@s Senhor@s Deputad@s Andam Muito Cansadit@s E Fart@s De Aturar Os Cidadãos Que Representam

Passam a ser necessárias mais assinaturas para levar um assunto a ser discutido no plenário do Parlamento do que para formar um partido. Os minutos que passei online, entre a discussão de petições na Comissão de Educação há umas semanas deu para perceber o fastio que aquele pessoal tem a cidadãos que tenham iniciativas e coisas assim. Queixam-se do burburinho e eventual má educação, mas o exemplo que dão está muito longe de ser o melhor.

Querem ser respeitados? Não se armem em engomadinhos muito sensíveis, mal se apanham com o rabo sentado e instalado. Mesmo que isso seja mal comum aos rabos sentados e instalados deste país. No Parlamento ou por aí.

manguito

Como Responder Com Classe A Bestas

Apenas com a força da Razão. Bastando repetir o que foi dito (ou feito) por quem depois se “desculpa” de forma falacciosa (por estar casado há 45 anos e ter 2 filhas não poderia ter dito o que disse). Ocasio-Cortez desmonta muito bem a alegada “decência” desta malta, mesmo se há mesmo muita gente que se distingue pouco do congressista Yoho que pede “desculpa”, dizendo que não fez nada de mal.

Uma Natural E Esperada Vítima Da Pandemia…

… foi o último resquiciozinho de democracia participativa em muitas escolas. Com a desculpa da emergência, a preparação do próximo ano lectivo foi feita sem qualquer tipo de colaboração a partir das “bases” ou com qualquer verdadeira verificação “exterior” aos grupos muito fechados e iluminados que tudo quiseram que ficasse a seu cargo. Mas, como o exemplo vem de cima, tudo o que possa correr menos bem a partir de Setembro será responsabilidade de quem não soube “operacionalizar” as brilhantes instruções superiores. Eu sei que isto já era assim em muitos lados, mas agora as excepções são ainda mais excepcionais.

Com mais ou menos conversa de afectos e abnegações, o modelo napoleónico impôs-se. MLR rejubila em seu gabinete de reitora, pois conseguiu que a tal “elite” dirigente, separada dos zecos, se tornasse a norma. Mas a detestada História ensina que todas as derivas totalitárias têm o seu fim à espera.

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A Ler

 

The World Is Experiencing a New Form of Autocracy

Today’s authoritarians use legal measures to subvert constitutional constraints on their power.

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(já agora, na reportagem da SICN sobre, entre outros assuntos, os desmandos de uma chefe de divisão que tem andado aqui pela margem sul, apareceu o sociólogo Rui Brites a explicar de forma muito simples porque os poderes adoram rodear-se de idiotas, que os não contestam e até funcionam como guarda pretoriana… acontece da escala global à local)

Meu Caro Filinto, Andas A Ver O Filme Quase Às Avessas

Como o título da prosa remete, de forma que me parece evidente (mesmo se há um outro principal visado no texto), para um texto meu publicado há menos de duas semanas, gostaria de fazer alguns reparos sobre o que fica escrito, pois me parece que quem anda a abrir a porta à intromissão de não-professores nas escolas é quem está a aceitar sem grande resistência a “descentralização de competências” que coloca a direcção dos agrupamentos e escolas na dependência directa das autarquias, para além da já existente em relação ao ME.

Claro que falo por mim, que há muitos anos (vai para uma dúzia e o Filinto sabe bem o que eu disse num congresso da andaep) estou contra este modelo de gestão e defendo o regresso à possibilidade – repare-se que é a mera possibilidade – de existir uma direcção colegial e eleita como equipa por toda a comunidade escolar. O Filinto sabe que eu conheço o modelo, pois estive a presidir a um Conselho Geral durante meia dúzia de anos, até achar que a reforma a partir de dentro se vai tornando praticamente impossível.

Vamos lá então ler partes da argumentação do colega director Filinto Lima, que aprecio pessoalmente, mas a quem já disse sem filtros ou intermediários que ele e tantos outros deveriam ter a coragem de voltar a dar aulas. Escreve ele:

Queremos ter nas escolas uma administração e gestão por nomeação política? Queremos ter gestores como diretores nas nossas escolas sem experiência de docência? Eis algumas das questões essenciais e às quais urge dar respostas ponderadas e justas.

Não, não queremos, mas quem é que está, na prática, a deixar cristalizar uma situação em que @s director@s cada vez estão mais distantes do exercício efectivo da docência? Para quando um estudo sobre o tempo médio de permanência no cargo d@s director@s em exercício? 10 anos? 20 anos? Ou ainda mais? Qual a mediana e a moda da distribuição? Sim, entraram uns quantos depois de 2008, mas esses podem ficar, como os anteriores, pelo menos até 2025. É muito tempo. E o facto de se desenvolverem formações específicas para as “lideranças” cada vez as afastam mais dos professores comuns. A “gestão escolar” é cada vez mais uma função distinta de ser professor. Sim há quem tenha já sido professor. Mas quando?

Sim, o Filinto tem uma certa razão na ferroada que espeta no líder da Fenprof ao afirmar “recuso  veementemente o pressuposto de que falte “gestão democrática nas escolas” e estranho tal declaração quando o responsável máximo da entidade que a expressa tem sido sucessivamente eleito por delegados representantes de sócios”.

Mas seria interessante que as organizações representativas d@s director@s (Andaep, Ande, Conselho de Escolas) dessem um exemplo de que estão claramente contra o modelo único de gestão e que tiram consequências do que fica escrito:

(…) queremos ter nas escolas uma administração e gestão por nomeação política? Queremos ter gestores como diretores nas nossas escolas sem experiência de docência? Com a extensão do processo de descentralização a todo o país, desejamos correr o risco da aplicação imposta dos “jobs for the boys”?

Não queremos, nós, a maioria dos professores nas escolas. E, pela parte que me toca, estou farto de avisar que o actual modelo de gestão se adequa que nem uma luva à subordinação hierárquica unipessoal. E que a municipalização trará isso em larga escala. Mas tenho pregado para a parede.

Se o Mário Nogueira (que não é nomeado, mas que é que está a ser visado em parte da prosa) anda a tentar fazer prova de vida com petições que podem acabar mal, é questão pela qual só ele e quem o mandou eleger se poderá responsabilizar, quando ainda há pouco tempo mandava desconfiar de iniciativas deste tipo, por abrirem a porta a mudanças imprevisíveis e indesejadas.

Mas, é por isso mesmo que a Andaep, a Ande e o Conselho de Escolas deveriam apresentar propostas suas, detalhadas, claras e abertas ao regresso do modelo colegial e à eleição pelos pares.E teriam o meu – ínfimo – apoio e aplauso.

Em vez de se lamentarem se algo se passar de mau. E se a imparidade aumentar.

MAfalda1

 

Testemunhos Da “Escola Democrática”

Quer-me parecer que a “lei da rolha” vai desaparecendo e não é apenas sobre a violência. Fica aqui o testemunho de um@ colega, que só peca por ser “suave”.

Nesta altura do campeonato, passados vinte anos desde que iniciei esta carreira ainda consigo ficar sem palavras a cada final de período!

Temos as coordenadeiras de serviço a mandar falsificar valores, inventar faltas e/ou presenças de jovens que não aparecem na escola; temos a mansidão nos Conselhos de Turma, a incapacidade de algum dos seus membros se insurgiram contra currículos diferenciados que ninguém percebe, contra bitaites de gabinetes mofados de técnicas que só fazem isso: bitaitam….

As atas, essas então, são verdadeiros romances, cheios de utopias, muito aquém da realidade do quotidiano!

Temos ainda as falsas notas atribuídas, escondidas por medidas enlouquecidas e emanadas por uns decretos inclusivos que, de inclusão, apenas mostram a mentira!

É isto! As escolas parecem a Assembleia da República!!!! Tudo é maravilhoso mas tão aquém da realidade!!!

(identificação enviada pel@ remetente omitida a pedido d@ própri@)

fantastic