O ‘360’ De Ontem

Está aqui.

Houve algum tempo para falar, mas é impossível, em 10-15 minutos de tempo útil por participante falar de tudo de forma desenvolvida. Em especial, quando não se vai com cassete e se tenta falar/responder ao que é questionado em vez de despejar chavões. Do que ficou por “picar” só gostaria de destacar a parte em que Nuno Crato sublinha que entre 2006 e 2015 se terão desenvolvido políticas que levaram à melhoria dos resultados dos alunos portugueses (a tal obsessão pelo PISA). Duas notas:

  • Os progressos são anteriores a 2006 e os de 2009 já foram analisados, com bastante reserva, em estudos sobre a amostra usada.
  • Em 2007, 2009 ou mesmo 2011, Nuno Crato não se declarava adepto das políticas desenvolvidas pelos governos de então. Eu lembro-me.

O Arlindo Abre O Jogo

Pessoalmente sou um grande crítico das aulas de 100 minutos sem qualquer intervalo. Percebo a contingência, mas… ali fechados, em especial no 2º ciclo, mas também no 3º… é muito tempo e pouca uva.

É uma “base de trabalho”… as coisas não são fáceis, mas… curiosamente, prefiro um modelo mais “flexível”.

Base de trabalho para Implementar Um Plano de Contingência Para 2020/2021

Finger

O Mini-Debate no “360” De Ontem

A partir das 21.20. O Filinto esteve acutilante e assertivo. Quanto ao Rodrigo Queiroz e Mello decidiu entrar por um terreno terminológico (“cartilha”, “demagogia”) que acabou por dar “molho”. Porque se eu defendo rankings, também defendo que todos facultem a informação completa, não apenas as escolas públicas.

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Pela Assembleia Da República

Sentei-me a ver o debate na Assembleia da República sobre o próximo ano lectivo. Eram coisa de 16.30, mais ou menos e apanhei com um deputado do PS que não conhecia (Tiago Estevão Martins) e, estranhamente, mesmo nos pontos em que discordava das suas posições, pareceu-me um pouco acima da média (humor low key com alguma propriedade e tudo)e fez-me ter esperança do deputado Silva, Porfírio de sua graça e nossa desgraça, ter sido enviado para as galés do silêncio parlamentar. E então comecei a puxar aquilo para trás e a ir vendo as restantes intervenções, em modo zapping (mesmo dessa forma, a intervenção da deputada do PAN pareceu-me a modos que… sei lá… a senhora deputada lá teve de fazer o frete e pronto). E não é que, ali mais para os começos me aparece o deputado Silva em pura desfilada de propaganda com uma lista imensa de coisas feitas, em feitura ou por fazer que me deu logo um nervoso no dedo e carreguei no off. E foi assim, não vi mais nada de interessante, tirando o aniversário partilhado entre as manas Mortágua e o liberal Cotrim de Figueiredo.

Resumindo… ninguém sabe verdadeiramente nada. Mas uns querem saber e os outros não querem dizer. Porque ninguém sabe verdadeiramente nada.

Speech

Webinar 3

Antes de mais, assinalar a simpatia dos anfitriões. Um elogio merecido e não é por causa do convite para passar por Mirandela.

Quanto ao resto, foram duas horas e meia de que se poderá extrair menos sumo do que parece, pois boa parte do que foi dito não é especial novidade, a começar por mim, que fiz o papel habitual de ir sem guião definido e responder ao que me ia sendo questionado, procurando colorir a coisa e dar umas notas de humor para amenizar a seriedade que por vezes estas coisas têm.

Quanto ao resto.

  1. Já se percebeu que a narrativa do ME por estes dias, espalhada em dezenas de webinars pelo país, segue um guião muito simples.
    • a) Ninguém estava à espera disto.
    • b) Fez-me muito depressa o que podia ser feito e agora é fácil criticar o que não foi muito bem feito. Os críticos deveriam ter colaborado na solução com propostas.
    • c) Ninguém sabe o que aí vem, mas já se preparam diversos cenários.
    • d) Em breve existirão novidades.
  2. O presidente da Confap considera que o movimento associativo parental é a salvação (ou quase) para todos os dilemas dos pais e encarregados de educação, em especial se for enquadrado pela sua organização. Fez um elogio rasgado aos professores no final, o que não me deixou espantado, porque estou habituado a quase tudo.
  3. A investigação em saúde mental e burnout parental (com números) concluiu que há uma minoria de mães/pais que lidou bem com isto e que acha que até estreitou laços com os filhos, uma maioria relativa que acha que as coisas ficaram mais ou menos como eram e uma minoria significativa (34% de mulheres e 20% de homens) que sente que falhou, lidou mal com as coisas ou, oura e simplesmente, considerou este período “um inferno”. A sensação de falhanço é maior entre quem exige mais de si mesmos (o que é algo conhecido) e acha que não conseguiu corresponder às exigências.

Houve mais coisas, mas depois é capaz de haver gravação de tudo (há o directo do facebook para quem tiver a dita rede social), incluindo dos meus abanões ao computador por causa da gata ou porque estava em multitasking a responder a alunos e encarregados de educação sobre matrículas, manuais e etc.

Debate

Webinar 2

Sobre Ensino e/ou Aprendizagem a Distância: O Presente e o Futuro, que é tema que vai sendo incontornável. Organização da Pró-Ordem com lotação esgotada. Como foi gravada e vai ser colocada online, não vou fazer grandes resumos, porque poderão ver o que se passou e o que foi dito. A minha mensagem, nestas coisas, procura ser simples e clara. E, muito em especial, olhando a realidade sem ser pelas lentes de certas ideologias que prometem muito, mas depois de espremidas dão pouco sumo e ainda menos polpa.

Pontos de maior insistência minha, assim na base da memória dos meus rabiscos apontados, que eu detesto levar fórmulas acabadas para estas coisas.

Quanto ao presente. Terminologias à parte, isto foi uma situação de emergência, que se desenrascou nos limites da possibilidade e do voluntarismo, com o erro comum de muita gente ter começado a prova demasiado depressa e estar a acabá-la de rastos. A pausa da Páscoa deveria ter sido melhor usada para pensar um 3º período diferente do que foi este e em vez de se insistir muito em aprendizagens e “avaliação a sério”, a prioridade deveria ter estado na preparação dos alunos para uma situação como esta. Mas havia gente com capacidade de pressão ou decisão que achou que a mensagem para a opinião pública deveria ser outra e, em vez de prepararmos o futuro, fingimos que o presente foi outra coisa.

Quanto ao futuro. Ninguém sabe como será, por mais “cenários” que digam que estão ser preparados. Há uma (quase) certeza: o que não foi feito, terá de o ser. Em Setembro e Outubro. Os alunos, em especial no Básico, precisam de ser ensinados sobre a melhor maneira de trabalharem numa eventual nova emergência. Seja em ensino presencial ou remoto. Não me interessa tanto a “recuperação de aprendizagens”, mas mais a capacitação dos alunos para usarem os meios digitais de um modo proveitoso em termos proveitosos para aprendizagens significativas. Por outro lado, a Escola está sempre a renovar-se e chateia-me solenemente aquele chavão requentado da necessidade de recriar isto e aquilo. Ando há décadas a ouvir mensagens sobre a necessidade de reformar a formação de professores, mas muito pouca prática. Já era tempo de deixarem de enunciar para praticar, sendo a melhor metodologia a do exemplo.

Por fim, avançamos quando confrontamos perspectivas diferentes e conseguimos dialogar e criar algo novo. Conversas fofinhas em circuito fechado, em que todos acenam a cabecinha quando lhes mandam, são para mim a negação de qualquer ambiente de aprendizagem de gente adulta. A evolução fez-se através da diversidade, não da conformidade.

Webinar ProOrdem