Eu Pensava Que Era A Falta De Bons Empregos, Com Bons Salários, Que “Potenciava” A Pobreza, Mas Parece Que Isso Era Antigamente

Outro exemplo da mais absoluta treta, sem qualquer substância ou eficácia. O mais completo ilusionismo sobre a realidade, no qual se gasta bastante dinheiro a pagar aos do costume para criarem site, eventos, sessões de isto e aquilo, em vez de se criarem novos empregos, estáveis e com boa remuneração.

No lançamento do site, ministro da Educação realçou importância de um recurso que vai ajudar escolas, professores e cidadãos, uma “missão” da APB, sublinhou Vítor Bento.

A Mobilidade Por Doença Segundo Costa

Depois de ler isto, ou não muda nada ou há por ali um truque qualquer. Quanto às mudanças em escolas “na mesma rua” penso que se exigiria uma demonstração documental [apostilha: nos comentários, diz-se que o caso é em Bragança, pelo que já deveria ter sido feita investigação específica], não resultante de “bocas” colhidas aqui ou ali nos mentideros da corte. Ou junto de quem parece andar numa de vendetta pessoal contra colegas.

E para que fique bem claro: cá por casa ninguém concorreu, alguma vez, a qualquer mobilidade. O que escrevo – defendendo ou atacando – não tem qualquer componente de interesse pessoal. Apenas me afligem as hipocrisias. em especial, quando ouço ou leio coisas a gente que anda em carro oficial, com motorista(s) à disposição, a qualquer hora.

No que toca à mobilidade por doença, o que vai mudar?

O que muda essencialmente são as condições de acesso a este tipo de mobilidade. Por um lado, mantém-se o atestado médico em função das doenças que estão previstas como incapacitantes, mas também a certificação de que esta deslocação de facto, conforme previsto na lei, se destina a poder haver prestação de cuidados médicos.

Outra questão é: se estou a trabalhar num lugar e vou trabalhar para outro sítio, o sítio para onde vou tem de haver, de facto, serviço para ser desempenhado, ou seja, as escolas têm de definir a sua capacidade de acolhimento para professores em mobilidade por doença.

Tendo os professores no mínimo seis horas letivas por semana, e fazendo contas, quantos alunos vão ser beneficiados com essa mudança?

Sobretudo, são beneficiados os alunos das escolas de origem destes professores quando não há mobilidade. Há aqui uma outra dimensão: é nós termos circunscrição em termos de possibilidade de mudança. Nós chegávamos a ter mudanças de escola para escola no mesmo concelho. Até casos na mesma rua, em que havia apenas uma deslocação de escola sem que isto se traduzisse numa proximidade maior a tratamentos, porque já eram próximos.

Controlo De Danos

Depois do estampanço na entrevista ao Expresso, eis que o ministro João Costa dá mais uma longa entrevista, agora à Renascença, a qual polvilha de números e factos sobre a falta de professores. Espremido, é apenas um momento para alijar responsabilidades e, no fundo, dizer que quase nem faltam professores, sem ser em Moral e Educação Especial, o que não deixa de ser uma reviravolta surpreendente e uma clara desfocagem quanto ao que se observa nas escolas. E, claro, é quase tudo culpa das baixas médicas dos docentes que, apesar de velhos, deveriam estar todos sãos como maçãs de Alcobaça.

Depois de Tiago, o Nulo, temos o João, o Ilusionista.

Por Vezes Gosto De Destacar Artigos Que, No Meu Escasso Entendimento, Não Passam De Uma Grande Treta

Para além de se concentrar na experiência americana, ignora muitos outros factores, em favor de mais uma daquelas “fórmulas mágicas” que parecem receitas de auto-ajuda para totós. Só falta a Iniciativa Educação propor uma “formação” com base nisto e o apoio de uma Gulbenkian que, na área da Educação, parece ter sido tomada de assalto por zombies de um filme dos anos 70.

Normalmente, os professores de História possuem formação e materiais inadequados, e os alunos não aprendem grande coisa. Há várias iniciativas que procuram resolver este problema, mas apenas uma — o Método das Quatro Perguntas — dá aos professores a estrutura de que precisam.

A Sucessão

Mário Nogueira vai continuar à frente da Fenprof, mas com dois adjuntos

Agora, uma dose cavalar de tretas, como aquela de querer voltar a dar aulas antes de se reformar. A verdade é que não sabe fazer mais nada e quando sair, alguém lhe vai oferecer um poiso académico, a fingir que é um grande mestre de estratégia e culinária.

Isto faz lembrar as “vagas de fundo” do Alberto João Jardim e do Pinto da Costa.

No congresso de junho de 2019, quando foi reeleito, Mário Nogueira disse que aquele seria o seu último mandato.

“Os nossos sindicatos, de uma forma algo insistente, foram-me abordando para que continuasse mais este mandato, também por causa da situação que nós temos no país, a situação política, a necessidade de organizarmos essa ação”, contou.

No entanto, para si, “um mandato mais não poderia ser um mandato igual aos outros”, teria de ser “um mandato de transição, um mandato de coadjuvação, porque os tempos passam e os tempos também são outros”, e, nesse sentido, surgiu a proposta de alteração dos estatutos.

Mário Nogueira admitiu que, “se a alteração não fosse aprovada e a solução fosse continuar sozinho, a fazer um trabalho que vai ser cada vez mais exigente”, não teria condições para continuar, “até pessoais”.

De Volta Ao Frango Esfriado

Desculpem-me, mas vou voltar a um naco da prosa do ministro a perorar aos jovens, para exemplificar no que dá pensar-se que se está a falar muito bêim, mas no fundo estar-se a dizer uma coisa que nem é vitela, nem é carrrapau.

Ora leiamos:

O ministro da Educação advogou que o melhor instrumento contra a desinformação “é ler, ler e ler, porque é no confronto entre várias leituras que se avalia o que lê no momento bate certo com outras leituras já feitas, ou se é uma novidade que coloca em causa essas anteriores leituras.

Se o que foi dito é isto e não tem mais nada a completar, não passa de uma declaração cujo sentido essencial tende para a irrelevância em termos lógicos e substantivos.

Vejamos: se aquilo que lemos não bate certo com outras leituras já feitas e é uma “novidade que coloca em causas essas anteriores leituras” podemos ter pelo menos as seguintes possibilidades:

a) é um avanço nos nossos conhecimentos, um salto nos nossos conhecimentos, uma “mudança de paradigma”, uma verdadeira “ruptura espistemológica” e isso pode ser bom, como por exemplo podemos achar da teoria da relatividade do tio Alberto.

b) é um disparate completo, que não bate certo com nada, sendo apenas uma atoarda que coloca em causa essas anteriores leituras, mas sem qualquer fundamento.

c) é uma alteração da nossa perspectiva sobre a realidade, uma “mudança de paradigma”, um incentivo a novas práticas, impensada até então, mas isso pode ser mau, como por exemplo podemos achar das teorias daquele Adolfo de má memória.

O que é importante, perante estas leituras “desconformes”, “alternativas”, “radicais”, que nos confrontam com verdades estabelecidas é termos a capacidade para avaliar, mesmo que não seja de modo muito profundo, da “validade” ou “bondade” do que surge como “novidade”. Se o que lemos ou ouvimos é a), b) ou c).

Repito-me muito a este respeito: “novidade” não significa necessariamente algo bom, positivo ou vantajoso. Pode ser um disparate ou algo horrivelmente mau. Não nos chega “ler, ler, ler”, porque muitos apoiantes da Terra Plana ou do Nazismo leram muito. A questão não esteve na “quantidade” do que leram, mas do uso que deram a essa leitura, da “qualidade” do que extraíram do que leram.

Ora, avaliando por este tipo de patacoadas, mesmo estando a minha opinião disponível para críticas e revisões, quer-me parecer que há quem ande por aí e fale, fale, fale, fale muito, mas diga muito pouco de válido.

O Shôr Ministro Anda Muito Baralhado

O conjunto das declarações é um emaranhado confuso de ideias que dizem algo, o seu contrário e algo meio atravessado. O curioso é que, querendo a “voz dos alunos” e “ouvindo as escolas”, para além de elogiar o “espírito crítico”, o que ele mais quer é que os professores se calem se não for para seguirem a sua cartilha, datada no tempo e muito curtinha em termos de “pensamento”.

Foi só ficar mais à vista e lá começou logo a tropeçar de cada vez que quer parecer algo mais do que…

“Não vale a pena falar de cidadania na escola se a escola for um espaço de silêncio. Queremos a voz dos alunos na construção da política educativa”, acrescentou.

Quando se noticia que “O ministro da Educação destacou então a importância do debate de ideias, do confronto de opiniões e da pluralidade em torno do que se propõe” dá uma certa vontade de rir, pois se há coisa que ele não aprecia são críticas incisivas, pois começa logo com queixinhas acerca de “ataques pessoais” e coisas assim. “Debate de ideias”, “pluralidade”? Só se for para os outros. Basta ver como só gosta de andar em ambiente fofinhos.

(claro que a brigada da laca bate palmas, vibrando de emoção…)

Bullshit Capacitation Plan Needed!

É que só agora isto acontece nas escolas portuguesas.

Como lidar na sala de aula com mais de 25 jovens, em que há questões de défice de atenção, pobreza, maus tratos, abandono, doenças graves? O plano de capacitação emocional auxiliaria a fazê-lo.

Agradeço que a colega tenha descoberto agora estes temas, mas há quem tenha lido Montaigne e tantos outros há mais de três meses. E quem tenha de lidar com estes problemas anos sobre anos, porque há “contextos” onde tudo isto é quotidiano e não matéria para prosa descobridora.

O que me parece é que há mesmo muita falta de leituras e vida a esta malta que o AHC descobre para encher salsichas no Observador..

Por exemplo: se a área a diagnosticar fosse “Envolvimento pessoal”, a competência pessoal dos educadores seria expressa pela sua capacidade para escutar os alunos e não só para melhorar o ensino. Neste ponto, uma das competências a desenvolver seria a escuta ativa, a partilha e troca de conhecimentos e experiência, a reflexão individual e coletiva, bem como a avaliação crítica e desenvolvimento ativo das emoções. Lembro-me sempre de Montaigne, para quem o professor ideal era aquele que “escute o seu discípulo falar por seu turno” e que “avalie dos progressos que ele tenha feito, não pelo testemunho da sua memória, mas pelo da sua vida”.

Tretas

Afirma-se que os “Diretores antecipam que provas de aferição reflitam a dificuldade em recuperar aprendizagens”. Vamos lá ser sinceros: isso é uma treta das grandes, pois tudo depende do que as provas quiserem provar. basta uma ligeira torção na elaboração da prova e dos respectivos critérios para que a coisa permita provar uma tese ou a sua contrária. Mesmo com aqueles relatórios manhosos – sem quantificações que só servem para “classificar” – cheios de conversa sobre competências, podem-se elaborar relatórios que dizem o que dá jeito que se diga. Sem haver, sequer, pontos de comparação fiáveis ou uma série de dados que permita enquadrar qualquer evolução nas disciplinas “aferidas”. Estas provas são a fingir, para cumprir calendário e dar uma aparência de qualquer coisa. Tirando objectivos políticos e eventuais necessidade de justificar “formação”, não servem para absolutamente nada e muito menos para avaliar aprendizagens por recuperar. Como se em circunstâncias normais, sem pandemia, os resultados se adivinhassem brilhantes. Deixem-se de conversa fiada… não se comecem a auto-justificar. Mais valia assumirem que estas provas bissextas são uma mera encenação.

Reparem Como O Título E O Lead Da Notícia Parecem Escritos Por Pessoas Diferentes

Análises feitas por dupla de académicas da Nova SBE concluíram que raparigas têm melhor notas internas e rapazes aguentam-se melhor do que elas nos exames. Diferenças no género dos professores é quase residual.