O 10 De Junho…

… é um dia dedicado a uma espécie de sessão pública de terapia sem consequências. O João Miguel Tavares fez um bom discurso, como já o fizera, por exemplo, António Barreto em 2011, curiosamente em Castelo Branco, não muito longe de Portalegre. Qual o problema? Estes discursos são feitos por quem não tem qualquer poder efectivo na condução da governação, não sendo difícil muita gente com responsabilidades dizer que concorda e depois nada fazer em conformidade. E quando chegam perto do poder de mandar fazer coisas a sério ou são obrigados a compromissos, em nome do realismo, ou mudam por completo a agulha, tipo lavagem completa ao cérebro. Por isso, prefiro JMT como cronista, mesmo quando dele discordo, do que a deixar-se seduzir por aproximar-se de um poder que está demasiado contaminado. Não vale a pena apelar aos “políticos” porque só isso já revela o quanto eles são uma coisa e nós outra. Por estranho que pareça, acho que com o desvario do engenheiro as coisas eram mais claras; agora – cortesia do pragmatismo das muletas da geringonça – tudo anda mais cinzento, opaco, controlado. Para além de que esta malta que lá está agora consegue juntar os que na altura estavam na fila de espera do carreirismo com senadores inoxidáveis do sem-vergonhismo, a quem não adianta sequer dizer que são mentirosos, porque ele sabem-no e nem se ofendem de verdade.

PobrePortugal

(c) Rodrigo de Matos (2014)

Há Pouquíssimas Coisas Mais Inúteis…

… na nossa Educação do que as provas de aferição em anos intermédios e disciplinas sortidas. Até poderia ser uma boa ideia, caso a implementação não tivesse sido de forma a torná-las umas desnecessária excrescência (sim, o pleonasmo é intencional). Nem vou falar nas de EF para não ser mal interpretado e bombardeado de novo pelo clube dos seus promotores e defensores da sua inigualável qualidade e relevância para o melhoramento do nosso sistema educativo. Nem no caso do 2º ano, porque é de pequenino que se exibe o jeitinho. Falo mesmo da outras, daquelas que, como as do 5º e 8º ano, não serve para praticamente nada, excepto para o poder que está transmitir aos incautos ou verdadeiramente ignorantes a sensação de se estar a fazer uma qualquer monitorização das aprendizagens, com umas provas que incluem um sortido de questões de diversas disciplinas como meter Matemática e Ciências na mesma prova de 5º ano e História e Geografia na de 8º. Se fossem os professores desses anos a marcar dois testes no mesmo dia, com matérias teoricamente globais de dois anos (como no 8º) eu queria ver por aí gente a arrepelar cabelos e acusá-los de torturadores de jovens. É verdade que em provas anteriores as perguntas de uma das disciplinas são do mais reduzido e elementar possível, mas isso só prova que não servem para aferir seja o que for. Tudo isto é um simulacro, um fingimento, que nem sequer procura disfarçar muito bem que não é para levar a sério, pois fazem-se provas sem coordenação entre ciclos, por forma a analisar o desempenho dos alunos da mesma coorte, nas mesmas matérias, ao longo dos ciclos.

Este ano estou com curiosidade para ver as provas de HGP (5º) e H/G (8º) para ver se melhorou ligeiramente a qualidade em relação à que foi feita em 2016-17 em HGP. Já agora… se isto servisse para alguma coisa, deveria ser a geração do 5º ano em 2016/17 a fazer prova de H/G quando chegasse ao 8º. Mas esses só lá chegam para o ano… E os que fizeram a prova de Estudo do Meio este ano ainda estão apenas no 5º, pelo que a prova do 5º também é feita à medida de nada.

Mas ocupa-se tempo, destacam-se milhares de professores para horas de vigilância ridícula, gasta-se papel (enquanto não é tudo online) e encena-se qualquer coisa. Porque isto é apenas uma representação. Nem sequer muito divertida. E de qualidade muito duvidosa.

Circo2

 

 

Entretanto, No Parlamento

Fora (André Pestana):

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Dentro (quem é este tipo do PSD?)

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Anota-se a forma como alguns jornalistas no local já garantiram o resultado final, com o “chumbo” das propostas.

O debate começa e desenvolve-se na mesma lógica da troca de argumentos dos últimos dias. Nada muito original. Estão todos de acordo em inviabilizar o processo, por estas razões ou por aquelas.

E eis que chega o aparatchik de serviço, o deputado Silva que repete e repete as mentiras do costume. Tem a falta de vergonha de falar em “contas certas”. Abjecto não especulativo. Merece uma nomeação antes do final do mandato para qualquer coisa que o proteja de um azar eleitoral. A ver se ganha o suficiente para fazer um tratamento às vértebras.

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E tudo termina, com @s senhor@s deputad@s a irem almoçar com o descanso de não terem causado uma “crise política”, incluindo os que professam credos revolucionários.

Na TVI24, mst não faz nada manhãs ou inícios de tarde, nem mesmo para se rejubilar, pelo que aparece uma “editora política” a comentar. Desliguei. E os outros canais, já agora.

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Quanto Ao Eclipse Do “Professor” Marcelo, Enquanto Presidente…

… sobre a polémica do momento, parece-me a maior prova de que a causa dos professores é mais do que justa, embora difícil. Porque não se presta a selfies, nem a abracinhos, porque é um confronto claro entre o certo e o errado, em que ele não pode tomar uma daquelas posições sorridentes e esperar que ninguém reaja.

O silêncio de Marcelo Presidente demonstra a complexidade de uma questão em que o governo que ele não quer hostilizar mente com nulo pudor (agora até um secretário de Estado que parece ter saído debaixo de um qualquer calhau apareceu a asneirar) e, por isso, ele teve o senso de não aparecer a apoiá-lo. Não ter apoiado os professores – o momento de maior ambiguidade foi o veto por questões formais irrelevantes quanto à substância do problema – como costuma fazer com todos os queixosos deve-se ao facto de ele saber que esta é uma “guerra” que não admite zonas cinzentas, pois o Governo/PS a empurrou para uma situação sem quartel com a demonização de toda uma classe profissional (talvez com a excepção do séquito dos flexíveis formandos do SE Costa), a manipulação vergonhosa dos dados oficiais e a distorção de conceitos como equidade e justiça para além do admissível, mesmo no contexto da nossa medíocre vida política.

Voltando ao essencial: não pretendo selfies, sorrisos, abraços, deste Presidente ou qualquer outro (e é público que apoiei Nóvoa contra Marcelo e não sou daqueles que agora se dizem maravilhados por ter ganho quem acusavam das maiores malfeitorias). Sinto é alguma saudade de um Presidente que tenha a coragem de ser claro, sem duplicidades, sem jogos de bastidores, alguém que sirva a Verdade e a Justiça, sem reserva mental ou calculismos re-eleitoralistas.

Marcelo Costa

(e se isto é um recado em falso off... é apenas uma peça adicional na mediocridade generalizada e mais uma pisadela em princípios básicos de ética.)

Crónica De Uma Palhaçada – 4

Afinal, para que andou o camarada Mário a ter um “desvio de Direita” e a pedir que se abstivessem? É só a mim que cheira a esturro?

António Costa resiste a decretar o fim da crise. PCP e BE chumbam travão orçamental e medida cai

A solução para a crise sobrou para as mãos do PCP, que esta segunda-feira à noite revelou que o partido irá chumbar as propostas do PSD e CDS. Com isso, fica dado o ponto final na medida que poderia provocar a queda do Governo.

malandro

É Este O Aspecto De Uma Reunião De Um Gabinete De Crise, Emergência E Etc?

(imagem do instagram do actual PM)

InstaCosta

Quanto a demissões… será que querem mesmo eleições em pleno Agosto e campanha na temporada de banhos e incêndios? Tudo uma imensa treta. Por uma vez concordo com Rui Rio, isto é uma encenação completa, porque o que ontem foi votado tem impacto nulo no OE para 2019, infelizmente para os professores.

Mas tem sempre a sua graça ver ali o ministro Tiago, como se fosse alguém que decide ou tem peso político para dar uma opinião relevante.