A Rebaldaria De Uma ADD Em Circuito Fechado

A resposta padrão da dgae a quem se queixa de irregularidades processuais nas reclamações e recursos é a de recomendar que se avance para os Tribunais, porque é tudo responsabilidade da Comissão Arbitral e d@ Presidente do Conselho Geral porque, afinal, o que tem o Ministério a ver com isso?

O Benefício Dos Infractores

A ministra da Justiça dá uma entrevista em que declara que “não vai ser fácil avaliar fraudes da vacinação”. Estranhei a formulação (“avaliar fraudes”?), mas rapidamente percebi que a mensagem é que nada irá acontecer e pronto. Aliás, como os infractores calculavam, até porque raramente se tratou de um pobrezinho à beira da estrada. Foram, em regra, gente amiga ou com alguma posição nas nomenklaturas locais. Que nada lhes ia acontecer, já sabiam e já sabíamos. Apenas se confirma. E depois há aquela legitimação da infracção que passa por dizer que criminoso seria deitar fora vacinas.

Acerca disso, eu gostaria de destacar só dois “detalhes”:

Em primeiro lugar, nada me diz que o número de vacinas que foi levado para certos locais era o exacto e que já não tinha sido previamente inflaccionado, para “sobrarem”. Desculpem-me, mas não confio muito nesta malta que por aí anda, sempre a ver se trocam favores.

Em segundo lugar, acho criminoso que se deitem alimentos e outros produtos fora, enquanto gente passa fome e dificuldades, mas ainda não me tinha ocorrido que poderia legitimar com isso que o pessoal os pudesse levar dos supermercados sem pagar. Em vez de ficarem nas traseiras de alguns, junto aos contentores do lixo, à espera que deitem fora as sobras.

A ministra da Justiça parece ser mais um@ daquel@s governantes (e não são pouc@s) que ganham imenso em ficar com a boca fechada.

6ª Feira – Dia 19

Há um par de dias, no contexto da preparação do debate sobre a renovação do estado de emergência, o ministro da Administração Interna culpou os portugueses pela degradação da situação pandémica no mês de Janeiro. Algo parecido já tinha sido feito umas semanas antes por outro ministro (o da Economia) num exercício muito habitual em políticos que, perante adversidades, optam logo por se desresponsabilizar de tudo o que acontece. Quando as coisas correm bem, apressam-se a aparecer a colher os foguetes e louros e a anunciar festividades onde se distribuem palmadinhas nas costas à discrição.

Lá Se Demitiu Um

O da “força da tasca” da vacinação, apesar de achar quase tudo normal até ter encontrado umas “irregularidades”. Embora o que parece de fora é que, para uma parte ínfima das vacinas que é preciso dar, a bandalheira estava já instalada. Ainda o mandam tratar dos testes anti-tiago nas escolas, se os chegar a haver. Os alemães que chegaram deviam era tratar disto, que era logo tudo em fila indiana e quem saísse da vez levava com uma eisbein na mona.

4ª Feira – Dia 13

A desresponsabilização com verniz de rigor está em roda livre e não é apenas com as vacinas e os inquéritos do Ministério Público que acabarão, nesta ou aquela instância, por ser arquivados, se é que chegam a alguma. Demite-se uma responsável do SEF por más práticas no seu turno e é colocada em grupo de trabalho para fazer uma coisa qualquer, que parecia uma, mas agora já dizem que é outra. Na Holanda (que tem uns políticos com que justamente nos abespinhámos por confundirem a nossa vida com aquilo que lhes oferecem quando nos visitam), houve quem se demitisse por causa de receber um abono de família indevido. Cá, a confusão instalada no ministério do barreirense Cabrita alastra por todos os lados (e já vem bem de trás), mas o homem é inamovível. Com sorte, ainda o trocam pela sua cara-metade, a bem das obras em casa.

Na Educação, o ME fez constar ontem à comunicação social que “enviou orientações às escolas”, quando se limitou a um mail que repete praticamente tudo o que tinha sido já enviado em Março-Abril, achando que é grande trabalho colocar num site uma série de links para programas, plataformas e sugestões diversas, sem um esforço de coerência. “Orientações”? Ou atirar as responsabilidades para a “autonomia”, só assumindo algo mais concreto em suportes não duradouros, que não fiquem para escrutínio público, presente ou futuro? O resultado é, por muito boas intenções que alguns tenham (outros, nem isso), uma manta de retalhos pelo país que apenas replica o ensino presencial nos horários não-presenciais, seja como espelho “perfeito”, seja como uma espécie de fotocópia reduzida no tempo para o Ensino Básico. Falam muito em “mudança de paradigma” e em “escola para o século XXI” mas, quando apertados, percebe-se que é só conversa fiada e que ou não sabem mesmo do que falam, ou preferem falhar a “oportunidade” que tanto gostam de empurrar para os outros. Continuaremos com um modelo de “ensino remoto de emergência” porque desde Março as prioridades foram outras: criar um esquema de “formação” que alimenta uma estrutura clientelar a partir da formação de formadores, fingir que se equipam as escolas com material de fraquíssima qualidade (há os que avariaram ainda antes do início das aulas não-presenciais, embora acredite que em parte por inépcia dos utilizadores), preferir encher a opinião pública com a “recuperação das aprendizagens” do que apostar numa formação efectiva dos alunos em literacia digital para efeitos educativos. Insistir em que tudo deve ser feito o mais parecido com o “normal” que antes diziam não servir.

Claro que nada disto será devidamente reconhecido, embora esteja bem à vista – por muito que enviem esquadrões de araras para as redes sociais replicar o discurso do “temos de estar todos unidos” e “eu preocupo-me é com os alunos” – a impreparação desta malta para mais do que conversas em família, visitas a amig@s e promoção de epifenómenos em forma de puf colorido. A realidade foi um muro contra o qual chocaram com força, mas dirão sempre que é falso e tudo o que correu mal foi por culpa das “escolas” (e os directores não terão coragem de o negar de modo firme), que os professores precisam de formação (e o senhor da confap, enquanto não abre vaga no novo poiso, qual albino, confirmará) e que há os equipamentos necessários para fazer tudo (e agora que serviu para promover o seu fundador, a anvpc nem sequer se lembra que os professores contratados serão dos mais penalizados em termos materiais com o incumprimento da promessas do governo e está caladinha quanto a isto, pois espera outro tipo de compensação).

A minha esperança é que possamos regressar em segurança o mais rapidamente possível ao ensino presencial, porque estou farto de encenações para prosador amigo reproduzir, incumprimentos variados de quase tudo o que foi promessa, mentiras descaradas quando acham não existir outro remédio. E tudo vai passar em claro, porque é essa a nossa “cultura política”. E o coro de araras aplaudirá em êxtase, em especial se lhes prometerem uma vacina.

E quem ousa criticar #SóCriaProblemas.

Da Completa Irresponsabilidade

Parei de publicar “casos”, não por falta deles, mas porque agora já surgem noticiados em razoável quantidade. Mas há um que tenho de contar, porque alguns pormenores me chegaram apenas há um par de horas, por telefone e envolve a acção que vou qualificar de “peculiar” (para não dizer outro tipo de coisas) da “autoridade de saúde” do concelho onde lecciono e também a irresponsabilidade com que algumas famílias encaram isto.

No início desta semana, numa aula da manhã, alguém, penso que da família de um aluno de 5º ano, surge na escola para o levar pois testou “positivo”. O que significa que o aluno já era suspeito de alguma coisa, pois tinha ido testar, mas mandaram-no para a escola na mesma. A situação é comunicada à tal “óturidade” que não faz absolutamente nada e nem sequer os alunos mais próximos deles na sala são enviados para isolamento. O que é quase regra na dita “óturidade” a quem, por casos anteriores, dá a sensação de que mandar alunos ou turmas para isolamento lhe provoca uma dor semelhante a uma pedra bicuda a passar-lhe pela uretra.

Se algo poderia ser feito, sem necessidade de carimbo da “óturidade“? Claro que sim, mas também devia fazer doer.

Domingo – Dia 3 Do Pseudo-Confinamento

Será difícil que seja pior do que ontem e anteontem, quando confinar só o fizeram os “pequeninos” (nos negócios, que os grandes grupos e alguns lobbys souberam como tornear as pseudo-regras) e os idiotas (que não acreditam que isto é uma brincadeira em que só os outros têm responsabilidades). Mas, pelo som do trânsito à distância, para domingo, desde as 11 da manhã não se nota especial acalmia. Até porque, por fotos ontem vistas numa certa rede social, nas grandes superfícies comerciais, grande parte das lojas continua aberta em sectores “essenciais” como a cosmética ou os acessórios para bicicletas.

O que se nota? Uma quebra sensível na qualidade do acesso à net. Em especial hoje (mas também ontem à noite), levando à necessidade de reiniciar a ligação várias vezes para fazer 2 comentários, este post e corrigir as gralhas em textos de ontem, quando já não tive pachorra para esperar mais pelo carregamento das páginas. Ou então é aqui o zingarelho que está a fenecer e não vale a pena esperar pelos “empréstimos” do ME que só os faz se fizermos a formação da Capacitação Digital e apenas para isso, se bem entendi de mais umas mensagens recebidas com origem no CFAE da zona.

Números

As 159 mortes registadas ontem por covid equivaleriam a 5200 nos E.U.A., ainda governados pelo “demónio” Trump. Ontem, por lá, foram registadas menos de 4000, e anteontem, o pior dia de sempre, cerca de 4400. No Brasil significariam cerca de 3300 mortes; ontem registaram-se lá 1131 mortes e no pior dia (24 de Setembro) foram um pouco acima de 1700. Espanha teve ontem, 201 óbitos; com a população que tem, seriam mais de 700 mortes se estivesse ao nosso “nível”.

Algo correu mal, muito mal. Não por falta de avisos. Não foi por falta de lhes ser explicado, por vezes com detalhe e remetendo para estudos credíveis e não com base em “achismos” de comentadores de tertúlia. Foi por incúria, negligência, incompetência, desleixo, sobranceria. Há quem escreve que é tempo de união e não de apontar dedos e procurar culpados. Talvez não. Mas é essencial identificar as causas e isso traz inevitavelmente consigo quem esteve na sua origem.

Mas também se sabe que, por cá, quando se deixa para depois o apuramento de responsabilidades, acaba-se sempre no “fomos todos e não foi ninguém” que safa sempre os negligentes, incompetentes, desleixados e condescendentes. Aposta-se na erosão da memória como com Pedrógão ou Tancos. O que convém muito a quem acha que foi eleito para tomar decisões, mas sacode a água do capote sempre que se percebe o quanto erraram. E não foi apenas uma vez. Esta não é uma “2ª oportunidade” para emendar as falhas verificadas.

Tenham vergonha!

3ª Feira

Ontem, na RTP, o nosso PR parecia chateado porque há quem ouse achar que as coisas não foram bem preparadas para esta 2ª vaga e há ali um momento em que chega a afirmar algo como “mas quem pode planear?” A resposta é simples: quem se candidatou a cargos cuja função é fazer isso mesmo. Ou queriam só chauffer e viagens por conta da casa?

O que diria o comentador Marcelo desta atitude de desresponsabilização pelo responsável máximo da nação?