Cosmopolitismo Q. B.

Subitamente, há quem de tanta viagem aos fins do mundo, já conheça a “filosofia ubuntu”, tal qual o ministro Tiago.

Só falta entenderem a “finança ubuntu”. Nada como encontrar as parcerias certas. Por exemplo, em Lisboa, como em Sintra Sesimbra ou Odemira. Curiosamente, tudo autarquias com a mesma cor política. Porque a “inovação social” rende dinheiro. Muito dinheiro. E há toda um projecto para “facilitar a transformação, promover encontros e (re)conectar cada pessoa com a sua essência, formando líderes para o serviço à comunidade”. Na Guiné-Bissau teve financiamento da União Europeia. Em Portugal, podemos encontrar o seu plano de atividades para 2021, com destaque para a análise swot.

Afinal Sempre Há Um Plano!

Comparar com o que o SE Costa disse ontem aos 3′ do programa Antena Aberta. Cá para mim, pensando que ia para outros ares, o homem deixou-se por uma vez ultrapassar pelo ministro que já tinha, na véspera, apresentado o plano inexistente. Que, claro, se dirá agora que é outro.

O programa ‘Includ-Ed’, que recorre a práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, foi elogiado pelo ministro da Educação: “É uma grande oportunidade para Portugal”

O programa ‘Includ-Ed’, para combate ao abandono e insucesso escolares através de práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, chega este ano a 50 agrupamentos de escolas do país, foi anunciado esta quarta-feira no Bombarral.

A inspiração foi colhida em Barcelona e a DGE tem até bastantes outros materiais online, traduzidos dos originais, porque parece que não há nada de novo por cá. Até aquilo das tertúlias que o ministro Tiago sugeriu não passa de uma cópia das Tertúlias Literárias Dialógicas dos anos 80 do século XX.

Não é a invenção da pólvora seca em pacotinhos, mas é do tempo áureo do Pisang Ambom com laranja.

sleepy

Olhó Programa Do PS Fresquinho!

(a sério, estava quase a escrever um comentário sardónico acerca de alguém que não o Arlindo a quem subiu à cabeça qualquer coisa…)

No que respeita às carreiras da administração pública, salienta-se no texto que as progressões “custam todos os anos 200 milhões de euros e, deste valor, quase dois terços é gasto em carreiras especiais em que o tempo conta no processo de progressão”.

“Uma realidade que cobre cerca de um terço dos trabalhadores do Estado. Este desequilíbrio deve ser revisitado. O aumento desta despesa não pode continuar a limitar a política salarial na próxima década e a impedir uma política de incentivos na administração pública que premeie a excelência e o cumprimento de objetivos pré-definidos”, adverte-se no programa eleitoral do PS.

No programa eleitoral do PS aponta-se ainda que, em conjugação com as carreiras e a gestão, “importa também continuar a desenvolver uma análise organizacional sistemática da administração central do Estado”.

Já perceberam quem é que vai ter de pagar e, em contrapartida, quem deve ser recompensado pela “política de incentivos”?

O programa eleitoral do PS está aqui.

O que se pode ler (p. 19):

Avaliar a criação de medidas e reforço e valorização das funções de direção das escolas, incluindo as chefias intermédias;

Caramba , há coincidências (sublinho, coincidências) do caraças...

E o que acham disto (p. 18)? Que não é apenas a sujeição das estruturas de gestão das escolas aos poderes autárquicos locais?

Avaliar o modelo de administração e gestão das escolas e adequá-lo ao novo quadro que resultou do processo de descentralização e aos progressos feitos em matéria de autonomia e flexibilização curricular;

 

Algodao

O Jornalismo (Quase) Redescoberto

Ontem dei-me ao trabalho de acompanhar mais de meia hora o Expresso da Meia Noite, coisa que não fazia há muito, desde que comecei a achar que as notícias que interessavam conhecer morriam no Expresso, quando comprava o exclusivo de diversos papers. Ou quando se truncava informação, omitindo nomes, com a desculpa de “o que interessa é mudar os procedimentos”.

Eu discordo. Discordava. Discordarei. Precisamos de saber, com nome e cara estampada, quem foram aqueles que acentuaram os velhos traços de Portugal como um recanto amigável para redes de corrupção, nepotismo e caciquismo. Tabloidização? Transparência? Não sei… o que sei é que há muito que é sabido e não publicado, não por falta de provas equivalentes ao que é divulgado, mas porque não convém em dado momento.

(quem seguiu o programa, terá ouvido uma jornalista dizer que sabe quem é um “Pluto” na lista de pagamentos do GES, mas que não é “relevante”… será mesmo?)

O painel, com moderadores incluídos, tinha 6 jornalistas que, talvez por serem mais novos do que eu, pareciam estar a descobrir naquele momento o país em que têm vivido. Num lapso, um deles lá afirmou que desde 2004, quando Sócrates se candidatou a líder do PS, se sabia que alguma coisa de menos bom o rodeava. Mas que todos se tinham calado. Pois… mas se até eu sabia que Sócrates era “má moeda” e vivo no desterro aldeão, sem acesso a tertúlias da grande urbe, como é que eles podem dizer que eram apenas “rumores” que acabaram por não ser notícia.

Raios, desde 1987 que eu não votava para as legislativas e mexi-me em 2005 para votar contra o que aí vinha. Não sabiam? Não eram nascidos? Não queriam saber? Não os deixaram noticiair? A culpa foi da inépcia do Santana?

Não. As razões foram outras que um dia talvez alguém tenha coragem para admitir, quiçá depois de prescrever o que fizeram, omitiram, receberam, etc.

Outra coisa gira foi dizer que nada disto se sabia durante o mandato de Sócrates. Que o Ministério Público agarrou em coisas posteriores, de 2013 e foi recuando até dar com as outras. Phosga-se, que grande treta.

Em 2008 e 2009 já não se sabia que aquilo estava “podre”? São capazes de dizer que não sabiam de nada mesmo? Ainda houve quem dissesse, durante o programa, que o silêncio da classe política é enorme e que pouco se diz sobre o que se vai sabendo “agora”. O Santos Silva é assim tão ingénuo? O próprio António Costa? E o que dizer do Grupo Lena facturar à grande com a Parque Escolar, mas ninguém tocar na MLR, mesmo depois do caso João Pedroso (sim foi ilibada à 2ª, mas alguém tem dúvidas do que se estava a passar?).  Não se tinha apercebido de nada? Porque eu bem vi quem eram os governantes no lançamento do livro dela… o jamé e o campos da testa alta, que depois apareceu em fotos nos copos a ver tv com o engenheiro. Tudo bons rapazes e rapariga. De nada souberam. A muralha d’aço vai proteger esta gente até quando?

Pois… o silêncio é da classe política, mas não só.

Perguntem a alguns dos senadores do jornalismo de sofá, alguns deles dos vossos grupos editoriais, que subiram – não apenas no actual Global Media – a posições de muito poder e acesso a informação há uma década, e depois digam-me onde e porque começou a omertá. Perguntem a muitos colegas que andaram por esse mundo a fazer a “cobertura de eventos” com muita coisa paga, às claras ou às escuras. A sério que não sabem mesmo como apareciam certas notícias? Durante segundos, no programa, falou-se mesmo em “publicidade”, mas o programa estava quase a acabar.

A sério que não sabem mesmo de nada?

Ou é apenas para se limparem de não terem dado ouvidos a quem vos avisou que o barco estava cheio de ratos a dar cabo de tudo?

Surdez

 

A Sério?

Têm a certeza que não é preciso mais uma mão-cheia de estudos para demonstrar uma tese tão descabida e polémica?

Estado da Educação: Alunos que estão atentos às aulas têm boas notas

Qualquer dia até descobrem que os alunos que não vão às aulas têm, em regra, maiores dificuldades em ter boas notas.

O que a Ciência Educativa descobre não lembra ao Demo em dia de Carnaval.

lampadinha21

 

E Bem Precisa!

Agradeço ao Prof. Luso a referência.

A Secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, contrata nova jurista para o seu Gabinete, por 3.455,78 €.

Diário da República, 2.ª série — N.º 191 — 3 de outubro de 2017

Despacho 8701/2017

Ao abrigo do disposto na alínea c) do n.º 1 do artigo 3.º, nos n.os 1, 2 e 3 do artigo 11.º e no artigo 12.º do Decreto-Lei 11/2012, de 20 de janeiro, determino:

1 – Designar, para exercer funções de Técnica Especialista no meu Gabinete, a licenciada Dora Cristina Amador de Sousa.

2 – Para os efeitos do disposto na alínea d) do artigo 12.º do já referido decreto-lei, a designada desempenhará as suas funções na área jurídica.

3 – A ora designada auferirá o estatuto remuneratório equiparado ao de adjunto, nos termos do disposto no n.º 6 do artigo 13.º do decreto-lei supracitado.

4 – Para efeito do disposto no artigo 12.º do mesmo decreto-lei a respetiva nota curricular é publicada em anexo ao presente despacho.

5 – O presente despacho produz efeitos a partir de 1 de setembro de 2017.

6 – Conforme o disposto nos artigos 12.º e 18.º do mesmo diploma, publique-se na 2.ª série do Diário da República e publicite-se na página eletrónica do Governo.

21 de setembro de 2017. – A Secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Ludomila Ribeiro Fernandes Leitão.

Nota Curricular

1 – Identificação:

Nome: Dora Cristina Amador de Sousa

Data de nascimento: 17.06.1976

Nacionalidade: Portuguesa

Naturalidade: Lisboa

2 – Formação académica:

Frequência do Curso de Pós-Graduação em Teoria e Prática do Contencioso Administrativo e Direito e Contencioso Tributário; Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa – Lisboa; 2017.

Pós-Graduação em Direito Notarial e Registral; Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra – Coimbra; 2009.

Licenciatura em Direito; Faculdade de Direito da Universidade Lusíada de Lisboa; Menção de Ciências Jurídicas Comerciais; 1996-2002.

3 – Percurso profissional:

De fevereiro de 2010 a agosto de 2017: Jurista em áreas do Poder Local; Associação Nacional de Freguesias.

De julho de 2009 a dezembro de 2009: Jurista, em regime avença, na Direção de Serviços de Assuntos Jurídicos e de Contencioso; Direção Geral dos Recursos Humanos da Educação.

De março de 2008 a agosto de 2008: Jurista, em regime de avença, na Direção de Serviços de Assuntos Jurídicos e de Contencioso; Direção Geral dos Recursos Humanos da Educação.

De outubro de 2007 a dezembro de 2007: Jurista, em regime de avença, na Direção de Serviços de Assuntos Jurídicos e de Contencioso; Direção Geral dos Recursos Humanos da Educação.

De maio de 2006 a abril de 2007: Jurista-estagiária; Programa de Estágios Profissionais na Administração Pública.

Em abril de 2005: Agregação na Ordem dos Advogados, desenvolvendo a partir de então advocacia em prática individual.

De novembro de 2002 a março de 2005: Advogada-estagiária; Jorge Mota, Jorge Monteiro dos Santos & Associados; JMS Sociedade de Advogados.

In: https://dre.tretas.org/pdfs/2017/10/03/dre-3108674.pdf

Aleitao

Descodificador de Coisas Extraordinárias

Há algum tempo que hesito em escrever sobre algo que só serve para aumentar a minha “fama” de teórico da conspiração e diminuir-me os “amigos” em “redes sociais”.

Mas chegámos a um ponto, com este tipo de concursos com procedimentos “extraordinários” pelo meio, que seria uma hipocrisia não escrever o que penso sobre isto, a partir de alguma dedução e observação de casos.

Com toda a sinceridade, ainda bem que algumas centenas (antes) e uns milhares (agora) puderam vincular-se nos quadros, embora em qzp com uma área imensa e entrando apenas para o 1º escalão da carreira, apesar dos anos de serviço.

Mas… é bom que se tenha a consciência de que olhar para a floresta é a melhor forma de não se distinguirem algumas árvores. Ou seja, há quem só desta forma extraordinária consiga entrar para os “quadros”, etapa indispensável para certas “mobilidades” na administração pública e não falo apenas do mais óbvio, porque o “vínculo” é indispensável para aceder a certos concursos internos para cargos que há quem ache que lhe caem melhor do que dar aulas aos alunos que tanto adoram.

Eyes

A Relatividade da Obesidade

Mais de uma pessoa me diz… “Paulo, pá, tu és má língua e não percebes as coisas ou estás a fazer de propósito… o SE quando fala de obesidade fala dos programas extensos e isso é indesmentível e anda toda a gente de cabeça à nora com as metas do Crato”!

Vamos lá por partes:

É certo e sabido que sou um bocado má língua, se por isso entendermos dizer coisas desagradáveis para algumas pessoas. Mas não é porque diga necessariamente coisas erradas. Esse tipo de crítica ouço-a há décadas, não é nada de novo.

Quanto ao resto, começo por aceitar à cabeça (para evitar o tiro rápido dos anti-cratos que gostam de reduzir tudo a “nós ou ele” na falta de argumentos) que as metas dos tempos do Crato são, em algumas disciplinas, uma espécie de elenco interminável, que atomiza o próprio processo de aprendizagem que deveria ser algo feito em contínuo. Mas… que eu saiba sempre ouvi que as metas não se sobrepunham aos programas e, mais importante, menos se sobrepõem ao meu bom senso e a alguma coragem (outros dirão mau feitio) para não encarneirar ao primeiro (ou segundo) empurrão.

No entanto… a obesidade tem muita relação com o espaço disponível… ou passando para os programas disciplinares tem muito a ver com o tempo disponível. Um determinado programa pode ser extremamente obeso para 90 minutos semanais, mas escanzelado para 180 (não semestralizados, entenda-se…). Ora… há disciplinas que foram decepadas há 15 anos, com o mesmo programa a passar a ser leccionado em muito menos tempo semanal ao longo do 3º ciclo. Claro que há obesidade… é como eu querer meter-me dentro de umas calças uma série de números abaixo do meu. Não dá. Ou armo-me em moderno e fico com os interiores de fora como a rapaziada. O que é péssimo a imensos níveis, começando pela poluição visual.

O currículo mudou ao longo dos últimos 15 anos no sentido da concentração em apenas algumas disciplinas ditas “estruturantes”, mas – no caso do 1º ciclo, por exemplo – a par de uma dispersão por “actividades” que vieram ocupar tempo aos miúdos, alegadamente para “enriquecer” o currículo. A mim complica os nervos, ora se complica, assistir a pessoas que acharam bem esse “enriquecimento” na base do qualquer coisa gira agora aparecerem a dizer que a parte lectiva precisa de “emagrecer” e que os conteúdos disciplinares é que são muitos. Eu percebo a lógica e a coerência do pensamento “fora das aulas é que se aprende”, mas permito-me o anacronismo de discordar em parte disso. Acho do melhor que os meus alunos saibam fazer uma dramatização de uma cena medieval, mas não me importo nada que também saibam analisar uma carta de foral e explicar as vantagens da vida num concelho. E mais coisas.

Por fim, mas apenas por agora, gostava de apontar coincidências (e nunca mais do que isso, pois todos temos o direito a defender os nossos interesses) entre quem mais aparece publicamente a defender certas flexibilizações e transversalidades e quem parece ter assegurados ganhos nas suas próprias áreas disciplinares, mesmo que não sejam assim muito evidentes para os leigos. Embora possa vir a ser apedrejados por bons amigos, a verdade é que os representantes de uma disciplina que há uns anos eram contra o hiato criado pelo facto de essa disciplina não ser leccionada de forma contínua, agora aparecem a defender semestralizações que criam esses mesmos hiatos em mais disciplinas, algumas delas que como a História têm mesmo uma lógica de continuidade temporal que é essencial para a sua compreensão. Mas se isso permitir uma outra divisão do tempo… já não há problema nenhum, certo? E quem está contra é que é faccioso e corporativo e tal. Que a APH tenha aparentemente enfiado o barrete é apenas lamentável, mas não inesperado (aquilo é muit@ doutor@ do Secundário*). Claro que uma redefinição curricular não deve ser objecto de disputas e quezílias interdisciplinares. Concordo em absoluto. Ma anoto que já gente mais experta e melhor posicionada do que outra quando chega à altura de definir o que é “essencial”.

obelix

* Lá está a má língua a funcionar.

Incomoda-me um Pouquito…

… que a decisão de criar um novo aeroporto (ou remodelar uma base aérea ou o que seja) seja tomada e anunciada por um governante que foi ex-autarca do município contemplado. O actual presidente da câmara (e colega do actual ministro na vereação montijense durante vários anos, de 2002 a 2005) já anda completamente eufórico com a possibilidade de retalhar mais uns terrenos com “acessibilidades” e a contabilizar milhões para o efeito.

As pessoas até podem ser profundamente sérias e éticas, só que por vezes também há que parecer que isto é tudo uma enorme coincidência.

Mas acredito que ninguém vá em busca de sms, se pingar para os concelhos à volta, curiosamente todos de outra cor política e, por agora, contra a decisão.

Disclaimer: sou quase insuspeito… este “novo” aeroporto, a existir, poupar-me-á a travessia da Vasco da Gama… como aconteceria se fosse em Alcochete, Rio Frio, etc. E não tenho terrenos seja onde for (nem encalhados na Ota).

dupontd