que tantas vezes declararam publicamente.

Claro que não é o “fim dos exames” e muito menos a proposta peregrina de acabar com os exames todos do Secundário e fazer os senhores professores do Superior elaborar e classificar provas de acesso às suas Universidades, porque isso seria de uma violência e crueldade que mesmo um tipo com maus instintos como eu acha excessivas. Sim, claro, há “Universidades” cujos “representantes” reclamam contra a desadequação do actual método de seriação dos candidatos ao Ensino Superior e defendem que deveriam ser “as instituições do Ensino Superior” a escolher os seus alunos com base nos requisitos que consideram adequados. Mas a verdade é que isso daria uma grande trabalheira, a menos que metessem os professores mais precários ou até alunos finalistas ou estagiários a tratar do assunto. Mas seria sempre necessário perder tempo e energia com esse processo e fica bem reclamar algo que, na verdade, não se quer, salvo honrosas excepções. Ou melhor, nem todas seriam propriamente “honrosas”, porque já se sabe que entre nós há sempre “cartas de recomendação” que valem mais do que qualquer currículo.

Isto é apenas uma petição razoável e já passou tempo suficiente para que se pensasse no assunto e não apareçam com desculpas do tipo “ahhh… nem tivemos tempo para anda”. Afinal, a recomendação do CNE é de Novembro passado.

Esta petição (neste momento tem 2799 assinaturas, quase mais meia centena do que há uns 20 minutos) tem tudo, sublinho-o, para colher os melhores apoios junto dos decisores políticos. Assim sejam eles coerentes com as suas proclamações de anos seguidos. Afinal, não se podem esconder atrás de ninguém. São eles que estão no poder há um mão-cheia de anos e nada fizeram de acordo com o que dizem ser as suas convicções. O actual contexto poderia ser o pretexto ideal.. A menos que… seja tudo conversa fiada.

E De Zigue Em Zague Lá Vamos, Cantando E Rindo

O rumo é à vista, conforme o oportunismo do momento. Um destes dias ainda se lembram que, afinal, os exames até são maus e as perguntas deviam todas trazer a resposta. Ou ser tudo de cruzinhas. Ou ser tudo sorteado como no euromilhões. É conforme.

As provas do 9.º. 11.º e 12.º anos vão manter perguntas opcionais, como no ano passado, mas o nível de dificuldade das alternativas será semelhante para evitar classificações acima do normal.

Uma Verdadeira Pedagogia Da Autonomia…

… dificilmente se satisfaria com a validação de práticas de servidão burocrático-administrativa ou com uma lógica em que o professor é considerado um irresponsável se não registar tudo o que fez e não fez, com a devida fundamentação em duplicado ou triplicado, em grelha, tabela, plataforma ou questionário, para posterior análise e eventual puxão de orelhas porque falhou aqui um ponto final ou ali ficou um verbo que parece mal à cartilha da “autonomia”. Parece-me de uma imensa hipocrisia, sabendo que me repito, mas apetece-me repetir, porque é coisa que dura e perdura, que quem ande com certas retóricas emancipatórias e inclusivas sempre a cair-lhe do beiço, deveria ter o decoro de não estar sempre a fazer descarado negócio em modo de “formações” reaquecidas em banho-maria das sebentas de outrora, ou que esteja na primeira linha dos que querem amarrar toda a gente a uma concepção do professor como funcionário subordinado e temeroso em relação a qualquer desvio ao padrão dominante.

Já agora, também tenho direito a citação freirista, mas sincera, porque eu até o li, mesmo quando discordava da parte demasiado devedora ao contexto das sociedades pós-coloniais de desenvolvimento muito desigual.

Que podem pensar alunos sérios de um professor que, há dois semestres, falava com quase ardor sobre a necessidade da luta pela autonomia das classes populares e hoje, dizendo que não mudou,
faz o discurso pragmático contra os sonhos e pratica a transferência de saber do professor para o aluno?! Que dizer da professora que, de esquerda ontem, defendia a formação da classe trabalhadora e que, pragmática hoje, se satisfaz, curvada ao fatalismo neoliberal, com o puro treinamento do operário, insistindo, porém, que é progressista?

Por Cá Deve Ser Parecido, Porque A “Lógica” É Comum

Prime Minister Boris Johnson is set to announce a second national lockdown for England as the UK passed one million Covid-19 cases.

Non-essential shops and hospitality will have to close for four weeks, sources told the BBC.

But unlike the restrictions in spring, schools, colleges and universities will be allowed to stay open.

Mas agora reparem:

Takeaways will be allowed to stay open as pubs, bars and restaurants close and it is expected people will be told they can only meet one person from outside their household outdoors.

Como sabemos, nas salas de aula e escolas é tudo do mesmo “agregado”. Não faltará quem aplauda e que diga que professores e pessoal não docente nem deveriam abrir a boca, porque os médicos e enfermeiros estão pior.

A Proibição Dos Ajuntamentos Acima De 5 Pessoas Inclui A Zona À Saída Das Escolas?

Eu sei que cada vez os tempos são de maior encenação ou representação da realidade, mas… a sério… será que desconhecemos o que se passa diante dos portões das escolas, à vista de pessoal docente e não docente, que na maioria dos casos nem abre a boca para não levar com ofensas de quem se acha no “direito” de estar ali como bem entende?

Há quem ande a suspender alunos por partilharem comida ou a marcar faltas disciplinares por trocarem material escolar numa aula onde estão ombro com ombro, mas depois, mal passam o portão já pode valer tudo? Será que não está bem à vista de todos que tudo parece estar como sempre esteve, mais ou menos máscara padrão ou como acessório fashion?

Calamidade é ter gente que navega à vista, com um olho na “economia não pode parar” e outro nas conveniências políticas. Calamidade é ter, nas últimas semanas, um PR que parece ter assumido a função de secretário adjunto do PM para os assuntos parlamentares em geral e aprovação de orçamentos em particular.

Calamidade é esta mediocridade em que os poderes, macro e micro, usam a pandemia como desculpa para tudo, o que me está a dar uma imensa vontade de atravessar alguns limites auto-impostos à linguagem e a temas que, pela proximidade, sempre achei melhor deixar do lado de fora deste quintal. Só que há alturas em que os abusos de poder sem qualquer rebuço, o desrespeito indecoroso por qualquer legalidade e a mentira descarada não podem passar impunes.

Ando muito irritado? Nem por isso, apenas a sentir-me algo anojado. Porque tudo isto era previsível, mas a maior preocupação é quem fica com as maiores peças da “bazuca” e o que fazer para a coisa ser o mais desregulada e menos controlada de sempre.

(o que dizer daqueles cortesãos que andaram a escrever que isto a partir de Setembro ia ser um Outono maravilhoso de desconfinamento? não deviam levar nas belas faces com o barro que andaram a atirar às paredes?)

Duplo Padrão

Em colégios privados de prestígio, um caso positivo faz com que a “autoridade local de saúde” mande a turma inteira para casa. Em escolas públicas, com um caso positivo  a “autoridade local de saúde” manda o menino ou menina para casa e aconselha que não se espalhe qualquer “alarmismo”.

Já o actual PM “avisou” que na próxima semana deveremos chegar  aos 1000 novos casos diários, algo que só aconteceu em 21 de Março e 10 de Abril. Conseguem encontrar as semelhanças/diferenças entre o que então se fez e o que agora (não) se prevê?