O Meu Apelo Aos Pais Portugueses

Se em Setembro os pais forem parte do problema, em vez de parte da solução, teremos outro ano catastrófico, e o direito à educação só estará realmente assegurado por aqueles que tiverem dinheiro para o pagar.

bullshit-detector

(ainda não percebi bem se o JMT faz certos textos mesmo só para provocar reacções e subir as polémicas… aquela parte final sobre “a perda progressiva de um sentido profundo de dever cívico” merecia prosa específica e umas belas bengaladas retóricas em que anda a assobiar para o lado acerca das consequências do desconfinamento…)

(cá em casa fui o único a não voltar porque sou “básico”, a aluna “secundária” e a professora “secundária” voltaram… eu até preferia que fosse ao contrário, não por “um sentido profundo de dever cívico” mas por razões de defesa da sua saúde e bem.estar…)

(como se percebe… abomino a sério lições sobre “um sentido profundo de dever cívico” quando se trata de mandar os outros para as trincheiras para se poder ficar a escrever, descansado, em casa…)

Homem, Calado És Um Poeta!

Não tentes teorizar com base em guiões. Ninguém acredita que percebas mais agora do que há 5 anos. Debitas chavões. Vai para a sombra. Não chateies. Não qualifiques as atitudes e opiniões dos outros, que percebem mais disto num dedo mindinho do que tudo no corpo todo. Se tivesses algum decoro, ias-te embora, arranjavas um lugar qualquer que não fosse o de ministro durante dois mandatos graças a um imenso vazio. Já tive alguma reserva, mas quando escreves num espaço de “Direita” (de acordo com os teus maniqueísmos mentais) prosas da treta, só me apetece puxar do vernáculo.

Poupa-nos!

E o AHC poderia ter-nos poupado a isto, mas não resistiu.

Será que entendem que há toda uma geração de professores(zecos) que, de forma mais pou menos assumida, só tem vontade de vos mandar à [pi-pi-pi].

O ano em que a escola se reinventou

(…)

Termina, esta semana, o ano letivo mais dramático das últimas décadas, devido à pandemia que se espalhou por todo o mundo. É, portanto, tempo de fazer um balanço, em termos educativos, que nos ajude a preparar os próximos passos. Mas um balanço que entenda que a Educação ocorre no quadro da vida de uma comunidade e num horizonte temporal amplo, sem se compadecer com juízos especulativos, simplistas ou imediatistas.

(…)

Outra questão que esta circunstância demonstrou é que o já previsto Plano para a Transição Digital, um dos pilares do Programa do XXII Governo, constitui uma prioridade, também na Educação. Para isso, é necessária uma intervenção integrada, a par de soluções organizacionais, orientações pedagógicas e formação de professores.

Alcatrao2

Prognósticos Só No Final Do Jogo

Há uns dias era uma senhora importante da Unesco a afirmar que a situação do ensino a distância tinha agravado desigualdades. Bonito era ter dito isso há 3 meses quando se poderia ter tentado fazer outra coisa que, em tantos casos, fingir que se estava a fazer algo de jeito. Quando se poderia ter passado o tempo a montar uma estrutura a sério e a sinalizar os casos de maior fragilidade de acesso a meios tecnológicos e a mobilizar meios que, de modo sustentável, pudessem servir para se ter uma rede (global, nacional, local) a funcionar de forma sustentável e socialmente vagamente justa.

Mas… em Setembro logo se vê o “cenário” a escolher.

puppet

(por cá, é ver muita mal disfarçada inflexão de rumo em cortesã(o)s com escasso decoro e muita disponibilidade para dizer sempre que sim a “soluções” e “desafios”)

O Barro, A Parede, A Cenoura E Os Asnos

Entre os “cenários” de que se fazem fugas selectivas para a comunicação social há aquela em que se afirma que para o anos os professores terão 15 alunos por aula/turno (diferente de por turma) e que assim se contratarão mais professores e tal e coiso. Em regime presencial, claro.

Acerca de tudo isso, recomendo a leitura do meu homónimo mais prudente.

Contratar Mais Professores?!

orelhasburro01

 

 

 

 

(e prevejo que o novo sub-homem-forte da dgae terá muito a dar de si… ) 

Não Tem Qualquer Sentido…

… obrigar os alunos que não vão fazer exame amontoar-se com os outros. O Decreto-Lei 20-A de 14 de Maio (DecretoLei 20H 14Maide2020) traz no ponto 3 do seu artigo 3º que “as disciplinas oferecidas em regime presencial são frequentadas por todos os alunos, independentemente das suas opções quanto aos exames que vão realizar enquanto provas de ingresso.”

E depois ter aquela posição mais do que dúbia sobre a assiduidade dos alunos.

Se o “problema” de solução diferente era que, de outro modo, os alunos ficariam sem aulas destas disciplinas e, no limite, sem quaisquer aulas presenciais, com esta “solução” podemos ter um outro tipo de problema que será o desinteresse que parte dos alunos presentes terá nas aulas. E em vez de se concentrar o trabalho neste mês, haverá uma dispersão desnecessária. A menos que, como disse o PM, tudo isto não passe de um “treino”. Que pena não terem certos governantes descendência em idade de servir como cobaias.

Training

O Problema Não É O Prazo

Para resolver isso, bastaria começarem os procedimentos de contratação no início desta semana. Só que os horários ainda estão por definir na maioria das escolas. O grande problema é o interesse em ir leccionar mês e meio de aulas, com encargos que mal compensam os rendimentos (haverá horários completos?), em situação que acumula os riscos de saúde à precariedade. Para além da responsabilidade de se irem leccionar disciplinas com exame final do Secundário.

E o problema mesmo, mesmo, complicado é que tudo pode acabar numa chuva de recursos.

Ministério encurta prazos de contratação de professores para tentar garantir aulas

peaners

A Tele-Narrativa – 2

Eu em matéria de reinvenções prefiro aquelas que se fazem pelo exemplo e o que é chato é que a maioria d@s reiventor@s da roda têm tendência para serem péssimos exemplos disso mesmo. Basta ver algumas das apresentações/comunicações dos arautos da “inovação”.

E depois querem “toda a Escola Pública” a reinventar-se como se fosse mesmo isso o essencial. Não, lamento, mas não é. O que é prioritário é desenvolver a sociedade para que ela possa corresponder a um nível diferente de exigências que tem muita dificuldade em acompanhar. Basta ver as queixas ao fim de um mês de confinamento, sendo que duas semanas já seriam de férias para os alunos.

Uma “nova Escola Pública”? Deixem-me rir… vocelências sabem lá o que isso é em larga escala, fora dos vossos nichos e zonas de conforto

E se toda a Escola Pública usar o período da quarentena para se reinventar?

Quem não fez já um curso on-line sobre as ferramentas para as quais não tinham tido a formação e a preparação prévia necessária ou adequada, como o caso do moodle, zoom, classrrom [sic] , entre outras?

Haddock

O Que É Um Canal “Estilo Youtube”?

É como os estudos “tipo OCDE”? É como se fosse, mas não é?

É um canal próprio do ME com conteúdos dos programas das várias disciplinas para os vários anos? Em directo ou gravados?

Ou são conteúdos colocados em canais no Youtube, como muitos que já existem e alguns com boa qualidade?

Amanhã volto ao assunto com um pouco mais de tempo e boa disposição com estas patacoadas que agora parece sair a 300 à hora de qualquer patusco /(mesmo que ministro) que acha que percebe de Educação. Até porque o assunto merece um pouco mais do que umas coisas “estilo soundbite”.

tv_burro

Nem Sempre Gostamos Do Que Os Espelhos Reflectem

Há um discurso anti-redes sociais com uma fortíssima componente demagógica e uma muito pouco menor de hipocrisia. E não falo apenas de ser gente que lá passa muito mais tempo do que eu a dizer mal do que lá se passa. É mais daquele género de postura “ética” a dizer que as redes sociais são uma espécie de antro do pior que existe na natureza humana e nisto incluo pessoas que até estimo bastante à distância, mas que me parecem desligadas da vida do país e que confundem o seu casulo particular com a Humanidade em geral. Ou então também não frequentam, por pouco que seja, cafés ou outros espaços públicos de convívio, o que inclui filas nos postos de correios, serviços públicos ou supermercados. A única diferença é, no essencial, a impossibilidade de se verem memes a partir do que as pessoas dizem, embora eu consiga vê-los nas suas caras.

Sim, há muita estupidez nas redes sociais, porque também há muita estupidez à solta por aí, mas, curiosamente, não foi nelas que nasceu a falsa notícia da primeira morte por covid-19 em Portugal. Foi num canal alegadamente noticioso e nem sequer a tão criticada CMTV. Assim como foram canais noticiosos tidos por fidedignos que multiplicaram a notícia de um inexistente estado de coma do escritor Luís Sepúlveda.

Claro… há as palermices em torno do mau uso de lixívias ou vinagre para matar o vírus ou tantas outras coisas da ordem das velhas mézinhas de outros tempos (poderia contar-vos uma de uma avó minha para resolver a obstipação que envolvia um talo de couve e… bem, fiquemos por aqui, restando dizer que só a ideia da concretização me faria ficar curado de qualquer pandemia). Mas não me parece que sejam coisas específicas das redes sociais, as quais são feitas do que as pessoas lá colocam.

As redes sociais são um espelho dos seus utilizadores, gente com banda larga, smartphone e nem sempre com apenas o 4º ou 6º ano de habilitações. Por observação directa, garanto que há gente bem certificada e mesmo com posições relevantes na sociedade que propaga mentiras de forma consciente em plataformas de que depois diz mal em conversas “inteligentes”. Nos últimos dias, foi um rodopio de candidatos a spin doctors ou a spinners, já não sei. E as ânsias censórias partem de muitas direcções, baseando-se tanto na ignorância como na sapiência mais sapiente. Num caso, ainda podemos explicar as coisas pela falta de (in)formação; mas no outro, apenas pela falta de carácter ou, hipótese muito válida, por ser muito incómodo o retrato/reflexo que as redes sociais fazem do que a sociedade é, pós-moderna no verniz, mas tacanha ali logo uns milímetros abaixo.

espelho

Sim, Descobrimos O Caminho Marítimo Para A Índia, Em Busca De “Cristãos E Especiaria”, Mas Acabámos Falidos E Nem O Camões Deixou Descendência Para Ganhar Com Os Direitos De Autor Da Epopeia Maior

Tenho sempre um problema fundamental com o uso e abuso demagógico da História para efeitos de agit-prop. Neste caso é por causa da questão do “digital” na Educação. Como se meia dúzia de “salas do século XXI” equivalessem a chegar a Calecute, João Couvaneiro vai por ali abaixo e esquece-se que se o Gama conseguiu glória, honrarias e extensão generosa para o título majestático de D. Manuel, não é menos verdade que a meio do século XVI estávamos falidos e que países que pouco ou nada descobriram souberam ser empreendedores de outro modo (Holanda, só para dar o exemplo de um pequenito em extensão) e conseguiram manter-se ricos desde então. Embora eventualmente com poetas de menor qualidade.

IMG_2482

João Couvaneiro in JL/Educação, 26 de Fevereiro de 2020

Não é que eu ache que a grande Poesia valha menos do que uma balança comercial razoavelmente favorável desde o século XVII, mas talvez fosse bom irmos além da superfície dos chavões históricos.

E depois, claro, lembro-me sempre do Magalhães e do duplo inconseguimento, seja o do próprio Fernão, frechado ao serviço de Castela na ilha de Máctan, seja o do aparato digital dos tempos dos engenheiro e seu muito mitigado aproveitamento pedagógico.

(ninguém está contra o uso de tecnologias que há quem use antes dos concursos para professor do ano, apenas contra um certo deslumbramento meio apatetado que por aí anda…)