Mais Uma Porcaria

Pelo menos é o que se depreende da análise do Arlindo quanto ao projecto de portaria relativa ao reposicionamento na carreira dos docentes integrados nas vinculações “extraordinárias”.

Não é novidade que acho, desde sempre, que o processo “extraordinário” está errado e só pode criar situações anómalas. Porque integrou quem estava fora da carreira por causa, por exemplo, da qualificação que (não) tinha para determinados grupos de recrutamento, ultrapassando quem já estava em qzp e tinha essa qualificação, mas também porque cria um emaranhado sem sentido de contabilizações de tempo de serviço em períodos de alteração da duração dos escalões da carreira. As distorções são inevitáveis quando se opta por este tipo de desregulação do processo de vinculação e pelo desrespeito da lei geral do trabalho em relação aos professores contratados. Tudo deveria ter sido feito de outra maneira e não me parece que possam existir inocentes em tudo isto, da parte do ME, nos últimos 15 a 20 anos.

Todo o processo está errado, desde a origem, pelo que dificilmente se conseguiria enxertar aqui qualquer coisa de consistente.

E o pior é que quem vai controlar tudo isto será a dgae que, como temos percebido nos últimos tempos, tem carta branca da SE Leitão para proceder a actos “discricionários”.

Reposiciona

O Portal das Queixinhas de um Ministério Inexistente

Passemos adiante o facto, para mim algo anómalo, de estarem online num espaço oficial queixas com detalhes muito específicos acerca de pessoas e instituições (incluindo casos em que não se sabe sequer se a queixa tem fundamento). Acreditemos que é esta a transparência que falta em outras áreas da governação.

Concentremo-nos no facto de, depois de mais de dois anos em exercício, ainda se ter a designação errada de um ministério que, na realidade, são dois no actual governo. Com tanto ajuste directo para coisas informáticas, não há ninguém que dê um retoque no frontispício?

POrtalQuixas

Secção “Coisas que Falharam a Primeira Página dos Jornais Por Um Triz E Não Foram Lidas Pelo Provedor da RTP, pelos MoitasdeDeus e Outros Gajos Que Aparecem na TV e no Expresso a Dizer Bojardas”

É do Estado da Educação 2016. Valham-nos alunos, mesmo quando nos moem o juízo. São os que estão mais próximos de nós e sabem como as coisas são em primeira mão. E para quem defende que os professores têm medo de ser avaliados, esta é uma boa avaliação que deveria calar os idiotas, mas… eles têm muita prática na produção de baboseira.

TIMMS2015 c

Um Regime “Extraordinário” é, por Definição, Extra-Ordinário

Por isso, as vinculações “extraordinárias” a um ritmo quase anual parecem-me algo estranho. Ou bem que se faz uma vinculação regular dos professores ou bem que isto é uma espécie de coisa à Antigo Regime, casuística e fruto de acordo parciais que parecem mais para apagar fogos do que uma política. Foi assim, com regimes “excepcionais” e desregulações várias que acabámos no emaranhado em que estamos, onde pouco se entende.

professor

A Ler

Porque a DGAE não abusou apenas com os QZP, também porcaria na vinculação “extraordinária”.

O meu Mundo a aguardar

(…)

O concurso decorreu num período de tempo em que não tinha escola e a entidade que validaria a minha candidatura seria a escola onde estava o meu processo. Validação feita pela mesma e tudo correto. Quando a DGAE verifica a minha candidatura, posteriormente, exclui-me pois já estava novamente colocada e o código dessa escola não correspondia ao da entidade de validação. Custava muito verificarem os contratos que se encontram na plataforma da DGAE? Custava muito verificarem junto das escolas a razão de colegas terem mais dias nas suas candidaturas, quando se tratava de recuperação de tempo de serviço por atestados médicos ou por ordem dos tribunais, entre outras? A DGAE tinha obrigação de verificar as diferentes situações mas preferiu excluir todos! O resultado foi a vinculação de professores menos graduados que sequer esperavam vincular. Agora, pergunto eu, não teria sido melhor corrigir os erros iniciais e, posteriormente, processarem-se as colocações corretamente? Os concursos prosseguiram, as colocações também, pois este Ministério da Educação queria que o ano letivo começasse atempadamente e sem desagrado dos professores por não terem tempo de organizarem as suas vidas. Um pequeno reparo, a DGAE, pela primeira vez, permitiu aos professores excluídos manifestarem preferências para a Contratação Inicial e Reservas de Recrutamento, fazendo mea culpa destas exclusões. E com tanta ultrapassagem e injustiça saíram as listas no dia 25 de agosto. Bravo!! Este ano a DGAE trabalhou bem!!
Como consequência de toda esta trapalhada, um grupo de professores excluídos obteve o deferimento, encontrando-se já no ativo, enquanto outros aguardam a execução dos seus recursos hierárquicos e, mais angustiante, a existência de colegas que ainda sequer obtiveram resposta ao mesmo. Conseguem imaginar as vidas suspensas e a incerteza no futuro por que todos nós passamos? Já pararam para pensar como o cidadão comum olha para nós? Sem culpa, com candidaturas corretas e excluídos porque certamente foi oportuno para alguém? Quem vai pagar a fatura destas colocações supranumerárias? O contribuinte e o contribuinte somos todos nós! 
A DGAE erra! A DGAE discrimina os professores com tratamento desigual! A DGAE brinca com a vida dos professores! A DGAE não respeita nem tem consideração para com os professores! A DGAE permanece intocável e impune com tantos erros que pratica repetidamente! Onde está a oposição? Qual o papel do Ministério da Educação neste contexto? Onde andam as nossas forças sindicais?
Assim é o nosso patrão!
Nós, professores excluídos, somos como as pedras da calçada… todos pisam e o tempo desgasta!
aguardar

Quanto às Candidaturas à Vinculação Extraordinária que Foram Invalidadas e depois Revalidadas

Parece que muitas foram objecto de colocações administrativas na 6ª feira. Mas ainda há quem espere desde 28 de Agosto pela execução do deferimento do recurso hierárquico. Pelo menos, começaram a corrigir uma asneira.

(mas ainda falta a resposta a muitos requerimentos… desde 25 de Julho…)

Falta a outra.

Ahhhh… e apurar responsabilidades sobre todo este desnecessário imbróglio que, como se vê, está muito longe de corresponder a uma “otimização dos recursos“. A tal coisa da accountability não pode ser só para alguns.

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(o que achará o deputado silva, porfírio de sua graça, disto? o secretário Costa já se percebeu que não quer ter nada a ver com o assunto, enquanto o ministro é de uma ausência enorme em todas estas coisas…)

E Depois Há Ainda uma Dúvida…

… que é a de saber a quem serviu aquele grupo de indeferimentos nas candidaturas às vinculações extraordinárias, que terão desimpedido o caminho a alguns que, estando lá mais para baixo, assim conseguiram aceder às vagas disponíveis. Assim como interessaria saber o que se passa com muita gente que, com deferimento ou à espera de saber, está no limbo.  E já nem falo em pedir responsabilidades a quem indeferiu erradamente candidaturas. Isso seria pedir demasiado a gente que vive nos corredores da irresponsabilidade.

Claro que nada disto aconteceria (ou haveria menos alçapões) se em vez de coisas “extraordinárias” se abrissem concursos externos “ordinários” como mandariam as regras da decência e transparência. Até lá, ficarei sempre convencido de que se encaminhou um rebanho para disfarçar uns ulisses pendurados.

Macacos

Descodificador de Coisas Extraordinárias

Há algum tempo que hesito em escrever sobre algo que só serve para aumentar a minha “fama” de teórico da conspiração e diminuir-me os “amigos” em “redes sociais”.

Mas chegámos a um ponto, com este tipo de concursos com procedimentos “extraordinários” pelo meio, que seria uma hipocrisia não escrever o que penso sobre isto, a partir de alguma dedução e observação de casos.

Com toda a sinceridade, ainda bem que algumas centenas (antes) e uns milhares (agora) puderam vincular-se nos quadros, embora em qzp com uma área imensa e entrando apenas para o 1º escalão da carreira, apesar dos anos de serviço.

Mas… é bom que se tenha a consciência de que olhar para a floresta é a melhor forma de não se distinguirem algumas árvores. Ou seja, há quem só desta forma extraordinária consiga entrar para os “quadros”, etapa indispensável para certas “mobilidades” na administração pública e não falo apenas do mais óbvio, porque o “vínculo” é indispensável para aceder a certos concursos internos para cargos que há quem ache que lhe caem melhor do que dar aulas aos alunos que tanto adoram.

Eyes