As Vantagens De Se Ser Insuportável

Excerto do mail de um@ colega.

Recebi uma boa notícia. Apesar de marcado no meu horário não me vão distribuir serviço de avaliador externo para este ano letivo. Completei em dezembro o que me tinha sido distribuído no ano anterior.

Penso que me acharam insuportável. Ah ah ah. Recusei usar o meu carro, fui de autocarro, exigi que os bilhetes me fossem entregues previamente, faltei a todas as reuniões em que não houvesse convocatória, impliquei e questionei cada procedimento, exigi esclarecimentos sucessivos, preenchi laconicamente todos os documentos, atribuí nota 10 a todos sem fundamentação. Para já uma primeira vitória por ser insuportável.

Pareceu-me “Aprazível”

Desconhecia por completo o sub-director geral da Saúde, Rui Portugal de sua graça. Ouvi-o hoje pela primeira vez, via rádio, em excertos da conferência de imprensa e confesso que me deixou divertido pela forma como explicou as coisas, os exemplos que deu e mesmo o vocabulário que usou. Em especial quando falou em contactos humanos aprazíveis, mesmo com distanciamento, ou que as pessoas se poderiam encontrar nos respectivos quintais (quase me escorreu uma lágrima pelo canto do olho…).

“(…) optando por visitas rápidas nos quintais de uns e de outros, no patamar das escadas dos prédios de uns e de outros, com uma troca simbólica de uma compota ou de algo que seja aprazível no contacto humano e de proximidade, mas sempre com distanciamento físico”.

Retenho ainda o aviso de que “As cozinhas nesta altura serão locais de alto risco”. Em especial se alguém se atravessar à minha frente quando estiver a trinchar o piiirúú.

(quem resiste a esta bigodaça das antigas, que não há hipster capaz de copiar?

Um Bom Exemplo

De transparência na informação para a comunidade educativa. Infelizmente, parece que há muita gente que não pensa assim e acha que “não causar alarme” é sinónimo de ocultar informação relevante.

Situação nas seis escolas do Agrupamento Figueira Mar, no dia 17 de novembro de 2020, dois meses após o início das aulas presenciais

É Um Bom Dia Na Aula De HGP…

… quando se começa a explicar o que é a Cronologia e numa turma de 5º ano há quem saiba a história de Cronos, quem perceba e coloque questões sensatas sobre a diferença enorme entre a escala do tempo geológico e do tempo humano, quem tenha ouvido já falar do hipotético planeta Theia e do seu impacto na Terra e quem queira perceber porque e como surgiram métodos diferentes de contagem do tempo ao longo do dito e através das sociedades humanas. Há quem coloque o ónus do “princípio activo” do ensino e aprendizagem quase sempre nos professores, mas a verdade é que quando parte dos alunos e do seu interesse é que funciona na plenitude. Um@ professor@ pode fazer as maiores piruetas que sem essa motivação para compreender e conhecer por parte dos alunos, será sempre um esforço pouco glorioso. Assim, dá um enorme gozo passar aulas, lixando-me para qualquer planificação à moda das grelhas do século XX, a visitar e discutir em diálogo (no verdadeiro sentido do termo, na sua forma mais primordial) porque houve quem preferisse contar o tempo de forma mais imediata pelos movimentos Lua e quem optasse pelos do Sol e das estações, como foi evoluindo o registo das unidades de tempo e porque usamos estas, aqui, e não outras.

Ainda há dias assim. Ou, pelo menos, aulas assim.

(estive quase para dizer ao aluno que me fez revisitar a descendência de Úrano e Gaia, as origens dos Titãs e como Cronos foi uma espécie de Édipo original e o primeiro de uma longa série de seres atormentados na mitologia clássica, que não o denunciaria ao SE Costa por revelar um nível “enciclopédico” de conhecimentos…)

Domingo

Não é nada habitual chegar ao domingo e pensar na 2ª feira com duas prendas no sapatinho… a de lá longe, dos States, e a de cá perto, com uma equipa de miúdos a chegarem na frente ao São Martinho. Já sei, já sei, não dura até ao Natal, porque tudo vai ser limpinho, limpinho. Mas dá para quebrar a promessa de não falar de futebol clubístico. E tentar ignorar que estão por vir as piores semanas e temos de aturar a conversa oportunista de, afinal, a escola tradicional ser a melhor de todas.