Clap, Clap, Clap!

É difícil estar mais de acordo, até porque este tipo de problema (ausência de análise da credibilidade de certos “estudos” que são apresentados como se de “ciência se tratasse) se tem vindo a generalizar

Informação vs opinião

Li recentemente aqui no Observador um artigo sobre comentários homofóbicos naas escolas. Não se tratava de um artigo de opinião mas sim de um artigo informativo escrito por uma jornalista e que se encontra catalogado no grupo “Justiça”.

Fiquei estupefacta não pelo conteúdo em si, mas por surgir num espaço de informação que deve seguir critérios de rigor e isenção que não são compatíveis com a divulgação de ideias que parecem veicular uma ideologia em vez de divulgar notícias.

(…)

De acordo com o artigo somos levados a pensar que um grande número de jovens estarão a ser de alguma forma maltratados nas escolas por causa da sua preferência sexual. Fui ler o estudo e verifiquei que a amostra não está apresentada com um mínimo de dados que a credibilizem (margem de erro, nível de confiança, entre outros). Apenas nos é dito que foram recolhidos 663 questionários (também não diz se foram validados) sendo 67,2% de jovens de zonas urbanas num intervalo de idades entre os 14 e os 20 anos. Só esta ausência de informação seria caso para não publicar o estudo, nem o usar como base de uma notícia. Estou convencida que eu própria recolheria com grande facilidade mais de 600 questionários em que a resposta seria que não existe homofobia nas escolas para os alunos com preferências sexuais alternativas. (Claro que a tarefa ainda seria mais fácil se tivesse financiamentos semelhantes aos disponibilizados à associação referida).

Portanto, o estudo apresentado (acede-se por um link disponibilizado no artigo) não apresenta nenhuma credibilidade.

O segundo tema, mas que é o principal, é que a forma como o artigo está escrito nos conduz a sentir que não existe interesse em resolver o suposto problema e que a solução poderia ter a ver com “acções de visibilidade positiva da temática LGBTI”.

Aplauso

(quando o Observador traz coisas boas, eu gosto…)