Ainda Bem Que Há Quem Tenha Tanto Tempo Para (Não) Negociar

Entretanto, marcaram a greve tradicional do período do Orçamento. Para além de ser gozados, parece que gostam de gozar connosco, para não se sentirem tão sós.

Dirigentes da Fenprof passaram oito horas no Ministério da Educação e não foram recebidos

(não há luz ao fundo do túnel… desenganai-vos)

Sábado

Esta semana parei a observar as publicações colocadas nas semanas anteriores ao Dia Mundial do Professor no painel sindical da minha escola. Não é que, em regra, sejam coisas que me mobilizam ou entusiasmem, mas é impossível não sentir um clima de comparência apenas para cumprir calendário. Uns, expõem um caderno muito avermelhado (a FNE, curiosamente) com 22 páginas, metade das quais em branco ou preenchidas com uma única frase. Espremido, aquilo daria uma coisa com umas 4 páginas sem novidades. Outros, com um azul dominante (a Fenprof, curiosamente) anuncia(va)m a manifestação do dia 5, junto ao ME, anunciando que “Para resolver é preciso lutar”, como se não soubéssemos que nada será resolvido, muito menos quando quem pode resolver anda a discutir os amendoins do Orçamento. Quando quem manda lutar vai atingindo níveis mínimos de capacidade de pressão e ainda estamos para perceber o que ganha(mos) com esta peculiar forma de viabilizar os interesses de quem governa, assumindo uma subserviência que nenhuma declaração pública encalorada consegue esconder.

Em tempos arcaicos, à esquerda, eram os sindicatos a dar força a partidos. Agora, em tempos pós-modernos, os parelhos e conveniências partidárias conseguiram esvaziar os sindicatos de qualquer força efectiva, que nenhuma cosmética sucessão de mini-greves em alguns transportes consegue esconder. O sindicalismo oficial, em Portugal, em 2021, foi castrado de forma irremediável. E quando se diz que a força dos sindicatos depende essencialmente da força que lhe dão os trabalhadores, resultado da credibilidade que têm junto destes, está praticamente tudo dito.

6ª Feira, A Santa – Dia 54

Ontem, dia 1 de Abril, foi publicada em Diário da República a resolução n.º 108/2021 da Assembleia da República, aprovada no passado dia 11 de Março. Para quem esteja menos familiarizado com os protocolos parlamentares, uma resolução é um daqueles actos que os deputados praticam quando querem manifestar belas intenções, mas não através de leis consequentes.

6ª Feira – Dia 1 Do Pseudo-Confinamento

Com dois professores e uma aluna em casa, o quotidiano continua absolutamente o mesmo que era antes. Pelo que foi possível observar como o trânsito era hoje pela manhã o mesmo de sempre em qualquer dos trajectos que, por necessidade laboral, implica passar por 3 concelhos e um dos acessos principais a Lisboa, o qual pelas 7.30 já estava a começar a ficar um bocadito obstruído. O “sempre que possível” é a porta aberta para “sempre que possível, vem trabalhar”. Até porque, quem é que vem fiscalizar?

Entretanto, na parte folclórica disto tudo, os supermercados não vão poder vender livros, porque não são “essenciais”. Em Boa verdade só um deles tem oferta que valha a pena, mas fica a ideia de que o online é que é, substituindo o agarrar um livro em pagá-lo (já estou no supermercado, portanto…), com encomendá-lo, alguém o embalar, alguém entregar para distribuição e o tipo das entregas mo vir trazer.

É uma forma de “proteger” os livreiros? Quais, as grandes cadeias? E, já agora, a medida, protege os editores?

Ainda O Alçada Baptista Em 1972

Isto de as pessoas valerem por dentro dá um certo conforto e uma certa leveza à própria vida. Porque isto de andarmos todos a fazer de sábios, distraídos e tudo, a fazer de intelectuais, de políticos, de banqueiros, de senhores, além de termos de estudar muito bem o nosso papel, dá muito trabalho a representar.

O Tempo nas palavras, p. 76

A Grande Confraria Da Educação

Quem os ouve ou vê pensa que são inimigos figadais ou pelo menos gástricos. Mas, salvo excepções mesmo excepcionais, tod@s são “amigos” ou assim se afirmam publicamente, quando se encontram e pretendem manter a imagem. Até se podem, em ambiente familiar muito familiar, tratar-se de sacanas e fdp para baixo, mas para fora todos se “respeitam”, por muito que digam o pior das opções alheias, porque, afinal, tod@s tiveram a (má) sorte de terem passado pela 5 de Outubro e “sofrido” todas as provações que o lugar pelo qual tanto lutaram lhes impôs. Ou porque pertencem à mesma geração, ou porque até estudaram nas vizinhanças ou porque se encontraram aqui e ali. E tentam que o círculo de amizades se estenda para poderem garantir a cooptação de quem não faça ondas. A é amigo de B que é amiga de C que é amigo de D, logo D é amigo de B e A de C, mesmo antes de se conhecerem pessoalmente, se necessário for.

Há dias lia um actual governante a descrever um debate público com um ex-governante acerca da polémica da Cidadania, sobre a qual, à superfície, têm opiniões claramente divergentes. Mas, escrevia o actual… tudo tinha decorrido “entre amigos que se respeitam”, o que para um linguista me parece redundância pobre, pois, pensava eu, para se se considerar alguém nosso “amigo” é porque nos respeitamos. “Amigos que não se respeitam” parece-me evidente oxímoro. Pelo que a expressão, em pessoa tão calculista na projecção pública da sua imagem, só pode ter aquele objectivo de demonstrar que “discordamos, mas somos amigos” e que tudo decorreu com imenso respeitinho pelas regras do jogo, ou seja, do não-debate, em que se concorda que nada foge ao figurino da esgrima com florete com bolinha de borracha na ponta.

Eu não discordo de debates entre antagonistas que se “respeitem”, agora sermos tod@s amig@s é que me mete muita impressão, até porque em busca de outras amizades já se lhes ouviu muita coisa. E sabe-se o que gostam de espalhar de forma escassamente subtil.

O pior que poderia acontecer para certas figuras engomadas era serem confrontadas com algum argumento desrespeitoso – leia-se “incómodo” ou “inesperado” ou “fora do guião”, acertado previamente modo formal ou informal- e ver-se atrapalhado para responder. Assim é melhor: to@s são amig@s que se respeitam mutuamente. E quem desalinhar é porque come com os cotovelos dentro do prato e espirra para os calcanhares.

Evitam-se chatices e, mesmo quando se “debate” como mudar as coisas, o que se pretende é que o essencial se mantenha, a bem da confraria.

O (Anti-)Racismo É Uma Moda?

Porque dá a sensação que sim e que há quem se sinta muito bem no papel que escolheu nesta espécie de triste circo. Os que, finalmente, parecem querer sair da casca sem tantos preconceitos e aqueles que, nunca os tendo visto fazer seja o que for em tal matéria, agora batem no peito do anti-racismo. E tudo me parece encenado, dando corpo a uma estratégia mediática para ocupar o pouco espaço que o vírus e os perseguidores do Cavanni deixam livre.

E fazem-me lembrar aquele vulto do esquerdismo nacional com que contactei alguns anos e que, mal teve dinheiro de obra bem paga, mudou de casa e como critério básico só tinha o não querer ciganos por perto. Ainda bem que o recente manifesto não chegou aos 40 ou a criatura ainda por ali aparecia.

O problema do racismo merece muito mais do que estátuas degoladas ou condenações de desfiles de máscaras.

janus

É Só Fumaça!

Quando os mandarem abrir, até pulam e vão pessoalmente abrir os portões. E ai de quem for convocado e não aparecer. Basta ver como já estão “confiantes”. O maior sucesso desta pandemia foi a forma como certos governantes conseguiram aliciar quase toda a gente para um discurso “positivo” acerca de tudo e mais alguma coisa. Não sei se existirão moedas, daqui a uns tempos, para distribuir por tod@s as almas boas, mas acredito que exista “confiança” de que tudo vai correr a contento da maioria. Basta um modelo de carreira feito à medida das chefias (de topo ou intermédias) obedientes, positivas e colaborantes.

Sem condições de segurança, directores não reabrirão escolas

O regresso às aulas presenciais também vai abranger os alunos dos dois últimos anos dos cursos profissionais. Serão mais 70 mil a voltar às escolas. Directores estão confiantes que serão encontradas soluções para garantir este regresso.Mas garantem que este só se concretizará nos estabelecimentos onde existam condições de segurança

Fumo

A Tele-Narrativa – 1

Não esbate nada de significativo. Encena a “universalidade” mas não garante nada de relevante aos que têm mais dificuldades, seja do ponto de vista das aprendizagens, seja do ponto de vista social. Vai “parecer” que em vez de “ser” mesmo alguma coisa. É melhor do que nada? Sim. Mas não comecem a embadeirar o arco antes da procissão começar a andar.

A constatação de que havia alunos sem acesso à Internet ou sem computadores, que os impossibilitava de acompanhar as aulas à distância, levou o Governo a voltar a recorrer à televisão, para tentar diminuir as assimetrias e generalizar o acesso a conteúdos educativos.

HisMastersVoice