Agora Que Já Li O Texto Todo Do Pacheco Pereira, Subscrevo 99,9%

Em especial esta parte que ando a repetir há uns anos, sem grandes resultados, porque, lá está, sou um zeco alegadamente má língua, incapaz de ver como o futuro se parece com o passado.

Por fim, e o mais importante, há uma desvalorização do papel do professor, de ensinar, de transmitir um saber. Vem num pacote sinistro que inclui o falso igualitarismo nas redes sociais, o ataque à hierarquia do saber, o desprezo pelo conhecimento profissional resultado de muito trabalho a favor de frases avulsas, com erros e asneiras, sem sequer se conhecer aquilo de que se fala. É o que leva Trump a dizer que se combatia o incêndio
de Notre-Dame com aviões-tanques atirando toneladas de água, cujo resultado seria derrubar o que veio a escapar, paredes, vitrais, obras de arte. É destas “bocas” que pululam nas redes sociais que nasce também a hostilidade aos professores. É o ascenso da nova ignorância arrogante, um sinal muito preocupante para o nosso futuro.

E é muito grave que essa desvalorização tenha um dos seus epicentros exactamente no ministério da Educação e que existam governantes que definam como “professores do futuro” aqueles que alinham na sua própria desqualificação. Achando que é recompensa o selo de asnos com que acabam por se passear por aí.

Burro2

Excepção

Àquilo de um tipo não comentar actualidades, embora não seja bem isso.

Mas…

… já repararam que Marcelo esteve para Costa como Cavaco esteve para Sócrates nos conflitos com os professores, mais telefonema oportunamente insinuado para a comunicação social, menos perdigoto apastelado em declaração ininteligível?

dupontd

 

Num Concelho Cor-de-Rosa Perto de Si/Mim…

… o autarca presidente garante que em novo mandato do seu governo, qualquer escolha de director@ terá de passar por ele, pois não quer ver um@ desconhecida a gerir-lhe os milhões. E depois será o pessoal docente. Tudo garantido informalmente por quem já decidiu o futuro, muito em especial em caso de maioria sem muletas ou com muleta central que concorda com a extinção de qualquer réstia de gestão escolar democrática ou “basista”. E depois “reconfigura-se” a rede escolar e é melhor nem entrarmos por aí, porque não há nada como engenheiros a racionalizar-nos a oferta/procura.

E se isto é assim por ali, dificilmente será diferente em outros bastiões. Qualquer ilusão vaga de reversão do modelo de gestão escolar está defunto. Daqui a 3-5 anos as actuais escolas-sede parecer-se-ão com as actuais escolas não-sede, terão uma espécie de coordenador@ com título talvez ainda de “director@”, mas a reportar tudo `autarquia-sede. Daí para baixo será o aperrear da cadeira hierárquica de submissão. Os Conselhos Municipais serão de legitimação e os Conselhos Gerais tenderão para a extinção, real ou simbólica.

Claro que isto está previsto desde 2008 ou mesmo antes e tem a colaboração activa do centrão e o colaboracionismo dos radicais (ainda) com poderes municipais significativos. E tudo o que disserem em contrário, será em modelo de verdade à pimentamachado (recordam-se?), um grande visionário da pós-verdade.

arreatasolacromooleada

Os Extremos Tocam-se E Titilam Em Sintonia

Uma parte da esquerda não gosta de exames e anda a preparar o caminho para que eles terminem, tendo mesmo já anunciado que o acesso ao Ensino Superior por parte de alunos dos cursos profissionais se faça sem passar por eles. Umas quantas instituições públicas e privadas em risco de definhar aplaudem com ambas as mãos.

Agora é uma parte da direita que vem dizer que a média do Secundário não deve contar para o acesso à Universidade. Umas quantas instituições de “topo” e bem colocadas nos rankings internacionais, com todo o interesse em seleccionarem a clientela , afastando “indesejáveis”, sem interferências exteriores aplaudem com ambas as mãos.

É curioso como certa esquerda e certa direita acabam por coincidir em medidas que irão menorizar o Ensino Secundário, transformando-o em apenas mais três anos de um Básico enorme, sem qualquer tipo de motivação extra para quem apenas está lá a passar tempo, ao mesmo tempo que se vai cristalizar de forma mais evidente um Ensino Superior “Dual”. Um para aqueles que lá entrarão sem qualquer tipo de exigência especial que não seja preencherem as vagas a concurso e produzirem estatísticas de frequência universitária e outro a que só acederão os que terão os meios, motivação e contactos certos para entrar nas instituições que se queiram mais exclusivas.

Isto não é a democratização do ensino superior, é a legitimação de um sistema fortemente desigual, em que, curiosamente todos terão o que pretendem, desde os que acham que serve qualquer canudo aos que sabem que só servem certos canudos, passando pelas instituições que aceitarão qualquer um para sobreviver aos que só aceitarão aqueles que lhes dêem garantias de manter o seu nível.

Quem disse que esquerda e direita (minúsculas) não acabam por ter estratégias e objectivos convergentes? Todos salvando as respectivas clientelas académicas, mas embarretando apenas os do costume?

Barrete

Não (Ou)Vi

Apenas li que o actual PM prometeu coisas para o próximo mandato numa entrevista na SIC. A concentração estratégica da impresa no seu core business avança depois da contratação da Cristina e da dispensa da quadratura. Para quando a aquisição de um baldaia?

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