As Progressões Na Carreira São Quando O IGeFE Quiser

As que teriam efeitos a 1 de Junho ainda não devem ser pagas em Setembro porque o IGeFE não dá ordem. Deve ser esta a parte “automática” das progressões que nem com o tempo minguado da “recuperação” faseada acontecem. Ahhh… e tal, a crise… e há quem nem tenha salário e mais não sei o quê, que quem tem um ordenado é um “privilegiado”, a menos que compre uma EP ou faça likes nos textos das manas mortáguas ou ache que o deputado silva é um porfírio da epistemologia. Já sei, já sei…falta-me aquele espírito missionário que tanto caracteriza os nossos governantes. Ou um manifesto qualquer para que as progressões sejam opcionais.

O Ordenado Mínimo É Que Leva O País À Falência

Sim, eu sei que os problema são os privados que não podem pagar. Fossem todos espertos e fundassem bancos… que o Estado pagaria tudo.

Novo Banco vendeu GNB Vida com desconto de 70% “coberto” por ajuda do Estado

Seguradora foi vendida por 123 milhões a fundos geridos pela Apax. Operação gerou perda de 268,2 milhões, que foi compensada com nova chamada de capital do Fundo de Resolução. Negócio foi fechado com magnata condenado por corrupção nos EUA.

Reparem que na reacção, o Novo Banco parece mais preocupado em limpar a imagem do comprador, do que em justificar a forma como usa os dinheiros públicos para cobrir “descontos”.

E só esse “desconto” é o dobro do dinheiro com que o ministro Tiago enche a boca acerca do investimento em pessoal para as escolas (125 milhões).

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Até Ao Infinito E Mais Além

E pagam a tempo e nem refilam… porque está no “contrato”. E não se pode deixar de cumprir o que foi “acordado”. E aqui há sempre “direitos adquiridos”. Irrevogavelmente.

Injeções de dinheiro no Novo Banco podem atingir valores “desconhecidos”

Achavam que era muito dinheiro pagar o que sacaram aos professores anos a fio em tempo de serviço? Mesmo com os números centénicos todos aldrabados? Então fiquem-se com esta derrapagem e digam que o homem não é um génio das finanças. E é isto o “banco bom”.

Ou seja, o valor do capital já injetado este ano com recurso a fundos públicos e em plena crise ascende aos tais 1035 milhões, o que representa uma derrapagem de mais de 70% face ao que foi aprovado no Parlamento, no OE2020, mas também fura o máximo anual previsto, que é de 850 milhões de euros.

Metralhas

A Pescadinha De Rabo Na Boca

O Pedro Santos Guerreiro está na TVI24 a dizer que o futuro falido Novo Banco pode passar pelo BCP que não faliu graças aos favores da CGD que, em boa parte por causa disso, se ia afundando até ser preciso ir buscar para a administrar um antigo quadro do BCP. E ainda se diz que isto pode ser um alívio para “o Estado”? A sério? Não se altera apenas a mão estendida (privada) que saca o dinheiro (público)?

É só rir.

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Guia Simples Para Compreender A Falta De Professores

É matéria escrita e repetida. Não é de agora que se chama a atenção para os custos de políticas de vistas curtas e que já tinham dado este resultado em outras paragens. Até podemos passar meio de lado em relação à sistemática desvalorização simbólica da docência pela classe política e uma série de alegados “influenciadores” que polvilham a nossa comunicação social impressa e televisionada.

Mas não podemos passar sobre políticas concretas destinadas a poupar os tais tostões que usaram em sorvedouros diversos, sem qualquer importância para o tal “interesse dos alunos” que tanto gostam de alegar de forma demagógica e desonesta.

  1. Antes de mais, os concurso para 4 anos nunca o foram, pois a cada ano tivemos o baile dos chamados “horários-zero” que tanto amofinaram gente que papagueia por aí. Estranho… em poucos anos desapareceram e até faltam professores em alguns dos grupos em causa. A “estabilidade” nunca existiu. Nem sequer foi uma prioridade. E a história das “vinculações extraordinárias” com que alguns enchem a boca (a começar pelo actual PM que tem de arranjar espaço com tantas favas que parece já lá ter quando fala) ainda está para ser um dia contada em todas as suas manigâncias, nomeadamente ao nível das vagas que foram abertas em que grupos e onde. Pois muitos lugares continuaram por preencher e em outros casos apareceu gente que ninguém pedira. Mas, assim, alguém terá metido o pé na administração pública, permitindo-lhe depois ir para outras paragens…
  2. Em seguida, numa medida de “boa governança” impediu-se que professores contratados com horários incompletos os pudessem completar na mesma escola com outro tipo de funções, fixando assim esse docente a essa escola, tendo passado a ser obrigatório que esse completamento resultasse do concurso a horários também incompletos de outras escolas… o que fez com que um professor com 14, 15, 16 horas tivesse de andar em busca de outro horário, algures, para ter o seu completo, em vez de existir “autonomia” para lhe dar tutorias, apoios ou outro tipo de funções na “unidade orgânica” da primeira colocação. O “truque” foi que, deste modo, se contabilizassem mais professores em exercício, porque em muitos casos tivemos 2 colocações para um horário completo em escolas diferentes, dando uma sensação de existirem mais professores nas escolas, quando apenas se duplicava ou triplicava a presença de um mesmo docente em diferentes locais. Só recentemente se autorizou, perante o descalabro evidente, que se invertessem algumas das regras e se pudessem completar horários “internamente”. 
  3. Em paralelo, contando todas as moedinhas que se podem subtrair a qualquer aposentação antecipada de docentes, nunca se criaram condições para que professores com, por exemplo, 30 anos de carreira e 55 de idade pudessem sair com cortes suportáveis (com 25-30%, muitos ficariam satisfeitos), o que manteve na carreira muita gente que, em pouco tempo, começou a ter de colocar baixas por motivos de saúde diversos. Estas vagas, mesmo conhecidas a partir do ano lectivo anterior por serem atestados de longa duração, só passaram a poder ser colocadas a concurso depois de 1 de Setembro, fazendo com que muitas vezes só chegassem professores já com as aulas iniciadas, pois assim sempre se pouparam 2-3 semanas de salário. A chamada esperteza saloia dos “economistas de escala”.

(e nem vale a pena recordar o desastre total da chamada “bolsa de contratação de escola” quem de algum modo, antecipou o que agora acontece)

Perante isto, que está mais do que contado e narrado à exaustão, até acredito que o rácio calculado da forma martelada com que estes dados costumam ser, tenha feito diminuir o número de alunos por professor. Mas o que não aparece – nunca – nas estatísticas oficiais, é a duração média dos contratos, o número de múltiplas colocações ou o ritmo a que rodam os docentes entre escolas e horários. Claro que, em conjunto com uma remuneração que continua truncada com a carga fiscal, os interessados reduziram-se imenso, em especial perante o aumento das despesas com combustível e alojamento, quando são forçados a deslocar-se.

Este estado de coisas resulta de políticas colocadas em prática por todos os governos nos últimos 15 anos e há mesmo quem se orgulhe de assim ter reduzido radicalmente o peso das remunerações no orçamento do ME em 20 ou mais pontos percentuais. Se isso trouxe algum ganho para os alunos? Duvido, pois o investimento em equipamentos (a começar pelos tão endeusados meios digitais) desapareceu e o que há é o que havia há 10 anos. E os professores dos quadros, estranheza das estranhezas, estão 10 anos mais velhos e outro tanto menos frescos do alfaces acabadas de apanhar.

Mas acreditam que algum David, Maria, Isabel, Nuno ou Tiago, pseudo-liberais ou pseudo-socialistas, assumirão qualquer responsabilidade por isto? Cruzes, credo, a culpa (se é que de “culpa” ou “responsabilidade” se pode falar) é toda das Finanças. El@s apenas fizeram o que era “necessário para o país” e defenderam o “interesse nacional”. E quem os defendeu na comunicação social tem também a sua quota parte de responsabilidade, pois deram cobertura a políticas desastrosas, em tantos casos apenas por preconceito ou ressabiamento pessoal.

Shameless1

(é só mudar-lhes as caras…)

 

Há Alunos À Espera De Professor?

Às vezes espero um ano quase inteiro por alguns alunos… e nem sempre “chegam”.

Exp12Out19

Expresso, 12 de Outubro de 2019

(como em tantos casos, ninguém assumirá qualquer responsabilidade pela desastrosa política de gestão de recursos humanos na Educação… e nem foi por falta de aviso que isto ia acabar assim…)

Tancos É um Caso Muito Mais Grave…

.. do que uma aliança parlamentar para repor o tempo de serviço dos professores que levou a ameaças de demissão. Porque é mentira em funções do Estado em matéria por demais sensíveis. Rio tem claramente razão numa coisa: se o actual PM realmente nada soube do que se passou, é porque não é verdadeiramente um PM responsável. Pode vir a ganhar eleições, claro. Como os valentins e isaltinos.

Mentira