Sinto Que É Redundante Comentar

Até porque tudo está legislado. Pode não estar a ser aplicado, mas isso é outra coisa e é sempre motivo para mais uma amesendação.

Os professores manifestaram-se esta quinta-feira frente ao Ministério da Educação em protesto pela sobrecarga de horários. A iniciativa “Time”, convocada pela Fenprof, juntou 70 docentes que ao som da música “Time” dos Pink Floyd seguraram relógios para simbolizar as horas que trabalham a mais. No final, foi entregue ao Ministério uma proposta para uma reunião a 3 de maio.

Agora o que eu acho relevante: a escolha da música! Sim, boa música, mas algo geracional e a “lírica” é um pouco ao lado do que está em apreço. Eis uma sugestão alternativa e numa perspectiva de “o que é nacional é bom”.

As horas pra mim são dias,
As horas pra mim são dias,
Os dias pra mim são anos.
Recordação é saudade,
Recordação é saudade,
Saudades são desenganos. 

Oh tempo, volta pra trás,
Traz-me tudo o que eu perdi.
Tem pena e dá-me a vida,
A vida que eu já vivi. 
Oh tempo, volta pra trás.
Mata as minhas esperanças vâs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.
Vê que até o próprio sol,
Volta todas as manhãs.

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Quem?

Ficava mais confortável se alguém, em nome pessoal, se chegasse à frente neste tipo de notícias.

Professores do PS perplexos com posição do Governo sobre tempo de serviço

O Rui Cardoso publicou no blogue do Arlindo o documento, mas fico sem saber quem serão exactamente estes colegas porque, culpa minha, desconhecia que existia um grupo organizado de professores no PS, pois os que conheço e têm alguma influência andam quase todos ao redor do actual SE Costa, prontos para serem flexibilizados e mal pagos. Claro que há outros, mas parece que a sua capacidade de intervenção eficaz tende para o nulo, a avaliar por este quase ano e meio.

Que em Novembro do ano passado, depois das negociações entre o ME e os sindicatos, foi anunciada uma pseudo-vitória, em forma de “compromisso”, que só poderá ter convencido gente mesmo muito ingénua, pois o orçamento já fora aprovado, eu já sabia. Que agora se admirem disso só ter servido para ganhar tempo e espaço mediático para mais uma “conquista” sindical meramente virtual, já me custa mais a admitir.

A cereja em cima do vazio, são as declarações do deputado silva, porfírio de sua graçola e nossa desgraça:

Em resposta por escrito ao PÚBLICO na passada sexta-feira, o deputado do PS, Porfírio Silva, que é o responsável pelas questões da educação na bancada socialista, escusou-se a pronunciar-se sobre a proposta do Governo por entender que as negociações ainda prosseguem. “Esperamos sempre, idealmente, que se alcancem as soluções mais ambiciosas para cada situação, para cada problema. Estou certo de que é essa, também a disposição do Governo. A resolução aprovada na Assembleia da República, com o voto do PS, exprime essa ambição”, referiu.

Turd

Os Pratos da Balança (Negocial) E Alguns Pensamentos Divergentes

Todos sabemos que a parte pública das disputas negociais entre sindicatos e ME são apenas uma pequena parte do icebergue real dos contactos e negociações que se estabelecem de modo informal, fora das datas formais em que se aparece para os retratos e declarações aos microfones. Se alguém não sabe isso, vai-me desculpar, mas anda nisto há pouco tempo ou tem uma dose de candura acima do razoável numa pessoa adulta e com estudos superiores. Claro que há períodos em que esse tipo de contactos emagrece substancialmente (Crato. em especial para o lado da fenprof) ou tem de usar vias paralelas (MLR). Mas sempre que existe uma afinidade mais ou menos clara entre as partes, grande parte do que é decidido acontece fora das luzes, em encontros muito informais (por exemplo, nos tempos de Alçada e Ventura). Não digo isto apenas porque me apetece, mas porque nessas alturas tive algum conhecimento – não vou dizer que extenso – desse tipo de procedimentos.

Nos tempos que correm, não tenho qualquer tipo de informação desse tipo, pelo que as minhas inferências resultam apenas do conhecimento que tenho desses processos negociais informais, das personagens relevantes em presença e das suas posições e contexto político, sendo que algumas (dessas personagens) raramente têm aparecido à superfície, preferindo manter-se na penumbra.

No entanto, parece-me dificilmente controverso que tem havido um esforço colectivo por obter uma espécie de equilíbrio entre interesses em confronto, não necessariamente coincidentes, no interior da própria classe docente, na sua acepção mais ampla. E esse equilíbrio é entre satisfazer a facção que luta pela vinculação de mais professores e a que defende os interesses de quem já está no quadro e pretende recuperar parte do que lhe foi retirado ao longo de mais de uma década.

O que me parece é que há quem prefira, em troca de uma satisfação imediata, hipotecar as possibilidades futuras, na crença que mais tarde logo se vê. E essa posição tem ganho à outra, até porque ao ME interessa mais ter professores com mais horas lectivas e salário mais baixo do que ter professores do quadro a progredir de forma vagamente “normal”.

E é assim que acho que as vinculações extraordinárias, com uma entrada na carreira pelo escalão mais baixo, têm sido equilibradas (do ponto de vista de quem faz as continhas no excel) com a contenção da progressão dos professores já integrados na carreira.

Acho que quem está do lado de “cima” tem conseguido o seu primeiro objectivo (entrada nos quadros), hipotecando diversos outros (como o de uma carreira com uma progressão real além do 4º escalão)  e, pelo caminho, tramando os “outros” qiue acham que já estão bem. Estão no seu direito, assim como no de pensar que, a pouco e pouco, lá conseguirão ir obtendo os objectivos, através de cumplicidades diversas e fretes cirúrgicos e pouco visíveis a olho descoberto ou destreinado.

Pessoalmente, sempre achei errado nivelarmos as aspirações pelo patamar mais baixo, pela mediocridade ou achar que o argumento do “há quem esteja pior, há quem nem trabalhe, portanto, cala-te” é válido. Sempre achei que devemos nivelar aquilo a que aspiramos por um horizonte ambicioso, fazendo apenas os compromissos indispensáveis para que não se comprometa o essencial.

Significa isto que discordo de quem acha que o que deve existir é uma carreira docente tendencialmente “horizontal”, porque o “conteúdo funcional” é o mesmo. Esse é um argumento que vem dos tempos da tríade MLR/Lemos/Pedreira e que é partilhado, por estranho que pareça, por mais gente do que seria de esperar, dos igualitaristas de esquerda aos niveladores de direita. Quando os professores optarem por render-se a essa lógica da “horizontalização” da sua carreira terão deixado de resistir à progressiva proletarização da docência que, acreditem, ainda está em progresso. Sendo que, se olharem ainda melhor, essa horizontalização correrá em paralelo, pelos estrangulamentos a meio da carreira. a um processo, só aparentemente contraditório, de elitização piramidal, em que um grupo cada vez mais restrito de docentes com acesso aos escalões mais elevados se tornará uma espécie de casta dominante quase fechada.

E termos uma carreira docente em que 80-90% ficarão estacionados, no máximo, nos actuais 5º-6º escalão, só conseguindo ir mais além uma minoria. Esse é o modelo de carreira ideal para quem quer um professorado barato, proletarizado, domesticado. Que está de novo a ser implementado de uma forma apenas moderadamente subtil. Com colaboradores dentro da própria carreira, uma espécie de kapos sempre com a esperança de serem poupados como recompensa pelo seu trabalho. Ou de terem compensações (materiais e simbólicas, internas ou externas à docência porque a vinculação abre muitas portas para outro tipo de posições) que mitiguem os efeitos da proletarização geral. E têm conseguido que o seu prato da balança tenha mais peso.

Não sei se precisarei de fazer um desenho, como aqueles muito criativos que aparecem no youtube, para explicar melhor o que as palavras podem nem sempre deixar claramente claro e evidentemente evidente.

balanca

(e a desqualificação progressiva do trabalho intelectual na educação não-superior, disfarçada com a conversa das “competências superiores” a desenvolver nos alunos em “projectos” em que desaparece o papel do professor como alguém com um capital de conhecimento específico não substituível por um gadget ou qualquer outro professor de qualquer outra área, pois tudo é transversal, é apenas uma outra faceta deste processo…)

2ª Feira

Estamos na semana anterior à greve por regiões decretada por um grupo der sindicatos de professores. Pessoas que sabem mais disto do que eu, afirmam que é assim que as coisas se fazem: acumulação de razões de insatisfação (não reposição do tempo perdido, vagas draconianas para acesso a escalões com quotas, concursos meio manhosos, etc), o que potencia a mobilização e proximidade de um acto eleitoral (legislativas), o que propicia a capacidade de pressão política. É esta a forma como os apoiantes das parcelas mais à esquerda da geringonça apresentam as coisas, para os mais de dois anos de remanso e para a sua hiperactividade actual, garantindo que eles é que sabem como as coisas são em matéria de “luta” e de “vitórias” alcançadas com estratégias de fundo e tácticas de excelência.

Qual a falha desta lógica?

Neste momento, o PSD abriu todas as vias para viabilizar um governo do PS sem necessidade do PCP e do Bloco e basta-lhe abster-se para qualquer medida que o Governo considere pouco oportuna cair pela base. Ou seja, a capacidade de “pressão” à Esquerda começa a tender para o zero. O Rio foi para líder do PSD exactamente com a missão de ajudar a conter qualquer tipo de “excessos” por parte dos “radicais” (para além daquela coisa mítica das reformas estruturais e da outra bem mais pragmática do acesso aos fundos europeus).

Em meu escasso entendimento, nascido de uma visão muito limitada em termos de “literacia política”, estamos praticamente entalados e, como há pouco tempo me interroguei, só é preciso saber quantos por cento de greve valem uns meses de recuperação de tempo de serviço, um pouco à imagem do que se passava na segunda metade dos anos 90, com as décimas de aumento salarial.

Magoo2

A Encruzilhada Habitual

As causas e razões são mais do que válidas. A “luta” mais do que se justifica e não é de agora. Mas somos muitos os que não gostamos de sentir que tudo isto é coreografado desde as autárquicas, a pensar nas próximas legislativas. Se a vontade de fazer algo mesmo muito a doer é forte? Claro que sim, mas já se sabe que toda a trela tem um limite e há um momento em que os “representantes”, como são “responsáveis”, irão decidir que já chega, que já se notam fraquezas na “mobilização”. Já passámos tantas vezes por isso que irrita ainda ter de escrever sobre o mesmo, pensar as mesmas coisas. É preciso dar força aos sindicatos para pressionarem o “governo”. Mas, porra, a maior parte dos mais aguerridos não faz parte do arco político de apoio parlamentar a este mesmo governo? Andamos aqui a brincar? Não têm andando em reuniões para cima e para baixo, com tantos elogios ao “novo clima de diálogo”, tão diferente dos tempos do outro tipo? Mas… e resultados específicos, relevantes para os professores de carreira, aqueles que andam a aguentar isto há décadas (não confundir com “conquistas” para nichos de malta amiga)? Ou é mesmo verdade que parte do próprio ME o pedido para que esta pressão seja feita, visto a sua autonomia perante as Finanças ser nula, como em tempos a de Crato ou Alçada também foi?

Sim, sentimos a razão do nosso lado, temos mais do que razões para “lutar”. Mas é impossível não sentir aquele enorme desconforto de saber que tudo isto não é uma verdadeira luta, pois o guião já foi escrito e reescrito e não passamos de figurantes a que se pede, de quando em vez, que demonstrem que ainda estão por aqui. Não consigo olhar para a cara daquela malta das “plataformas sindicais” e sentir o mínimo de empatia, de identidade de objectivos. Zero. Entre eles e os governantes formais de ocasião, venha uma qualquer ventania e não deixe nada. Estou cansado (e julgo estar longe de ser o único) a considerar que isto se tornou uma piada de muito mau gosto em que o essencial é parecer que se está a fazer qualquer coisa. Há quem diga que sem os sindicatos se estaria pior. Sim, a democracia estaria pior. Quanto à classe docente, não tenho tanta certeza. Eu não sou dos que anda a ver se agora arranjo outro tipo de alavanca, quiçá um prefácio novo.

A romaria voltou a sair do adro.

MNog

(c) Luís Costa

(é triste que os meios jurídicos da fenprof sejam usados para defender a vaidade – porque “honra” só como anedota – de certas figurinhas deprimentes…)

As Semanas Vão-se Empilhando

E não há estudos cuja estatística consiga demonstrar a erosão do factor humano. Cada vez há menos carne disponível para os canhões. Em especial quando tudo carece de credibilidade e sobra a sensação de zangas telecomandadas de comadres que estão de acordo em fazer o bailinho habitual.

Soneca

(o tédio, ai o malfadado tédio…)

(faz-me uma greve e eu dou-te umas décimas…)