Da Completa Irresponsabilidade

Parei de publicar “casos”, não por falta deles, mas porque agora já surgem noticiados em razoável quantidade. Mas há um que tenho de contar, porque alguns pormenores me chegaram apenas há um par de horas, por telefone e envolve a acção que vou qualificar de “peculiar” (para não dizer outro tipo de coisas) da “autoridade de saúde” do concelho onde lecciono e também a irresponsabilidade com que algumas famílias encaram isto.

No início desta semana, numa aula da manhã, alguém, penso que da família de um aluno de 5º ano, surge na escola para o levar pois testou “positivo”. O que significa que o aluno já era suspeito de alguma coisa, pois tinha ido testar, mas mandaram-no para a escola na mesma. A situação é comunicada à tal “óturidade” que não faz absolutamente nada e nem sequer os alunos mais próximos deles na sala são enviados para isolamento. O que é quase regra na dita “óturidade” a quem, por casos anteriores, dá a sensação de que mandar alunos ou turmas para isolamento lhe provoca uma dor semelhante a uma pedra bicuda a passar-lhe pela uretra.

Se algo poderia ser feito, sem necessidade de carimbo da “óturidade“? Claro que sim, mas também devia fazer doer.

Domingo – Dia 3 Do Pseudo-Confinamento

Será difícil que seja pior do que ontem e anteontem, quando confinar só o fizeram os “pequeninos” (nos negócios, que os grandes grupos e alguns lobbys souberam como tornear as pseudo-regras) e os idiotas (que não acreditam que isto é uma brincadeira em que só os outros têm responsabilidades). Mas, pelo som do trânsito à distância, para domingo, desde as 11 da manhã não se nota especial acalmia. Até porque, por fotos ontem vistas numa certa rede social, nas grandes superfícies comerciais, grande parte das lojas continua aberta em sectores “essenciais” como a cosmética ou os acessórios para bicicletas.

O que se nota? Uma quebra sensível na qualidade do acesso à net. Em especial hoje (mas também ontem à noite), levando à necessidade de reiniciar a ligação várias vezes para fazer 2 comentários, este post e corrigir as gralhas em textos de ontem, quando já não tive pachorra para esperar mais pelo carregamento das páginas. Ou então é aqui o zingarelho que está a fenecer e não vale a pena esperar pelos “empréstimos” do ME que só os faz se fizermos a formação da Capacitação Digital e apenas para isso, se bem entendi de mais umas mensagens recebidas com origem no CFAE da zona.

Números

As 159 mortes registadas ontem por covid equivaleriam a 5200 nos E.U.A., ainda governados pelo “demónio” Trump. Ontem, por lá, foram registadas menos de 4000, e anteontem, o pior dia de sempre, cerca de 4400. No Brasil significariam cerca de 3300 mortes; ontem registaram-se lá 1131 mortes e no pior dia (24 de Setembro) foram um pouco acima de 1700. Espanha teve ontem, 201 óbitos; com a população que tem, seriam mais de 700 mortes se estivesse ao nosso “nível”.

Algo correu mal, muito mal. Não por falta de avisos. Não foi por falta de lhes ser explicado, por vezes com detalhe e remetendo para estudos credíveis e não com base em “achismos” de comentadores de tertúlia. Foi por incúria, negligência, incompetência, desleixo, sobranceria. Há quem escreve que é tempo de união e não de apontar dedos e procurar culpados. Talvez não. Mas é essencial identificar as causas e isso traz inevitavelmente consigo quem esteve na sua origem.

Mas também se sabe que, por cá, quando se deixa para depois o apuramento de responsabilidades, acaba-se sempre no “fomos todos e não foi ninguém” que safa sempre os negligentes, incompetentes, desleixados e condescendentes. Aposta-se na erosão da memória como com Pedrógão ou Tancos. O que convém muito a quem acha que foi eleito para tomar decisões, mas sacode a água do capote sempre que se percebe o quanto erraram. E não foi apenas uma vez. Esta não é uma “2ª oportunidade” para emendar as falhas verificadas.

Tenham vergonha!

3ª Feira

Ontem, na RTP, o nosso PR parecia chateado porque há quem ouse achar que as coisas não foram bem preparadas para esta 2ª vaga e há ali um momento em que chega a afirmar algo como “mas quem pode planear?” A resposta é simples: quem se candidatou a cargos cuja função é fazer isso mesmo. Ou queriam só chauffer e viagens por conta da casa?

O que diria o comentador Marcelo desta atitude de desresponsabilização pelo responsável máximo da nação?

As Progressões Na Carreira São Quando O IGeFE Quiser

As que teriam efeitos a 1 de Junho ainda não devem ser pagas em Setembro porque o IGeFE não dá ordem. Deve ser esta a parte “automática” das progressões que nem com o tempo minguado da “recuperação” faseada acontecem. Ahhh… e tal, a crise… e há quem nem tenha salário e mais não sei o quê, que quem tem um ordenado é um “privilegiado”, a menos que compre uma EP ou faça likes nos textos das manas mortáguas ou ache que o deputado silva é um porfírio da epistemologia. Já sei, já sei…falta-me aquele espírito missionário que tanto caracteriza os nossos governantes. Ou um manifesto qualquer para que as progressões sejam opcionais.

O Ordenado Mínimo É Que Leva O País À Falência

Sim, eu sei que os problema são os privados que não podem pagar. Fossem todos espertos e fundassem bancos… que o Estado pagaria tudo.

Novo Banco vendeu GNB Vida com desconto de 70% “coberto” por ajuda do Estado

Seguradora foi vendida por 123 milhões a fundos geridos pela Apax. Operação gerou perda de 268,2 milhões, que foi compensada com nova chamada de capital do Fundo de Resolução. Negócio foi fechado com magnata condenado por corrupção nos EUA.

Reparem que na reacção, o Novo Banco parece mais preocupado em limpar a imagem do comprador, do que em justificar a forma como usa os dinheiros públicos para cobrir “descontos”.

E só esse “desconto” é o dobro do dinheiro com que o ministro Tiago enche a boca acerca do investimento em pessoal para as escolas (125 milhões).

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Até Ao Infinito E Mais Além

E pagam a tempo e nem refilam… porque está no “contrato”. E não se pode deixar de cumprir o que foi “acordado”. E aqui há sempre “direitos adquiridos”. Irrevogavelmente.

Injeções de dinheiro no Novo Banco podem atingir valores “desconhecidos”

Achavam que era muito dinheiro pagar o que sacaram aos professores anos a fio em tempo de serviço? Mesmo com os números centénicos todos aldrabados? Então fiquem-se com esta derrapagem e digam que o homem não é um génio das finanças. E é isto o “banco bom”.

Ou seja, o valor do capital já injetado este ano com recurso a fundos públicos e em plena crise ascende aos tais 1035 milhões, o que representa uma derrapagem de mais de 70% face ao que foi aprovado no Parlamento, no OE2020, mas também fura o máximo anual previsto, que é de 850 milhões de euros.

Metralhas

A Pescadinha De Rabo Na Boca

O Pedro Santos Guerreiro está na TVI24 a dizer que o futuro falido Novo Banco pode passar pelo BCP que não faliu graças aos favores da CGD que, em boa parte por causa disso, se ia afundando até ser preciso ir buscar para a administrar um antigo quadro do BCP. E ainda se diz que isto pode ser um alívio para “o Estado”? A sério? Não se altera apenas a mão estendida (privada) que saca o dinheiro (público)?

É só rir.

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