É Só Fumaça!

Quando os mandarem abrir, até pulam e vão pessoalmente abrir os portões. E ai de quem for convocado e não aparecer. Basta ver como já estão “confiantes”. O maior sucesso desta pandemia foi a forma como certos governantes conseguiram aliciar quase toda a gente para um discurso “positivo” acerca de tudo e mais alguma coisa. Não sei se existirão moedas, daqui a uns tempos, para distribuir por tod@s as almas boas, mas acredito que exista “confiança” de que tudo vai correr a contento da maioria. Basta um modelo de carreira feito à medida das chefias (de topo ou intermédias) obedientes, positivas e colaborantes.

Sem condições de segurança, directores não reabrirão escolas

O regresso às aulas presenciais também vai abranger os alunos dos dois últimos anos dos cursos profissionais. Serão mais 70 mil a voltar às escolas. Directores estão confiantes que serão encontradas soluções para garantir este regresso.Mas garantem que este só se concretizará nos estabelecimentos onde existam condições de segurança

Fumo

A Tele-Narrativa – 1

Não esbate nada de significativo. Encena a “universalidade” mas não garante nada de relevante aos que têm mais dificuldades, seja do ponto de vista das aprendizagens, seja do ponto de vista social. Vai “parecer” que em vez de “ser” mesmo alguma coisa. É melhor do que nada? Sim. Mas não comecem a embadeirar o arco antes da procissão começar a andar.

A constatação de que havia alunos sem acesso à Internet ou sem computadores, que os impossibilitava de acompanhar as aulas à distância, levou o Governo a voltar a recorrer à televisão, para tentar diminuir as assimetrias e generalizar o acesso a conteúdos educativos.

HisMastersVoice

2ª Feira

E agora vai seguir-se todo o processo natural em relação à lei da eutanásia ou morte assistida que implica que todos os envolvidos necessitem do veto presidencial, incluindo os mais exibicionistas defensores da lei.

Porquê?

Porque é necessário que a lei surja como grande sinal de divisão identitária entre Esquerda/Direita quando se viu que assim não é bem. Mas há uma parte do PS que precisa de demonstrar isso, pelo que um presidente eleito pela “Direita” deve vetar a lei para que ela tenha devida chancela de “Esquerda”.

Quanto ao PR, depois da óbvia declaração de ser necessário esperar pela lei que em concreto sairá do Parlamento, necessita de, já não muito longe das próximas presidenciais, satisfazer uma parte do seu eleitorado natural e demonstrar que não foi completamente capturado pelo seu acordo de cooperação quase total com António Costa. O veto é uma espécie de certificado de vida para além do marasmo.

Como o veto apenas faz regressar a lei ao Parlamento que a pode aprovar novamente, sem mudar sequer uma vírgula, estamos perante um daqueles casos em que todos ganham ao simular uma espécie de conflito ideológico institucional.

Tudo isto é mais do que previsível numa peça de enredo já conhecido, pelo que é profundamente entediante.

keepcalmtea

(nunca consegui, por exemplo, ter paciência para ver o Titanic do James Cameron…)

Da Absoluta Irrelevância

A sério? Do que serve “ponderar” um pedido de demissão de um ministro que não manda em nada de relevante na sua área de governação? Em que a sua posição serve apenas para gozar umas viagens e umas visitas a fingir qualquer coisa, quando umas coisas são determinadas lá em cima e as outras são decididas pelos seus teóricos subalternos? Porque não pede a Fenprof a demissão da ministra Leitão?

Dupla TiagoMário

Os Coreógrafos Do Regime

Não é bem por ordem cronológica, mas talvez seja pela ilógica.

  • O Bloco e o PCP defendem a descida do IVA da electricidade, pois esta deve ser considerada como “bem essencial”.
  • O PS diz que é uma irresponsabilidade orçamental, apesar do magnífico superavit.
  • O Bloco e o PSP dizem que o PS não tem maioria absoluta e deve negociar.
  • O PS faz uma proposta de descida diferenciada que sabe ser ilegal de acordo com as directivas comunitárias.
  • O PSD faz uma proposta de alteração ao OE que contempla a descida do IVA da electricidade para 6%.
  • O Bloco e o PCP dão a entender que poderão apoiar esta medida.
  • O PS diz que é uma irresponsabilidade orçamental, apesar do magnífico superavit.
  • O PSD diz que faz propostas de redução de outras despesas (como os chamados “consumos intermédios” dos gabinetes ministeriais) para compensar esta descida, apesar do magnífico superavit.
  • O PSD diz que, se chumbarem essas propostas de compensação da despesa, não avança com a da redução do IVA.
  • O Bloco e o PCP., por abstenção ou voto contra, inviabilizam parte dessas propostas.
  • O PSD deve retirar a proposta de redução do IVA da electricidade.
  • O IVA da electricidade vai manter-se nos 23% como no início de todo este processo (com o paralelo anúncio de algumas “esquerdas” que o governo cedeu em qualquer outra coisa que eles queriam).

Sou só eu a achar que isto faz lembrar, em versão ainda mais apalhaçada, a questão da recuperação integral do tempo de serviço dos docentes?

E que tudo isto não passa de uma enorme encenação em que o PS faz o que quer e os outros fingem que fazem qualquer coisa de diferente?

clown

O 10 De Junho…

… é um dia dedicado a uma espécie de sessão pública de terapia sem consequências. O João Miguel Tavares fez um bom discurso, como já o fizera, por exemplo, António Barreto em 2011, curiosamente em Castelo Branco, não muito longe de Portalegre. Qual o problema? Estes discursos são feitos por quem não tem qualquer poder efectivo na condução da governação, não sendo difícil muita gente com responsabilidades dizer que concorda e depois nada fazer em conformidade. E quando chegam perto do poder de mandar fazer coisas a sério ou são obrigados a compromissos, em nome do realismo, ou mudam por completo a agulha, tipo lavagem completa ao cérebro. Por isso, prefiro JMT como cronista, mesmo quando dele discordo, do que a deixar-se seduzir por aproximar-se de um poder que está demasiado contaminado. Não vale a pena apelar aos “políticos” porque só isso já revela o quanto eles são uma coisa e nós outra. Por estranho que pareça, acho que com o desvario do engenheiro as coisas eram mais claras; agora – cortesia do pragmatismo das muletas da geringonça – tudo anda mais cinzento, opaco, controlado. Para além de que esta malta que lá está agora consegue juntar os que na altura estavam na fila de espera do carreirismo com senadores inoxidáveis do sem-vergonhismo, a quem não adianta sequer dizer que são mentirosos, porque ele sabem-no e nem se ofendem de verdade.

PobrePortugal

(c) Rodrigo de Matos (2014)

Há Pouquíssimas Coisas Mais Inúteis…

… na nossa Educação do que as provas de aferição em anos intermédios e disciplinas sortidas. Até poderia ser uma boa ideia, caso a implementação não tivesse sido de forma a torná-las umas desnecessária excrescência (sim, o pleonasmo é intencional). Nem vou falar nas de EF para não ser mal interpretado e bombardeado de novo pelo clube dos seus promotores e defensores da sua inigualável qualidade e relevância para o melhoramento do nosso sistema educativo. Nem no caso do 2º ano, porque é de pequenino que se exibe o jeitinho. Falo mesmo da outras, daquelas que, como as do 5º e 8º ano, não serve para praticamente nada, excepto para o poder que está transmitir aos incautos ou verdadeiramente ignorantes a sensação de se estar a fazer uma qualquer monitorização das aprendizagens, com umas provas que incluem um sortido de questões de diversas disciplinas como meter Matemática e Ciências na mesma prova de 5º ano e História e Geografia na de 8º. Se fossem os professores desses anos a marcar dois testes no mesmo dia, com matérias teoricamente globais de dois anos (como no 8º) eu queria ver por aí gente a arrepelar cabelos e acusá-los de torturadores de jovens. É verdade que em provas anteriores as perguntas de uma das disciplinas são do mais reduzido e elementar possível, mas isso só prova que não servem para aferir seja o que for. Tudo isto é um simulacro, um fingimento, que nem sequer procura disfarçar muito bem que não é para levar a sério, pois fazem-se provas sem coordenação entre ciclos, por forma a analisar o desempenho dos alunos da mesma coorte, nas mesmas matérias, ao longo dos ciclos.

Este ano estou com curiosidade para ver as provas de HGP (5º) e H/G (8º) para ver se melhorou ligeiramente a qualidade em relação à que foi feita em 2016-17 em HGP. Já agora… se isto servisse para alguma coisa, deveria ser a geração do 5º ano em 2016/17 a fazer prova de H/G quando chegasse ao 8º. Mas esses só lá chegam para o ano… E os que fizeram a prova de Estudo do Meio este ano ainda estão apenas no 5º, pelo que a prova do 5º também é feita à medida de nada.

Mas ocupa-se tempo, destacam-se milhares de professores para horas de vigilância ridícula, gasta-se papel (enquanto não é tudo online) e encena-se qualquer coisa. Porque isto é apenas uma representação. Nem sequer muito divertida. E de qualidade muito duvidosa.

Circo2

 

 

Entretanto, No Parlamento

Fora (André Pestana):

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Dentro (quem é este tipo do PSD?)

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Anota-se a forma como alguns jornalistas no local já garantiram o resultado final, com o “chumbo” das propostas.

O debate começa e desenvolve-se na mesma lógica da troca de argumentos dos últimos dias. Nada muito original. Estão todos de acordo em inviabilizar o processo, por estas razões ou por aquelas.

E eis que chega o aparatchik de serviço, o deputado Silva que repete e repete as mentiras do costume. Tem a falta de vergonha de falar em “contas certas”. Abjecto não especulativo. Merece uma nomeação antes do final do mandato para qualquer coisa que o proteja de um azar eleitoral. A ver se ganha o suficiente para fazer um tratamento às vértebras.

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E tudo termina, com @s senhor@s deputad@s a irem almoçar com o descanso de não terem causado uma “crise política”, incluindo os que professam credos revolucionários.

Na TVI24, mst não faz nada manhãs ou inícios de tarde, nem mesmo para se rejubilar, pelo que aparece uma “editora política” a comentar. Desliguei. E os outros canais, já agora.

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Quanto Ao Eclipse Do “Professor” Marcelo, Enquanto Presidente…

… sobre a polémica do momento, parece-me a maior prova de que a causa dos professores é mais do que justa, embora difícil. Porque não se presta a selfies, nem a abracinhos, porque é um confronto claro entre o certo e o errado, em que ele não pode tomar uma daquelas posições sorridentes e esperar que ninguém reaja.

O silêncio de Marcelo Presidente demonstra a complexidade de uma questão em que o governo que ele não quer hostilizar mente com nulo pudor (agora até um secretário de Estado que parece ter saído debaixo de um qualquer calhau apareceu a asneirar) e, por isso, ele teve o senso de não aparecer a apoiá-lo. Não ter apoiado os professores – o momento de maior ambiguidade foi o veto por questões formais irrelevantes quanto à substância do problema – como costuma fazer com todos os queixosos deve-se ao facto de ele saber que esta é uma “guerra” que não admite zonas cinzentas, pois o Governo/PS a empurrou para uma situação sem quartel com a demonização de toda uma classe profissional (talvez com a excepção do séquito dos flexíveis formandos do SE Costa), a manipulação vergonhosa dos dados oficiais e a distorção de conceitos como equidade e justiça para além do admissível, mesmo no contexto da nossa medíocre vida política.

Voltando ao essencial: não pretendo selfies, sorrisos, abraços, deste Presidente ou qualquer outro (e é público que apoiei Nóvoa contra Marcelo e não sou daqueles que agora se dizem maravilhados por ter ganho quem acusavam das maiores malfeitorias). Sinto é alguma saudade de um Presidente que tenha a coragem de ser claro, sem duplicidades, sem jogos de bastidores, alguém que sirva a Verdade e a Justiça, sem reserva mental ou calculismos re-eleitoralistas.

Marcelo Costa

(e se isto é um recado em falso off... é apenas uma peça adicional na mediocridade generalizada e mais uma pisadela em princípios básicos de ética.)