As Progressões Na Carreira São Quando O IGeFE Quiser

As que teriam efeitos a 1 de Junho ainda não devem ser pagas em Setembro porque o IGeFE não dá ordem. Deve ser esta a parte “automática” das progressões que nem com o tempo minguado da “recuperação” faseada acontecem. Ahhh… e tal, a crise… e há quem nem tenha salário e mais não sei o quê, que quem tem um ordenado é um “privilegiado”, a menos que compre uma EP ou faça likes nos textos das manas mortáguas ou ache que o deputado silva é um porfírio da epistemologia. Já sei, já sei…falta-me aquele espírito missionário que tanto caracteriza os nossos governantes. Ou um manifesto qualquer para que as progressões sejam opcionais.

Se O Referendo Der “Não” Prometem Calar-se Uns Anos?

Porque uma comissão que recomenda um referendo ao mesmo tempo que apresenta uma das respostas como a única que “permite responder de forma integrada a objectivos como racionalizar o processo de tomada de decisões organizativas e aprofundar a democracia” é porque parece considerar que apenas o “sim” é aceitável. Ora, se algo nos tem ensinado os últimos anos (se não ensinara antes) é que a existência de mais níveis de decisão só ajudam à confusão, ineficiência, desculpabilização e promoção da incompetência. Se no Estado Central temos ex-padeiros a tomar decisões na área da protecção civil e os filhos de secretários de Estado a mamar alarvemente nas verbas do Portugal 2020, onde chegaremos no “Estado Regional”?

Basta observarmos o funcionamento de algumas autarquias “modelo” como começam a funcionar algumas “comunidades intermunicipais” que avançam, com a conivência alargada do PS-PSD-PCP com uma regionalização encoberta sem sequer pedirem licença a um referendo. Se essa consulta tivesse uma resposta negativa, o que lhes aconteceria? Em respeito pela democracia deveriam dissolver-se correcto?

Vaca

 

Pelo Jornal de Letras – O Triunfo da Lógica Feudal nas Escolas

Dois anos depois de começar a colaboração permanente com o JL/Educação, comecei a colocar alguns dos textos mais antigos (2017, mas irei em breve acrescentar os de 2018), ali a partir da ligação sob o título do blogue. Como é a única colaboração paga, procuro não divulgar os textos na íntegra, mas já é tempo de os ir deixando arquivados para “memória futura”.

O desta semana é sobre a fase final de instalação da lógica feudo-vassálica no sistema educativo e nas escolas. Por amanhã ser 25 de Abril deixo um excerto mais longo do que o habitual.

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No sistema educativo e no interior das escolas passou a predominar um modelo feudal, em que o suserano distribui os seus favores aos vassalos, mas que os pode retirar a qualquer momento. Os directores e todos os órgãos internos de administração das escolas e agrupamentos podem a qualquer momento ser exonerados das suas funções por parte da tutela, assim como os directores podem exonerar dos seus cargos os elementos escolhidos numa eleição restrita para coordenadores de departamento. Em que o Conselho Geral tem uma lógica de Câmara Corporativa, mesmo se os representantes do pessoal docente e não docente (ainda) são escolhidos por voto directo.

Estando no quarto ano de um governo apoiado por uma maioria parlamentar de “Esquerda”, incluindo as forças partidárias onde se concentra a larga maioria daqueles que se declaram como os mais legítimos herdeiros do “espírito de Abril”, nada, absolutamente nada, foi feito na área do modelo de gestão escolar para recuperar os mecanismos democráticos que foram sendo perdidos. Pelo contrário, aprofundaram-se medidas que são completamente incompatíveis com um regresso da Democracia às escolas, como seja a sua colocação na dependência de estruturas autárquicas que, embora eleitas, não o foram para se sobreporem, no agravamento de uma lógica de hierarquização, aos órgãos internos das escolas.

O que a chamada “descentralização de competências” trouxe foi apenas mais um degrau na estrutura da hierarquia feudo-vassálica que tem o Ministério da Educação no topo como “suserano dos suseranos” e os professores como meros súbditos, que se querem arregimentados sem discussão, uma espécie de vavassalos dos directores que são suseranos no seu domínio, mas ao mesmo tempo vassalos, se desobedecerem às indicações do seu suserano (que em crescentes partes do território começa a ser o presidente da câmara ou em quem ele delegue as questões da Educação).

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Centeno & Costa, A Dupla Da Pós-Verdade Com O Nosso Dinheiro

E se não querem que a auditoria se estenda aos créditos pós-intervenção, não será, certamente, por ingenuidade ou inocência. Tudo com o beneplácito, no concreto das acções ou omissões, da “esquerda radical”.

Estado português poderá ter que assumir mais responsabilidades no Novo Banco além dos 3,9 mil milhões do Fundo de Resolução?

PoliNBAnco

Um País De Costas Largas

Carlos Costa escapa a exame de idoneidade a ex-gestores da Caixa

Banco de Portugal está a avaliar a responsabilidade de ex-gestores da Caixa nas decisões dos negócios ruinosos do banco público. Carlos Costa é atualmente governador do Banco de Portugal e foi administrador da Caixa entre 2004 e 2006.

Shame

(quantas vezes, certas nomeações para prateleiras douradas resultaram exactamente de negócios cuidadosamente ruinosos…)

Educação Tapa-Buracos

No fórum da TSF discute-se por esta hora a precarização do trabalho e como Portugal, depois da Espanha e Polónia, é o pais da União Europeia com mais trabalho precário e contratos de curta duração (25% a dois meses no último ano). Esta desregulação do mercado laboral sempre foi o sonho de muita “direita dos negócios”, a que se juntou alegremente muita gente empreendedora de outros quadrantes porque dá lucro. Contrariando as choradeiras dos liberais de aviário que temos, o nosso mercado laboral é dos mais desregulados da Europa. Embora muitos amantes dos valores da “família” os césaresdasneves, arrojas e insurgentes estão-se nas tintas para os efeitos dessa situação na vida das crianças e jovens que têm os pais fora de casa, a trabalhar em horários completamente incompatíveis com uma vida familiar estruturada (mas devem considerar-se felizes, diz aquele senhor Saraiva, porque pior seria estarem desempregados). A solução? Dizem os tradicionalistas dos bons costumes e valores que devem as crianças e jovens devem ter o apoio dos avós (só que, graças ao aumento da idade da reforma e dos cortes a quem se aposentar mais cedo, são muitos os que também têm de estar a trabalhar), as organizações de assistência social, quiçá mesmo a vizinhança num modelo à ilha ou pátio oitocentista,  ou o negócio florescente dos atl (de preferência sem recibos ou facturas ou então é mais o iva porque a tabela ali não conta com ele).

Do lado da Esquerda, a maioria rendeu-se às evidências, desistiu de contrariar de forma activa este estado de coisas – mesmo se grita o contrário em debates televisivos ou parlamentares – até porque precisa dos favores dos empresários que financiam campanhas ou a comunicação social (quer dizer, antes de se perceber que não passam de salgados em desgraça). E achou uma solução mágica para remendar a situação: as escolas a tempo inteiro, abertas até às horas que calhar, para servir de rectaguarda e suporte a um regime laboral iníquo que mais iníquo fica porque quem assegurar essas escolas a tempo inteiro ou não pode ter a sua própria família ou terá de a levar consigo (e depois surgem as queixas de privilégios) ou tudo se torna uma espiral completamente doentia. Mas há quem ache, até no plano do sindicalismo, que a escola a tempo inteiro é um enorme progresso. ‘Tadinhos, que já se lhes varreram os os verdadeiros ideais de melhoria da vida do proletariado (já são mais os que não usam esse termo arcaico, eu sei, mas aqui trata-se mesmo da prole) ou já se limitam a colocar pensos rápidos na infecção, daqueles pensos com bonecos e cores giras para distrair a malta.

Cao