O Que É Um Canal “Estilo Youtube”?

É como os estudos “tipo OCDE”? É como se fosse, mas não é?

É um canal próprio do ME com conteúdos dos programas das várias disciplinas para os vários anos? Em directo ou gravados?

Ou são conteúdos colocados em canais no Youtube, como muitos que já existem e alguns com boa qualidade?

Amanhã volto ao assunto com um pouco mais de tempo e boa disposição com estas patacoadas que agora parece sair a 300 à hora de qualquer patusco /(mesmo que ministro) que acha que percebe de Educação. Até porque o assunto merece um pouco mais do que umas coisas “estilo soundbite”.

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Nem Sempre Gostamos Do Que Os Espelhos Reflectem

Há um discurso anti-redes sociais com uma fortíssima componente demagógica e uma muito pouco menor de hipocrisia. E não falo apenas de ser gente que lá passa muito mais tempo do que eu a dizer mal do que lá se passa. É mais daquele género de postura “ética” a dizer que as redes sociais são uma espécie de antro do pior que existe na natureza humana e nisto incluo pessoas que até estimo bastante à distância, mas que me parecem desligadas da vida do país e que confundem o seu casulo particular com a Humanidade em geral. Ou então também não frequentam, por pouco que seja, cafés ou outros espaços públicos de convívio, o que inclui filas nos postos de correios, serviços públicos ou supermercados. A única diferença é, no essencial, a impossibilidade de se verem memes a partir do que as pessoas dizem, embora eu consiga vê-los nas suas caras.

Sim, há muita estupidez nas redes sociais, porque também há muita estupidez à solta por aí, mas, curiosamente, não foi nelas que nasceu a falsa notícia da primeira morte por covid-19 em Portugal. Foi num canal alegadamente noticioso e nem sequer a tão criticada CMTV. Assim como foram canais noticiosos tidos por fidedignos que multiplicaram a notícia de um inexistente estado de coma do escritor Luís Sepúlveda.

Claro… há as palermices em torno do mau uso de lixívias ou vinagre para matar o vírus ou tantas outras coisas da ordem das velhas mézinhas de outros tempos (poderia contar-vos uma de uma avó minha para resolver a obstipação que envolvia um talo de couve e… bem, fiquemos por aqui, restando dizer que só a ideia da concretização me faria ficar curado de qualquer pandemia). Mas não me parece que sejam coisas específicas das redes sociais, as quais são feitas do que as pessoas lá colocam.

As redes sociais são um espelho dos seus utilizadores, gente com banda larga, smartphone e nem sempre com apenas o 4º ou 6º ano de habilitações. Por observação directa, garanto que há gente bem certificada e mesmo com posições relevantes na sociedade que propaga mentiras de forma consciente em plataformas de que depois diz mal em conversas “inteligentes”. Nos últimos dias, foi um rodopio de candidatos a spin doctors ou a spinners, já não sei. E as ânsias censórias partem de muitas direcções, baseando-se tanto na ignorância como na sapiência mais sapiente. Num caso, ainda podemos explicar as coisas pela falta de (in)formação; mas no outro, apenas pela falta de carácter ou, hipótese muito válida, por ser muito incómodo o retrato/reflexo que as redes sociais fazem do que a sociedade é, pós-moderna no verniz, mas tacanha ali logo uns milímetros abaixo.

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Sim, Descobrimos O Caminho Marítimo Para A Índia, Em Busca De “Cristãos E Especiaria”, Mas Acabámos Falidos E Nem O Camões Deixou Descendência Para Ganhar Com Os Direitos De Autor Da Epopeia Maior

Tenho sempre um problema fundamental com o uso e abuso demagógico da História para efeitos de agit-prop. Neste caso é por causa da questão do “digital” na Educação. Como se meia dúzia de “salas do século XXI” equivalessem a chegar a Calecute, João Couvaneiro vai por ali abaixo e esquece-se que se o Gama conseguiu glória, honrarias e extensão generosa para o título majestático de D. Manuel, não é menos verdade que a meio do século XVI estávamos falidos e que países que pouco ou nada descobriram souberam ser empreendedores de outro modo (Holanda, só para dar o exemplo de um pequenito em extensão) e conseguiram manter-se ricos desde então. Embora eventualmente com poetas de menor qualidade.

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João Couvaneiro in JL/Educação, 26 de Fevereiro de 2020

Não é que eu ache que a grande Poesia valha menos do que uma balança comercial razoavelmente favorável desde o século XVII, mas talvez fosse bom irmos além da superfície dos chavões históricos.

E depois, claro, lembro-me sempre do Magalhães e do duplo inconseguimento, seja o do próprio Fernão, frechado ao serviço de Castela na ilha de Máctan, seja o do aparato digital dos tempos dos engenheiro e seu muito mitigado aproveitamento pedagógico.

(ninguém está contra o uso de tecnologias que há quem use antes dos concursos para professor do ano, apenas contra um certo deslumbramento meio apatetado que por aí anda…)

3ª Feira

Na falta de assuntos importantes, o PR decide sugerir uma revisão constitucional para antecipar as eleições legislativas uns meses porque em Outubro dificultam um Orçamento de Estado a tempo e horas. Como se isso fosse um grande problema, agora que vivemos de cativação em cativação. E se existem planos plurianuais, nem se percebe muito bem o grande problema.

Quanto à abstenção, no fórum da TSF claro que teria de aparecer alguém a sugerir que só se desenvolvem “ferramentas cognitivas” nos futuros cidadãos se a escola fizer esse trabalho e, como seria de esperar, lá sugeriu a ideia de uma disciplina para o efeito. O que iria ser bonito. Eu já não tive aquela de Organização Política e Administrativa da Nação, mas ainda tive Introdução à Política no 9º ano. Não tenho especial memória de ter contribuído muito para a minha cidadania activa. E gostava de ver a coisa regressar e ser dada conforme os venturas ou joacines deste país. Um nacionalizava tudo, a outra descolonizava logo os conteúdos.

Mas… com o Perfil do Aluno para o século XXI e a disciplina de Educação e Cidadania eu pensava que já estávamos bem servidos de “ferramentas” para levarmos os alunos à utopia e mais além.

Surdez

FEM 2020: 3 – Inovação

Outro termo que é atropelado e tropeliado a cada esquina sem dó nem piedade é “inovação”. Porque parece que há quem não perceba o que “inovação” quer propriamente dizer. O termo tem etimologia no latim innovatio (não se espantem, isto até a wikipédia diz) e significa criar algo novo (ideia, processo, aparato) que se distingue do que antes existia, mesmo se pode resultar da combinação de elementos antes já conhecidos. Mas é algo que difere do que já foi feito.

Assim sendo, quase tudo o que vejo ou ouço tratar nos dias que correm como “inovação” não o é, não passando de “repetição” (repetitio), mais ou menos cosmetizada ou envernizada apressadamente. Mais do que voltar a fazer o que foi feito, servem-me como vnoas fórmulas há muito testadas e praticadas. Não é por terem sido abandonadas tais práticas ou abandonados os objectos que a sua reutilização ou recuperação se torna “inovação”. Não é porque recombinamos graficamente os procedimentos de planificação, implementação e avaliação de um dado “projecto” ou “actividade” que eles se tornam “inovadores”.

Tudo bem, podemos passar de uma grelha quadriculada para um fluxograma um determinado processo, mas isso não traz qualquer “inovação pedagógica”. Não é porque se apresenta a coisa numa app ou programa mais recente que ela se torna nova. Um lifting ou uma injecção de botox deixa a senhora (ou senhor) com a mesma idade, apenas muda a sua “aparência”. E nem sempre para melhor.

Por caridade, não me cansem com banha da cobra como se fosse toda uma new school. O marketing está bem pensado em termos de repetição (hoje levei com outra apresentação que nem tirou lá em cima a tarja do pafismo educacional, mesmo que estreitinha e discreta), mas só engole quem é muito verdinho nisto ou já foi atacado pelo senhor Aloísio (e agora? vá de correr ao google…). Ou já está por tudo, desde que se calem antes de falecermos de tédio.

Inov

E Subitamente…

… há uma enorme “coragem” em alguma comunicação nacional e em certos “analistas” na abordagem à questão Isabel dos Santos/Sonangol/Etc. Já repararam como, tipo cogumelos, agora toda a gente se mostra entre o surpreso e o indignado. Gente que escreveu livros sobre como se deveria governar Portugal ou a explicar como se devem fazer negócios de sucesso. Porque antes nunca deram por grande coisa, mesmo quando existiam denúncias claras. A outro nível, por exemplo, o imaculado Teixeira dos Santos não deu por nada, apesar da sua sapiência imensa e do seu cargo no Eurobic. Os nossos “reguladores” andaram a assobiar como se o que se divulgava na imprensa internacional fossem fantasias.

Mas, por outro lado, nota-se em algumas pessoas um enorme cuidado na forma como “descrevem” o que se está a passar, não se envolvendo em “acusações”. Pois… como em outros casos, se alguém abre a boca… lá desabam certos castelos de areia em matéria de “credibilidade”.

Monty-PythonQuotes

(mas se até o tipo que deu o honoris causa ao salgado já foi recuperado e aparece a explicar-nos como funciona a economia…)