Phosga-se! Série “Absolutamente Inaceitável”

Os tempos andam muito maus para o mais leve resquício de preocupação com a legalidade. Ou de mera decência. Isto é um exercício de controlo absolutamente inaceitável tanto para os visados quanto para o “agente” que é induzido a fazer algo que pode “parecer” lógico do ponto de vista do “registo”, mas é de um desrespeito atroz pelos direitos à imagem e à privacidade.

Numa escola perto de si, em especial se morar em Braga.

Autonomia E Flexibilidade Digital

Estive a ler um plano de trabalho semanal que contempla as seguintes modalidades de comunicação entre docentes e alunos, para realização das aulas e distribuição/entrega de tarefas.

Vou colocar por ordem alfabética, porque não percebi se existe ordem de prioridade ou se é cada disciplina seu sabor.

  • Escola Virtual
  • Google Classroom + Meet
  • Mail (gmail ou outro)
  • Moodle
  • WhatsApp
  • Zoom

Faltou a minha plataforma favorita, a Phosga-se!

(a minha proposta é que cada alun@/professor@ ande com uma espécie de hub em forma de garfo espetado na parte que lhe aprouver da sua anatom #Somos Confusão)

O Horror! O Horror!! É O Apocalipse!!! AiJazuze!!!

Bastam duas semanas em aulas e o homem entra em colapso mental.

E este novo #ficaremcasa não representa só a destruição do futuro de uma geração de alunos pobres; também representa a destruição dos sonhos profissionais de muitas mulheres de todas as classes, porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos.

Este texto é escrito a sério, mas parece arrancado à melhor (?) comédia de costumes, em tons de dramatismo milenarista. Quinze dias em casa e a uma geração de alunos pobres (para dar um toque “social” ao delírio) é destruída, assim como os “sonhos profissionais de muitas mulheres” (a demagogia a galope) “porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos” (acho que ele não percebe bem quantos disparates concentra nesta frase, embora eu destaque o do “sacrifício”).

O Henrique Raposo já pareceu novo, mas agora parece daqueles velhos sempre a anunciar o fim do mundo. E isto digo eu, que em regra sou considerado assim para o velho do restelo, sempre a apontar “problemas”.

Mas o que me custa mais – e nesse caso, não sei se consigo sequer achar graça – é o escriba achar que é por causa de dois anos lectivos interrompidos que “nunca mais o sistema conseguirá agarrar e salvar milhares de jovens da pobreza material e cultural em que vivem”. E eu que pensa – mas sou um inconsciente – que essa pobreza material e cultural é o resultado de muitas décadas de governança em interesse próprio. Que tanto que agora sofrem pelos “pobrezinhos”. Que enorme falta de decoro. Embora há uns anos o mesmo autor tenha ganho muito saber nestas matérias, pois até terminou prosa (não muito diferente do discurso actual do Ventura sobre as “pessoas de bem”) dando a entender que se aprende muita coisa, fazendo “antropologia suburbana durante quinze dias”.

O que direi eu que lá dou aulas há décadas. Tenho muito a aprender com o Raposo, que não gosta que lhe chamem betinho.

E O Prémio “A Primeira Criatura A Chegar-se À Frente Para Uma Comenda – Versão Pandemia” Vai Para…

Margarida Marrucho Mota Amador, coach e ex-directora do Colégio do Sagrado Coração de Maria e do Externato O Beiral com a seguinte argumentação de cariz profundamente humanista e claramente centrada no interesse maior do país e das crianças. Deve ter batido o JMTavares ou o Baldaia por umas horas.

Além de possibilitar a actividade económica de todos os seus fornecedores, e são muitos, desde o sector alimentar, aos produtos de limpeza e higiene, permite que as famílias que se encontram em teletrabalho, desenvolvam a sua actividade profissional a horas de expediente e com a devida concentração.

Phosga-se – Série “PHOSGA-SE!!!”

As situações que tenho publicado sobre as reuniões presenciais são quase sempre transcrições das mensagens que me foram enviadas, das quais omiti a escola/agrupamento e, obviamente, @ remetente. Não há qualquer “exagero” ou “invenção”. Infelizmente, a realidade ultrapassa com frequência o pior que se pode imaginar.

Como a situação que em seguida fica exposta por um@ coleg@ sobre a forma como as coisas estão a ser “tratadas” na sua escola por um director que até é da “nova vaga”. É daqueles que prende depressa como instalar a tal “lei da rolha” na base da ameaça directa a quem desalinhe. Isto é mesmo muito grave até em termos de saúde pública mas, obviamente, as pessoas têm medo, até porque sabem que as direcções têm as costas mais do que protegidas pela tutela e pelos seus comissários políticos.

Olá Paulo, no meu agrupamento o diretor só nega informação dos casos positivos. Não estamos autorizados a dizer aos pais se há profs ou alunos infectados. Ele quer dar a ideia de que tudo é muito seguro.

E eu pergunto: “Então se forem alunos para isolamento, como se explica?”

Não vão, só vai o prof se tiver infectado. A turma continua. E há turmas que foram para isolamento e os profs não foram, O meu director só nega informação. E quem falar tem processo disciplinar. Ele já ameaçou vários colegas com processo disciplinar (…) Mais, se eu quiser não posso ligar para o delegado de saúde. Só ele pode. Pois…. Está-se mesmo a ver…

E há outros detalhes, até porque coloquei algumas questões sobre o tempo de permanência no cargo desta pessoa, o agrupamento, se havia casos confirmados entre os professores (existem… mas não podem ser divulgados), etc. E tudo isto me arrepiou bastante. Até porque fui em busca do nome da pessoa à página do agrupamento (tem muita informação em falta), mas um tipo de História desenrasca-se facilmente e lá dei com prosas do ex-colega, actual director plenipotente, que certamente terá esquecido aquelas páginas de prosas tão “sensíveis” que em outros tempos fazia publicar com descrições comovente do seu quotidiano. Ou já gastou toda a sensibilidade ou então é dos que acha que com ele vai tudo metido na ordem.

Phosga-se – Série “As Presenciais”

Vou recebendo respostas, reservando a identificação dos locais para outra ocasião, preferindo por agora seleccionar apenas algumas das situações descritas, destacando aquelas que acontecem em zonas de risco extremo ou muito elevado de acordo com a lista oficial em vigor à data de hoje. E chamo a atenção para os casos em que se realizam por pressão de colegas que acham que nada como fingir normalidade.

Caso 1 (concelho com risco extremo) – Então e a Transição Digital?

“No agrupamento(…) as reuniões estavam inicialmente marcadas para serem online, contudo, houve um levantamento considerável contra as reuniões online, por vários motivos, a internet em casa é lenta, o computador é velho, se o computador avariar não tem tempo para arranjar, não se sentem confiantes com a reunião online, não percebem nada de transição digital, etc,etc… Resumindo, todas as reuniões do pré ao 9 ano serão presenciais.

Caso 2 (concelho com risco muito elevado) – Tau-tau n@s menin@s rabin@s!

“Vamos ter reuniões presenciais porque, durante as intercalares, tivemos colegas a fazer as vídeoconferências a partir dos telemóveis, durante as viagens de regresso a casa. Reuniões de avaliação presenciais são o puxão de orelhas da nossa diretora! Relembro que estamos a falar (…), que está há semanas no risco muito elevado!”

Caso 3 (concelho com risco “apenas” elevado) – As meninas e meninos queriam ficar à roda da fogueira!

“(…) na minha escola (…) finalmente decidiram fazer as reuniões on-line. Sempre propus isso mas nunca acontecia. O que mais me espantou foi que vários colegas ficaram muito contrariados porque, já que damos aulas no meio dos alunos todos… e o melhor : as reuniões presenciais são muito mais “solidárias “ e “ coletivas”, porque os “os papéis vão passando entre todos”…enfim, envio- lhe esta curiosidade.”

Caso 4 (concelho com risco muito elevado) – Dizem que é ilegal!

“Na Escola Secundária (…), os conselhos de turma de final de período (como todas as reuniões na escola, desde junho) serão presenciais. A Diretora segue à risca o que a tutela sugeriu, porque a convenceram de que é ilegal convocar reuniões ‘on-line’ (justificação dada em Conselho Pedagógico aos conselheiros que sugeriram reuniões por videoconferência).