Ortorexia

Mesmo só para chatear, já que quase toda a gente ficou preocupada com a saúde mental da Simone Biles, mas não vai ao espelho. Até porque eu nem gosto especialmente de pizza e outro tipo de comidas rápidas, que eu sou mais slow food tradicional e muito raramente como na escola ou nos cafés em redor, preferindo um canto sossegado e com pouca agitação.

Quem sofre de ortorexia preocupa-se de tal modo com a alimentação que as outras dimensões da sua vida ficam em segundo plano. É caracterizada por um planeamento rigoroso das refeições, por vezes, até com dias de antecedência, adotando regras cada vez mais restritas, e pela exclusão de alguns alimentos tidos como “maus”, “contaminados” ou “impuros”, como gorduras, aditivos ou glúten, podendo chegar à abstinência.

(…) Inicialmente, pode parecer que o motivo da ortorexia é apenas a preocupação com a saúde, mas existem outras razões subjacentes, como uma compulsão para assumir o controlo e atingir a perfeição e a melhoria da autoestima.

(#OrtorexiaéDoença)

A Montra E O Miolo

Primeira página do Público:

A notícia (só tenho o destaque, pelas razões que há dias expliquei, pois não dei qualquer opinião).

Ministério da Educação revela resultados do inquéritos feito a professores. Entre os docentes consultados pelo PÚBLICO há uma nota que sobressai: as AE carecem de revisão urgente.

Nunca esperei que a “avaliação prometida pela tutela” fosse abaixo da xalência. Até porque as “consultas” são sempre muito “focalizadas”. E há uma enorme acção de propaganda para tentar influenciar a opinião pública. Se em si a propaganda já é algo que tende a distorcer a realidade para provocar a adesão de quem a consome, neste caso é de assinalável desonestidade intelectual.

As AE são um “programa mínimo” que nos deveria embaraçar a todos (não apenas aos más-línguas como eu) se é para as considerar um horizonte para as aprendizagens a realizar.

Hoje, No Público

Tudo se apresenta com a legitimação das consequências da pandemia, mas nada de novo está em causa. Só alguém muito distraído poderá acreditar que é por aqui que passa alguma reforma da Educação que vá além da tentativa de dar novo ímpeto a medidas que se viu serem incapazes de funcionar em tempos de emergência.

Ainda As Aprendizagens Alegadamente “Perdidas”

Alguém me consegue demonstrar que aquilo que o Iavé diagnosticou de forma tão canhestra não acontece já, normalmente, em virtude da atomização e abastardamento do currículo do Ensino Básico às mãos de uma clique de gente cujo pensamento parou nas sebentas pseudo-críticas dos anos 90 do século passado?

Tema a desenvolver, em diferentes “plataformas”. nos próximos dias. Porque acho que tudo isto me cheira a oportunismo e, as palavras são para serem usadas, fraude.

A Outra Narrativa

Não sou ingénuo ao ponto de achar que estas notícias surgem por acaso, que não aparecem porque também são convenientes para a nova atitude do actual PM e da maioria dos que o apoiam. Mas, pelo menos, parecem assentar mais em factos demonstráveis do que as considerações vagas e pouco baseadas na realidade de certos “istas” que por aí andam a assinar cartas ou a subscrevê-las de cruz, sem grande preocupação em saber se têm algum fundamento ou se não se limitam à expressão de uma certa dor d’alma, causada por incómodos muito particulares.

Afinal, o confinamento indesejado foi “eficaz” e, afinal, não temos estado mais tempo fechados do que os outros. Que o economista Coraria e a economista Peralta são fracos neste tipo de contas, eu já tinha notado, assim como tenho escassa esperança na lisura e substância da argumentação de Oliveiras, Raposos & Tavares.

Expresso, 5 de Março de 2021

Mais Uma Cavadela…

… mais uma minhoca apanhada na argumentação da economista Peralta que parece uma daquelas especialistas instantâneas em economia da pandemia, só que truncando ou adulterando a informação que depois outros papagueiam de forma acrítica. E não há nada mais divertido do que ver alguém a “armar-se”, a colocar-se em bicos de pés em cima de barro por cozer.

No seu texto de 26 de fevereiro (“Costa, Marcelo e a penitência da Quaresma”), Susana Peralta argumenta em favor da abertura das escolas, apoiando-se num editorial publicado na revista médica The BMJ. A economista não deve ter feito uma análise cuidadosa da publicação que escolheu, ou teria detetado que o trabalho não apresenta informação científica que negue às escolas impacto na propagação do vírus – explico porquê nos últimos parágrafos deste texto, para quem interessar.

“Surpreendente” Para Quem?

Há muitos meses que se avisava para a tal “impreparação”. Isso foi denunciado de forma repetida, mas alguma comunicação social decidiu alinhar na conversa saída de certos gabinetes de comunicação de que eram apenas “más línguas”, pessoas mal informadas e que “só sabem dizer mal”. Não, por acaso as críticas vinham de quem está no terreno e não embarca em cantigas de embalar, de quem se preocupa mesmo com os alunos e não apenas com alguma opinião publicada, por vezes com a chancela de “notícia”.

Só que a culpa não é só, nem em primeiro lugar, do inepto ministro Tiago, que é mantido no lugar porque dá um imenso jeito ao par de Costas que na verdade governam a Educação, o de cima, o António, o das promessas balofas, que perpetua a animosidade de um certo PS em relação aos professores mais críticos de governações demagógicas, e o do lado, o João, que não é de baixo, porque é ele que decide muito do que interessa, resguardando-se habilmente das saraivadas, rodeado pela sua corte pessoal de candidat@s a comendas e futuros lugares de destaque no CNE (ou afins).

Pena O Autor Não Ter Estendido O Olhar A Outros Exemplos Disfarçados De “Opinião”

Redes sociais e CM são recompensados com audiência e público. E os fake jornalistas, são punidos? Não. Enquanto houver poder socialista, alguém que divulgou notícias erradas e enganosas, porém agradáveis para o poder,  pode sempre ser recompensado com a presidência da Lusa; alguém que pôs a seriedade de lado pode ter direito a uma avença (ao menos, até ser descoberto); e alguém que além de amigo foi cúmplice, alertador e bombeiro de Sócrates pode sempre contar com bom progresso na carreira. Basta que em vez de jornalistas escolham ser fake e falsários.