6ª Feira

A realização de provas de aferição em formato digital para todos os alunos é um disparate, que se avoluma quanto mais novos e menor formação digital têm. Eu sei que há oásis de maravilhosa capacitação digital precoce e que haverá sempre quem diga que se conseguiram, todos conseguem. Não é bem assim. Sendo dos que defende a existência de provas finais de ciclo no 6º ano, não compreendo que os seus críticos, por as considerarem desnecessárias, apoiem de forma explícita (ou se encolham a ver se disfarçam) a realização destas pseudo-aferições, que irão aferir tudo menos as competências ou conhecimentos dos alunos nas disciplinas envolvidas, muito menos qualquer tipo de coisa vagamente relacionada com o mítico PASEO.

Por isso, apresentei a minha declaração de escusa de responsabilidade (de que já tinha falado no encontro do Pinhal Novo), que vai em anexo a este post, sendo que o Alberto Veronesi tomou a mesma iniciativa. Considero que estas provas só prejudicam uma verdadeira recuperação das aprendizagens, provocando uma perturbação inútil e indesejada ao longo de quase todo o 3º período. Estou farto das hipocrisias de uns e dos receios de outros. Há que se claro acerca de uma das meninas dos olhos do ministro Costa e da sua corte de seguidores: estas provas em suporte digital não têm a devida preparação e deveriam manter-se mais um par de anos em papel, com uma progressão prudente e voluntária para o formato digital. Não adianta andarem director@s em off a queixar-se dos problemas logísticos que vão ter de enfrentar se em on se calam ou não têm coragem para agir. Mais do que palavras, em especial, em tom sumido, que se notem as acções.

Adianta de pouco se a maioria fica nas encolhas? Ao menos, sempre se pode dizer que não se encarneirou mansamente de cabeça baixa. E acreditem que esta posição tem mais em conta o interesse dos alunos do que outra coisa qualquer.

Por Mirandela

O que o Rui Feliciano escreve é uma grande verdade. Só em Mirandela se fez, mas fez-se. Ao contrário de mandarem os outros fazer, fizeram.

Tivéssemos todos coragem de ter pintado o mapa de vermelho…e não haveria necessidade de querem gozar connosco até junho!!
Temos de ser Homens e Mulheres e colocar um ponto final, de uma vez por todas, nisto tudo.

A minha reverência com a coerência, rimas à parte.

Resta-nos dar-lhes todo o apoio, se as coisas começarem a soprar agrestes.

Espero, em devido tempo, também fazer, em vez de mandar fazer. Sem espalhafatos. Mas será apenas um pequeno ponto, não comparável à força dest@s colegas.

Da Resistência Ao Abuso

Em cumprimento dos Serviços Mínimos, decretados ILEGALMENTE por um Colégio Arbitral, foi assim que hoje, 16/02/2023, COMECEI a minha aula de Mundo Atual ao PIEF.

SUMÁRIO: Artigo 21° da Constituição da República Portuguesa – Direito de Resistência.

Uma observação, o número da lição, no quadro, não está em concordância com o termo lições, porque estava apenas em SM à 2a hora da aula e, por isso retirei o n°28.

Uma belíssima ideia: nas aulas de serviços mínimos, ensinarem-se artigos da CRP aos alunos e não apenas na disciplina querida do ministro Costa.

4ª Feira

Leio prosas sobre tudo e mais alguma coisa, sobre (i)legalidades de protestos, só por não serem típicos e produzirem efeitos tidos por nefastos. A essas pessoas, a quase todas, por razões que desconheço, faltam palavras para qualificar a segunda figura do Estado quando desce do seu pedestal e vai ao podcast da sua equipa partidária adjectivar esses protestos com base no “ouvi dizer que” ou “parece que…”. E também faltam para fazer análise astuta quando o primeiro ministro deturpa os factos e a verdade, de forma recorrente, quando fala sobre as causas, motivações e formas de luta dos professores ou quando elenca pseudo-cedências nas negociações. Quanto ao ministro Costa, delegado das Finanças na Educação, já se sabe que pouco há a esperar de seriedade nisto tudo. Não me espanta esta forma selectiva de analisar os fenómenos, pois não é novidade, nem acredito que seja por mero acaso. Até porque as figurinhas são quase sempre as mesmas, debitando quase todas pela mesma cartilha “futebolística”. É a isto que estamos reduzidos, subindo até ao mais alto da hierarquia do Estado, sendo que o árbitro já manifestou de forma clara que é o 12º jogador de uma das equipas.

Sábado

Agitação moderada em termos mediáticos em torno das “opiniões” que andam por aí em forma de propostas sobre o papel dos exames no final do Secundário e no acesso ao Superior. Parece que a “opinião” oficial é que deixem de ter qualquer papel para a conclusão daquele, mas aumentem em termos relativos neste. O que não me desperta enormes paixões, embora me levante algumas dúvidas sobre a seriedade e consistência da fundamentação usada.

Relembremos a narrativa oficial destes últimos sete anos: os exames são um método imperfeito de avaliar as aprendizagens dos alunos, conduzem a um ensino afunilado, virado para a preparação dos alunos para a sua realização e, em resumo, empobrecem o processo educativo. Por isso, deveriam ser feitas provas de acesso pelas próprias instituições universitárias. Adicionalmente, em relação às notas internas, temos a narrativa adicional de elas serem inflaccionadas, em especial no sector privado, para garantir médias elevadas no acesso à Universidade.

As propostas, desculpem, “opiniões” agora veiculadas não parecem bater certo com estas narrativas ou só a contemplam de forma muito parcial.

Vejamos a coisa em alguns pontos:

Ao que parece, afinal, os exames sempre são ferramentas que ajudam a nivelar as distorções da avaliação interna das escolas (públicas ou privadas), não sendo tão maus como os críticos da “examocracia” tanto clamam. Só assim se entende que agora se adopte o argumento (há muito usado por alegados “examocratas” empedernidos como eu) de que os exames irão contrariar aquelas distorções.

Se os exames passam a ter um maior peso no acesso à Universidade, isso fará com que as escolas (públicas ou privadas), cujos alunos têm maiores expectativas de prosseguir estudos em cursos mais selectivos em termos de média de entrada, reforcem ainda mais a tão criticada componente de “treino para o exame” do que antes. Para quem ande distraído, as escolas privadas estão no topo dos rankings dos resultados em exames, pelo que esta é uma medida, desculpem, “opinião” que reforçará e mesmo legitimará a sua forma de trabalhar.

Em contrapartida, quem não estiver em condições (materiais ou de interesse pessoal/familiar)de prosseguir estudos ficará com uma forma mais simples, rápida e descontraída de concluir o 12º ano, só não se percebendo bem como esta realidade conviverá com aquela, a menos que se criem fenómenos de segregação interna (nas escolas, entre turmas) ou externa (entre escolas) ou “guetos” educacionais, separando de forma clara os que querem prosseguir estudos e os que só querem livrar-se com a escolaridade de 12 anos feita e o Secundário terminado.

Ao contrário do que se afirma, no meu escasso entendimento, esta é uma medida que dificilmente pode ser encarada como “inclusiva” ou sequer determinada por princípios de “equidade” ou “justiça” social/académica/outra, porque faz uma distinção clara entre o que se exige aos que abdicaram de prolongar a escolaridade e aqueles que o querem fazer, ao nível mais exigente. Pode parecer lógico que assim seja,, mas a consequência é a criação de um Secundário a 3-4 velocidades, acrescentando ao que já acontece entre a via científico-humanística e a via profissional(izante).

Posso estar a ver mal as coisas, mas não me parece. Ou seja, vamos ter estatísticas brutais de conclusão do 12º ano, sem necessidade de qualquer exame, mas em contrapartida o papel dos exames no acesso à Universidade vai crescer, não havendo vagas “especiais” para os “tadinhos dos pobrezinhos” que escondam uma estratégia com evidentes efeitos de aumento da segregação académica.

5ª Feira

Ainda não está a coisa em desenvolvimento e o “por período indeterminado” já foi transformado em três dias por um dos elementos da direcção do stop. Eu não escrevi ontem que os primeiros a dar de frosques são dos que mais gritam, com as justificações mais toscas?

Um tipo lê isto e só se pode rir. Parece aquela do irrevogável do Portas.! Mas ao menos já sabemos que se falharem os três dias é porque foram os “outros” que não fizeram. Com jeitinho ainda eram os três dias de 9 a 11 de Dezembro.

Acabaram-se as desculpas. Vai haver um pré-aviso para fazer greve sem limites.

Basta organizar plenários nas escolas e tentar 3 dias (é o que acho que chega para vergar o governo). E simplesmente fazer e esperar que os outros façam também.

Para quem tenha dúvidas fica a imagem, colhida numa “rede social” sobre a nova definição de “tempo indeterminado”. Não me parece muito diferente de certas coisas de outras origens, nas quais se fazem utilizações criativas da linguagem.

Incongruências

A avaliação é contínua. O processo de aprendizagem também. Não deve existir a obsessão do teste, da ficha, do exame. Não se deve “treinar” para momentos específicos e formais de avaliação. Logo… @s alun@s devem estar pront@s para corresponder a qualquer momento ao que lhes for pedido no contexto dessas mesmas aprendizagens, sem “treinos”, sem stress, com naturalidade, ceerto?

Errado!

Passa para cá as datas dos testes todos, bem marcadinhos em plataforma ou calendário a semanas de distância, faxavor de explicitar os objectivos das fichas de trabalho, faz lá as matrizes as matrizes de tudo e etc, que até andas de lado, porque isto é tudo flexível e holístico, desde que caiba numa grelha com linhas na horizontal, colunas na vertical e a transversalidade vem já a seguir.

(esta malta abelhuda tropeça nos próprios pés a cada passo… pena é que lhes apareçam pela frente só quem vai de patinha estendida…)

Ensino Profissional: Como (Não) Desdobrar Turmas

Transcrevo o essencial, com pequenas adaptações, de uma mensagem que recebi sobre o modo como se mudam regras a meio do jogo no Ensino Profissional, de um modo que nem sequer é claro para quem depois vai ter de aplicar concretamente directrizes que saíram claramente de quem vive bem longe deste tipo de aulas.

Boa tarde, hoje tive uma reunião para reformular os cronogramas do ensino profissional de mecatrónica e eletrónica e automação. Essa reformulação tem como base as novas orientações da ANQEP.

Até à data todas as UFCD (Unidades de Formação de Curta Duração) da área técnica tinham desdobramento para as turmas com mais de 15 alunos. Acontece que agora é conforme o documento agora aprovado.

Todavia existem UFCD que pelo seu cariz prático deveriam ter desdobramento, como por exemplo Transístores ou Eletropneumática… não têm… Mas Higiene e Segurança no Trabalho, mais teórica, tem desdobramento…

No nosso entender quem selecionou as UFCD que devem ter desdobramento não entende os conteúdos e investimento que temos em material para aplicar nas aulas práticas.

Outro absurdo: Máquinas de Corrente Alternada tem desdobramento, mas Máquinas de Corrente Contínua não tem.

Relativamente a este processo, na escola onde leciono, as salas técnicas estão preparadas para 15 alunos… Com esta alteração … Quando se lecionar Transístores… Obrigatoriamente vamos ter que lecionar numa sala comum e sem qualquer recurso aos equipamentos, como fontes de alimentação, osciloscópio, multímetros e componentes inerentes para a realização de trabalhos práticos…

Tudo uma enorme confusão, que teremos de ser nós, no terreno, a resolver.