O Mínimo Exigível…

… é que @s apóstol@s da palavra do Sucesso saibam o suficiente para explicar os pauerpóintes e indicadores que andam a pregar pelo país. Não me vou estender porque não assisti e depois há quem ande aqui a espreitar e depois questione quem pensa que me passou as informações. Ou melhor, as desinformações.

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E Agora o Momento “Faz de Conta Que Coiso” Desta Quadra Natalícia

Isto é como aprovar a pena de morte, mas depois dizer que vai escolher a melhor forma de a aplicar.

PCP demarca-se de lei que aprovou sobre financiamento partidário

Bloco esclarece posição sobre nova lei de financiamento dos partidos

Sim, já sabemos… a necessidade de “convergência” e tal. Se fosse em outro contexto governamental diriam o pior de tudo isto, mas agora é assim e nós somos todos idiotas e não percebemos o que se passou. Queixam-se que achamos que todos são iguais, tendo oportunidade para tal. Então não façam o mesmo e não sejam iguais no oportunismo e nas justificações de merda.

Contorcionista

Simplismo Dicotómico

Vi parte de uma entrevista na RTP3 com João Magueijo em que ele se arrepelava com a “falta de cultura científica” em Portugal. E depois argumentava algo do género… pois, pois, é muito importante conhecer o Camões ou o Fernando Pessoa (e que até gosta do Herberto Hélder e tudo) mas é fundamental para o futuro ter conhecimentos científicos e  que quando fala com pessoas em Portugal a sua ignorância é enorme. Mas eu aposto que sabem nomear o Einstein ou o Pasteur ou o Fleming que podemos considerar uma espécie de clichés para as Ciências como o Camões e o Pessoa para as Humanidades. Porque se vamos entrar pelos detalhes da “cultura científica” quais os paralelismos que podemos estabelecer? Ao que equivale conhecer a teoria dos quanta? Às grandes batalhas da I Guerra Mundial? E a penicilina? Aos preparativos do Dia D?

Quando começamos com queixinhas deste tipo – de um lado ou do outro, sendo que agora o currículo está bem inclinado para as STEM – será que isso revela a faltra de cultura científica dos outros ou apenas os nossos próprios défices? EM vez de Herberto Hélder conhecerá Magueijo António Ramos Rosa? Em vez de Camões saberá quem foi Sá de Miranda? Em vez de Pessoa já leu Mário de Sá Carneiro? Acredito que sim. Percebo que simplificou o argumento, mas não é isso que se espera exactamente de quem acha que percebemos pouco de coisas complexas. Porque uma coisa é simplificar a complexidade para melhor compreensão e outra é ser simplista assumindo que os outros são simplórios.

No meu caso continuo fascinado com o gato de Schrödinger e com tudo o que envolve as probabilidades no comportamento das partículas foi essencial para eu perder qualquer crença em determinismos mesmo no mundo físico; apesar de não perceber nada da equação sobre a função de onda ou de não conseguir compreender todos (nenhuns?) os meandros da interpretação de Copenhaga.

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Abandonai Toda a Esperança, Vós, Que Aqui Entrais

As declarações deputado Silva (Porfírio, de sua graça) e o texto de Paulo Trigo Pereira no Observador são mais do que a exposição de pontos de vista pessoais sobre a questão da carreira dos professores. Ambos representam o inner core do actual PS de António Costa, aquele PS que não era pelo engenheiro mas nem sempre tinha coragem de o assumir com clareza, que acha que muito do que foi feito esteve bem, apenas tendo sido mal comunicado à populaça. Por isso, o que ambos transmitem é o que o actual PM quer que se saiba sem ele meter mais as mãos no assunto, até para não se baralhar nas concordâncias. Se a verborreia do senhor deputado Silva é especialmente pouco criativa ou imaginativa e tem o valor que se pode dar ao seu equivalente para as questiúnculas económicas (o Galamba mais novo, aquele que aparece naquelas coisas chatas relacionadas com o tal engenheiro, que já então o usava como amplificador, enquanto outros reviam os textos da “tese”), já o texto de PTP é todo um programa para a relação do governo com os protestos dos professores.

Há muita coisa que ali está e que pode passar despercebida de tão explícita que é. Passemos sobre a falta de transparência intelectual (olha-me eu a cair para os eufemismos) relacionada com o uso habilidoso do termo “retroactivos” para contaminar todo o debate e tentar colocá-lo num terreno considerado favorável. Essa de irmos atrás do engodo tem limites. Chega dizer o que acima fica.

Passemos ao que é mesmo importante. Vou isolar três questões (isto não vai ser breve):

  • A primeira tem a ver com o facto do PS de António Costa considerar que não existe qualquer compromisso com os professores acerca deste assunto, seja de forma directa ou indirecta (através de compromissos com os outros partidos da geringonça), Como escreve PTP  não se está em causa, em seu entendimento, o “incumprimento do programa de governo que está a ser cumprido (reversão de cortes e descongelamento respetivamente na primeira e segunda partes da legislatura), nem dos acordos do PS com os partidos à sua esquerda.” Aliás, qualquer “reversão” neste caso do congelamento seria uma reversão em relação a duas decisões do próprio PS (2005 e 2011). Seria reconhecer que fizeram mal e a injustiça foi causada por muitos dos mesmos que lá estão agora e aplaudiram. Não acreditem nisso, pois a arrogância do velho PS do engenheiro não desapareceu, só levou uns tiritos na máquina corporativa dos abrantes. Mas os outros andam todos aí, às claras e às escuras a plantar notícias e a encenar opiniões.
  • A segunda relaciona-se com a forma como PTP apresenta a forma de solucionar a disputa em torno da contabilização integral do tempo de serviço dos professores. A forma correcta é aquela que trata a questão como “política” e não como “sindical”. Desse modo “uma questão política de elevado impacto social e orçamental que deveria ser resolvida politicamente nas suas linhas gerais por Costa/Centeno com o acordo de Catarina e Jerónimo. A negociação com sindicatos deveria ser subsequente à negociação política e trataria dos detalhes.” Ou seja, em nenhum momento entram em linha de conta quer os professores, quer os sindicatos, quer o próprio ME. O ministro Tiago anda lá para tratar de “detalhes” com a secretária Leitão, enquanto o SE Costa “flexibiliza” os professores com conversas mansas pelo país. O Mário Nogueira faz o que o “Jerónimo” mandar e os outros “radicais” aquilo com que a “Catarina” concordar. Não é, já agora, por acaso e apenas por assim serem mais conhecidos publicamente, que uns são tratados pelo apelido e outros pelo primeiro nome. É mesmo uma espécie de patamar hierárquico. Há os dos apelidos, os dos primeiros nomes e, por fim, aqueles que nem são nomeados (os professores, incluindo o sindicalista, líder da Fenprof). Se tivermos memória, foi um bocado desta forma que em outros momentos as coisas se resolveram, só que com outros nomes, com a curiosidade do papel central do triunvirato de das Silvas (Vieira, Carvalho, Dias, por ordem decrescente de grandeza e influência). O resto tratou dos “detalhes” e assina a papelada para a posteridade.
  • A terceira tem a ver com o trade off apresentado em relação a uma falsa questão. Se os sindicatos querem falar de “retroactivos” (não é verdade, mas a partir de dado momento pretende assumir-se como verdade o que é uma adulteração do conceito), então deve também introduzir-se no debate a recuperação da divisão formal da carreira docente. PTP é claro, pois considera “que mais importante que a avaliação de professores, sempre difícil, é a formação e a seleção de docentes e uma diferenciação da carreira em duas categorias.” E aqui temos a recuperação do que de mais detestável teve a investida de Maria de Lurdes Rodrigues. É verdade, a ADD foi sempre um pretexto desonesto para encobrir o desejo de partir a carreira e estrangular a sua progressão com a figura do “professor titular”. Não nos deixemos enganar, António Costa e quem interessa e tem poder no Governo e no PS que está no poder não abandonou o projecto de MLR neste aspecto. A ADD foi sempre o pretexto fácil e demagógico para diabolizar os “professores que avaliam e não querem ser avaliados”. O que esteve sempre em causa foi uma questão financeira, pura e dura. Com a legitimidade limitada de tantas outras questões apresentadas de forma desonesta. O que está em causa é, por via da revisão do ECD, reforçar os mecanismos já existentes de travagem da progressão salarial dos professores. Se a questão está em premiar o mérito, porque baixaram as bonificações pela obtenção de graus académicos e acabaram com as licenças para os obter ou dias de dispensa até para participar em congressos e colóquios? Sei do que escrevo por conhecimento de causa, não por algum parente ter sido gaseado algures na Flandres (é ler o artigo todo). Já agora, o PTP ganharia em saber que já não existem coordenadores de área pedagógica (porque será que se lembrou de tal? algum efeito “retroactivo”?)

Por fim, gostaria de replicar às “desconversas” de PTP que se coloca naquela posição cómoda de qualificar as posições contrárias dessa forma. Passo adiante a parte dos militares (concordo que devem ter uma carreira sem comparação com as restantes do Estado e não me morreu ninguém na família em combate, pelo que nem vou comentar a demagogia do argumento usado por PTP para se legitimar) e concentro-me na teoria do one shot (foi assim que me foi qualificada por outra pessoa) das injecções financeiras na banca por contrapartida com os encargos contínuos decorrentes do efeito da progressão dos professores. Para começo de conversa, para one shot, as “injeções que pretendemos que nunca mais se repitam” têm-se repetido de forma bem recorrente, quase anualmente. E quanto a números concretos, os alegados 600 milhões são bem mais do que os encargos reais e não entram sequer em conta com o facto de muitos dos docentes em causa estarem em idade de se aposentarem na próxima meia dúzia de anos (o “envelhecimento docente” só aparece quando dá jeito); e as “injecções” na banca são de uma escala muito maior e pelos últimos cálculos dariam para mais de 15 anos (com os valores deste ano) ou 30 anos de encargos (com o valor já a<cumulado) com a recuperação do tempo de serviço dos professores pela estimativa mais elevada (é fazer as contas, 10 000M€ ou 21.000M€ a dividir por 600M€).

Resumindo: desenganem-se aqueles que acham que é mesmo com novos desfiles e greves episódicas que se consegue vencer um muro erguido durante 12 anos.

Concordo plenamente com o desejo de PTP de ter uma “conversa razoável” acerca destas coisas. Mas, para isso, há que ter seriedade nos fundamentos e argumentos das posições em confronto.

A mim parece que de um lado há uma posição “política” que entra pela “pós-verdade” e pelos argumentos de autoridade. Deste lado, tenta-se responder com a verdade à moda antiga e argumentações que tentam fugir às falácias (aquela do tempo de progressão entre as várias carreiras nem merece já desmontagem).

Inferno1

Já Leram o Título da “Declaração de Compromisso” no Site do Governo?

Declaração de compromisso para a discussão de formas de mitigar o congelamento das carreiras dos docentes

Só por diversão (calma, eu conheço a palavra), fui consultar para exibir definição:

mi·ti·gar – Conjugar
(latim mitigo-are)

verbo transitivo e pronominal

Tornar ou ficar mais suave ou menos intensogeralmente o que é mau de sofrer. = ABRANDARATENUAR,
“mitigar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/mitigar [consultado em 09-12-2017].

Nos sinónimos não está eliminar ou acabar com.

Há quem diga que vai estar atento? À discusssão sobre a mitigação?

mitigado

E Depois Há os Oportunistas

João Costa está a desprezar o facto da prova ter sido feita já quando se tinha anunciado o fim do “exame da 4ª classe” e toda a mensagem de “lixem-se para isso da avaliação” que transmitiu? Isto não é negar os erros de Crato – que não foram poucos, como a leitura ao cronómetro e a obsessão com a Matemática – mas não gosto da malta que aparece para reclamar como seus os sucessos dos PISA 2015 (naquela de “todos somos responsáveis”, quando nem lá estavam e nisso Crato tem razão), mas depois já renega os PIRLS 2016. Toda esta peça é feita sobre declarações que são uma mistura de oportunismo e os anúncios do costume, com incoerências pelo meio (os alunos andavam a ser “treinados” para um “momento de avaliação”, mas depois “falharam” nas provas do PIRLS).

O secretário de Estado da Educação, João Costa, considerou nesta terça-feira que a descida dos resultados dos alunos do 4.º ano de escolaridade na literacia em leitura se deve “às medidas tomadas entre 2012 e 2015” pelo então ministro Nuno Crato.

Mais de uma pessoa me disse que parece que embirro com o SE Costa. Confirmo. Pessoalmente, parece que é uma pessoa simpática. Politicamente, enfim, deixa muito a desejar em várias áreas relacionadas com a forma como, no meu escasso entendimento, gere os silêncios e as aparições. Parece que aprendeu com @s piores.

manteigavsmargarina