Parece Ser Realmente Uma Enorme Surpresa…

… para algumas pessoas descobrirem, assim do nada, como se fosse algo sem anúncio prévio ou indícios relevantes, que na Justiça há coisa “cozinhadas”. Por exemplo, em tempos, houve um caso em que eu nunca tive dúvidas que a arguida, condenada em primeira instância, acabaria por safar-se ao longo do processo. Calhou ser na Relação de Lisboa, mas terá sido acaso e por certo tudo foi natural.

Justiça

(só mais um “suponhamos”… alguém acha que o senhor doutor advogado Vitalino Canas tem currículo para o Tribunal Constitucional? ou o “fantasma”  do engenheiro para avaliar juízes?)

 

Porque O Rui Pinto Nunca Teve Grandes Hipóteses De Escapar…

… mesmo se o mais descarado (Rangel) foi apanhado.

“Esta semana dei-me conta de um caso que toda a gente aí discutiu. Um caso de um juiz que pediu escusa por ser sócio de um clube de futebol e não foi aceite essa escusa, o que é estranho. É estranho quando circula por aí, por exemplo, uma lista, que até hoje não vi ser desmentida por ninguém, de 44 juízes portugueses que recebiam bilhetes grátis do Benfica. Grátis, entre aspas”, declarou Ana Gomes, no habitual espaço de comentário na SIC/Notícias.

Segundo a antiga eurodeputada nessa lista consta “um membro do atual governo que até fez parte de um coletivo, que determinou a prisão preventiva de Rui Pinto” mas também terá “o próprio presidente do supremo Tribunal de justiça, que é também presidente do conselho superior da magistratura. Isto é, o órgão que promove os juízes”.

Ora, no primeiro caso, trata-se de Antero Luís, um dos três juízes do Tribunal da Relação de Lisboa, que manteve Rui Pinto em prisão preventiva. Actualmente, Antero Luís é secretário de Estado da Administração Interna.

bollocks-bollocks-and-more-fucking-bollocks

Foi Tudo “Institucional”

Os políticos e governantes que abriram os braços a Angola

(…)

“O investimento vindo desse país [Angola], como o de todos os países, é bem-vindo. Naturalmente, no respeito da legalidade e constitucionalidade.”

A recente declaração de Marcelo Rebelo de Sousa – uma reação ao Luanda Leaks – traz uma nuance no que foram as declarações dos políticos portugueses nos últimos vinte anos sobre o investimento angolano em Portugal. A nuance é o “respeito pela legalidade”. 

De Cavaco Silva aos primeiros ministros PS e PSD, passando pelos ministros da economia e os ministros dos Negócios Estrangeiros, as declarações públicas mostram uma elite política portuguesa sem questionamentos sobre o dinheiro vindo de Angola. 

Da cristalização ideológica do PCP ao pragmatismo financeiro dos outros, é difícil achar quem não tenha feito beija-mão, à espera que lhes caísse qualquer coisa dos petrodólares ou dos diamantes no regaço.

A real politik da caça ao dinheirinho não deveria justificar toda a pouca vergonha de parte muito ampla dos “senadores do regime”. Mas como quase todos têm o rabo entalado, a estratégia é a da não agressão. E quem diz qualquer coisa é neocolonialista ou racista: Não tem sensibilidade ao “passado comum”, às “relações especiais de amizade” e essa tralhada toda que gente com um índice mínimo de escrúpulos gosta de argumentar. Sim… não foi apenas Angola. Foi a Venezuela, a Líbia e, nem é bom esquecer, a China do neocomunismo capitalista selvagem. O jogging na Praça Vermelha. A herança do bom e cordial Oliveira da Figueira pronto para tudo vender a todos, desde que paguem ou prometam negócios futuros.

Uma versão amesquinhada de Portugal, infelizmente com muitas ramificações e antecedentes. Pobrezinhos e nem sequer muito honrados. Incomodados com a insignificância há quem lance qualquer tipo de princípios às urtigas. O mundo é assim? Pois… mas então qualquer autoridade moral para criticar outros desaparece.

E a comunicação social, com raras excepções, rendeu-se à “princesa” em peças, estrategicamente não assinadas, como esta (de 2012) que também continua com as ligações às elites empresariais nacionais.

A empresária é descrita por quem convive com ela de perto como sendo “simpática”, “bonita” e “afável”. Mas os elogios também se alargam ao lado profissional, e as fontes, citadas pelo jornal Público, descrevem-na como sendo “uma boa empresária”, “extremamente dinâmica e inteligente”, “profissional” e uma “dura negociante”.

“Caça às bruxas”? Não, caça aos que transigem com a corrupção. E não digam que não sabiam. Porque, nesse caso, seriam ainda mais incompetentes do que o aceitável. Porque o “império” dificilmente poderia ter nascido só com base no capital conseguido com a venda de quitutes.

shit-hitting-the-fan

Luanda Leaks

Prefiro começar sempre pelo original, antes de aceder à versão depurada para consumo nacional. Porque há sempre aquele hábito de, alegando critérios editoriais, retocar a fotografia e ficarem só quatro semi-desconhecidos em primeiro plano.

Um dos artigos mais interessantes é este:

Western Advisers Helped An Autocrat’s Daughter Amass And Shield A Fortune

Isabel dos Santos created a shell empire to move tainted billions — lawyers, accountants and consultants made it possible.

E a longa lista de empresas em Portugal com participação do casal pode ser encontrada aqui.

List of companies held by Isabel dos Santos and Sindika Dokolo

Luanda Leaks

(já agora… quantas viagens foram directa ou indirectamente pagas a “funcionários mediáticos”? e quantas “notícias” foram “plantadas” na imprensa portuguesa graças a certas generosidades desse tipo ou ao nível da colocação de publicidade ou aquisição de “espécimes”?)