Ainda O Alçada Baptista Em 1972

Isto de as pessoas valerem por dentro dá um certo conforto e uma certa leveza à própria vida. Porque isto de andarmos todos a fazer de sábios, distraídos e tudo, a fazer de intelectuais, de políticos, de banqueiros, de senhores, além de termos de estudar muito bem o nosso papel, dá muito trabalho a representar.

O Tempo nas palavras, p. 76

A Grande Confraria Da Educação

Quem os ouve ou vê pensa que são inimigos figadais ou pelo menos gástricos. Mas, salvo excepções mesmo excepcionais, tod@s são “amigos” ou assim se afirmam publicamente, quando se encontram e pretendem manter a imagem. Até se podem, em ambiente familiar muito familiar, tratar-se de sacanas e fdp para baixo, mas para fora todos se “respeitam”, por muito que digam o pior das opções alheias, porque, afinal, tod@s tiveram a (má) sorte de terem passado pela 5 de Outubro e “sofrido” todas as provações que o lugar pelo qual tanto lutaram lhes impôs. Ou porque pertencem à mesma geração, ou porque até estudaram nas vizinhanças ou porque se encontraram aqui e ali. E tentam que o círculo de amizades se estenda para poderem garantir a cooptação de quem não faça ondas. A é amigo de B que é amiga de C que é amigo de D, logo D é amigo de B e A de C, mesmo antes de se conhecerem pessoalmente, se necessário for.

Há dias lia um actual governante a descrever um debate público com um ex-governante acerca da polémica da Cidadania, sobre a qual, à superfície, têm opiniões claramente divergentes. Mas, escrevia o actual… tudo tinha decorrido “entre amigos que se respeitam”, o que para um linguista me parece redundância pobre, pois, pensava eu, para se se considerar alguém nosso “amigo” é porque nos respeitamos. “Amigos que não se respeitam” parece-me evidente oxímoro. Pelo que a expressão, em pessoa tão calculista na projecção pública da sua imagem, só pode ter aquele objectivo de demonstrar que “discordamos, mas somos amigos” e que tudo decorreu com imenso respeitinho pelas regras do jogo, ou seja, do não-debate, em que se concorda que nada foge ao figurino da esgrima com florete com bolinha de borracha na ponta.

Eu não discordo de debates entre antagonistas que se “respeitem”, agora sermos tod@s amig@s é que me mete muita impressão, até porque em busca de outras amizades já se lhes ouviu muita coisa. E sabe-se o que gostam de espalhar de forma escassamente subtil.

O pior que poderia acontecer para certas figuras engomadas era serem confrontadas com algum argumento desrespeitoso – leia-se “incómodo” ou “inesperado” ou “fora do guião”, acertado previamente modo formal ou informal- e ver-se atrapalhado para responder. Assim é melhor: to@s são amig@s que se respeitam mutuamente. E quem desalinhar é porque come com os cotovelos dentro do prato e espirra para os calcanhares.

Evitam-se chatices e, mesmo quando se “debate” como mudar as coisas, o que se pretende é que o essencial se mantenha, a bem da confraria.

O (Anti-)Racismo É Uma Moda?

Porque dá a sensação que sim e que há quem se sinta muito bem no papel que escolheu nesta espécie de triste circo. Os que, finalmente, parecem querer sair da casca sem tantos preconceitos e aqueles que, nunca os tendo visto fazer seja o que for em tal matéria, agora batem no peito do anti-racismo. E tudo me parece encenado, dando corpo a uma estratégia mediática para ocupar o pouco espaço que o vírus e os perseguidores do Cavanni deixam livre.

E fazem-me lembrar aquele vulto do esquerdismo nacional com que contactei alguns anos e que, mal teve dinheiro de obra bem paga, mudou de casa e como critério básico só tinha o não querer ciganos por perto. Ainda bem que o recente manifesto não chegou aos 40 ou a criatura ainda por ali aparecia.

O problema do racismo merece muito mais do que estátuas degoladas ou condenações de desfiles de máscaras.

janus

É Só Fumaça!

Quando os mandarem abrir, até pulam e vão pessoalmente abrir os portões. E ai de quem for convocado e não aparecer. Basta ver como já estão “confiantes”. O maior sucesso desta pandemia foi a forma como certos governantes conseguiram aliciar quase toda a gente para um discurso “positivo” acerca de tudo e mais alguma coisa. Não sei se existirão moedas, daqui a uns tempos, para distribuir por tod@s as almas boas, mas acredito que exista “confiança” de que tudo vai correr a contento da maioria. Basta um modelo de carreira feito à medida das chefias (de topo ou intermédias) obedientes, positivas e colaborantes.

Sem condições de segurança, directores não reabrirão escolas

O regresso às aulas presenciais também vai abranger os alunos dos dois últimos anos dos cursos profissionais. Serão mais 70 mil a voltar às escolas. Directores estão confiantes que serão encontradas soluções para garantir este regresso.Mas garantem que este só se concretizará nos estabelecimentos onde existam condições de segurança

Fumo

A Tele-Narrativa – 1

Não esbate nada de significativo. Encena a “universalidade” mas não garante nada de relevante aos que têm mais dificuldades, seja do ponto de vista das aprendizagens, seja do ponto de vista social. Vai “parecer” que em vez de “ser” mesmo alguma coisa. É melhor do que nada? Sim. Mas não comecem a embadeirar o arco antes da procissão começar a andar.

A constatação de que havia alunos sem acesso à Internet ou sem computadores, que os impossibilitava de acompanhar as aulas à distância, levou o Governo a voltar a recorrer à televisão, para tentar diminuir as assimetrias e generalizar o acesso a conteúdos educativos.

HisMastersVoice

2ª Feira

E agora vai seguir-se todo o processo natural em relação à lei da eutanásia ou morte assistida que implica que todos os envolvidos necessitem do veto presidencial, incluindo os mais exibicionistas defensores da lei.

Porquê?

Porque é necessário que a lei surja como grande sinal de divisão identitária entre Esquerda/Direita quando se viu que assim não é bem. Mas há uma parte do PS que precisa de demonstrar isso, pelo que um presidente eleito pela “Direita” deve vetar a lei para que ela tenha devida chancela de “Esquerda”.

Quanto ao PR, depois da óbvia declaração de ser necessário esperar pela lei que em concreto sairá do Parlamento, necessita de, já não muito longe das próximas presidenciais, satisfazer uma parte do seu eleitorado natural e demonstrar que não foi completamente capturado pelo seu acordo de cooperação quase total com António Costa. O veto é uma espécie de certificado de vida para além do marasmo.

Como o veto apenas faz regressar a lei ao Parlamento que a pode aprovar novamente, sem mudar sequer uma vírgula, estamos perante um daqueles casos em que todos ganham ao simular uma espécie de conflito ideológico institucional.

Tudo isto é mais do que previsível numa peça de enredo já conhecido, pelo que é profundamente entediante.

keepcalmtea

(nunca consegui, por exemplo, ter paciência para ver o Titanic do James Cameron…)

Da Absoluta Irrelevância

A sério? Do que serve “ponderar” um pedido de demissão de um ministro que não manda em nada de relevante na sua área de governação? Em que a sua posição serve apenas para gozar umas viagens e umas visitas a fingir qualquer coisa, quando umas coisas são determinadas lá em cima e as outras são decididas pelos seus teóricos subalternos? Porque não pede a Fenprof a demissão da ministra Leitão?

Dupla TiagoMário

Os Coreógrafos Do Regime

Não é bem por ordem cronológica, mas talvez seja pela ilógica.

  • O Bloco e o PCP defendem a descida do IVA da electricidade, pois esta deve ser considerada como “bem essencial”.
  • O PS diz que é uma irresponsabilidade orçamental, apesar do magnífico superavit.
  • O Bloco e o PSP dizem que o PS não tem maioria absoluta e deve negociar.
  • O PS faz uma proposta de descida diferenciada que sabe ser ilegal de acordo com as directivas comunitárias.
  • O PSD faz uma proposta de alteração ao OE que contempla a descida do IVA da electricidade para 6%.
  • O Bloco e o PCP dão a entender que poderão apoiar esta medida.
  • O PS diz que é uma irresponsabilidade orçamental, apesar do magnífico superavit.
  • O PSD diz que faz propostas de redução de outras despesas (como os chamados “consumos intermédios” dos gabinetes ministeriais) para compensar esta descida, apesar do magnífico superavit.
  • O PSD diz que, se chumbarem essas propostas de compensação da despesa, não avança com a da redução do IVA.
  • O Bloco e o PCP., por abstenção ou voto contra, inviabilizam parte dessas propostas.
  • O PSD deve retirar a proposta de redução do IVA da electricidade.
  • O IVA da electricidade vai manter-se nos 23% como no início de todo este processo (com o paralelo anúncio de algumas “esquerdas” que o governo cedeu em qualquer outra coisa que eles queriam).

Sou só eu a achar que isto faz lembrar, em versão ainda mais apalhaçada, a questão da recuperação integral do tempo de serviço dos docentes?

E que tudo isto não passa de uma enorme encenação em que o PS faz o que quer e os outros fingem que fazem qualquer coisa de diferente?

clown