No JL/Educação Deste Mês

“Tempo de antena” para contraponto à peça, a abrir o suplemento, de exaltação propagandística do programa do governo para a Educação de João Couvaneiro (que ganhou há uns anos um prémio apresentado como “uma espécie de Nobel da Educação”, mas agora está a tentar governar a câmara de Almada apesar da Inês de Medeiros).

Voltámos Às Contas De Merceeiro Do Antigamente

E por antigamente, entenda-se o mandato “Sócrates/Rodrigues/Lemos/Pedreira” na Educação, o qual se caracterizou por campanhas comunicacionais assentes em números martelados até à exaustão e que voltaram em força no final do mandato anterior quando se tratou de avaliar os encargos com a recuperação integral do tempo de serviço docente.

Agora é a questão do plano de não retenção no Ensino Básico que, de forma falseada e mais do que demagógica, se apresenta como gerando uma “poupança” de 5.000 euros por aluno, logo… se há 50.000 retenções anuais temos uma poupança potencial de 250 milhões de euros por ano lectivo e temos 1 (UM) milhão (MILHÃO) de redução da despesa pública num único mandato.

Phosga-se… que isto é de fazer os centenos de harvard y eurogrupo terem multiorgasmos.

Pena que, como seria de esperar, os números estejam longe de bater certo, pois, mesmo aceitando como boa esta lógica da batata, o valor de 5.000 euros por aluno é perfeitamente errado.

Desde logo porque as 50.000 retenções não significam automaticamente a constituição de novas turmas e a contratação de mais professores, pois esses alunos acabam por ser incluídos nas turmas existentes (são cerca de 5-6% do total) e só residualmente implicam a formação de novas turmas e, dessa forma, mais encargos com o seu funcionamento.

Mas o valor redondo de 5.000 euros também não bate certo com os dados que temos, mesmo usando a lógica simplista de considerar todos os encargos como “despesa” (voltamos à questão dos salários dos professores, a tal maior parcela dos gastos, gerarem “receita” por via fiscal) e dividir pelo número de alunos.

Apesar do custo por aluno variar com o nível de ensino, podemos usar como base os números disponíveis mais recentes para o total de alunos, de acordo com o Perfil do Aluno para 2017/18:

Alunos

O Ensino Básico andava pelos 900.000 alunos, subindo esse valor para mais de 1,2 milhões de alunos se incluirmos o Secundário.

Qual o orçamento do ME para 2018? Cerca de 4 milhões de euros.

OEME2018

Se formos tão simplórios como a máquina comunicacional do ME acredita que é a generalidade da opinião pública (se calhar com razão), fazemos uma divisão entre esses valores e temos um custo por aluno pouco acima dos 3.300 euros  menos um terço do que o ME anuncia. 

Mas, como eu disse acima, não é assim que as coisas se devem calcular, nem sequer devem ser feitos cálculos deste modo, pois os alunos retidos não geram novas turmas, nem implicam necessariamente a contratação de novos professores ou gastos adicionais com a luz, água, net, etc, etc.

Tudo isto é uma enorme mistificação para “conquistar a opinião pública” para a causa da não-retenção. O que foi dito sobre os “custos da retenção” aos directores numa formação feita há uns meses eu coloco mais logo (assim ache o raio do ppt que recebi), seduzindo-os com a possibilidade das “poupanças” feitas servirem para outros “investimentos”.

Este ano, só para o PNPSE foram mais de 19 milhões de euros inscritos no orçamento do ME.

Isto quer dizer que sou um feroz defensor das retenções? Nem por isso… sou é ferozmente contra as aldrabices para difusão mediática.

Infelizmente, estamos de novo mergulhados na estratégia da mentira estatística e financeira como arma política.

O Melhor Ano No Melhor Dos Mundos

Até a cobertura dos incêndios que infelizmente voltaram é feita de modo maneirinho, que a Cofina andou a comprar a Media Capital e a Impresa não se mete nisso se não for por causa das audiências. A imprensa está quase toda amarradinha pela falta de receitas e está disponível para ALD em troca de umas mega-conferências sobre Portugal “Empreendedor” ou “de Sucesso” se forem com patrocínios dos grupos que funcionam num monopólio praticamente igual ao dos tempos em que eram empresas públicas. Basta ver os “painéis” que arranjam para dar “debater” os debates ou outras coisas igualmente inúteis.

Na Educação, as “organizações” estão controladas, O pai Ascenção diz que está tudo bem, mesmo que existam turmas inteiras sem manuais, escolas sem funcionários e conselhos de turma a arrancar a meio gás por causa das regras da contratação só depois do início do mês. O colega director Filinto diz que há dois anos que andamos nas nuvens, com esta ou aquela mais escura (a dos funcionários, a dos meios informáticos) e que a flexibilidade é a coisa mais autónoma que se viu nas escolas. Em caso de necessidade, saca-se de um “especialista” do grupo actualmente dominante no CNE, para explicar-nos como estamos finalmente no século XXI em termos pedagógicos. Pelo país, os “consultores” dirão que os planos municipais, intermunicipais e transmunicipais são o nec plus ultra do combate ao insucesso e abandono, numa perspectiva de descentralização das verbas que ajudam a gastar. Em caso de mesmo extrema necessidade ressuscita-se o actividade Israel Paulo para nos confirmar que os contratados nunca estiveram mais felizes.

Será que, pelo contrário, está tudo mal? Não, mas enjoa ver a forma como tudo parece coberto por um manto diáfano de extrema felicidade, sucesso e com o futuro já aqui. Enunciam-se maravilhas que se demonstram com o argumento de serem auto-evidentes e óbvias (o livro dos dois JC é quase por completo escrito assim) ou acusam-se quaisquer críticos de aleivosias diversas, da calúnia e do atentado à honra (os dois gajos da Educação são uns queixinhas nessa matéria) à subliminar insinuação de se ser um cripto-fascista pedagógico que espanca crianças nos tempos livres (especialidade de uma figuras que andam de ego enfunado por se verem reflectidos em decretos e despachos diversos).

Se algo falha é por falta de formação dos professores ou escassa liderença de algum@ director@ mais renitente.

O sol nasceu para todos, mas há quem seja mais suíno do que os outros suínos.

Majestic sunset in the mountains landscape. HDR image

Pelo Educare

Para ver as coisas por mais de um lado.

O envelhecimento docente é mau?

Como processo natural, o “envelhecimento” da classe docente deveria fazer parte de um fenómeno de transmissão e troca de experiências, saberes e práticas entre gerações, permitindo um enriquecimento mútuo do trabalho com os alunos, conjugando elementos de tradição e renovação e permitindo uma diversificação harmoniosa de perspectivas e metodologias.

pg contradit

O Contributo Da Greve Dos Motoristas Para A Salvação Do Planeta

Detalhe nada irrelevante que tem passado ao lado de todo este debate. Porque ao limitar a utilização dos transportes, em especial os privados, está-se a reduzir a emissão de gases poluentes. Se fosse uma qualquer iniciativa, controlada à distância pelas jotas, em defesa do planeta A, sugerindo um ou dois dias sem recurso ao transporte automóvel até engalanariam o Terreiro do Paço. Mesmo quem anda, anda bem mais devagar para gastar menos. Basta ver como eu, longe de ser o pepe rápido nas auto-estradas, agora quase não saio da faixa da esquerda, mesmo indo bem abaixo do limite legal de velocidade. Uma coisa curiosa é que não tenho visto tantos ciclistas pelas estradas secundárias por onde passo.

Portanto, esta até pode ser vista como uma greve de interesse mundial.

PlanetaA

(já agora, a teoria da conspiração (do lado contrário) de que a corrida aos abastecimentos levou ao aumento da receita de gasolineiras e Estado é uma falácia, porque só se consome o combustível quando se anda e se andarmos o mesmo ou menos por estes dias… o saldo é nulo ou mesmo negativo. Porque depois de atestar, não é possível atestar de novo e aos aflitos de jerrycan na bagageira aplica-se o mesmo princípio)

Acabou Por Sair Hoje

O último mês do início das vossas vidas

Chegou o famoso mês de Agosto, o dos três meses de férias dos professores. Ao contrário do passado ano lectivo, embora mais envelhecidos conforme dezenas de notícias e declarações melífluas de quem bloqueou uma renovação atempada da classe docente, parte-se em romaria pacífica, com uma assinalável paz social, conseguida à custa da “flexibilização” das pretensões dos docentes, rendidos ao faseamento do que já de si é um faseamento do tempo de serviço que prestaram desde 2005.

pg contradit