A Propaganda Do Mé Costa (Em Directo)

Muita conversa fiada a abrir. Com números. A culpa é da troika.

Ele diz que conhece bem os professores. Quais?

O respeito é subjectivo?

Continua com números, em forma de relatório de autoavaliação.

Confiança? Com os sindicatos, talvez. Com os professores, não.

As reuniões foram em ambiente amigável? Todos os sindicatos reconheceram o “grande passo”? A sério?

Boa fé?

O entrevistador dá a mão para a questão das aprendizagens dos alunos.

Vem aí demagogia… o “ano da recuperação”… o jornalista volta a dar mão para dizer que os alunos estão a ser prejudicados.

O 2º período é muito importante? E os outros? Que conversa da treta.

A pressa em meter a cassete, faz com que salte para a “vinculação dinâmica” e para os escalões para os contratados, algo que é imposição europeia.

“Trabalho digno”?

Mas o entrevistador volta meter uma “bucha” sobre o tempo para vincular, só depois dizendo que só se vai fazer o que já existe na administração pública.

Os professores são colocados a 15 de Setembro, porquê? Quem criou as regras, como aconteceu este ano?

Só fala nos 1095 dias… o entrevistador lá lhe diz que a mudança não é assim muito grande. O ministro Costa anuncia muita novidade, como se não estivesse no governo há mais de 7 anos. Estas medidas surgem só agora porque…?

Ahhhh… vai-se fazer o que já existe na administração pública? Ganda novidade.

O entrevistador lá lhe atira com os 7 anos! E lá vem ele com a resposta da treta, descongelamento, recuperação parcial do tempo de serviço e lá vem com aqueles números que repete há não sei quanto tempo e a “responsabilidade orçamental”.

“Solução estrutural de combate à precariedade” que “vai ficar para todo o sempre”. A sério?

Apesar de uma ou outra impertinência suave, o entrevistador parece o de um canal clubístico a entrevistar o treinador do momento. Com pequenas excepções, é tempo de antena gratuito.

Já anuncia acordo com os sindicatos sobre os novos qzp.

Mediram as distâncias… o problema é que, por exemplo, aqui na minha zona, de Almada a Alcochete e Sesimbra vai um mundo de escolas… quantos membros vai ter este Conselho “Local” de Directores?

A “casa às costas” começa a parecer um slogan da Decathlon.

A carreira dos professores nunca esteve descongelada tanto tempo? Passou-se!!!

Esta carreira já existe há algum tempo? Mas o homem desvinculou?

Os congelamentos começaram em Agosto de 2005, homem!

Nova mão estendida do entrevistador para o tema da “municipalização”? Vamos lá a ver se ele volta a falar em mentiras de whatsapp.

Afinal, é contra a contrataçao de professores pelas autarquias?

“O ministério da educação ouve”?

“Não se governa contra as pessoas”?

O entrevistador fez leituras. Ainda bem.

Não conhece os modelos actuais da França e Itália? O shôr ministro não fez leituras?

Sobre a recuperação de tempo de serviço, o entrevistador não se vai lembrar de falar nos Açores e Madeira? Vai engolir a “comparabilidade” e as “contas”? ” ainda a “transversabilidade”?

Engoliu.

“Assunto encerrado”? Mas quem iniciou os descongelamentos?

“Reescrever a História”? Voltámos a esse chavão parvo? “A História não volta atrás”? Só nas regiões autónomas?

Os números da proposta até final da legislatura, já sabemos que não alteram grande coisa. É mentira que as quotas sejam algo transversal a todas as carreiras, pois não acontecem na Madeira e Açores.

Um pacote de 100 milhões de euros? Cacahuètes, diria a madame da tap.

A forma de desenvolvimento das greves suscita dúvidas quanto à previsibilidade. Aguarda o parecer com expectativa.

Tem respeito por “todos” os sindicatos e os seus representantes? Mesmo aos que chama mentirosos?

Lá está ele a elogiar as greves da Fenprof… as outras são “desproporcionais”. Então as da FNE são as melhores.

É giro como ele tenta dizer que a greve é “desproporcional”, mas ao mesmo tempo tem baixa adesão.

Lá veio a alfinetada sobre o crescimento do ensino privado.

Que confusão… diz que o ensino profissional aumentou no público, mas o peso dos privados aumentou?

“Malditos rankings”? Ó homem, cresce!

Ui… PIP’s em 100 agrupamentos… e pipis fritos em quantos?

Três minutos para falar de exames? Quase me ia embora, mas ainda lhe perguntam se sente condições para continuar. Que sim, claro, porque Paris não foge… ou outra cidade jeitosa.

Phosga-se… finalmente, acabou!

2ª Feira

Estava o domingo a findar e o ministério da Educação fez saber à RTP e confirmou ao Público as propostas (parte delas? a totalidade?) que pretende apresentar a partir de 4ª feira às organizações sindicais. Isto depois de (como bem se sublinhou pelas 8 na TSF) ter garantido na 6ª feira que só as apresentaria aos sindicatos, pelo “respeito” que lhes tem. Isto foi dito pelo ministro que, depois, autorizou a “fuga” dessas propostas para o canal que o manteve no ar, durante toda a conferência de imprensa e convidou um director de jornal, claramente instável do ponto de vista jornalístico. Não sei se terá sido obrigado a ficar com alguma criança em casa por causa da greve dos professores, pois não o conheço, nem sinto vontade. Já no caso do Público, cujo director também produziu editorial em tempo recorde na 6ª feira até tem a notícia das “novidades” em raro acesso aberto.

A horas do início de uma nova semana, na qual vão confluir greves de praticamente todos os sindicatos, o ministro falta à sua palavra e desrespeita objectivamente aqueles que há poucos dias parecer querer seduzir ao enviar para a comunicação social, para abrir noticiários da manhã, algo que só pode ser um “palpite”, visto que os documentos escritos que apresentou formalmente em reuniões não passavam de uma “opinião”, nas suas próprias palavras.

Atingimos um grau muito baixo de seriedade em todo este processo. O governante que acusou interlocutores de mentirem, desdiz em pouco mais de 48 horas a garantia que tinha dado, com as câmaras e microfones a registar tudo. É por atitudes como esta que o ministro Costa não pode ser encarado como um parceiro negociável credível e digno de confiança. Assim como pelo apoio que tem dado a narrativas sobre a ilegalidade das greves em decurso, até confundindo que convocou o quê e fornecendo uma “cartilha” a comentadores, com talking points a ser martelados (ontem à noite foi a vez de ver um Baldaia a regressar aos seus tempos áureos de 2008) de forma incessante, sem aquele benefício da dúvida que reclamam para tanta outra coisa. e chamam “populistas” aos outros, como aquela doutora Pimentel que, com a idade, se esqueceu de mais de metade da sua vida ao serviço de ideários muito além do populismo.

Mas é assim que andam tempos em que o pessoal político parece recrutado entre os mais estridentes ou manhosos elementos de uma associação de estudantes jotista, numa qualquer secundária do país, a partir do qual se recrutam as jovens promessas como aquele ex-ministro de quem tanto gosta uma ex-secretária de Estado e ex-ministra que agora, em programa de televisão com muita história, garante defender o que nunca praticou quando podia.

Mas de volta às manobras em torno da Educação.

Penso que existe um consenso entre quase todos: o ministro está farto disto e parece mais interessado em migrar para outras paragens, para coordenar a tempo inteiro qualquer coisa transnacional, e os professores estão, numa larga maioria, fartos de o ter por cá. E seria tempo de se ter outro rosto a negociar, até porque assim seria mais fácil justificar uma mudança de políticas que trouxesse a acalmia ao sector. Uma acalmia que, a cada intervenção do ministro, fica mais difícil. Porque ele confundiu o seu contacto afável com os suseranos das cortes locais, durante as regulares digressões pelo seu reino, com o sentir da vassalagem, do “povo” desses feudos, daqueles que, no fundo, fazem o dia a dia das escolas para além da produção de grelhas ou ordens de marcha para submersão em burocracia (onde está o tal grupo de trabalho prometido para a rever? falta algum papel selado? uma lambidela no selo para mandar o meile?). Claro que a saída do ministro Costa, sem sucessão em forma de clone, está a assustar @s mais fiéis cortesã(o)s como se vai percebendo por alguns chiliques em forma de prosa.

Já afirmei que não adianta mudar o ministro Costa, se é para colocar lá uma réplica. Porque o que está esgotado é este modelo de política, herdade da 3ª via dos anos 90, mais seduzido pelas práticas liberais nestas matérias do que pelos pergaminhos de “esquerda” que alguns muito enunciam com estridência, mas sem convicção.

A manobra de ontem à noite foi mais uma cabal demonstração, excepto para baldaias, barbosas, carvalhos e mais umas quantas figurinhas decorativas), de que o ministro Costa faz parte do problema e que não é alguém em que possa confiar para nos ir buscar meia dúzia de ovos à vizinha do lado.

É uma tristeza ter de sentir, ainda mais apodrecido, o que que de pior cheirava em 2008. Afinal, a culpa não era só do “engenheiro”.

(entretanto, esta manhã, o Paulo Prudêncio deve passar pela SICN, para tentar explicar algumas destas coisas, com a devida ponderação, porque no sábado o velho soviete voltou a reunir-se e está bem de saúde analítica)

Coincidências

Governo volta a contratar Guilherme Dray para negociar com sindicatos da TAP

(…) Guilherme Dray foi Chefe de Gabinete de José Sócrates e, antes disso, Chefe de Gabinete do ex-ministro das Obras Públicas, Mário Lino. No ano passado foi nomeado pelo Ministério do Trabalho, a par com Teresa Coelho Moreira, para coordenar a preparação do Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho.

Paulo Silva, ao que o Observador apurou, terá mesmo escrito que José Sócrates e Guilherme Dray, ex-chefe de gabinete de Sócrates em São Bento que tem contactos privilegiados com a entourage de Lula da Silva, terão promovido uma alegada tentativa de influência internacional em proveito das sociedades de Paulo Lalanda Castro – então patrão de Sócrates enquanto líder da Octapharma Portugal. 

Claro que o Manuel Carvalho não tem qualquer obrigação de pedir declarações de interesses a quem escreve “opinião” no Público. Muito menos quando falta à verdade sem problemas “éticos”. Mas é fruta da época e há que nos habituarmos a isto.

A greve dos professores e o exercício abusivo do direito à greve

Os professores faltam aos primeiros tempos. As escolas dão indicações aos alunos para regressarem a casa. Quando já não há alunos, os professores aparecem e reclamam o pagamento do resto do dia.

Ao menos, quando para la mandava textos, sempre deixei claro o que era e sou. Mas agora, nos tempos da pós-verdade, tudo parece valer o mesmo.

Domingo

Depois dos últimos de ontem e da manifestação de ontem, é necessário que o ministro Costa entenda que não chega recorrer a truques de linguagem (e jurídicos), a estratégias de sedução selectiva ou à mobilização das suas Âncoras na comunicação social para resolver a situação criada. Não chega. è indispensável que mude de atitude, mas que essa mudança não passe por chamar crédulos ignorantes aos professores ou insinuar (mais uma vez) que são uma cambada de gente desonesta que recorre a meios ilegais nos seus protestos. è mesmo muito importante que deixe de pensar que é mais “esperto” do que os outros e tente ser mais inteligente. Se conseguir, claro. Tantos anos em digressão por escolas controladas, a fazer reuniões com @s cortesã(os designados, a criar uma rede de gente ao seu serviço, completamente desligados da realidade da sala de aula, talvez tenham ajudado ao seu descolamento da realidade, mas é mesmo necessário que alguém o faça voltar à Terra ou partir de vez para as Europas, para perto dos seus amigo cosmopolitas e deixar-nos em paz.

Dito isto, vou resumir o que me parecem ser as suas três linhas de acção neste momento:

  1. Intimidar quem está em protesto, com o lançamento de diversas suspeitas sobre ilegalidades diversas em torno das greves em decurso, de modo a atemorizar e desmobilizar, usando para isso, na cadeia hierárquica criada com este modelo de gestão, aquel@s director@s que converteu para a sua clientela particular. O que andou a ser espalhado (com a anuência pretensamente indignada de pessoas como os directores do Público e do JN, que talvez fizessem melhor em olhar ao espelho em matéria de moral e bons costumes) sobre os utativos “fundos de greve”, dando a entender que usaria todos os meios jurídicos ao seu dispor, mais não é do que uma extensão do que foi feito no passado com os enfermeiros. Não, não existe qualquer crowdfunding na greve do pessoal docente e não docente. E posso dizê-lo, enquanto alguém que usou esse meio, antes de quase ter tal designação, em 2008 e 2009 para pagar os pareceres jurídicos ao jurista Garcia Pereira. Podem não gostar desta ou daquela táctica, podem até arranjar pareceres manhosos e empurrar isso como válido, mas não é verdade. Pura e simplesmente, a menos que, então, acabemos com campanhas de solidariedade, bancos alimentares ou de dádivas no Natal ou quando mulheres, homens e outros querem, sem quaisquer registos ou declarações.
  2. Seduzir de forma selectiva alguns sindicatos “responsáveis”, com formas de lutas “previsíveis” e “proporcionais”, que não incomodem muito e até consigam dar lucro ao Estado, para estabelecerem acordos de conveniência, como no passado. Embora já não existam Silvas (Carvalhos e Vieiras) para o negociarem nas costas dos professores), ainda existem muitos canais paralelos e preferenciais de comunicação entre algumas organizações sindicais e o ministério, que escapam às mesas negociais formais, para nos sentirmos descansados. Claro que podem negar, que não é nada assim, mas é como dizia a outra… é bom que saibam que nós sabemos e, por isso mesmo, desconfiamos. A conferência de imprensa de 6ª feira ao fim do dia foi muito clara a esse respeito e só não admira que a sedução tenha sido feita de forma tão explícita, porque era necessário transmitir para a opinião pública uma alegada boa vontade do ministério para “negociar” e chegar a acordo. Com os interlocutores certos, que fazem greves “típicas”. O problema é que a “esperteza” da manobra careceu de alguma inteligência, porque deste modo deixou certas organizações sindicais comprometidas em público.
  3. Tentar que na comunicação social se produzam conteúdos desfavoráveis – para não dizer, pura e simplesmente ofensivos e difamatórios – aos professores em protesto, para reforçar a estratégia de, a partir de um punhado de associações de pais, dar a entender que aqueles estão numa “luta” contrária ao interesse dos alunos. O uso de exemplos patéticos pela líder da Confap e pelo ministro para denunciar os imensos “males” da greve dos professores (sendo que a greve ao primeiro tempo é da responsabilidade formal do SIPE e não do S.TO.P.), só são ultrapassados na mais descabelada demagogia e efectivo populismo de intervenções como a de Rafael Barbosa na RTP3, que parecia possuído por uma raiva que nos faz duvidar da sua capacidade para dirigir uma publicação que se pretende “informativa” ou pelo tom paternalista de Manuel Carvalho, em editorial do Público, que não hesitou em tomar como verdade absoluta o que lhe chegou em forma de rumores e confidências, sendo curioso que em relação a outras matérias, com material de prova bem mais abundante, nunca se dignou expressar-se ou sequer investigar. A estas prosas mais agressivas, juntam-se textos de elementos da corte do ministro Costa, como o do casal Cosme/Trindade, que primam por um tom delicodoce e perfeitamente nas nuvens, quando afirmam algo como:

É isto que os professores terão de enfrentar nos próximos tempos… uma investida mediática feroz para os tentar colocar como os tradicionais “maus da fita”, ameaças intimidatórias no plano jurídico e a oferta de um acordo “responsável” a alguns sindicatos. Nada de novo, portanto. Outra vez.

(c) Luís Salvado

As Contas Do Ministro Costa

O Ministro Costa acha que “transformar” a Escola Pública se faz martelando números.

Então vamos lá devolver as marteladas em matéria de carreira docente.

As carreiras estiveram congeladas até 2018. Estão descongeladas, tendo-se recuperado parte do tempo de serviço, com responsabilidade orçamental. Daqui resulta que 98,5% dos professores progrediram um escalão. Destes, 90% progrediram dois escalões, com consequente aumento do vencimento médio.

Vou deixar passar em claro a patacoada da “responsabilidade orçamental”, porque ele não sabe do que fala, apenas repete a cartilha que lhe deram para espalhar. Afirma que 98,5% progrediram um escalão desde 2018. Se tivermos em conta que desde o início de 2018 já passaram 5 anos e foram recuperados perto de 2 anos, 9 meses e 18 dias do tempo esbulhado, atendendo a que os escalões da carreira docente são de 4 anos ou 2 (o 5º), isso apenas significa a consolidação do dito esbulho de mais de 6,5 anos de tempo de serviço. Se 90% progrediram 2 escalões, isso apenas significa que muita gente passou pelo 5º escalão ou teve alguma bonificação por obtenção de grau académico ou mercê das quotas. Em circunstâncias normais, todos deveriam ter progredido, no mínimo, 3 escalões.

Em 2018, havia sete professores no topo da carreira, hoje há quase 17 mil. Cerca de 40% dos professores estão nos quatro escalões mais altos (…).

O ministro Costa é, claramente, um sobredotado para estas coisas. Então, 17.000 professores estão no “topo da carreira” ao fim de 5 anos de descongelamento? Atendendo à idade e tempo de carreira esse número deveria ser muito superior. Basta ler os estudos sobre as necessidades de pessoal docente até final desta década (a começar pelo pedido pela DGEEC, mas também do CNE), para se perceber isso. O número natural de professores no topo da carreira, até por tudo o que se tem publicado acerca do envelhecimento docente, deveria ser, no mínimo, o dobro. Em 2020/21, quase 70.000 docentes tinham mais de 50 anos, num total pouco acima dos 130.000 em exercício, incluindo mais de 16.000 contratados.

Ou seja, num cálculo pouco arriscado, teremos agora perto de 75.000, em menos de 120.000 docentes dos quadros (mais de 60%), acima dos 50 anos, o que deveria significar um posicionamento nos tais “quatro escalões mais altos”, mas segundo o próprio ministro Costa, andarão por lá cerca de 40%. Relembre-se que para chegar ao 7º escalão deveriam ser necessários 22 anos de serviço (5 escalões de 4 anos, mais um de 2), pelo que quem entrasse nos quadros perto dos 30 anos estaria lá por volta dos 50, mesmo descontando o tempo de serviço de contratado. Contando com o tempo a partir dos 25 anos de idade (mais do que suficiente para concluir a profissionalização), os 4 escalões mais altos deveriam ser acessíveis a partir dos 47-48 anos. Eu cheguei lá por volta dos 55 e tive uma bonificação das antigas por causa do mestrado.

O que o ministro deveria explicar é porque a “Média de idades dos professores do quadro ainda por colocar ronda os 57 anos” ou o “Perfil para vinculação: 46 anos de idade e 16 de serviço”,

Em 2016, foi reposta a legalidade na condição para a vinculação de professores, tendo-se vinculado 14.500 docentes desde então, reposicionando-os na carreira.

Pois, não se diz que isso se passou por pressão externa da União Europeia e que, nesse mesmo período, se aposentaram, pelo menos, mais de 9.000. Ou seja, entraram 14.500 para os quadros, mas professores que já estavam em exercício como contratados, enquanto saíam em definitivo quase uma dezena de milhar.

Em seguida surge uma “lista de supermercado” de realizações da governação costista na Educação que me faz lembrar aquela que Maria de Lurdes Rodrigues fez no seu livro de auto-elogio, sendo que cada vez tenho mais dificuldade em distinguir o antigo director da FCSH da actual “reitora” do ISCTE.

O ministro Costa parece mesmo não perceber que por “transformação” também podemos designar o que acontece no nosso aparelho digestivo e nem tudo o que se “transforma” é nutritivo.

Domingo

A semana que vai começar é crucial para o desfecho deste conflito entre os professores e a tutela. Não apenas a manifestação de dia 14, mas toda a semana, no sentido de puxar a opinião pública definitivamente para o lado dos professores, o que se torna mais simples se a mensagem transmitida for objectiva, concentrada nos pontos de pressão e não se dispersar em modo “lista de supermercado”. Percebo que quando se levanta a tampa de uma panela longamente aquecida e a ferver, o vapor tende a sair todo, mas o outro lado da coisa é uma descompressão demasiado rápida. E há que fazer a coisa mais em modo de fogão a lenha, com paciência e concentrando os esforços.

Até porque é necessário compreender que haverá reacção do outro lado, passando a mesma por activar os seus nichos específicos. Por Gaia, já aparecem a dizer que existe uma “revolta muito grande por parte dos pais contra os professores”, o que a partir do terreno dizem-me ser um manifesto exagero. Curiosamente, estes “pais” não dirigem as suas exigências para a autarquia, que é a directa responsável pela gestão do pré e do 1º ciclo. Se querem que as escolas se mantenham abertas, parecia-me mais razoável que certos “pais” se dirigissem à câmara de Gaia, mas como todos acabam por ter os mesmos manda-chuvas, não ficaria bem, pelo que tentam entalar os directores.

Adicionalmente, há que ter em conta que há “penduras”, “adesivos” de ocasião á causa dos professores, que aparecem agora, mas desaparecerão depressa, se a maré der sinais de abrandar. Mesmo se nos Açores houve uma solução de “direita” que fez recuperar todo o tempo de serviço aos docentes e eliminou os travões à progressão, há que perceber que pelo continente essa aliança improvável não existe e, pior, não tem o mesmo tipo de prioridades. Basta ler alguém como o observador Homem Cristo (antigo assessor do grupo parlamentar do CDS, mas que se move bem entre o PSD e a IL), para perceber que já está em marcha a tentativa de fazer confundir a insatisfação dos professores com a acção “errada” dos sindicatos, na manobra costumeira de desinformação, com que alguns (em busca de um artiguito lá no estaminé, pensando que é sinal de “pluralismo”) acabam por colaborar. Ao dizer que os sindicatos “não têm razão”, o alegado “investigador” (as aspas resultam do facto de um investigador sem elas ter obrigação de perceber que a contestação não parte das cúpulas, mas dos professores), mais não faz do que explicar qual a posição da área política que apoia (repito, no cruzamento do PSD, IL e CDS) quando chegar ao poder. Não vale a pena, mesmo, acreditar que se replicaria por cá o que se passou na Madeira e Açores, se este “arco” chegasse à governação. Quanto ao Chega, mais o seu putativo movimento sindical, dificilmente se sentiria atraído por uma contestação que encarará como “esquerdista”.

Por isso, há que estar preparado para a investida de spin do PS/Governo (aquela de 9 em 10 alunos acabarem o Básico sem chumbar, mais não foi do que uma táctica de desviar atenções e tentativa de apresentação de “obra feita”) e para a hipocrisia dos que aparecem, com ar compungido, a dar fortuitas palmadinhas nas costas, só porque se está a moer o Governo (o Marques Mendes não é caso único).

Por tudo isto, é importante não alienar ou confundir a opinião pública, produzindo prosas que só quem está convertido entende, porque para fora ou se tem tempo para explicar a palermice que é a aplicação acrítica do “maia” ou nem vale muito a pena falar nisso. É mais eficaz mostrar o que certas grelhas demonstram de uma evidente retenção @n@l de quem rejubila com a sua criação, adaptação ou aplicação, sem qualquer ganho real para as aprendizagens dos alunos.

A grelha que se segue foi colhida no mural do Ricardo Pereira, mas já vi coisa pior, só que não quero comprometer quem a teve de preencher. Isto simboliza a total desumanização da Educação. E é verdade que é também contra isto que estamos, mas há que estabelecer algumas prioridades.

Cheias E Enxurradas (E No Que Se Relacionam Com Os Professores)

A menos que se coloque tudo à conta da má vontade dos deuses, muito do que tem passado, não apenas na Grande Lisboa, resulta da desajeitada acção humana na gestão dos solos e no planeamento urbano. Resulta da ganância conjugada de interesses privados e públicos.

Quem, da parte do estado, tem intervenção directa no licenciamento de obras, manutenção de redes viárias, gestão da rede de esgotos, etc, etc?

Exacto. os mesmos senhores a que, em forma de “comunidade”, querem entregar a gestão dos recursos humanos da Educação, a partir do definição da rede escolar, tendo @s director@s como operacionais no terreno.

Sim, o senhor ministro Costa não mente quando diz que “não vamos entregar os concursos de professores ás autarquias”, porque apenas joga com as palavras e com o recorte em torno do seu verdadeiro sentido. ele nada diz sobre “comunidades intermunicipais”. E quando há documentos que já referem “quadros de professores”, não referem contudo “quadros de escola/agrupamento”. E quando se diz que se reduz a área dos qzp, não referem que é para as fazer coincidir de modo quase perfeito com as tais “comunidades intermunicipais”.

O ministro Costa acusa os outros de mentir quando falam verdade. Já no caso dele, até parece que se esquece das pretéritas petas próprias. Pode ser apenas um problema de memória e patetice, em vez de sonsice declarada.

Pobre rapaz! ficou como pateta! Se ele não está acostumado a isto… Condenado a falar verdade vinte e quatro horas a fio!… Também olhe que nos dá um trabalho! porque mente com um desembaraço e sem a menor consideração… Já se tinha esquecido da peta do almoço.

Domingo

Repor a verdade? Que verdade? A batalha por qualquer verdade foi perdida há muito e a culpa só é indirectamente das teses do pós-modernismo de há 50 anos. A batalha pela verdade, na política nacional apenas seguiu uma tendência internacional para os governos se preocuparem mais com a “comunicação” do que com a governação. A batalha pela verdade foi perdida quando as “centrais de comunicação” para intoxicação da opinião pública e alimentação da opinião publicada se tornaram um eixo estratégico da acção política. Sem houve esse tipo de fenómeno? Claro que sim… todo o século XX avança em crescendo nesse sentido, mas outrora a propaganda era mais fácil de identificar, porque os lados eram conhecidos e quase sempre reconhecíveis. As “quintas colunas” existiam, mas não à escala a que assistimos agora. A batalha pela verdade, qualquer verdade, foi perdida, quando muitos que a poderiam defender, em nome de uma sofisticação intelectual e de um relativismo cultural e político, desertaram para o lado dos defensores do anything goes desde que goes our way. Ou que crie a dúvida sistemática sobre tudo. Clinton e Blair aceleraram o processo? Sim e por cá a coisa descolou, não com Portas e Barroso, apesar da vontade, mas com Sócrates e os seus avençados na comunicação social, blogosfera e nascentes redes sociais. Os factos passaram a ser relativos e depois alternativos. O trumpismo venceu a partir do momento em que contaminou tanto os opositores que os tornou uma variante daquilo que combatiam.

Repor a verdade? Que verdade? Aquela com que gozam quando eu falo nela. A verdade do deputado porfírio que assina uma resolução a defender a recuperação integral do tempo de serviço e depois vota contra a proposta de lei que defendia essa recuperação?

Leia-se o comunicado do Conselho de Ministros de 17 de Novembro:

Foi aprovada a resolução que determina início do processo de transferência e partilha de atribuições dos serviços periféricos da administração direta e indireta do Estado, para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), nas áreas da economia, cultura, educação, formação profissional, saúde, conservação da natureza e das florestas, infraestruturas, ordenamento do território, e agricultura. Este processo de transferência e partilha de atribuições não prejudica a descentralização de competências para as comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas.

De que “verdade” fala o ministro Costa e os seus minions no facebook e demais redes sociais? CE uma verdade que nega o que o próprio ministério apresentou aos sindicatos nas reuniões de 7 e 8 de novembro de 2022?

Não é esta a Verdade apresentada pelo ME há pouco mais de três semanas? Que “desinformação” veio denunciar o ministro Costa e os seus minions? Quem “manipulou” o quê? Por aqui, correndo sempre o risco do anacronismo, da acusação de ser “velho”, de estar agarrado a conceitos do passado, procuro comentar a partir das informações concretas que me chegam, não de boatos. Isso deixo para outros.

Repor a verdade?

Se o ministro Costa quer demonstrar que o ministro Costa é mentiroso, não sou eu que o vou impedir. Apenas esclarecer que é isso que se passa.

6ª Feira

Cada vez estou mais convencido que o caos crescente nas substituições dá um imenso jeito a quem quer arranjar desculpas para “mudar o paradigma dos concursos”. Aquela coisa de exigir a atribuição de horários a que se sabia não estar em condições de leccionar, empurrando a sua substituição para depois de meados de Setembro trazia água no bico. Quando observo a forma como se “diagnostica” erradamente uma falta de docentes profissionalizados, alegando-se que é preciso recorrer a qualquer tipo detentor de umas dezenas de créditos bolonheses e ao aumento dos alunos dos cursos de formação inicial de professores (quando ao mesmo tempo, de forma menos vocal, se anuncia a redução do número de alunos no sistema), fico com a clara sensação que esta é a desculpa desejada para introduzir alterações desnecessárias, mas muito apetecíveis para quem quer desregular de vez a colocação de professores e atomizar as contestações, quebrando os poucos laços de solidariedade profissional que ainda sobrevivem.

É verdade que existe uma situação problemática, mas observando de perto o que não foi feito, pelo menos desde 2017, 2018, é muito difícil não achar que este é um fenómeno de clara degenerescência programada.