O Regresso Ao Passado Do Futuro Ou Vice- Versa, Mas Vai Quase Tudo Dar Ao Engenheiro

Dirigente do PS-Porto e ex-secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro toma posse este sábado como sucessor de Marta Temido no Ministério da Saúde. É o regresso a uma casa que conheceu nos governos de José Sócrates

Reparem que, de acordo com a notícia, o homem até tem um inner circle e tudo, pronto para alimentar notícias sobre si. Não haveria de ir a ministro porquê?

O PM Costa, na dúvida ou na aflição, vai logo ao baú da tralha.

O PSD Quer A “Totalidade” Das Funções Na Educação

Era da maneira que o desemprego jovem entre os laranjinhas descia para zero, mesmo em modo biscate até chegarem ao poder e fazerem nomeações em outros postos da administração pública ou empresas tuteladas.

“O Governo passou para as autarquias aquilo que não quer, a infraestrutura da escola para a câmara ter essa responsabilidade, mas não passa, por exemplo, a contratação dos professores”. E deu uma explicação para isso: o PS cria “complexidade” no processo para não haver responsabilidades. “É nisso que o PS é muito bom”, ironizou. O PSD, frisou, enquanto partido municipalista, quer ter essas competências, mas na “totalidade”.

Será que já passou tempo suficiente para eu fazer algumas confidências, que nem sequer o são?

Acho que sim.

Lembram-se da apresentação do “estudo”, alegadamente do FMI para reformar a nossa administração pública e as finanças? No Palácio Foz? Sem direito a directos ou gravação pela comunicação social?

Pois é… eu era um dos convidados e o então secretário de Estado Carlos Moedas o anfitrião. O Jorge Buescu moderava a sessão em que eu participei.

O estudo era uma porcaria, estava desactualizado, os dados estavam truncados e foi isso que eu disse bem alto, dirigindo-me, entre outros, ao anfitrião que, percebi depois em breve conversa, não pescava mesmo nada do assunto (a conversa foi testemunhada por uma jornalista da Renascença com quem depois troquei uma ou duas observações divertidas). Claro que passaram anos e Carlos Moedas pode ter aprendido algo mais sobre o assunto.

Ou não.

Demissão Ao Empurrão

O Gabriel Mithá demitiu-se de vice do Chega porque foi tornado público o se afastamento da coordenação do “gabinete de estudos’ da agremiação. Não se percebe se foi apenas a publicidade da coisa a encrespá-lo, pois o afastamento deixou-o quieto e calado. Para quem me anunciou que ‘a guerra ainda agora começou’, é um pouco ridículo vê-lo como a primeira baixa. Embora fosse expectável, atendendo à cegueira que o acometeu à conta da vaidade.

Está Tudo Bem!

Manuel Pereira não tem conhecimento, mas acha que sim. Ele não esta preocupado e acredito que muit@s director@s o não estejam, pois o seu trajecto diário não @s coloca em qualquer risco.

A avaliar pelo site da ANDE, acabadinho de consultar, a agremiação entrou em paralisia há mais de dois anos e parece ter entrado em estado de coma algo vegetativo.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes Escolares afirma que as escolas ainda não foram notificadas sobre o arranque do ano escolar sem medidas de prevenção específicas anti-covid, conforme noticiado esta segunda-feira pelo jornal Público. Manuel Pereira diz, no entanto, que as escolas não estão preocupadas com isso e que aprenderam uma lição com a pandemia, introduzindo no quotidiano muitas das medidas de higiene que tinham sido implementadas.

Investigação?

Na semana que passou, mãos amigas (plural, que eu gosto de cruzar fontes) facultaram-me uma diatribe relativamente recente de um dos cortesãos maiores da Educação Costista contra todos os que vão contra a sua Fé e o seu Verbo, alegando, por exemplo, que os críticos das suas platitudes não praticam “Investigação” na matéria, pelo que deveriam reduzir-se a um prudente e envergonhado silêncio.

Ora bem… eu sou reconhecidamente imprudente, mas também sei a diferença entre “Investigação” e umas cenas que dão para fazer 20 artigos, com esta ou aquela colaboração, quase clonados em diversos suportes e línguas, que não passam de revisão da literatura e eventuais dados de “estudos de caso” sobre a “problemática”. Nos meus tempos – e sou mais novo – isso daria para fazer um trabalho de uma cadeira da licenciatura ou um relatório do seminário de mestrado com nota mediana. è que mesmo em alguns nichos “Ciências Ocultas da Educação” não devemos colocar a fasquia tão baixa, só para ser inclusiva e dar indicadores de “sucesso” para efeitos académico-políticos.

De Volta Ao Frango Esfriado

Desculpem-me, mas vou voltar a um naco da prosa do ministro a perorar aos jovens, para exemplificar no que dá pensar-se que se está a falar muito bêim, mas no fundo estar-se a dizer uma coisa que nem é vitela, nem é carrrapau.

Ora leiamos:

O ministro da Educação advogou que o melhor instrumento contra a desinformação “é ler, ler e ler, porque é no confronto entre várias leituras que se avalia o que lê no momento bate certo com outras leituras já feitas, ou se é uma novidade que coloca em causa essas anteriores leituras.

Se o que foi dito é isto e não tem mais nada a completar, não passa de uma declaração cujo sentido essencial tende para a irrelevância em termos lógicos e substantivos.

Vejamos: se aquilo que lemos não bate certo com outras leituras já feitas e é uma “novidade que coloca em causas essas anteriores leituras” podemos ter pelo menos as seguintes possibilidades:

a) é um avanço nos nossos conhecimentos, um salto nos nossos conhecimentos, uma “mudança de paradigma”, uma verdadeira “ruptura espistemológica” e isso pode ser bom, como por exemplo podemos achar da teoria da relatividade do tio Alberto.

b) é um disparate completo, que não bate certo com nada, sendo apenas uma atoarda que coloca em causa essas anteriores leituras, mas sem qualquer fundamento.

c) é uma alteração da nossa perspectiva sobre a realidade, uma “mudança de paradigma”, um incentivo a novas práticas, impensada até então, mas isso pode ser mau, como por exemplo podemos achar das teorias daquele Adolfo de má memória.

O que é importante, perante estas leituras “desconformes”, “alternativas”, “radicais”, que nos confrontam com verdades estabelecidas é termos a capacidade para avaliar, mesmo que não seja de modo muito profundo, da “validade” ou “bondade” do que surge como “novidade”. Se o que lemos ou ouvimos é a), b) ou c).

Repito-me muito a este respeito: “novidade” não significa necessariamente algo bom, positivo ou vantajoso. Pode ser um disparate ou algo horrivelmente mau. Não nos chega “ler, ler, ler”, porque muitos apoiantes da Terra Plana ou do Nazismo leram muito. A questão não esteve na “quantidade” do que leram, mas do uso que deram a essa leitura, da “qualidade” do que extraíram do que leram.

Ora, avaliando por este tipo de patacoadas, mesmo estando a minha opinião disponível para críticas e revisões, quer-me parecer que há quem ande por aí e fale, fale, fale, fale muito, mas diga muito pouco de válido.

O Galamba Chama-lhe Um Figo

Especialista em ver os navios a passar na Educação, agora vai para uma das mais inúteis, desculpem, relevantes Comissões Permanentes (nada como uma nulidade para fiscalizar as tramóias da energia cá pelo burgo) e ainda vai fazer uma perninha em mais duas. Será que dão senhas de presença? A dos Negócios Estrangeiros e Comunidades deve dar umas viagenzitas À conta do erário…

Tiago Brandão Rodrigues é o novo Presidente da Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República.

Depois de ter sido o Ministro da Educação durante as duas últimas legislaturas (2015-2022), com um tempo recorde à frente da exigente pasta da Educação, Desporto e Juventude, o recente cabeça de lista do Partido Socialista no Alto Minho assume agora Presidência de “uma das mais relevantes” Comissões Permanentes da Assembleia da República.

“Este prestigiante papel na dinâmica da Assembleia da República vem acompanhado de um conjunto de outras responsabilidades para os deputados socialistas do Alto Minho. Assim, Tiago Brandão Rodrigues será ainda membro de outras duas comissões parlamentares de alto relevo, como são a Comissão de Orçamento e Finanças e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas”, considera a Federação do PS de Viana do Castelo.

2ª Feira

Augusto Santos Silva foi muito aplaudido porque censurou no Parlamento uma intervenção de Alexandre Ventura sobre a comunidade cigana, alegando que em Portugal não existem “atribuições colectivas de culpa”. Estou de acordo, claro, até porque a intervenção . As generalizações abusivas são um mal no discurso público e pior no político, que deve ser mais informado e exemplar do que as conversas de café. O problema, também me parece claro, é que se não existem atribuições colectivas de culpa é porque existirá a possibilidade de atribuir culpas individuais, certo? Só que se o fizermos um outro qualquer santossilva dirá que estamos a fazer ataques ad hominem (a expressão é assim não me acusem já de machismo e misoginia) e que não adianta andarmos à procura de “culpados”, que isso é “muito português. E ficamos naquela terra de ninguém da desresponsabilização colectiva e individual em que, no essencial, o que interessa é nunca apontar os culpados pelos erros.

Por exemplo, em 2008 houve um político que acusou os “professores de atitude antidemocrática”, porque se estavam a manifestar contra as políticas do governo do “engenheiro”, de que fazia parte. Ainda há pouco tempo, esse mesmo político, acusava “fortemente os partidos que na quinta-feira aprovaram a contabilização total do tempo de serviço congelado aos professores”, no que me parece ser uma atribuição colectiva de culpa, já que quem votou no Parlamento foram os deputados e não “os partidos”. Pena que Augusto Santos Silva, o actual ético presidente da Assembleia da República não pudesse ter trocado umas ideias com esse político. Porque um problema “muito português” é o da oportuna falta de memória. E outro é o de uma certa falta de vergonha na cara, sob a justificação de que o “contexto” era diferente.

(este é outro que, como o Super-M, diz sempre que quer voltar a dar aulas, mas – raios! – nunca o deixam…)