O Culto Especializado Em Especialistas

Todos juntos, devem ter dado umas zero aulas o Básico ou Secundário desde a viragem do milénio, incluindo o elemento do Conselho de Escolas, que é director desde 1998 (em dois locais), salvo erro. Quanto ao resto… nem me lembro se chegaram a ver uma sala de aula por dentro desde que lá entrei como professor.

Não é só a classe docente que envelhece. Há quem acrisole.

“Eu Estou Aqui Em Agonia”

Ia o debate (hoje, FCSH) em quase 3 horas (c. 3 h. e 04 min. na gravação, por causa do atraso técnico inicial de mais de 20 minutos), quando lá pude falar pela segunda vez, porque fui o primeiro a intervir e depois quase o último a comentar. E como então disse – a intervenção inicial foi mais estruturada e menos reactiva – estou cansado das mesmas pessoas dizerem uma coisa agora e outra depois ou se eximirem às próprias responsabilidades, assim como na altura disse que sobre a formação inicial de professores talvez fizesse sentido falarem em outro debate só os interessados, até por terem visões muito contraditórias da coisa. Em resumo, já em tom sarcástico, acerca das quotas na progressão de que quase todos evitaram falar em detalhe, era como se o “elefante tivesse saído da sala”, por ser incómodo.

Porque, no fundo, conclui-se que quem forma professores forma-os bem, quem estuda o assunto, estuda-o bem, que sindicaliza, sindicaliza bem, quem governa. governa bem, só que no fim parece que de tanta coisa bem feita sai escassa obra. Desculpem se acho que não é bem assim e que foram avisados a tempo dos erros, mas preferiram acusar os chatos se só olharem para o seu umbigo e não verem além do seu quintal (as piadas favoritas de falta de imaginação que ouvi durante uns bons anos).

Resumindo, no final, desejei que fosse possível deixar a uma nova geração de professores uma carreira melhor do que aquela em que transformaram a minha. E deve ser melhor do princípio ao fim, com a garantia de que não a estraçalham a meio. Pena que se tivesse falado tão pouco, em concreto (excepção ao V. Teodoro, mesmo com algumas discordâncias minhas em relação ao modelo apresentado), da carreira em si, preferindo alguma auto-justificação sobre a qualidade da formação inicial que é dada, mesmo se a um número insuficiente de candidatos à docência num futuro próximo.

(desculpem-me a gralhice, mas a semana foi longa, com a parte lectiva, menos uma horita a que faltei por razões que a lei 100/99 permite, ainda formação e agora debate ao fim de 6ª feira… não é por nada, mas já começo a estar “velho” para isto e ainda no outro dia tive de responder a um convite para uma outra coisa pela manhã, que sou professor a sério e não “especialista”, pelo que tenho mesmo de dar aulas e a disponibilidade é reduzida..)

Agenda

Não sei se já haverá novo governo e nov@ ministr@, mas aceitei o convite do Vítor Teodoro para falar de um assunto que tem sido recuperado por muita gente que ajudou a cavar o “buraco”. Até porque é sempre interessante quando uma pessoa que dá mesmo aulas tenha um pouco de voz (mesmo quando há quem aproveite para apontar isso como “limitação”) Como me saiu em sorte ser o primeiro a falar, tipo infantaria, nem que sejam alguns segundos dos meu 15 minutos serão usados para lembrar isso mesmo e que é um erro esperar que quem tanto mal já fez, agora venha com anúncios de bem fazer. Não ando para salamaleques e cortesias, que má educação é ser hipócrita ou não dizer o que efectivamente penso.

4ª Feira

Em tempos antanhos havia o hábito de se fazerem debates “temáticos” com os especialistas de cada partido numa dada área da governação. Até existiam os chamados “ministros-sombra” ou porta-vozes dos principais partidos para este ou aquele tema. Agora são pequenos grandes líderes que são especialistas em tudo, pelo que não é de estranhar que por vezes cometam tantos erros (ou digam, pura e simplesmente, mentiras), nem sempre de forma voluntária.

Entretanto, ontem, ficámos a perceber que existe uma enorme variedade de opções para os eleitores chalupas. E que há quem faça parecer alguns outros praticamente razoáveis. Até tive pena da representante do MAS que, coitada, parecia cercada por matarruanos, não conseguindo deixar de sorrir.

E Fez-Se Escuridão

Estava eu com toda a paciência do mundo a ouvir a diversidade política extra-parlamentar – e nem de propósito o representante do JPP a acabar de falar no preço da luz – e eis que o breu cobre o perfil do deputado Élvio e é preciso interromper o debate onde já tinha sido possível assistir a alguns momentos de antologia, como aquela do tipo com o elefante. A sério? Não podiam ter feito a piada ontem? Nem sei que diga. Que ainda acabo a votar no Tino? Podia ser pior…

Desisti…

… ainda na primeira volta e em parte porque o Carlos Daniel decidiu dar a António Costa o direito de resposta, ainda antes de todos terem direito a falar. Primus inter pares, assim às escancaras? Não quero saber se falaram de Educação ou não, pois tudo ficará na mesma, mesmo que pareça mudar alguma coisa. E quanto ao país, só está em causa o rotativismo das clientelas prioritárias no acesso à bazuca.