É Inevitável A Estranheza…

… quando “democratas” que defendem eleições para o país, depois não as querem nas suas agremiações. O mesmo se aplica a outros “democratas” que acham que o sistema só pode ou deve funcionar de 4 em 4 anos, quando são eles a estar no poder.

Santana, não voltes só à Figueira, que estás perdoado.

Sábado

Tem a sua graça ler contra-alegações de SADD’s a esmifrarem-se por demonstrar que determinad@ colega não teve um “desempenho de excelência” quando a sua classificação foi de 9,2, 9,3 ou mesmo 9,6 ou 9,7. Que digam que houve classificações mais altas e o sistema de vagas é perverso até à medula, eu entendo. Agora dizer que alguém com 9,3 ou 9,6 não é Excelente ou sequer Muito Bom é ainda mais ridículo do que ter a dizê-lo gente que o mais certo é não conseguir chegar aos calcanhares do razoável.

Para quando, uma SADD que tenha a humildade de admitir que se limita a fazer o que lhe é mandado. Ou alguém que tenha a coerência de fazer um voto de vencido a declarar oficialmente que discorda daquilo de que, oficiosamente, garante discordar. Será precisa assim tanta coragem?

Há Muito Pouca Esperança De Mudanças Significativas…

… em qualquer situação, quando boa parte dos potenciais interessados optam (ou se deixam seduzir) pelas micro-causas com ganhos pessoais, perdendo de vista o que pode ser significativo para uma larga maioria. Quando disfarçam o seu interesse particular em algo que apresentam como de interesse geral. Aquilo do “dividir para reinar” transformou-se no “dividir para me desenrascar”. a coerência é atirada para qualquer lado e aceita-se ser parte activa de uma engrenagem que até há pouco se considerava e malévola. Estes últimos 3-4 anos têm sido muito férteis no vira-casaquismo, mas uma versão que se tenta disfarçar com muito barulho justificativo e lançamento de pseudo-lutas ao lado, para ver se ninguém dá muito por isso. Claro que as criaturas (e grupos) têm nome, quem estiver atento percebe bem certos desaparecimentos e reaparecimentos estratégicos. Claro que só os burros não mudam de posição. Mas há malabarismos com proezas e malabarismos encarpados em torno dos 180 graus que a minha compleição e uma certa rigidez nas vértebras não permite. Já bebo bastante água, tenho de passar para as cápsulas de cartilagem de tubarão e colagénio. E botox pró sorriso social.

Só Ao Vírus Da Temporada?

Porque há por aí outras pandemias bem maradas. Não tanto físicas, digamos que mais “espirituais”…

Professores vão ser testados à covid-19 antes do início do ano letivo

Entretanto, já comecei uma pequeno trabalho, não digo de limpeza de opiniões contrárias, mas mais de parvoíce pura e dura disfarçada de defesa trôpega das “liberdades”. Sobre tanta outra coisa, não lhes leio ou vejo fazer nada, mas ai, credosssss, a máscara faz-me mal e a pica é uma conspiração global das farmacêuticas e tal… e muita desta gente é daquela que quando lhes falam de alguma coisa relacionada com os grupos de Bildeberg ou Davos ou sobre a forma como os princípios do neoliberalismo no sentido de uma Economia Low Cost desregulada limitam materialmente a liberdade individual e colectiva, começam logo a espernear que é tudo paranóia. Há pouca coisa mais perversamente divertida do que ver estirpes de relativistas de ocasião, cheguistas e trumpistas, a defender as “liberdades cívicas” que querem limitar a grandes parcelas da população.

Não @s mando tratarem-se, porque já sei que não querem.

Sucesso, Mas Calma Lá Nisso!

Provas vão ter até o triplo das perguntas obrigatórias para evitar notas “demasiado elevadas”, mas mantêm modelo do ano anterior, com um grupo de perguntas opcionais em que só contam as melhores respostas.

(aquela conversa anti-exames? pois… claro… depende dos anos… das conveniências ocasionais)

I Fought The Law

Tem uma dimensão muito irónica ver e ouvir António Costa a afirmar que “lei é lei”, que a Constituição é uma espécie de sal da Terra e luz do Mundo e ainda algo como a “incerteza legislativa produz insegurança” e outras pérolas em alguém que chefia um governo que atropela leis como modo de vida, incluindo algumas que legislou ou que faz interpretações especialmente criativas de passagens bem claras.

(lembro-me sempre daquela interpretação legal que “fundamenta” os indeferimentos dos pedidos de escusa de avaliador externo e que alarga o conceito de participação nas actividades de avaliação da escola à participação na avaliação de docentes de outras escolas…)

Domingo – Dia 28

Todos os anos recebemos nas escolas orientações sobre a avaliação dos alunos. Todos os anos somos bombardeados com a mesma condescendência dos teóricos e burocratas acerca das metodologias que devemos adoptar para melhor e mais justamente avaliar os alunos, de modo formativo, diferenciado, equitativo, individualizado, flexível, motivador, mobilizador, etc, etc, etc, como se tivéssemos anualmente de revisitar sebentas dos tempos da formação inicial ou da profissionalização.

Este ano não é excepção e receberam-se os “Princípios Orientadores para uma Avaliação Pedagógica em Ensino a Distância (E@D)” e lá temos direito a mais uma lição dos especialistas em avaliação do Ministério da Educação, mesmo se raramente deram aulas nos contextos acerca do quais dissertam. 

Uma Petição Com Tudo Para Ter Sucesso

Defende a “Realização apenas de exames que servem como prova de ingresso no ensino secundário.” Algo que eu, apesar de não ser da facção anti-exames, já o ano passado achei bastante razoável, atendendo ao contexto da pandemia.

Mas com tanta gente que se afirma anti-exames, desde as tradicionais críticas à classificação do trabalho de anos de um@ alun@ muma prova de apenas 2-3 horas àquela mais recente mas que evoca o “medo ancestral” dos portugueses aos “exames, espero que as cerca de 2750 assinaturas que lá estão à hora que escrevo aumentem de forma exponencial.

Antes de mais, aos promotores, eu sugeriria – se já não lhes ocorreu – que a enviassem para assinatura e patrocínio ao ministro Tiago, ao secretário Costa e a tod@s aquel@s conselheir@s do CNE que assinam sempre de cruz, batendo no peito, qualquer relatório ou declaração contra a existência de exames, nomeadamente no Secundário.

Esta petição é um meio caminho, pois visa a não realização apenas dos exames que não são essenciais para o acesso à Universidade, ou seja, aos exames que, em boa verdade, até se podem considerar “inúteis” por alguém como eu que, repito-o, não milito na trincheira aguerrida dos que defendem o fim dos exames, excepto se tiverem mesmo o poder de o decretar na prática. Porque já se percebeu que a pandemia ainda aí estará no próximo Verão e, mais de um ano depois, houve tempo mais do que suficiente para pensar nestas coisas e adequar as práticas às circunstâncias e, mais importante, às teorias tantas vezes repetidas.

Eu não assino pela razão acima e porque sou parte interessada no assunto, pelo menos de modo indirecto, pois a minha filha está no 12º ano e poderiam achar que a minha posição dependeria disso (mesmo se defendi as provas finais de 4º ano quando ela estava nesse ano e teve de as fazer… e mesmo se, com esta petição, ela teria na mesma de fazer o exame de Matemática). Mas acho que, por coerência e convicção, o senhor ministro, o senhor secretário, a presidente do CNE, os conselheiros Azevedo e Rodrigues, o conselheiro-relator Lourtie, a conselheira Figueiral, só a título de exemplo, deveriam subscrever uma petição que vai ao encontro do que tantas vezes declararam publicamente.

Claro que não é o “fim dos exames” e muito menos a proposta peregrina de acabar com os exames todos do Secundário e fazer os senhores professores do Superior elaborar e classificar provas de acesso às suas Universidades, porque isso seria de uma violência e crueldade que mesmo um tipo com maus instintos como eu acha excessivas. Sim, claro, há “Universidades” cujos “representantes” reclamam contra a desadequação do actual método de seriação dos candidatos ao Ensino Superior e defendem que deveriam ser “as instituições do Ensino Superior” a escolher os seus alunos com base nos requisitos que consideram adequados. Mas a verdade é que isso daria uma grande trabalheira, a menos que metessem os professores mais precários ou até alunos finalistas ou estagiários a tratar do assunto. Mas seria sempre necessário perder tempo e energia com esse processo e fica bem reclamar algo que, na verdade, não se quer, salvo honrosas excepções. Ou melhor, nem todas seriam propriamente “honrosas”, porque já se sabe que entre nós há sempre “cartas de recomendação” que valem mais do que qualquer currículo.

Isto é apenas uma petição razoável e já passou tempo suficiente para que se pensasse no assunto e não apareçam com desculpas do tipo “ahhh… nem tivemos tempo para anda”. Afinal, a recomendação do CNE é de Novembro passado.

Esta petição (neste momento tem 2799 assinaturas, quase mais meia centena do que há uns 20 minutos) tem tudo, sublinho-o, para colher os melhores apoios junto dos decisores políticos. Assim sejam eles coerentes com as suas proclamações de anos seguidos. Afinal, não se podem esconder atrás de ninguém. São eles que estão no poder há um mão-cheia de anos e nada fizeram de acordo com o que dizem ser as suas convicções. O actual contexto poderia ser o pretexto ideal.. A menos que… seja tudo conversa fiada.

E De Zigue Em Zague Lá Vamos, Cantando E Rindo

O rumo é à vista, conforme o oportunismo do momento. Um destes dias ainda se lembram que, afinal, os exames até são maus e as perguntas deviam todas trazer a resposta. Ou ser tudo de cruzinhas. Ou ser tudo sorteado como no euromilhões. É conforme.

As provas do 9.º. 11.º e 12.º anos vão manter perguntas opcionais, como no ano passado, mas o nível de dificuldade das alternativas será semelhante para evitar classificações acima do normal.