Phosga-se! – Série “Professores”

Saquei os dois excertos abaixo ao mural do Ricardo Santos que retirou a identificação de quem escreveu estas pérolas.

Comecemos pela parte da arrogância, típica de quem vive num casulo em que a “inclusão” se enuncia mas não se pratica e em que as desigualdades são um mito. Não têm? Tivessem! Se não têm, é porque são uns inúteis ou desocupados.

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Mas há pior (se é possível) que é quem acha que pode exigir aos outros, mas depois nem consegue perceber como se faz a concordância entre um sujeito no singular e um predicado no plural.

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Sim, os tempos de emergência estão a fazer cair o verniz a muita gente. Há os que sinceramente acreditam em algumas coisas, mas há quem tenha apenas falhas evidentes de carácter.

E não se admirem se forem daqueles que também querem um “novo paradigma” para a carreira docente e já estejam em bicos de pés para certos cadeirões e com a gadanha na mão para fazerem uma “limpeza”.

Eu Quero Do Mesmo Que Este Senhor Tomou!

O discurso das “oportunidades” e “desafios” em quem desconhece o quotidiano escolar diário e só frequenta salas de aula do Básico ou mesmo Secundário em modelo VIPtende a deixar-me um bocado farto. O salto lógico é… um professor até pode dar aulas assim a 10.000 alunos e resolvemos tudo com aquela centena de brigadeiros que mandámos para o terreno e merecem ser recompensados.

E acreditem que el@s já andam por aí…

A oportunidade de ouro para criar as escolas do século XXI

A crise da covid-19 criou a oportunidade de ouro para darmos o salto, finalmente, para uma Educação do século XXI. Há recursos humanos disponíveis e talento suficiente no país para iniciarmos este caminho já. Mãos à obra!

Orgasm

O Triunfo Da Flexibilidade Grelhadora E Micro-Avaliadora

Dá quase sempre nisto. Falam em abordagem holística, criticam a rigidez pedagógica e o carácter redutor da avaliação e depois transformam tudo numa grelha absolutamente mirabolante (revelando ao mesmo tempo um fraco domínio do design de tabelas em word para o século XXI).

Quem elaborou isto que me perdoe (ou não)… até podem ser excelentes colegas a vários níveis, mas, numa qualquer curva do caminho, espalharam-se ao comprido na coerência, para não dizer em várias outras coisas. Sorte vossa que isto não seja avaliado por alguém com olhos de ver e conhecimentos a sério do que deve ser uma pedagogia diferenciada e individualizada.

Assim, talvez ganhem uma medalha do SE Costa e palmadinhas nas costas de um qualquer guru do pafismo educacional quando o forem visitar.

GrelhaNTA

 

Um 79 “Bem” Aproveitado

Uma colega de um agrupamento entre o pipi e o pipp foi colocada nas suas horas de redução a ler actas diversas e a fazer uma variante de análise de conteúdo para preencher uma espécie de grelhas. Será apenas impressão minha ou existem órgãos de gestão (incluindo pedagógicos) a aproveitar a liberalização do consumo de certas e determinadas substâncias?

3ª Feira

Já refeito do aumento de glicose no sangue enquanto via o PeC de ontem, fez-se-me luz no neurónio saudável e entendi que a mensagem a transmitir é “as escolas são seguras” e quem leva nas trombas (por incivilizado e “residual” que isso seja) é porque não soube flexibilizar as abordagens ou a escola não soube oferecer aos alunos o que eles desejam (aparentemente, serão aulas de Teatro) e não tem direito a indignar-se. Para além disso os professores portugueses parecem embaraçar-se por ser cultos e adoram coisas da Cidadania.

Ou seja, a mensagem foi “para fora”, para tranquilizar quem não está todos os dias nas escolas e percebi como alguns dos presentes, não intervenientes de microfone nas mãos, pareciam pacificados. Quase todos quiseram transmitir uma “boa imagem” das escolas públicas, o que é estimável, mas me parece altamente hipócrita. Não é verdade que o problema seja meramente de erupção “mediática”, pois existem assuntos muito mais suculentos, a começar pelo caminho de Sócrates para o arquivamento ou do Sporting para os lugares que lutam pela não descida de divisão ou o relvado da Luz que não deixou o Pizzi fazer aquela escorregadela pós-golo sem dar um tombo.

Valha-nos o Luís “Resíduo” Braga e alguns fogachos dispersos de quem, quando com a possibilidade de falar um ou dois minutos, desperdiçou a maior parte do tempo em demonstrações de adesão ao século XXI ou se perdeu em contradições, terminando intervenções a dizer o contrário do início (demonstrando à saciedade o burnout mental que vai por aí).

Na sequência do que escrevi ontem, o programa poderia ter sido sobre a mudança da cor das folhas no Outono que não teria tentado fugir de forma mais rápida ao tema. Nem sei se foi pena, mas, curiosamente, esperava melhor. E honra seja feita desta vez à Fátima Campos Ferreira que, apesar de querer tanto “dinamismo” que o resultado final pareceu uma manta desconexa de retalhos e purpurinas, ainda foi quem mais tentou “focar” a tertúlia.

A Ver Se Percebo…

… vão proibir a publicidade a produtos que fazem parte do que é fornecido à generalidade dos alunos do 1º ciclo pelas escolas e muitos outros que só mesmo um fundamentalismo desenfreado pode considerar nocivos para a saúde como seja o leite simples (ver categoria 5 da tabela adiante)? A tabela oficial é um completo delírio (mas com chancela internacional de prestígio na OMS) e não se percebe exactamente se o problema é a saúde física ou mental que está em causa.

Ainda alguém se lembra desta fabulosa campanha?

 

E Há Aquela Altura Em Que Se Entra Em Delírio Megalomaníaco

Ministério da Educação quer criar rede mundial de “escolas magalhânicas”

(…)

Durante a apresentação hoje em Vila Real das iniciativas da Educação no âmbito do programa das comemorações do V centenário da primeira viagem comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães, o secretário de Estado da Educação, João Costa, disse que se pretende promover o estudo, a partilha de conhecimento sobre a circum-navegação, o intercâmbio, a cidadania e a multiculturalidade.

Até 2022, vai ser realizado “um conjunto alargado” de iniciativas que juntam as escolas do ensino regular, do ensino profissional e artístico e as bibliotecas escolares.

O desafio é, segundo João Costa, criar “uma rede de escolas a nível mundial nas cidades tocadas na viagem de circum-navegação”.

E depois lembrei-me…

 

O Beco Da Cidadania

A criação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é daquelas medidas que parece muito béééém às pessoas muito béééém, muito dentro do seu tempo e da construção dum século XXI fraterno, solidário e humanista, que acham que a sua visão do mundo e da democracia é a única válida, por muito que seja completamente distópica.

No enquadramento oficial da disciplina pode ler-se que:

Visando a construção sólida da formação humanística dos alunos, para que assumam a sua cidadania garantindo o respeito pelos valores democráticos básicos e pelos direitos humanos, tanto a nível individual como social, a educação constitui-se como uma ferramenta vital. Deste modo, na Cidadania e Desenvolvimento (CD) os professores têm como missão preparar os alunos para a vida, para serem cidadãos democráticos, participativos e humanistas, numa época de diversidade social e cultural crescente, no sentido de promover a tolerância e a não discriminação, bem como de suprimir os radicalismos violentos.

Se bem percebem, a disciplina é uma “missão” dos professores (nos nossos tempos há que relembrar que o uso do masculino é redutor, em especial numa profissão tão feminina, mas quem escreveu isto não deve ter ido a nenhuma formação com aquele miúdo tããão esperto do Bloco sobre igualdade de géneros e bonés), mas é de uma grande ambição em relação aos alunos.

O primeiro problema é que, embora prevendo a avaliação da “componente CD”, conforme se pode ler no mesmo documento, não terá ocorrido ao legislador e aos seus operacionalizadores teóricos que a mesma entra nas contas para a retenção/transição dos alunos.

A avaliação interna das aprendizagens no âmbito da componente de CD, à semelhança das restantes disciplinas, é da responsabilidade dos professores e dos órgãos de administração e gestão, de coordenação e supervisão pedagógica da escola, a quem competirá os procedimentos adequados a cada um dos modos de organização e funcionamento da referida componente.
Tendo em conta as características desta componente, a avaliação deverá ter lugar de forma contínua e sistemática, adaptada aos avaliados, às atividades e aos contextos em que ocorre. Assim, as formas de recolha de informação deverão ser diversificadas e devem ser utilizadas diferentes técnicas e instrumentos de avaliação, valorizando o desenvolvimento das atividades.

O segundo problema é que tão doutos legisladores e teorizadores apenas ignoraram que a natureza humana, em particular a rebeldia natural e tão apreciada nos jovens (com destaque para os delegados do Bloco desde os 15 anos), faz com que a “componente CD” nem sempre tenha sido verdadeiramente entendida, em especial quando servida em 45 minutos semanais ou 90 (se for em fatia semestral), confundindo-se com a velha “Educação para a Cidadania” ou “Formação Cívica” que tinha nota mas sem efeitos na transição. E, por muito “humanistas” que @s professor@s sejam, não conseguem em 10 aulas num período, alterar uma situação que, em algumas turmas, é de absoluta descontracção e total desinteresse por nacos de prosa como o seguinte:

A componente de Cidadania e Desenvolvimento visa contribuir para o desenvolvimento de atitudes e comportamentos, de diálogo e no respeito pelos outros, alicerçando modos de estar em sociedade que tenham como referência os direitos humanos, nomeadamente os valores da igualdade, da democracia e da justiça social.

Consequências:

  • Ou a “componente CD” deixa de ter classificação a contar para a transição e consta-me que já há por aí emissários de tão ditosa nova.
  • Ou a pressão para garantirem sucesso por portaria/despacho/nota informativa será brutal sobre @s professor@s da “componente” e serão fustigad@s até entrarem no verdadeiro espírito da coisa tod@s aquel@s que revelarem excesso de autonomia e escassez da flexibilidade adequada.

Vamos a uma aposta?

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Sou Mesmo Bruxo!

Eis o projecto do próximo mandato da geringonça. O PS não adere já apenas por achar que o assunto ainda não está maduro, mas é só achar que o povo já engole tudo.

Bloco vai propor fim dos exames do 9.º ano

Deputada Joana Mortágua fez o anúncio durante o debate das recomendações do CDS e do PCP para que o Governo estude a reorganização dos vários ciclos de ensino, desde o básico ao secundário. O PS alega que o assunto não está no programa de Governo.

Já o tinha previsto esta semana e enviei ontem um texto para sair daqui a dois sábados sobre rankings e transparência em que falo disto mesmo. Prepara-se o fim de tudo que permita uma avaliação externa do desempenho dos alunos e das escolas no Ensino Básico, num salto espectacular para o passado, directamente para meados dos anos 90, a época dourada de alguns. Que não percebem que, mesmo sem aquela obsessão do “século XXI” os tempos mudaram e medidas destas só servem para retirar credibilidade à tão amada Escola Pública. Ficarão as provas de aferição que, vamos lá ser sinceros, só têm servido para alguns reclamarem mais horas no currículo do 1º ciclo.

zandinga