Isto É Uma Enorme Chapada Na Cara De Tanta Gente

Desde os descrentes crónicos aos que estão sempre a querer reformar o sistema. Desde os liberais dos cheques aos pedagogos-patchouly. e é algo que se repete em todos os estudos pelo menos há uns 10-15 anos, após campanhas e campanhas de amesquinhamento do ensino público, boa parte delas desenvolvida, de forma aberta ou dissimulada, pelos governantes do sector. Que, como ainda por agora se viu, dizem uma coisa em privado e outra em público.

Só que vão disfarçar, ignorar ou continuar a reclamar para si sempre o que corre bem e atirar para a “falta de formação dos professores” o que eles acham que está mal.

Já agora, no caso das empresas, o fbook anda cá por baixo, o que é curioso em dia em que está mesmo em baixo.

Com a nota mais alta (6,9), surge, no topo do índice de confiança, o sistema de ensino público. Embora seja a instituição mais bem classificada, o valor está, ainda assim, longe da excelência. Em segundo lugar, temos o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que granjeia grande simpatia e popularidade junto dos portugueses. No polo oposto, está o sistema judiciário (4) que, ao contrário das restantes instituições, não registou alterações assinaláveis face ao estudo de 2016.

C’Um Caneco!

Internamentos desceram, mas casos em cuidados intensivos registam aumento na terça-feira.

Ministra da Saúde convoca reunião de urgência para debater vacina da AstraZeneca

Com ritmo de vacinação ainda lento, reabertura total das escolas pode levar a quarta vaga de covid-19

A Desconfiança

Já escrevi várias vezes sobre a importância da credibilidade e da necessidade de confiança em quem governa ou em que surge publicamente a prestar “informações” ou a fazer “recomendações”. Seja na questão pandémica, seja nas suas ramificações, por exemplo, nas escolas.

A confiança perde-se quando as cabeças falantes dizem agora uma coisa e depois outra, sem explicarem claramente o porquê ou admitirem que antes erraram ou divulgaram conselhos que já então sabiam não ser os mais ajustados. Ou quando nos estão a tentar convencer que aquilo que estamos a ver não é o que estamos a ver. Ou que só sabemos o que nos rodeia e eles é que sabem tudo. Os últimos meses foram de comunicação política eficaz no curto prazo, mas algo desastrosa numa perspectiva menos míope.

Não é de espantar que os indicadores de confiança na resposta à pandemia estejam em acelerada erosão. Da senhora da DGS ao PR, passando por todo um leque de personagens mais ou menos secundárias, já tudo foi dito e o seu contrário também, mais umas posições intermédias. Se em alguns casos isso resultou do avanço dos nossos conhecimentos, em muitos outros dá para perceber que foram apenas umas mangueiradas para tentar apagar fogos que, percebia-se, mais tarde ou mais cedo reacenderia.

Lamentável é que muita gente ainda reaja a estas coisas com base na cor da camisola, como a sondagem revela. Porque há mesmo quem tenha abdicado de pensar por si mesmo, preferindo ser encaminhado pelos pastores do rebanho a que aderiram há muito, como se fosse traição imensa o que apenas revela alguma inteligência, ou seja, perceber que sobre a pandemia tem predominado a “comunicação política”. Muita dela desastrada, incoerente e, principalmente, desajustada, por pensar apenas no prazo curto. A verdade é que se está a perceber que a abordagem casuística não chega. Que apelar nuns dias à precaução, enquanto nos outros se trata como se fosse cobardia quem se quer precaver ou se tomam medidas que dificultam qualquer precaução mínima, é meio caminho andado para se perder a credibilidade e, mais grave, deixar grande parte da população desorientada ou mal orientada.

Vamos atravessar um período pior do que o vivido entre Março e Maio. Não adianta muito lançar às 2ªs, 4ªs e 6ªs apelos à “responsabilidade” e agir nos restantes dias de forma irresponsável. Ou tentar ocultar ou manipular informação. Ou estarem mais preocupados na forma como se vão alambazar com os milhares de milhões da bazuca do que no que podem fazer de útil com eles, para além de estudos de opinião, consultorias ou campanhas de comunicação.

É muito dinheiro, mais uma vez, para ser encaminhado para as escápulas do costume. Tudo se parece encaminhar para mais uma festança à tripa-forra dos cortesãos ou eminências pardas do regime, enquanto se minguam os “gastos” com despesas mais do que justificáveis. Ou se atrasam pagamentos com base em procedimentos que o povinho tem muita dificuldade em seguir sem ter quem “interceder”, cobrando avultada comissão. Se o dinheiro é para responder aos efeitos da pandemia, não é para meter nos bolsos, novamente, de escritórios de advogados, consultoras ou empresas criadas de propósito para o efeito, com as conexões certas e o recrutamento adequado do pessoal a ser pago.

É que já vimos este filme muitas vezes. O que admira é que ainda reste alguma confiança, sem ser nos que já estão com a conta aberta para as transferências, enquanto a maioria está de mão estendida.

A Fazer De Coro Grego No JL/Educação

Depois de 7 páginas de ensaboadelas positivas do SE Costa, do Filinto Lima, do Adelino Calado, do homem da Confap, do pessoal das Inquietações Pedagógicas, etc, etc, tudo a querer dar a entender que podemos confiar e que tudo vai correr bem, vem o desmancha-prazeres do costume a escrever que pensa exactamente ao contrário e que conversa fiada não transmite confiança a ninguém. E assim a publicação fica integral, com as notitas de rodapé que parecem irritar os paginadores.

A erosão da confiança

Um novo ano lectivo está a arrancar e, quase por certo mais do que o anterior, será um ano atípico, com muitas variáveis que é praticamente impossível prever em toda a sua diversidade. Por isso, ainda mais do que em situações tida como “normais”, é muito importante que os decisores políticos e todos os envolvidos no apoio à tomada de decisões na área da política educativa (ou em outras) e na sua comunicação ao público tenham um mínimo de sentido ético e de responsabilidade perante todos os cidadãos. Porque um dos créditos mais importantes que qualquer personalidade pública, em especial na área da política, é o da confiança. E não o do reconhecimento da chamada “habilidade política”, porque essa é matéria daquele tipo de “jogo político” que apenas tem contribuído para que grande parte da população se afaste da vida política activa e desenvolva uma atitude de crescente cinismo perante o papel dos políticos e respectiva credibilidade.

O “populismo” anti-sistema, nem sempre definido do modo mais rigoroso, nasce tantas vezes dessa perda de credibilidade de quem deveria ter a preocupação primeira de manter a credibilidade e a confiança no funcionamento do sistema político e não apenas de calcular a oportunidade política de determinada declaração ou decisão. Sei que não é fenómeno novo o uso e abuso do poder em proveito de uma clique de maior ou menor extensão, quantas vezes alegando o “interesse colectivo” ou o “bem comum”, mas não é a repetição que torna aceitável tal prática ou que sejamos obrigados a considerá-la como a norma estabelecida.

Mas voltemos ao arranque do ano lectivo de 2020-21 e à necessidade de existir um discurso transparente, de verdade e do rigor possível, perante as circunstâncias em que se está a dar o regresso ao trabalho escolar, inicialmente apenas pelo pessoal docente e não docente, mas em seguida por mais de um milhão de alunos, com reflexos directos ou indirectos no quotidiano diário da maior parte da população.

Sobre o que se vai passar nos próximos meses, ou mesmo semanas, escasseiam as certezas e multiplicam-se dúvidas à medida que se vão conhecendo novos dados científicos sobre a propagação dos contágios ou sobre a evolução da situação em outras zonas do mundo ou mesmo no nosso país. O equilíbrio entre a exigência de informar de forma rigorosa e a necessidade de não gerar pânico e manter uma sensação de segurança é difícil, mas não pode ser substituído por uma lógica de instrumentalização política, recorrendo a argumentos falacciosos, truncados ou mistificadores. Mas a tentação por privilegiar a transmissão de uma impossível sensação de segurança sobre o arranque das aulas tem levado a declarações públicas a oscilar entre a irresponsabilidade e uma espécie de pensamento mágico sobre a realidade. Como se, se todos “pensarmos positivo”, os riscos de contágios se dissolvessem num horizonte de coloridos arco-íris. Um pouco como as bandeirinhas nacionais nas janelas em tempos de Scolari e da nossa senhora do Caravaggio.

Li e ouvi declarações que roçam o absurdo nessa demanda de mostrarem que “tudo está a ser feito” para que os riscos associados ao recomeço das aulas presenciais seja o menor possível. Declarações de pessoas com responsabilidades acrescidas pelas posições que têm a nível nacional ou nas suas comunidades educativas. Declarações que truncam os factos, deturpam de forma consciente as condições reais no terreno e alinham numa variante de unanimismo demagógico que funciona como uma cortina de fumo, até surgir alguma ventania que a leve, altura em que dirão, sem grande pudor, que nada podia ter sido feito de forma diferente. E não tenho grandes dúvidas que Setembro arranca com a renovação das mensagens tendentes a transmitir “confiança”, com um discurso cheio de “positividade” porque, afinal, “não podemos parar”. Só que quem conhece como as coisas funcionam, dificilmente se consegue reconhecer nestes quadros cheios de gente sorridente de adjectivos fáceis, mas verbos ambíguos.

Em relação ao quotidiano escolar, a verdade é que, com a excepção de algumas arestas limadas nos horários dos alunos, eles são no mesmo número que eram, no mesmo espaço que existia. E que se aposta, com alto risco associado, que os comportamentos nos espaços escolares (e em seu redor) se mantenham dentro das normas de segurança, quando se sabe que isso é algo que só se pode explicar com recurso a uma qualquer Fé.

Na data em que escrevo (31 de Agosto), já se vão conhecendo alguns dados sobre o modo como o reinício das aulas está a ser preparado ou já a decorrer em outros países, num momento em que se verifica uma ressurgência dos casos de contágio em várias zonas da Europa e a sua multiplicação em outras partes do mundo. Perante isso, a Organização Mundial de Saúde tenta conciliar o interesse do regresso dos alunos ao ensino presencial e a um quotidiano escolar vagamente “normal” com as exigências de segurança que uns levam mais a sério do que outros, de acordo com avaliações dos riscos envolvidos que oscilam de acordo com as prioridades e meios disponíveis.

No Dubai, por exemplo, nas salas de aula, muitos lugares ficam vazios para assegurar a distância entre os alunos e os professores estão equipados com máscaras com microfones[i]. Um cenário difícil de assegurar em muitos outros locais. O que não impede que possam ser tomadas medidas destinadas a minimizar as possibilidades de contágio. Na Grécia, o número de alunos por turma foi reduzido para 17 e na Sérvia e Bósnia para 15. Em Espanha para 20, mesmo se existem dúvidas quanto à forma como isso irá acontecer, pois chega a prever-se a organização de aulas em espaços exteriores às salas tradicionais. E exige-se o uso de máscaras a partir dos 6 anos (1º ciclo), tanto em Espanha, como na Grécia, enquanto na Itália isso é exigido sempre que a distância de segurança não puder ser mantida. Também neste país, foram encomendadas quase 2,5 milhões de mesas individuais para os alunos[ii].

Em Portugal, nada disso se vai passar: as turmas continuam com a mesma dimensão, nos mesmos espaços e com a mesma distribuição, o que levanta muitas dúvidas sobre a eficácia de qualquer “distanciamento”. Alega-se que as escolas são dos espaços mais seguros em termos de contágio, mas não se diz que isso decorre de conclusões preliminares com base em amostras parcelares, colhidas quando se reabriram as escolas apenas para a frequência dos alunos do Secundário com exames. Garante-se que os riscos para os mais novos são muito reduzidos, mas não se explica que está em causa todo o movimento dos alunos entre os seus agregados familiares e as escolas. Não se destaca que mesmo que as crianças e jovens em idade escolar não desenvolvam sintomas graves quando infectados, isso não significa que não sejam agentes transmissores para familiares com situações de risco.

Chega a insinuar-se, com escassa subtileza, que o maior (único?) problema na reabertura das escolas é o “envelhecimento do pessoal docente” e o eventual receio dos professores em regressar às aulas por motivos apresentados como egoístas. Um governante esclareceu os directores escolares que os docentes em situação de risco terão de colocar “baixa médica”, sem atender a todo o enquadramento legal da questão. Ou em explicar o que se faz com turmas que fiquem sem um professor (ou mais) durante vários dias.

Como encarregado de educação não sinto confiança nesta forma de governar a Educação em termos de pandemia, pois quando os horários já estão feitos, ainda não se conhecem orientações claras para disciplinas que têm aulas práticas, de que a Educação Física é a que tem presença maior no currículo em todos os níveis de ensino.

Sim, é essencial retomar as aulas presenciais, para benefício maior dos alunos. Mas a reabertura das escolas não deve ser feita como se tudo estivesse previsto por estar escrito em “planos de contingência” ou protocolos que grande parte dos destinatários não lê ou aos quais, mesmo quando lhes são explicados, pouca ou nenhuma atenção dão.

A confiança ganha-se ou mantém-se com respeito pela verdade, não com truques semânticos ou argumentações relativistas, em que se nega o que antes se afirmou ser verdade insofismável, mas sem nunca se reconhecer o erro e muito menos que alguém chamou a atenção para essa possibilidade.

[i] https://www.khaleejtimes.com/coronavirus-pandemic/empty-seats-teachers-wearing-headset-mics-inside-a-dubai-classroom-on-first-day-of-school-2

[ii] https://medicalxpress.com/news/2020-08-european-schools-reopen-smaller-classes.html

 

Pela Madeira

As conclusões do estudo social encomendado pelo Governo Regional da Madeira à Aximage revelam que os madeirenses confiam mais nos professores (56%) do que nos médicos (50%) e nos advogados (27%). Como já se esperava, na classe política a desconfiança no Governo é de 41% e do Primeiro-Ministro de 37%. No Funchal os que inspiram menos confiança sãos os líderes políticos e os deputados.

thumbs-up

(aposto que num estudo expresso/isczé isto seria mais difícil…)

No Pódio Pelo Enésimo Ano Seguido

Bombeiros, médicos e professores: os profissionais em que os portugueses mais confiam

rankingconfianca

(claro que é muito deprimente estar dependente de porfírios para conseguir reaver o que é nosso, costas a querer ensinar-nos o ofício e ainda ter de ler e ouvir mst’s a denegrir-nos quase todos os dias e semanas… e ainda a dizer que perdemos a opinião pública em sondagens feitas à medida das encomendas… e claro que o Observador tem outra perspectiva da coisa, mas 1% dos portugueses dá, curiosamente, cerca de 100.000)

Os Portugueses Confiam no Marcelo e nas Escolas Públicas

No Expresso, o estudo com origem na Católica dá como título “Banca e Igreja são as instituições em que os portugueses menos confiam”. O que é verdade – e dificilmente de espantar – mas há mais para saber. Consultando os vários elementos do estudo, temos a parte relativa à “Confiança no governo, em instituições e em serviços públicos, 
hábitos de consumo e de poupança, e confiança económica (Novembro 2017)”, em cuja página 8 encontramos um desmentido (mais um) claro em relação ao discurso  dominante em alguns nichos da vida política, da comunicação social e nos especialistas orgânicos do regime, que gostam de se entreter a anunciar uma desconfiança global na nossa Educação Pública.

Claro que isto não fará primeiras páginas, nem o facto da confiança nas escolas públicas ser o valor mais constante ao longo do tempo nesta série de estudos (se o Cavaco continuasse, a PR nem dava luta). Claro que o que interessa é a mais recente declaração do iluminado doutor schleicher da ocêdeé.

Confiança

Say no More, Say no More

A Aximage perguntou aos 600 inquiridos do barómetro político de Maio qual o grau de confiança que têm nas instituições e as respostas permitem concluir que os portugueses confiam mais nos jornalistas e na comunicação social do que nos políticos e na Igreja Católica.

A empresa de sondagens pediu aos inquiridos para avaliarem oito instituições com um grau de confiança que varia entre grande, médio ou pequeno. Com base nas respostas, construiu um índice de confiança, que oscila entre 0 e 20. A instituição em que os inquiridos mais confiam são os amigos e conhecidos, que recebem um índice de confiança de 15,1.

Seguem-se as Forças Armadas, com um índice de 13,4. Logo depois estão as escolas e os professores, com 12,6. A comunicação social e os jornalistas ocupam a quarta posição, embora com nota negativa, de 9,8. Os média despertam mais confiança nos portugueses do que o Governo (8,7), a Igreja Católica e os padres (8,2) e a Assembleia da República (7,9). Na última posição estão os tribunais e a justiça, com um índice de confiança de 6.

Mas há sempre aquelas teorias de vão de escada – tipo opinadores avençados (mais limpinhos, limpinhos dos papéis do panamá ou de quaisquer outros) pelos vários poderes em quem quase ninguém confia – que dizem que as pessoas não confiam nas escolas e nos professores…

Zepov