Importa-se de Repetir?

Há gente que de tanto se esforçar em agradar ao chefe, faz figuras muito tristemente apressadas. Foi a 3 de Junho, quando acreditavam em “milagres” (que não aconteceram por terem fechado “postigos”).

Daqui a uma semana os portugueses comemorarão o Dia de Portugal. Tal como em outros períodos da nossa longa historia, há fortes motivos de orgulho nos portugueses”, sustentou Joana Sá Pereira. 

Segundo a deputada do PS, na resposta à pandemia de covid-19, por parte do Governo, não houve sorte.

“O vírus teve, eu diria, talvez o azar de encontrar pela frente um povo experimentado e um Governo capaz”, contrapôs. 

Estou Cansado De Delírios

Estou cansado destes discursos “positivos”, desta tentativa de transmitir “confiança”, de revelar “esperança”, de suspirar por excelentes para quem mais amochar perante os interesses políticos governamentais.

Escolas garantem que estão a postos se for preciso continuar o ensino à distância

É mentira que as escolas estejam “preparadas” se isso quer dizer que estão em melhores condições do que em Março, porque não estão. Há a experiência do que se passou (e já se percebeu que foi um fiasco em termos globais, com estas ou aquelas excepções) e a chegada de um número insuficiente de kits tecnológicos para os alunos. Mais nada se fez,para além dos bastidores do Plano de Capacitação Digital dos Docentes.

Se passarmos de novo ao ensino não-presencial (o que seria da mais elementar prudência) quase tudo será igual ao que foi e só poderá funcionar se os professores usarem de novo os seus recursos, porque nada – NADA – chegou à generalidade das escolas para que a partir delas se faça algo de diferente. Aqui em casa conhecem-se três realidades distintas, mas que confluem no essencial: foram 10 meses em que a incompetência do ME foi por demais evidente, pois só sabem falar, falar, falar e debitar chavões ou parvoeiras (o caso dos “cornudos” do ministro Tiago é apenas o exemplo mais deplorável) sem que as medidas necessárias tenham surgido.

Há escolas onde @sdirector@s conseguiram alguns avanços? Há. Mas a generalidade dos Planos de Contingência vai muito além de explicar a diferença entre ensino presencial, misto ou não-presencial no caso de ser necessário alternar entre modelos? Muito poucos, esmo se são muito explicadinhos sobre condutas a adoptar e circuitos a seguir, no caso do ensino presencial.

Foram redefinidos critérios de avaliação pelos Conselhos Pedagógicos para a eventualidade de ter de alterar a forma de avaliação? Os Conselhos Gerais foram consultados em nome das comunidades educativas? Talvez, mas duvido que isso tenha acontecido na maioria dos casos. Basta consultar a documentação que está publicada nos sites das escolas e agrupamentos. Basta passar uns minutos pelo Google.

Claro que a norma tem excepções; não nego que há onde tudo esteja previsto. Mas garantir que as escolas estão preparadas para um novo E@D é risível. A menos que seja em forma de encenação como há 10 meses, apesar de toda a boa vontade que possamos ter. E que a mim cada vez mais escasseia, porque me pedem uma dedicação e competência de que quem tem responsabilidades de decisão superior não dá qualquer exemplo.

Tempos Estranhos

Os defensores da Verdade absoluta a tornarem-se relativistas e os arautos da tolerância a revelarem a maior das intolerâncias.

Quando os tempos ficam difíceis, o verniz estala e percebe-se que há muito poucas verdadeiras diferenças entre as cliques em disputa. Apenas interesses e estratégias divergentes para manter os poderes.

Demagogia À Solta

Já depois da meia-noite, na RTP 3, apareceu a notícia de que o senhor da EPIS (o entusiasmado com a “oportunidade” criada pela pandemia para fazer avançar a Educação da Nação) tinha ido à Escola Secundária Braamcamp Freire, na Pontinha, entregar 2 (dois) computadores a alunos carenciados daquele agrupamento para que pudessem seguir as aulas à distância.

Na peça, o director do Agrupamento, com um ar meio embaraçado e de quem tinha sido “convidado” a fazer aquele papel, dizia que tinha 2900 alunos, 500 dos quais sem equipamentos para acompanharem o ensino à distância. Mas pronto… o senhor da EPIS, em nome dos “empresários pela inclusão social”, estava ali a dar 2 (dois) computadores a dois alunos escolhidos a dedo, obrigados a ir à escola em altura em que a dita deveria estar fechada, com direito a reportagem televisiva, numa modalidade de demagogia que roça a obscenidade propagandística.

Hoje de manhã, já estava na SICN a anunciar que vão dar não sei quantos computadores a alunos  restando saber se os vão obrigar também a desrespeitar as regras do confinamento social para que as televisões possam gravar a coisa sem terem de ir a bairros mais complicados e menos fotogénicos.

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(no site oficial da EPIS dizem que estão a acompanhar 4379 alunos e que estão prontos a gastar 370 euros no máximo por aluno, o que daria, no máximo dos máximos, 1,6 M€, o equivalentea pouco mais de 60% do salário anual de um qualquer mexia)

Eu Quero Do Mesmo Que Este Senhor Tomou!

O discurso das “oportunidades” e “desafios” em quem desconhece o quotidiano escolar diário e só frequenta salas de aula do Básico ou mesmo Secundário em modelo VIPtende a deixar-me um bocado farto. O salto lógico é… um professor até pode dar aulas assim a 10.000 alunos e resolvemos tudo com aquela centena de brigadeiros que mandámos para o terreno e merecem ser recompensados.

E acreditem que el@s já andam por aí…

A oportunidade de ouro para criar as escolas do século XXI

A crise da covid-19 criou a oportunidade de ouro para darmos o salto, finalmente, para uma Educação do século XXI. Há recursos humanos disponíveis e talento suficiente no país para iniciarmos este caminho já. Mãos à obra!

Orgasm

Nem Sempre Gostamos Do Que Os Espelhos Reflectem

Há um discurso anti-redes sociais com uma fortíssima componente demagógica e uma muito pouco menor de hipocrisia. E não falo apenas de ser gente que lá passa muito mais tempo do que eu a dizer mal do que lá se passa. É mais daquele género de postura “ética” a dizer que as redes sociais são uma espécie de antro do pior que existe na natureza humana e nisto incluo pessoas que até estimo bastante à distância, mas que me parecem desligadas da vida do país e que confundem o seu casulo particular com a Humanidade em geral. Ou então também não frequentam, por pouco que seja, cafés ou outros espaços públicos de convívio, o que inclui filas nos postos de correios, serviços públicos ou supermercados. A única diferença é, no essencial, a impossibilidade de se verem memes a partir do que as pessoas dizem, embora eu consiga vê-los nas suas caras.

Sim, há muita estupidez nas redes sociais, porque também há muita estupidez à solta por aí, mas, curiosamente, não foi nelas que nasceu a falsa notícia da primeira morte por covid-19 em Portugal. Foi num canal alegadamente noticioso e nem sequer a tão criticada CMTV. Assim como foram canais noticiosos tidos por fidedignos que multiplicaram a notícia de um inexistente estado de coma do escritor Luís Sepúlveda.

Claro… há as palermices em torno do mau uso de lixívias ou vinagre para matar o vírus ou tantas outras coisas da ordem das velhas mézinhas de outros tempos (poderia contar-vos uma de uma avó minha para resolver a obstipação que envolvia um talo de couve e… bem, fiquemos por aqui, restando dizer que só a ideia da concretização me faria ficar curado de qualquer pandemia). Mas não me parece que sejam coisas específicas das redes sociais, as quais são feitas do que as pessoas lá colocam.

As redes sociais são um espelho dos seus utilizadores, gente com banda larga, smartphone e nem sempre com apenas o 4º ou 6º ano de habilitações. Por observação directa, garanto que há gente bem certificada e mesmo com posições relevantes na sociedade que propaga mentiras de forma consciente em plataformas de que depois diz mal em conversas “inteligentes”. Nos últimos dias, foi um rodopio de candidatos a spin doctors ou a spinners, já não sei. E as ânsias censórias partem de muitas direcções, baseando-se tanto na ignorância como na sapiência mais sapiente. Num caso, ainda podemos explicar as coisas pela falta de (in)formação; mas no outro, apenas pela falta de carácter ou, hipótese muito válida, por ser muito incómodo o retrato/reflexo que as redes sociais fazem do que a sociedade é, pós-moderna no verniz, mas tacanha ali logo uns milímetros abaixo.

espelho

E Agora Todos Percebem De Eutanásia; Desta, De Outra, De Nenhuma

Até o engenheiro decidiu escrever o seu artigo, que o Expresso acolheu. Como alguém (e estou longe de ser o único) que tem uma noção razoavelmente clara do que é a realidade de viver o sofrimento alheio em fase terminal, prefiro evitar qualquer das demagogias em confronto.

Debate