O Mini-Debate no “360” De Ontem

A partir das 21.20. O Filinto esteve acutilante e assertivo. Quanto ao Rodrigo Queiroz e Mello decidiu entrar por um terreno terminológico (“cartilha”, “demagogia”) que acabou por dar “molho”. Porque se eu defendo rankings, também defendo que todos facultem a informação completa, não apenas as escolas públicas.

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Pela Assembleia Da República

Sentei-me a ver o debate na Assembleia da República sobre o próximo ano lectivo. Eram coisa de 16.30, mais ou menos e apanhei com um deputado do PS que não conhecia (Tiago Estevão Martins) e, estranhamente, mesmo nos pontos em que discordava das suas posições, pareceu-me um pouco acima da média (humor low key com alguma propriedade e tudo)e fez-me ter esperança do deputado Silva, Porfírio de sua graça e nossa desgraça, ter sido enviado para as galés do silêncio parlamentar. E então comecei a puxar aquilo para trás e a ir vendo as restantes intervenções, em modo zapping (mesmo dessa forma, a intervenção da deputada do PAN pareceu-me a modos que… sei lá… a senhora deputada lá teve de fazer o frete e pronto). E não é que, ali mais para os começos me aparece o deputado Silva em pura desfilada de propaganda com uma lista imensa de coisas feitas, em feitura ou por fazer que me deu logo um nervoso no dedo e carreguei no off. E foi assim, não vi mais nada de interessante, tirando o aniversário partilhado entre as manas Mortágua e o liberal Cotrim de Figueiredo.

Resumindo… ninguém sabe verdadeiramente nada. Mas uns querem saber e os outros não querem dizer. Porque ninguém sabe verdadeiramente nada.

Speech

Webinar 3

Antes de mais, assinalar a simpatia dos anfitriões. Um elogio merecido e não é por causa do convite para passar por Mirandela.

Quanto ao resto, foram duas horas e meia de que se poderá extrair menos sumo do que parece, pois boa parte do que foi dito não é especial novidade, a começar por mim, que fiz o papel habitual de ir sem guião definido e responder ao que me ia sendo questionado, procurando colorir a coisa e dar umas notas de humor para amenizar a seriedade que por vezes estas coisas têm.

Quanto ao resto.

  1. Já se percebeu que a narrativa do ME por estes dias, espalhada em dezenas de webinars pelo país, segue um guião muito simples.
    • a) Ninguém estava à espera disto.
    • b) Fez-me muito depressa o que podia ser feito e agora é fácil criticar o que não foi muito bem feito. Os críticos deveriam ter colaborado na solução com propostas.
    • c) Ninguém sabe o que aí vem, mas já se preparam diversos cenários.
    • d) Em breve existirão novidades.
  2. O presidente da Confap considera que o movimento associativo parental é a salvação (ou quase) para todos os dilemas dos pais e encarregados de educação, em especial se for enquadrado pela sua organização. Fez um elogio rasgado aos professores no final, o que não me deixou espantado, porque estou habituado a quase tudo.
  3. A investigação em saúde mental e burnout parental (com números) concluiu que há uma minoria de mães/pais que lidou bem com isto e que acha que até estreitou laços com os filhos, uma maioria relativa que acha que as coisas ficaram mais ou menos como eram e uma minoria significativa (34% de mulheres e 20% de homens) que sente que falhou, lidou mal com as coisas ou, oura e simplesmente, considerou este período “um inferno”. A sensação de falhanço é maior entre quem exige mais de si mesmos (o que é algo conhecido) e acha que não conseguiu corresponder às exigências.

Houve mais coisas, mas depois é capaz de haver gravação de tudo (há o directo do facebook para quem tiver a dita rede social), incluindo dos meus abanões ao computador por causa da gata ou porque estava em multitasking a responder a alunos e encarregados de educação sobre matrículas, manuais e etc.

Debate

Webinar 2

Sobre Ensino e/ou Aprendizagem a Distância: O Presente e o Futuro, que é tema que vai sendo incontornável. Organização da Pró-Ordem com lotação esgotada. Como foi gravada e vai ser colocada online, não vou fazer grandes resumos, porque poderão ver o que se passou e o que foi dito. A minha mensagem, nestas coisas, procura ser simples e clara. E, muito em especial, olhando a realidade sem ser pelas lentes de certas ideologias que prometem muito, mas depois de espremidas dão pouco sumo e ainda menos polpa.

Pontos de maior insistência minha, assim na base da memória dos meus rabiscos apontados, que eu detesto levar fórmulas acabadas para estas coisas.

Quanto ao presente. Terminologias à parte, isto foi uma situação de emergência, que se desenrascou nos limites da possibilidade e do voluntarismo, com o erro comum de muita gente ter começado a prova demasiado depressa e estar a acabá-la de rastos. A pausa da Páscoa deveria ter sido melhor usada para pensar um 3º período diferente do que foi este e em vez de se insistir muito em aprendizagens e “avaliação a sério”, a prioridade deveria ter estado na preparação dos alunos para uma situação como esta. Mas havia gente com capacidade de pressão ou decisão que achou que a mensagem para a opinião pública deveria ser outra e, em vez de prepararmos o futuro, fingimos que o presente foi outra coisa.

Quanto ao futuro. Ninguém sabe como será, por mais “cenários” que digam que estão ser preparados. Há uma (quase) certeza: o que não foi feito, terá de o ser. Em Setembro e Outubro. Os alunos, em especial no Básico, precisam de ser ensinados sobre a melhor maneira de trabalharem numa eventual nova emergência. Seja em ensino presencial ou remoto. Não me interessa tanto a “recuperação de aprendizagens”, mas mais a capacitação dos alunos para usarem os meios digitais de um modo proveitoso em termos proveitosos para aprendizagens significativas. Por outro lado, a Escola está sempre a renovar-se e chateia-me solenemente aquele chavão requentado da necessidade de recriar isto e aquilo. Ando há décadas a ouvir mensagens sobre a necessidade de reformar a formação de professores, mas muito pouca prática. Já era tempo de deixarem de enunciar para praticar, sendo a melhor metodologia a do exemplo.

Por fim, avançamos quando confrontamos perspectivas diferentes e conseguimos dialogar e criar algo novo. Conversas fofinhas em circuito fechado, em que todos acenam a cabecinha quando lhes mandam, são para mim a negação de qualquer ambiente de aprendizagem de gente adulta. A evolução fez-se através da diversidade, não da conformidade.

Webinar ProOrdem

O Relativismo Na Pedagogia (E Mais Umas Coisas)

A crítica ao Conhecimento, por parte daqueles que o acham “enciclopédico” e desnecessário, é apenas um elemento da deriva relativista que encontrou acolhimento em Pedagogia “de esquerda”, numa tendência de anti-intlectualismo que antes era própria de algum tradicionalismo conservador “de direita”. De regresso a Furedi, portanto (Where Have All Intellectuals Gone?, pp. 64-65)

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E neste contexto, debater as ideias e opções torna-se quase um pecado, pois quem ousa criticar certos argumentos é visto como sendo pouco polido, quase incivilizado por não achar que todas as opiniões são válidas por igual, mesmo quando se desenvolvem em forma de falácia ou se baseiam em argumentos pouco consistentes. Tenho a minha dose de ser assim qualificado (como “arrogante” ou mesmo “mal educado” por não me calar perante dislates ditos com a sensação de serem pérolas de sabedoria) quando ouso dar a minha opinião sobre as opiniões alheias que se acham acima de qualquer crítica. Mas, o debate faz-se confrontando argumentos e não cortesias, Mas combatendo o dumbing down sem contemplações e não apostando apenas nas adjectivações coloridas.

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(Furedi, p. 75).

Há quem leve toda a divergência para a esfera do pessoal, mesmo quando não se está a apontar incoerências entre as teses e a prática conhecida. Nesses casos, de manifesta hipocrisia, confesso, justifica-se a “personalização” da crítica. Mas sem o recurso à voluntária distorção dos factos ou à provocação sem argumentos (sim, e nesse caso, recuso o direito de entrada nesta casa, mas não tento eliminar ninguém do debate público como já me tentaram fazer mais de uma vez, com recurso a intimidação judicial e tudo).  Mas tenho a “sorte” de irritar mais do que de irritar-me, pelo que não devolvo nessa moeda. Casca grossa de quem não tem linhagem aristocrática ou ambição de ser cortesão do poder. Ou de ganhar um contrato de consultoria à maneira para aplicar “inovações” com décadas de poeira.

Ahhhh…. e também há umas páginas muito boas sobre as críticas dos filisteus modernos a quem ainda defende o valor, por si só e não apenas em função dos interesses dos “utentes” ou da sua relevância económica, das manifestações artísticas e culturais. Ou tão só dos livros numa biblioteca.

E Agora Todos Percebem De Eutanásia; Desta, De Outra, De Nenhuma

Até o engenheiro decidiu escrever o seu artigo, que o Expresso acolheu. Como alguém (e estou longe de ser o único) que tem uma noção razoavelmente clara do que é a realidade de viver o sofrimento alheio em fase terminal, prefiro evitar qualquer das demagogias em confronto.

Debate