6ª Feira

Como a semana está a terminar vou-vos aqui contar uma história sobre o modo como na “nova normalidade” se pode fazer tudo e mais alguma coisa, ignorando todo e qualquer resquício de democracia interna.

A coordenadora de departamento dessa colega colocou atestado médico no início do ano por causa da covid por ser manifestamente de risco. Sendo necessário substituí-la no cargo – até porque a situação que levou ao atestado está longe de ter resolução à vista – deveria ser feita a tal eleição entre três elementos designados pela direcção.

Só que o director, cada vez mais habituado a um regime feudal de fidelidades, decide nomear para o cargo um colega, sem qualquer consulta do departamento e muito menos eleição, parece que com o argumento de ser tudo “temporário”. Só que o colega em causa, apesar de vassalo fidelíssimo, nem sequer poderia entrar na referida eleição, a ser cumpridas as regras mínimas que estão na lei. Ou seja, é das pessoas em posição mais baixa na carreira. E, em boa verdade, vai ser coordenar (temporariamente, claro) pessoas que poderiam ser na larga maioria suas avaliadoras. E exercer uma posição de superioridade hierárquica formal em relação a delegad@s de disciplina um ou mais escalões acima deste “temporário” coordenador.

Mas tudo acontece “naturalmente”, sem contestação, sem prestação de contas e com muita sensação de impunidade porque, a bem dizer, há quem tenha chegado há tanto tempo ao topo e sentindo que pode fazer o que entende sem qualquer risco, até porque se por hipótese surgisse alguma questão, poderia sair sem perda material nenhuma.

A colega contou-me a história, pediu anonimato, claro, e sabe que esta é a “nova normalidade”, pelo que nem estranhou que eu lhe tivesse respondido o que respondi, o que por agora não vou partilhar, excepto que tem muito a ver com o que chamo “xalência de largo espectro”.

@s Senhor@s Deputad@s Andam Muito Cansadit@s E Fart@s De Aturar Os Cidadãos Que Representam

Passam a ser necessárias mais assinaturas para levar um assunto a ser discutido no plenário do Parlamento do que para formar um partido. Os minutos que passei online, entre a discussão de petições na Comissão de Educação há umas semanas deu para perceber o fastio que aquele pessoal tem a cidadãos que tenham iniciativas e coisas assim. Queixam-se do burburinho e eventual má educação, mas o exemplo que dão está muito longe de ser o melhor.

Querem ser respeitados? Não se armem em engomadinhos muito sensíveis, mal se apanham com o rabo sentado e instalado. Mesmo que isso seja mal comum aos rabos sentados e instalados deste país. No Parlamento ou por aí.

manguito

Como Responder Com Classe A Bestas

Apenas com a força da Razão. Bastando repetir o que foi dito (ou feito) por quem depois se “desculpa” de forma falacciosa (por estar casado há 45 anos e ter 2 filhas não poderia ter dito o que disse). Ocasio-Cortez desmonta muito bem a alegada “decência” desta malta, mesmo se há mesmo muita gente que se distingue pouco do congressista Yoho que pede “desculpa”, dizendo que não fez nada de mal.

Uma Natural E Esperada Vítima Da Pandemia…

… foi o último resquiciozinho de democracia participativa em muitas escolas. Com a desculpa da emergência, a preparação do próximo ano lectivo foi feita sem qualquer tipo de colaboração a partir das “bases” ou com qualquer verdadeira verificação “exterior” aos grupos muito fechados e iluminados que tudo quiseram que ficasse a seu cargo. Mas, como o exemplo vem de cima, tudo o que possa correr menos bem a partir de Setembro será responsabilidade de quem não soube “operacionalizar” as brilhantes instruções superiores. Eu sei que isto já era assim em muitos lados, mas agora as excepções são ainda mais excepcionais.

Com mais ou menos conversa de afectos e abnegações, o modelo napoleónico impôs-se. MLR rejubila em seu gabinete de reitora, pois conseguiu que a tal “elite” dirigente, separada dos zecos, se tornasse a norma. Mas a detestada História ensina que todas as derivas totalitárias têm o seu fim à espera.

napoleao-i-no-trono-imperial