Pura Demagogia

Com a conivência de Daniel Oliveira, que sabe tudo sobre Educação, menos fazer as perguntas certas no momento oportuno. João Costa tem mais de uma hora para se espraiar, começando por atribuir a saída de 30.000 professores ao “memorado de entendimento” com a troika que, segundo ele, obrigava a despedir professores. Estive a relê-lo e não encontrei essa referência explícita na secção relativa á Educação, mas há algumas coisas inegáveis: 1) o número total de professores diminuiu bastante, mas principalmente com a redução de contratados (as aposentações andaram pelas 10.000 entre 2012 e 2015; 2) Já em 2018 o Arlindo apresentava a projecção das aposentações até 2023 e sucederam-se avisos acerca disso; 3) o ministro Costa tem uma relação complicada com os factos que não encaixam da “narrativa” auto-desculpabilizadora.

Depois diz que andou a vincular “mais do que os que seriam necessários”, mas a verdade é que em 2021 o número de docentes é igual ao de 2013. Claro que fala na proeza do descongelamento, sem falar em quem procedeu ao congelamento.

Depois, o Daniel Oliveira deixa passar em claro o discurso do “estamos melhor do que as previsões”, “lá fora é pior” ou que que foi João Costa a inventar a recondução dos contratados. Seguiu-se a questão das habilitações, em que se nota a habilidade do ministro em dar a volta ao assunto, repetindo chavões e dizendo que “sempre tivemos professores com habilitação própria”, como na conferência de imprensa disse que “sempre começámos os anos lectivos com falta de professores”.

Ali, pelos 26-27 minutos’, João Costa entra completamente em roda livre com o elogio de ele e os filhos serem “filhos da escola pública” e de nunca, agora ou antes ter feito qualquer declaração (afirma mesmo “frase”) de “menorização” ou “desvalorização”! dos professores. Foi quando me lembrei da parte em que mais do que insinuou que os professores recorrem a baixas fraudulentas e atestados falsos para obterem mobilidade e desisti de ouvir mais.

De acordo com o ministro da Educação, João Costa, os pedidos passaram de 128 para 8818 numa década. Trata-se um crescimento entre 15 a 20% por ano, havendo casos em que os docentes se deslocaram para uma escola “na mesma rua”. 

De acordo com o governante, trata-se de “uma média apenas ligeiramente superior ao resto da administração publica”, mas com “uma distribuição assimétrica ao longo do ano letivo”. Há “casos de mais difícil substituição”, com “dificuldades induzidas pela suspensão e retoma de baixas com apenas um dia de intervalo”.

Segundo João Costa, os professores que mudaram de escola por motivos de doença passaram de 128 para quase nove mil numa década, havendo casos em que se deslocaram para um edifício na mesma rua.

(…)

O ministro lembrou ainda que cerca de 10% dos professores em mobilidade por doença acabou por fazer “deslocações entre escolas do mesmo concelho, por vezes na mesma rua”.

“Acresce ainda a necessidade de verificar situações de baixa médica que suscitam dúvidas pela sua duração e/ou momentos em que se iniciam e terminam”, explicou o gabinete do Ministério da Educação.

A propósito desse tema, o Ministério da Educação já tinha anunciado há cerca de um mês que seriam constituídas 7.500 juntas médicas para verificar situações de professores em baixa médica que “suscitam dúvidas”.

“Estamos na fase de adjudicação”, disse hoje João Costa, que esclareceu que o objetivo é avaliar padrões irregulares nos pedidos de baixa, casos que, segundo o ministro, criam “muita instabilidade na escola” e prejudicam os professores em regime de substituição.

Se insinuar que os professores apresentam atestados falsos, que os próprios não elaboram, não é “menorizar” é porque é coisa pior. quanto aos “padrões irregulares” de certas baixas, eu até explicaria porque as pessoas voltam e tornam a partir um ou dois dias depois, mas o ministro sabe porquê (ou devia saber) e se os professores substitutos não podem ficar nas escolas, a responsabilidade é das regras impostas pela tutela.

Mas não vale a pena… a sonsice é já um traço permanente na retórica deste governante, alinhando com o seu primeiro homónimo.

Quanto ao Daniel Oliveira, o modelo podcast sempre evita que vejamos aquele gesticular com que dá a entender que aquilo que diz é mais do que uma verdade, é a única possível.

Primeiro, Vieram Com As Aprendizagens “Essenciais”…

… agora querem impingir as habilitações “mínimas” para se dar aulas, nomeadamente de disciplinas como Português, porque pouco se precisa saber para ensinar quase nada e entreter a miudagem até ao 9º ano e quem diz 9º ano até pode dizer 12º.

O ministro Costa irá levar, se assim o deixarem, este mandato a ser o coveiro da Educação Pública, com a complacência de muita gente. Ao ministro Costa, tão amante da Educação, dos alunos, dos professores e das “aprendizagens” e de tudo não incomoda quase nada na sua missão de terraplanagem dos “saberes enciclopédicos”. Mete os pés pelas mãos, atira propostas ao ar e depois manda esclarecer que o flato que que cheirou mal não foi ele que deu. e não há nada como ler que Título e notícia alterados na sequência de esclarecimentos do Ministério da Educação, sendo que nada de verdadeiramente significativo foi esclarecido, a não ser que que se manda dizer que o patamar é o “mínimo”, como se isso não significasse, como no caso das aprendizagens “essenciais”, que o objectivo é que seja a norma. Que não arrepiará, por certo, aquel@s director@s com ligação privilegiada ao governante, que tanto clamam por “olhares novos” sobre o recrutamento dos docentes, ao mesmo tempo que querem apagar a existência de rankings que revelem que andam a vender pardal por perdiz.

Parecendo que não, tudo isto está ligado, porque a rede da mediocridade está já fortemente instalada nos circuitos dos poderes centrais e locais e em processo de acelerada sedimentação.

Domingo

Alimentam-se ilusões em nome da “inclusão”, da “equidade”, quiçá da “democracia”. Abrem-se mais vagas no Ensino Superior, mas cada vez desistem mais alunos logo no primeiro ano. A solução não passa por serem as Universidades a escolherem os seus alunos porque isso apenas iria aumentar a já evidente desigualdade que existe entre as instituições (poderia falar de “prestígio”, mas agora esses conceitos estão sob ataque do politicamente correcto, a par do “mérito” ou mesmo “talento”). Passa por preparar melhor os alunos para o que os espera num Ensino Superior que não se torne o 5º ciclo do Ensino Básico, agora que o Secundário já se vai transformando no 4º ciclo do direito ao sucesso a qualquer preço. A “democratização” do Ensino Superior, tão falada nos últimos 50-60 anos, não passa por dar acesso a todos, mas sem que eles tenham as condições, sejam as prévias de preparação académica, sejam as contínuas, de desafogo económico. Passa exactamente por assegurar tais condições, em vez de optar pela demagogia populista de prometer tudo a todos, sabendo-se que isso não será possível. Isso é que conduz a situações de frustração pessoal e alheamento social ou político. Porque tudo aquilo que andaram a ler no Sandel sobre a quebra das expectativas (que ele atribui ao modelo meritocrático) aplica-se que nem uma luva ao sistema da promessa da cucanha inexistente, em especial quando se baseia na falta de informação adequada sobre o que está em jogo.

.Afirmar isto não é qualquer tipo de elitismo ou arrogância – isso deixo a quem exibe pergaminhos familiares, sociais e culturais de que não disponho – mas apenas constatar que não é possível garantir sucesso num Ensino Superior que cada vez está mais afastado do que se passa no Secundário e, com toda a sinceridade, nem sequer tem interesse nisso, em particular nas instituições que apostam em outros “mercados” de alunos, dentro ou fora do país.

A Mim Chegavam-me Uns Estores E Vidros Duplos Nas Janelas Viradas A Sul E Uns Aquecedores No Inverno Nas Salas Viradas A Norte E Poente

Por outro lado, percebo que para a Parque Escolar os 20.000 euros para obras por escola, a transferir para as autarquias, saiba a muito pouco.

Portugal vai ajudar na reconstrução de escolas na região ucraniana de Jitomir, a cerca de 150 quilómetros de Kyiv, anunciou hoje o ministro da Educação, João Costa.

(…)

“Neste momento há um trabalho muito intenso, entre a Parque Escolar e as autoridades, para toda a definição técnica. Só quando percebermos a tipologia de construção, qual o modelo de contratação é que poderemos começar a desenhar um calendário concreto de intervenção”, adiantou João Costa.

O Ângulo Certo

O presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática chega muito perto do essencial quando afirma, acerca de mais uma mudança no programa de Matemática, neste caso no Secundário e com a novidade de passar a contemplar-se “programação” nos conteúdos, que “o problema é que tudo se resume à receita do costume: refundar programas do zero, não se sabe para quê nem porquê, mas rapidamente, muito rapidamente, cortina de fumo para esconder todos os outros problemas”.

João Araújo explica com alguma pontaria parte das questões (do interesse em introduzir programação no currículo desde cedo até à alegada extensão do programa anterior), só não estabelecendo de forma bem clara e sem receios a seguinte conjugação de factores que explica este tipo de opção, na lógica da demagogia costista na Educação:

  • Não há sequer professores para ocupar todos os lugares disponíveis para leccionar TIC no Ensino Básico, andando as escolas a recrutar praticamente qualquer pessoa com uma disciplina de Informática no currículo do seu curso.
  • Por isso, é inútil pensar que se arranjará pessoal para expandir a disciplina de Aplicações Informáticas no Secundário, adaptando-a – como seria desejável – às várias áreas do currículo, das Letras às Ciências.
  • Ao mesmo tempo, a Matemática é aquela habitual dor de cabeça (no Báscio ao Secundário) em termos de resultados, sendo recorrente as queixas de isso se dever à extensão dos conteúdos do programa, escondendo-se que o que está em causa é o tempo para os leccionar de forma conveniente.
  • Logo… nada como cortar conteúdos “tradicionais”, daqueles mais chatos e “trabalhosos” (para usar um termo a que muito recorreram os inquiridos este ano sobre quase todos os exames), e incorporar lá pelo meio a parte da programação, colocando professores de Matemática a dar uma coisa que para os distraídos (e alguns ignorantes) pode parecer próxima da Matemática, mas não é, e até pode propiciar estatísticas de maior “sucesso”.
  • E assim se finge uma Educação Digital sem professores de Informática e se combate a extensão do programa e o insucesso na disciplina de Matemática. Dois em um para a Educação Inclusiva de Sucesso e para o Currículo para o Século XXI.

A lógica da “Matemática para Todos” passa por considerar como “Matemática” qualquer coisa vagamente nas suas fronteiras (distantes). Por exemplo, no caso da História, seria o equivalente a retirar conteúdos mais complexos e “trabalhosos” e passar a contemplar matérias – numa lógica de aproximação do currículo à “realidade local” – como o jogo do pau, a renda de bilros ou as largadas (do Ribatejo a Barrancos, passando aqui pela minha zona) e chamar-lhe “Culturas Locais” no contexto de uma “História para Todos”.

Se juntarmos a isto, a sistemática crítica aos exames do Secundário e o simulacro de debate em torno de novas formas de de acesso ao Ensino Superior, ficamos com um quadro mais próximo do que se pretende com esta “modernização” do programa da Matemática. Basta ver as coisas pelo ângulo certo. A APM aplaude, como sempre, nestas circunstâncias.

Mas Que Raio Quer Dizer Isto?

“A Matemática que se ensina tem de ser para todos”

Eu li a entrevista, sei a resposta da entrevistada (basicamente é a mesma há décadas, pelo que a coerência dá um ponto de crédito contra os dois negativos do imobilismo conceptual), mas o chavão demagógico sempre me deu uma certa urticária.

A conclusão óbvia é acabar-se com os exames, para depois parecer que “todos” aprenderam.

Sempre defendemos que a certificação e a avaliação final do ensino secundário, para alunos que são avaliados durante três anos pelos seus professores, não deve depender de uma prova de duas horas, com todos os constrangimentos que conhecemos aos exames. A aferição do sistema para garantir uma maior equidade entre os diferentes actores e momentos do processo avaliativo pode ser feita de outras maneiras.

Não se trata apenas da “aferição do sistema”, mas mesmo da regulação externa do porreirismo natural de uns que acabam por lixar quem leva as coisas menos na base tu “tásssse!”.

A Partir de 2023 Já É Possível Reescrever A História

Ainda bem para os pensionistas. Que pena, que a mesma lógica não se aplique a outras situações. E depois os outros é que são “populistas”. Isto sim, é populismo desenfreado e sem travoes.

Primeiro-ministro garante “aumento histórico de pensões” em 2023 sem descurar prudência orçamental

O “Contágio Zero” Nunca Existiu

Este texto foi originalmente enviado para o Público há mais de uma semana. Como a espera se ia alongando e a actualidade mudando, preferi que fosse cancelada a publicação em vez de estar em marinada até não fazer sentido (a sugestão de que não valia a pena ficar mais dias na fila foi minha, não se trata de nada como na SICN, na 2ª feira, em que percebi claramente que me cortaram o pio, a sangue frio). E deste modo posso colocar a versão relativamente mais longa, não editada para caber nas medidas do espaço em papel e com uma frase adicional em relação ao original. É mais um daqueles textos que não me vai trazer grandes amizades, pelo que assim até fica com circulação mais limitada.

Nesta espécie de desconversa de surdos entre os que encaram a pandemia como uma realidade que deve ser combatida com os meios ao nosso dispor, do simples bom senso aos últimos avanços científicos e aqueles que a consideram um mero acidente de percurso, sem especial gravidade, muito empolamento mediático e aproveitamento político e comercial, estou do lado dos primeiros, mesmo se tenho poucas certezas estabelecidas.

No que se pode chamar a “gestão política da pandemia” existiram vários erros óbvios, uns nascidos do desconhecimento e ignorância, outros de um voluntarismo excessivo e alguns de evidente oportunismo mistificador. Não sendo especialista em Saúde, deixo as questões mais técnicas desta área para quem a função (e dever) de informar do modo mais completo possível a opinião pública, sem ceder demasiado aos interesses particulares ou a crenças ideológicas mais arreigadas. Mesmo se isso nem sempre se tem revelado muito viável, com muita gente mais preocupada em defender uma posição individual ou de grupo definida a priori do que em entrar em qualquer debate a sério.

Prefiro centrar-me nas questões relativas à área da Educação que foi a que, depois da Saúde, maior polémica despertou, nem sempre pelos motivos mais razoáveis. Nesta área notaram-se ainda mais as clivagens ideológicas e a irredutibilidade de preconceitos sem qualquer margem para ouvir a argumentação das partes em confronto e mudar as posições assumidas como as únicas aceitáveis. O encerramento das escolas chegou a parecer a questão central de toda a pandemia, com a discussão a ganhar tons de algum delírio e muitas acusações descabidas à mistura.

Interessa-me aqui revisitar o que desde o início me pareceu ser o argumento mais falacioso dos que defenderam o funcionamento das escolas, não interessa como, de governantes a opinadores mediáticos. O que se apresentou como fundamento mais forte para não encerrar as escolas foi o do pseudo “contágio zero” que nelas se conseguiria manter. De acordo com esta tese, defendida pelo ministro que já foi cientista e muita gente que deve ter falhado as disciplinas de Ciências no Básico e Secundário, nas escolas as crianças não seriam afectadas pela propagação do vírus e, mesmo que fossem atingidas, os sintomas nas idades mais jovens são escassos e os riscos de letalidade muito residuais, pelo que não se justificava que as escolas fechassem.

Não sendo o fecho das escolas e o indesejado regresso ao ensino não-presencial o que em tudo isto mais me incomoda, já me perturba a falácia criada e mantida de um mítico “contágio zero” que qualquer lógica mínima teria dificuldade em defender. Porque nem alguma vez houve “contágio zero” – e quem tem estado nas escolas sabe isso mesmo – nem era essa a questão fundamental. Porque o objectivo era quebrar cadeias de transmissão que podiam vir do exterior da escola e nenhuma “bolha” garantia que as escolas fossem oásis em tempos de pandemia, por muito que se tenha feito nesse sentido.

Com a população adulta por vacinar era importante que as crianças e jovens, que pouco padeceriam com a covid, não funcionassem como agentes transmissores. O que foi intensamente negado, com recurso a estatísticas sobre a incidência da doença. Só que, com os adultos vacinados percebeu-se que, com um caminho dificultado, o vírus passou a atingir de modo mais intenso a população jovem não vacinada. E de novo se ouviram as teses de que a vacinação é desnecessária (e mesmo perigosa), não devendo os mais jovens ter de se sacrificar em defesa dos mais velhos, a quem já se percebeu que as vacinas apenas dão uma defesa parcial. Porque são raras as crianças que morrem e que os casos graves ocorrem apenas quando existem factores de risco acrescido. E regressamos a uma variante da tese do “contágio zero”, mesmo quando já se sabe que isso é falso, mesmo entre os que se dizem “pela verdade”. Reabrir as escolas em todos os níveis de ensino está longe de ser sensato, como já foi sublinhado por diversos especialistas de que podemos gostar mais ou menos.

Só que a “verdade” é outra e passa por um dos lados não querer que as escolas fechem por inconveniências particulares e inclinações ideológicas e do outro porque seria impopular em tempos pré-eleitorais e porque continua por preparar uma demagógica “transição digital” na Educação. Por isso, podemos esperar por tudo, menos por decisões baseadas numa análise vagamente objectiva dos dados disponíveis, sendo muito mais práticos e fáceis (populistas) os chavões como o do “contágio zero”.

O Ovo E A Galinha

Qual apareceu primeiro? Um aluno meu de 5º ano respondeu, de forma muito acertada, que foi obviamente o ovo, pois já existiam ovos antes das galinhas, como se pode verificar por espécies como os dinossáurios.

Por cá, continuam a acusar-se os rankings de males imensos para a Educação, confundindo-se o retrato com a causa das coisas. PArece que seria melhor não se saber de nada. Dá origem a prosas e retóricas inflamadas, colhendo-se aplausos a esmo, mas não passa de demagogia e populismo ou, pior, de ocultação das razões profundas de alguns aspectos do “declínio” da Educação. Foram os rankings que deram cabo do currículo, reduziram os programas de várias disciplinas a esqueletos, alteraram regras da avaliação, desresponsabilizaram a indisciplina, aplainaram a carreira docente ou decretaram este modelo de gestão escolar?

Parece que sim para quem lava a alma e se purifica em público ao diabolizar os rankings, apagando tudo o resto por estes dias. Lamento, mas acho sempre curiosa a denúncia do maniqueísmo com base em argumentos maniqueístas.

Já sabemos que os rankings dão uma visão redutora da realidade escolar. A inexistência deles dá uma visão melhor ou dá visão nenhuma? Ou apenas a visão da propaganda oficial?

A Redescoberta Da Roda Quadrada

A OCDE descobriu que os alunos têm dificuldade em distinguir factos de opiniões na Internet e o ME acrescenta que são preocupantes os problemas resultantes da dificuldade em compreenderem o que lêem. Que constatações extraordinárias e inesperadas, só ao alcance de estudos internacionais. Claro que nestas ocasiões aparece logo o SE Costa (tão parco em intervenções em outras matérias menos demagógicas) a debitar chavões e verborreia variada, em alegre troca de preconceitos com o seu grande amigo Schleicher.

Entre os dois, espremendo bem, ainda se ficará a saber, quase por certo, que tudo isto resulta dos efeitos da pandemia (mesmo que o estudo seja anterior) e que tudo se resolve recuperando aprendizagens e formando os professores para ensinarem os alunos o que deveriam saber e foi culpa dos professores não terem ensinado, apesar dos alunos terem dito que ensinaram. E lá aparecem as “aprendizagens essenciais” como salvadoras do gosto pela leitura, quando a cada ano que passa o espartilho das obras a analisar nas aulas é maior. Quando o ensino da língua faz, em muitas passagens das tais “aprendizagens”, lembrar uma checklist de tipo administrativo.

Não tenho paciência para isto. Mandem-me costinhas, arianinhas e tiaguinhos da nova geração que aceitem dar aulas sem pensar, que não há mais pachorra para este nível de patacoada propagandística sem substância de quem confunde as suas opiniões com factos.