Acho Estranho, Mas Devo Ser Só Eu

Que o czar das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril continue com todas as avenças mediáticas bem activas. Parece que, para ele, aquela coisa de se desfiliar do PS é o zénite da ética republicana.

Não quero restringir os direitos de qualquer cidadão interventivo, mas parece-me que lhe deram já um grande palco para isso, bem pago, para precisar de ainda andar pelas capelinhas todas.

Claro Que Não! Como As Rosas, Eles Aparecem-lhe No Regaço!

Pedro Adão e Silva explicou que vai suspender o vínculo ao ISCTE para se dedicar a tempo inteiro às tarefas de comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. E revelou que já não é militante do PS

(e também vai prescindir das avenças mediáticas?)

A Renovação Da República

  • João Miguel Tavares no 10 de Junho.
  • Rita Rato no Aljube.
  • Pedro Adão e Silva no 25 de Abril.

Escalas muito diferentes e mordomias bem diversas, mas a mesma lógica.

Costa e Marcelo numa luta comum pela construção de uma memória do regime que lhes seja confortável. Mais do que as nomeações, impressionam-me as “aceitações”. Podia acrescentar outras, até de gente de que conheço melhor o trajecto, pelo que talvez não me espante tanto a Ânsia. Há umas semanas, em conversa com um antigo colega meu dos tempos da Faculdade, a respeito de outra colocação menos visível, confrontávamos perspetivas acerca do que explicará tais “aceitações” ou “candidaturas”. Será que estamos tão mal, que acreditam mesmo que não se arranja melhor, para não dizer muito melhor?

E depois há esta arte de ir colocando peças de diferentes cores no tabuleiro, para evitar grandes oposições. E o que dizer das cumplicidades mediáticas, em que o que ontem se criticava a outros, agora se cala porque se trata de gente “amiga”?

E quem não salta de alegria, em pulinhos de entusiasmo incontido, ou não se cala é porque tem inveja?

Da Arte De Arranjar Ninho

Se formos estando atentos, é raro o passarão que passa pela Educação que não ande em busca de ninho. Nos últimos anos, a representação da parentalidade tem rendido. E o Centrão lá pelos nortes gosta de os seduzir, porque sabem que eles resistem pouco às tentações. É o que consta.

Líder da Confap é o candidato do PSD à Câmara de Gondoma

Um Concurso À Portuguesa

Isto desperta-me memórias de idos dos anos 90, ainda a década ia na sua primeira metade. Há muitos, mas mesmo muitos anos, entrei num “concurso” para um lugar numa instituição pública (fiquemo-nos assim) em que se passou exactamente isto. Fiquei em 2º lugar, depois dos “critérios” serem “ajustados” (e ainda há pouco tempo me lembrei da pseudo-entrevista feita aos vários candidatos) e comunicados só depois de apresentadas as candidaturas. O concurso acabou anulado, porque outras pessoas não alinharam na palhaçada. No meu caso, se não me querem num dado lugar, não insisto e vou dar uma volta. Até porque sei que acabam quase sempre por arranjar um subterfúgio para meter a pessoa “certa” no lugar destinado.

Júri nacional de procurador europeu decidiu valor dos critérios depois de saber quem eram os candidatos

(será que o “escolhido” terá a falta de vergonha de aceitar a nomeação feita desta forma? é bem verdade que os tempos andam para todo o tipo de gente assim… ou melhor… nada mudou excepto o facto do PCP ter deixado de pedir a demissão seja de quem for…)

As “Migalhas”

Ontem, já fora de tempo útil para publicações, tomei conhecimento por diversas pessoas, curiosamente, a maioria de “esquerda”, deste texto do Malomil sobre a nomeação de Rita Rato para directora do Museu do Aljube.

A nomeação não me espanta, como não me espantaria qualquer outra, mais ou menos disparatada, porque sei há muito tempo como estas coisas funcionam.

A diferença é que, até há algum tempo, as cliques e clientelas ainda procuravam disfarçar um pouco este tipo de tachos (não há outra forma de colocar as coisas) com uma aparência de adequação ao cargo. Claro que há muitos exemplos, mais ou menos pretéritos, de casos absolutamente escandalosos, mesmo se na área da História as coisas sempre mantiveram algum decoro. Sabe-se que a pessoa foi nomeada por pertencer a este ou aquele grupo maioritário ou “alternativo”, ter dado esta ou aquela queca em dada altura da “carreira” ou ser apenas @ idiota certa no lugar adequado para servir de porta de entrada para todo o resto.

No caso de um museu, é a porta para quem organiza e comissaria exposições, para quem desenvolve lá actividades como formações para professores (é o caso do Aljube), quem coordena e participa em ciclos de conferências. As coisas são assim há muito tempo e  duvido que alguma vez tenham sido de outro modo.

Mas havia uma aparência de decoro. Conheço nomeações políticas e clientelares puras e duras, mas as pessoas em causa ainda tinham algum currículo. Agora já não existe tal tentativa de encobrir as coisas e só recuam em casos extremos. Vitalino Canas no Constitucional? Foi travado, mas duvido que Assis seja parado para o Conselho Económico e Social, pois o PSD e o CDS adoram aquele tipo de banha política com escassa forma. Sim, eu lembro-me de Armando Vara e Celeste Cardona na CGD, mas não eram entidades de regulação, coordenação ou supervisão do estado.

A nomeação de Rita Rato é uma das compensações para que o PCOP se oponha quando não há perigo de complicação e se abstenha quando há. Ou vote a favor. Há outras,e m outros quadrantes, não é qualquer novidade, excepto no facto de muitas posições estratégicas relacionadas com a preservação da Memória Histórica estarem a ser entregues a gente que lá está com o papel de a distorcer e truncar. Não por ignorância ou falta de qualquer competência (e é aqui que divirjo do António Araújo), mas porque é esse o seu papel.

Não tenho qualquer dúvida que existirão no Aljube imensas iniciativas interessantes a partir de agora. Como também tenho a certeza que existirão tantas outras que nunca poderão acontecer. Porque iriam contra a pseudo-verdade histórica que Rita Rato subscreve naquelas declarações em que declara não conhecer situações como os gulag ou os atropelos aos Direitos Humanos na China.

Alguém acredita que com Rita Rato possa existir uma exposição ou ciclo de conferências plural sobre os totalitarismos no século XX?

Repito… nada disto é novo.

Mas disfarçavam-se melhor as dádivas e tenças. Os quid pro quo do regime. Agora é às escancaras.

Mind

(escrevi isto há quase 15 anos... mantém-se, assim como isto sobre os “constritores da memória”)

Mas Estava No Top Dos Likes

Repito… tem o perfil e as competências mais do que certas para “operacionalizar” um “novo paradigma” de concursos e carreira.

Educação nomeia subdiretor que não estava no top 3 da CReSAP

E nem concorreu. Sugestões estiveram numa gaveta do Ministério durante 17 meses. Nomeação (em substituição) de César Paulo aconteceu ao mesmo tempo que abre novo concurso para o cargo.
tacho

 

A Gazeta Da Corte – 2

Professores arcaicos e insubmissos, sem cartão da cor certa, temei, que os cortesãos alpinistas começam a ver os serviços reconhecidos.

Diplomas para Publicação em Diário da República:

(…)

tacho

(podia ser hipócrita, mas não me apetece… acho mesmo que depois destes anos de aparelhismo, o CIP tem o “perfil” adequado para este tipo de cargos)