As Metas Intermédias São A Utilização de 4 Dedos nos Teclados dos Zingarelhos em 2025 e de 6 em 2030 (3 de Cada Mão, do Polegar Ao Dedo que Faz Coisas “Feias”)

Educação. Aumento das competências digitais vai ser a grande aposta até 2030

Releitura do pensador de Rodin

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Este Tipo de Vacuidades Presta-se a Tantas Observações Sarcásticas ou Mesmo Jocosas que Até Dá Dó

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, destacou esta quarta-feira, no Parque de Serralves, no Porto, a importância das aprendizagens fora da sala de aula, que “casam com o projeto de autonomia e flexibilidade curricular” do Governo.

METiago

 

(e se for em união de facto a caminho da alcova?)

O Possível Artigo 10º

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Basicamente, a mensagem é… o máximo em sala de aula, acabam os CEI, é tudo PEI, com os recursos da escola e chama-se multidisciplinar a uma equipa que, no essencial, tem professores de várias disciplinas, mas, claro, de acordo com uma reconfiguração baseada numa visão holística.

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Isto é uma espécie de piada que se faz sozinha em forma de preâmbulo.

Agora Que Li O Parecer do CNE Estou Em Estado de Pasmo e Marasmo

Antes de mais, estou tudo multicoiso e interconectivado.

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Claro que isto se poderia escrever de forma muito mais simples mas não pareceria tão “conceptual”.

Em seguida, temos novos acrónimos para aprender a usar: os CAA e os CRTIC (não percebendo eu muito bem porque raio entram as tic aqui com direito a nome no centro).

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Mas só quando chegamos à página 8 é que se penetra decisivamente no êxtase que implica qualquer “mudança de paradigma”.

Nessa mudança temos o fim da expressão “Necessidades Educativas Especiais”, porque parece que não é “inclusiva”:

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Então como se referem os alunos que deixam de ter “necessidades educativas especiais”? Será com a designação que aparece na página 7? Passam a ser “crianças e jovens com necessidade de mobilização de medidas adicionais de suporte à aprendizagem e inclusão”. É que para arranjar acrónimo fica complicado de pronunciar (CJNMMASAI). Deve ser outra coisa, por certo.

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E é por aqui que eu preciso de uma pausa para ganhar fôlego, porque estou com a barriguinha repleta com um sortido rico de conceitos e palavreado que, no terreno terrestre, parecem uma grande treta.

Mais logo, irei a uma outra parte, bem carnuda, deste parecer, que é o das recomendações relacionadas com a necessidade de “formação”, da inicial às outras todas.

Mas, Mas, Mas…

… então as metas não solucionaram as coisas? A flexibilidade e autonomia não vão revolucionar o ensino (e as aprendizagens, já agora)? É necessário mais um

Governo quer perceber o que está mal no ensino da Matemática: “É preciso agir o mais depressa possível”

Vai ser constituído um grupo de trabalho para olhar para os programas de Matemática. Um dos objetivos é perceber o que é essencial que todos aprendam. João Costa quer “agir o mais depressa possível”.

(…)

“O que é que está a falhar com o ensino da Matemática?” A interrogação feita pelo secretário de Estado de Educação é a primeira de muitas a que o governo pretende dar resposta com a criação deste grupo. “Sabemos que o problema passa pelos programas e que ano após ano o cenário se repete”, argumentou João Costa, referindo que os últimos dados divulgados sobre notas de Matemática mostram que o panorama é negro.

O secretário de Estado referia-se ao relatório divulgado este mês pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e que mostra que um terço dos alunos entra no secundário com negativa a Matemática. O mesmo relatório identifica esta disciplina como sendo aquela em que os alunos do 7, 8 e 9.º ano têm pior desempenho.

Ora bem, aqui fica o meu espanto por, a mais de meio do mandato, se perceber um problema com décadas, em grande parte nascido de todos os governos descobrirem o problema, decidirem tomar medidas urgente, alterarem pela enésima vez programas e recomendações pedagógicas e tudo se tornar um emaranhado que, logo à partida, desanima professores e desmotiva alunos. A urgência é uma recorrência nesta matéria, sendo que dá quase sempre em nada e quando dá em algo, se rasparmos o verniz da coisa, percebe-se que só mudaram os números do sucesso, martelados para melhorarem.

E, já agora, se só um terço entra no Secundário com negativa a Matemática é porque há outro terço que é avaliado com carradas de água benta. Quem, mesmo de outras disciplinas, já vigiou provas de aferição ou provas finais de ciclo sabem bem que há bem mais de um terço que nem se preocupa em olhar para o enunciado mais do que o estritamente necessário para não adormecer imediatamente.

Quanto ao “grupo de trabalho” que vai estudar o “problema” basta saber se é dominado pela APM ou SPM para adivinhar a lógica das propostas de solução. E isso é dramático, porque tem sido esse ziguezaguear constante entre “capelinhas” que tem ajudado à não resolução de um problema que não deve ser escondido do ponto de vista estatístico, quase obrigando os professores a melhorar resultados, mesmo quando os alunos desistem logo da disciplina, por mais piruetas que @s professor@s dêem para os motivar. Mas, infelizmente, tem sido quase sempre esse o discurso em torno da Matemática: Há “insucesso”, porque há falhas no “ensino” e existe uma consequente necessidade de “formação dos professores”, sendo que, décadas depois já se poderia ter percebido que esse é um erro e que tantas vezes a formação é dada por quem não saberia como lidar com 28 adolescentes numa sala de aula.

Por fim, anoto que esta preocupação com a Matemática ecoa algo semelhante, um mandato atrás, em torno daquelas disciplinas consideradas “estruturantes”. Não vejo, em alternativa, qualquer preocupação com qualquer aposta na área das Expressões e Artes.

Mercearia

 

Com Um Pouco de Esforço…

… talvez consiga perceber o que isto tem a ver com a média para o acesso ao Ensino Superior.

Durante cinco anos letivos, as melhores médias dos alunos do 7.º, 8.º e 9.º ano — o terceiro ciclo do ensino básico — foram a Educação Física. Os números são de um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência (DGEEC), os mesmo que também mostra que os piores resultados dos alunos continuam a ser os de sempre: Matemática e Português.

Que a autora da prosa utilize a terminologia de “valores” para a escala do Ensino Básico deixa-me seguro sobre o seu conhecimento aprofundado destas matérias.

Quanto ao representante dos professores de Educação Física, as suas declarações são algo caricatas, porque ele faz uma afirmação que parece cheia de rigor, só não explicando qual o “perfil” de aluno que é “beneficiado” e quem é “prejudicado”. Sim, acredito que alunos maus em em Matemática ou Português possam ser beneficiados pela classificação em EF. O que me incomoda é que esses sejam candidatos a cursos em que a Matemática ou o Português sejam matérias nucleares.

Nós temos também os dados do Observatório Nacional de Educação Física — que não abrange todas as escolas, mas grande parte delas — e o que nos diz em relação ao secundário é que entre 60 e 70% dos alunos são prejudicados por não terem a nota de Educação Física a contar para a média. Depois, diz-nos que 5 a 10% serão prejudicados e que para os restantes a nota não muda nada”, explica Avelino Azevedo.

Mad

(daqui por uns dias, conto-vos algo que ouvi com estas duas orelhinhas que tenho dos lados desta cabeçorra teimosa e que explica muito do que receio em matéria de falta de senso na atribuição de notas… em qualquer disciplina)

 

Um Exemplo Pessoal, Por Certo Míope, do Enorme Investimento nos Professores Portugueses de que Fala a Sumidade da OCDE que nos Faz a Honra de Visitar a Cada Quinzena, Andreas Schleicher de Sua Graça

Vou falar com vistas curtas, tadinho d’eu que só sei ver dos meus interesses corporativos e pessoais, que não existam dúvidas acerca disso, acerca do assunto mencionado na longa epígrafe.

Em 2003, tinha eu 38 anitos quando passei ao índice salarial 218 (7º escalão) da carreira docente. Estava a fazer o doutoramento em História da Educação que entreguei em Outubro de 2006 e defendi em Abril de 2007. A perspectiva era passar ao índice salarial 245 (8º escalão, mesmo sem qualquer bonificação) em meados desse ano.

Afinal, depois do enorme “investimento” nos professores portugueses e à “reconfiguração” da carreira docente, cheguei a esse índice salarial há pouco mais de duas semanas, com efeitos apenas em Abril, ou seja, 11 anos depois do previsto, sendo que agora estou no 6º escalão e em vez de 2 escalões até ao topo, me faltam 4, com quotas pelo meio. Acrescente-se que, mesmo quando acabarem de me pagar por completo o aumento salarial (em finais de 2019), estarei, em termos nominais, a ganhar o mesmo que há 14 anos.

Sim, sei que o Schleicher diz que o dinheiro não é tudo na vida dos professores, que o importante é estarmos motivados, sentirmo-nos apreciados, acarinhados, conscientes do valor social que nos é dado.

Bullshit, Andreas!

Turd