4ª Feira

A cronologia dos factos deveria ser suficiente para evitar certas afirmações absolutamente disparatadas e completas falsificações da História. Gostemos mais ou menos deste ministro, secretário, partido ou nicho de especialistas disciplinares.

Os alunos do 4º ano que fizeram os testes TIMMS em 2015 tinham entrado no 1º ciclo em 2011 e fizeram os primeiros quatro anos de escolaridade no mandato de Nuno Crato e no final de 2014/15 tiveram provas finais.

Os alunos do 4º ano que fizeram os testes TIMMS em 2019 tinham entrado no 1º ciclo em 2015 e fizeram os primeiros quatro anos de escolaridade (e os restantes até agora) no mandato do secretário João Costa (que o ministro Tiago para estas coisas limita-se a ser porta-voz) e foram os primeiros a saber desde o 1º ano que não teriam qualquer tipo de prova final no 4º ano.

As implicações são naturais e é um bocado deprimente ver o passa-culpas de quem adoptou uma política de provas de aferição no 2º ano e acabou com os “exames”. Ou ouvir a Lurdes Figueiral a falar em “medo ancestral” dos alunos portugueses em relação aos “exames” e a alinhar na tese do “em 2019 os alunos aprenderam com as metas do Crato” quando estamos mortinhos de saber o que se passou desde 2015. Espera mais (será que esperava) de quem deveria nortear-se por algum rigor, até pela formação. Nas realmente as datas, a cronologia, a causalidade histórica é mais para a malta de Humanidades e de História, essa “não-ciência”.

Os maus resultados são apenas consequência da eliminação das provas finais do 4º ano? Não, claro que não. Mas lá que isso ajudou muito a algum laxismo e desresponsabilização, parece-me difícil de negar.

Para Memória Passada

25 de Setembro de 2020:

O Presidente da República considerou que uma situação preocupante da pandemia em Portugal seria aquela em que se atingisse um número de mortos na ordem das dezenas diariamente.

4 de Outubro de 2020:

Mais dez mortes e 904 casos: Portugal ultrapassa os 2 mil mortos no pior fim-de-semana da pandemia

Todos Os Anos É O Mesmo

Aparece sempre um destaque oportuno do estudo anual da OCDE a dizer que os professores portugueses isto e aquilo, são uns privilegiados que ganham que se fartam e tem montes de regalias. É mais do que evidente que um professor ganha mesmo mais do que outros profissionais com qualificações idênticas… até porque os professores, na sua larga maioria, tiveram de fazer formações pós-licenciatura. Estou mesmo a ver um médico com 30 anos ou mais anos de carreira a levar 1500 euros limpos para casa. Ou um advogado. Ou um engenheiro. Ou um economista, mesmo no mais falido dos bancos.

Mas mesmo que assim fosse, garanto que o mereceria e só tenho pena que estes estudos do Education at a Glance deixem muito a desejar em algumas comparações que fazem sempre com base numa tabela salarial e estrutura de carreira que são uma ficção. Adoro quando eles fazem aquela de colocar um professor com 15 anos de serviço a ganhar pelo 4º escalão, quando quase todos estão no 2º. Mas é o que fazem passar para a opinião pública.

E depois há coisas incompreensíveis, quando a tabela salarial é única para todos os níveis do Ensino Não-Superior. O que quer isto dizer?

Quanto aos salários auferidos, os professores portugueses dos primeiros anos de ensino ficam a ganhar ligeiramente na comparação, mas recebem menos do que a média na OCDE nos níveis de escolaridade mais avançados.

Não Me Espanta

A falta de “cólidade” de muita informação oficial começa a ser norma. DE a culpa não é sempre dos sistemas informáticos ou dos dados na origem, mas mesmo da lata de competência do factor humano, recrutado com base em critérios muito distantes da competência técnica. E o mesmo se diga (com maioria de razão) das próprias chefias.

Os dados de vigilância epidemiológica da Covid-19 cedidos pela Direção-Geral da Saúde aos cientistas contêm “dados com caráter provisório”, que “poderão ser ainda alvo de validação” e com erros graves – entre os quais falhas na proteção da identidade e “homens grávidos”.

A Direcção-Geral da Saúde cedeu aos cientistas dados incompletos e com erros sobre os doentes com Covid-19, revela esta sexta-feira o Observador. Segundo o jornal, há homens grávidos, falhas graves na proteção da identidade e artigos científicos com dados errados.

Segundo o Observador, o ficheiro recebido pelos investigadores a 4 de agosto tem os dados dos doentes com Covid-19, como idade, sexo, se teve de ser hospitalizado, que cuidados recebeu e se recuperou ou não da doença, até ao dia 30 de junho, mas a base de dados não protege a identidade dos doentes. Mais de 90% dos mortos são potencialmente identificáveis, acusam alguns dos investigadores.

Os investigadores apontam a existência de artigos científicos com dados errados ou com “caráter provisório, que poderão ser ainda alvo de validação e que podem não coincidir com aqueles reportados pelo boletim diário da DGS”, além de falhas graves nos dados, como é o caso de homens grávidos, entre os quais uma criança de 5 anos.

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A Shôra Ministra Compra Computadores “Adonde”? Porque Eu Quero Ir Lá Comprar Meia Dúzia

Que raio de contas são estas? Os computadores custam uma notita de 50 ou de 20 euros? Ou ainda menos?

O Governo estima que sejam necessários “cerca de quatro milhões de euros” anualmente para que todos os funcionários públicos tenham um computador portátil do serviçopara trabalharem a partir de casa, disse hoje a ministra da Administração Pública.

(…)

A ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública afirmou que muitos trabalhadores “já têm [portáteis do serviço] , mas para que todos tenham” este é o valor que o Governo prevê ser necessário para a aquisição dos equipamentos.

CatAlice

O Último (E Único) Contrato Que Encontro Para O Portal Das Matrículas É Já De Abril E De Quase 350.00€ (+IVA)

Cláusula 1.ª
Objecto do contrato
O presente contrato tem por objeto a aquisição de serviços de desenvolvimento Portal das Matrículas.

Cláusula 2.ª
Preço Contratual
1. Pela prestação referida na Cláusula 1ª, a PRIMEIRA OUTORGANTE pagará à SEGUNDA OUTORGANTE, o preço contratual de € 348.356,00 € (trezentos e quarenta e oito mil, trezentos e cinquenta e seis euros), a que acresce IVA à taxa legal em vigor.

Não sei se é caro… provavelmente nem é. Desde que funcione.

A empresa é a mesma que já em Maio foi escolhida para:

Aquisição de serviços de construção, desenvolvimento e implementação de aplicação móvel (app) E360 Professor

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Alguém Percebeu Aquilo Da Ministra Da Saúde E Da Microsoft?

Eu achei algo estranho.

Há cerca de 35 anos eu e uns colegas fazíamos a recolha de dados numas folhas de papel almaço quadriculado e ainda há pouco tempo soube que ninguém conseguiu contas melhores sobre o trânsito de navios pela Carreira da Índia, apesar de todos os sistemas informáticos e vaidades sortidas. Ou sobre as entradas no porto de Lisboa no século XVIII. E garanto que eram muitos milhares de registos.

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Voltámos Às Contas De Merceeiro Do Antigamente

E por antigamente, entenda-se o mandato “Sócrates/Rodrigues/Lemos/Pedreira” na Educação, o qual se caracterizou por campanhas comunicacionais assentes em números martelados até à exaustão e que voltaram em força no final do mandato anterior quando se tratou de avaliar os encargos com a recuperação integral do tempo de serviço docente.

Agora é a questão do plano de não retenção no Ensino Básico que, de forma falseada e mais do que demagógica, se apresenta como gerando uma “poupança” de 5.000 euros por aluno, logo… se há 50.000 retenções anuais temos uma poupança potencial de 250 milhões de euros por ano lectivo e temos 1 (UM) milhão (MILHÃO) de redução da despesa pública num único mandato.

Phosga-se… que isto é de fazer os centenos de harvard y eurogrupo terem multiorgasmos.

Pena que, como seria de esperar, os números estejam longe de bater certo, pois, mesmo aceitando como boa esta lógica da batata, o valor de 5.000 euros por aluno é perfeitamente errado.

Desde logo porque as 50.000 retenções não significam automaticamente a constituição de novas turmas e a contratação de mais professores, pois esses alunos acabam por ser incluídos nas turmas existentes (são cerca de 5-6% do total) e só residualmente implicam a formação de novas turmas e, dessa forma, mais encargos com o seu funcionamento.

Mas o valor redondo de 5.000 euros também não bate certo com os dados que temos, mesmo usando a lógica simplista de considerar todos os encargos como “despesa” (voltamos à questão dos salários dos professores, a tal maior parcela dos gastos, gerarem “receita” por via fiscal) e dividir pelo número de alunos.

Apesar do custo por aluno variar com o nível de ensino, podemos usar como base os números disponíveis mais recentes para o total de alunos, de acordo com o Perfil do Aluno para 2017/18:

Alunos

O Ensino Básico andava pelos 900.000 alunos, subindo esse valor para mais de 1,2 milhões de alunos se incluirmos o Secundário.

Qual o orçamento do ME para 2018? Cerca de 4 milhões de euros.

OEME2018

Se formos tão simplórios como a máquina comunicacional do ME acredita que é a generalidade da opinião pública (se calhar com razão), fazemos uma divisão entre esses valores e temos um custo por aluno pouco acima dos 3.300 euros  menos um terço do que o ME anuncia. 

Mas, como eu disse acima, não é assim que as coisas se devem calcular, nem sequer devem ser feitos cálculos deste modo, pois os alunos retidos não geram novas turmas, nem implicam necessariamente a contratação de novos professores ou gastos adicionais com a luz, água, net, etc, etc.

Tudo isto é uma enorme mistificação para “conquistar a opinião pública” para a causa da não-retenção. O que foi dito sobre os “custos da retenção” aos directores numa formação feita há uns meses eu coloco mais logo (assim ache o raio do ppt que recebi), seduzindo-os com a possibilidade das “poupanças” feitas servirem para outros “investimentos”.

Este ano, só para o PNPSE foram mais de 19 milhões de euros inscritos no orçamento do ME.

Isto quer dizer que sou um feroz defensor das retenções? Nem por isso… sou é ferozmente contra as aldrabices para difusão mediática.

Infelizmente, estamos de novo mergulhados na estratégia da mentira estatística e financeira como arma política.