Está De Volta A Rubrica “Phosga-se” – Série “A Idiotice À Desfilada”

O Joaquim Colôa encontrou e publicou no facebook. E eu acho que merece o destaque merecido por todos os disparates de quem defende abordagens holísticas e do aluno “como um todo”, mas depois aparece com grelhas deste tipo que são uma aberração desde a ideia à falta evidente de uma literacia gráfica digital que permita fazer uma coisinha que, ao menos, tenha bom aspecto.

Por acaso, este ano não vou aplicar a minha grelha para os alunos me avaliarem e caracterizarem. Anonimamente. Isso é que é giro.

Grelha 3P

Phosga-se – Série “Já Não Sei Que Diga Disto”

Eu preferia não saber que já entrámos neste nível de “retórica bélica” na comunicação interna de um agrupamento do sul do país. A seguir ao relato da vídeo-reunião com o SE Costa, vem isto:

Posto isto, quais serão então as orientações que tenho para todos vocês, em geral:

1 – Em primeiro lugar será necessário que todos entendam que estamos em modo de “cadeia de comando do tipo militar”, enquanto estivermos a montar a nova organização do agrupamento.  Quer isto dizer que toda a gente tem um comando de proximidade e só dele e a ele, receberá ou dará informações. Doutra forma, corremos o risco de começar a ver circular informação e contrainformação que só provocará angústias, stress e desorientação. Todos, de uma forma geral, já devem ter  entendido quem é a vossa voz de comando, pois têm recebido instruções de realização de algumas tarefas e inquéritos na última semana. A Direção será sempre um elemento de comando, como é lógico. Fiquem descansados porque , para quem não sabe, fiz toda a minha formação escolar incluindo a superior, em estabelecimentos de ensino militar, pelo que não me é totalmente estranha esta forma de comando, mesmo que não seja a  que utilizo, normalmente, no meu dia a dia.

2 – Assim, a primeira ordem é que não devem utilizar o email do agrupamento para fazer chegar seja o que for a todos os professores do agrupamento. Essa função será minha ou de quem eu nomeei para o efeito. Reparem que os documentos que chegam como recomendações do ministério têm que ser adaptados à nossa realidade e não podem aparecer na mão de toda a gente sem orientação mais específica para o seu ciclo ou nível de ensino, sob pena de cada um estar a desperdiçar tempo e trabalho sem necessidade.

3 – Hoje seria o último dia de aulas do nosso calendário escolar, seguindo-se a interrupção das atividades letivas entre 30 de março e 13 de abril. E é neste sentido que devemos apenas enviar aos nossos alunos , algumas tarefas que possam realizar de forma autónoma, sem necessidade de grande  acompanhamento, por parte dos pais e dos professores. Tarefas que apelem à leitura, ao jogo, à criatividade e ao desenvolvimento da autonomia. Coisas muito simples, de modo a que  eles sintam que já estão na altura cronológica das férias escolares, mesmo que continuando em casa. Aos alunos do ensino secundário (regular e profissional) ,  para as disciplinas sujeitas a exame nacional e para algumas UFCD que possam estar mais em atraso, poder-se-á ajudar um pouco mais os alunos a cumprirem as aprendizagens necessárias à conclusão do seu ciclo de estudos.

Aguardem todos  por um mail da vossa cadeia de comando que vos será enviado muito brevemente, com indicações mais precisas.

4 – Procurem vocês professores, durante esta interrupção, organizar um pouco as vossas vidas familiares, pois todos sabemos que vai ser longa esta etapa da nossa vida. Tentem fazer alguma formação nestas áreas do ensino à distância e noutras tão importantes que há muito tempo ansiavam ter tempo para frequentar. Não faltam agora oportunidades de formações  online. Precisamos de vos ter de volta, preparadíssimos para os novos desafios que iremos enfrentar  em Portugal (eu diria mesmo, no mundo) no pós Coronavirus.

grito

Já Temos Um Plano!

É o Plano de Ensino à Distância (E@D) que deve ser replicado escola a escola, em mais uma camada de burrrocracia, pois é apenas assim que esta malta sabe funcionar.

Esperavam por um rumo? Uma orientação estratégica? Tomem lá mais uma amostra do que a “criatividade” dos cortesãos digitais da 5 de Outubro conseguiu idealizar numa semana de trabalho.

Eis apenas um aroma do documento que já prevê “indicadores” de quantidade e qualidade e tudo. E, por favor, já sabem, nada de queixas ou de colocar “problemas”.

No sentido de permitir a monitorização e a regulação do plano E@D em cada escola, importa:

1. Criar uma equipa responsável por este trabalho (sugere-se um máximo de 3 pessoas), com consulta regular aos alunos;

2. Definir indicadores de qualidade e de quantidade, bem como de periodicidade de recolha.

Como indicadores de qualidade, poderão optar pela monitorização do grau de satisfação dos docentes, dos alunos e dos pais/EE, bem como a qualidade do feedback dado a alunos, visando a monitorização das aprendizagens.

Como indicadores de quantidade, poderão optar, por exemplo:
– taxa de concretização das tarefas propostas pelos professores; – n.º de tarefas enviadas pelos professores, em função do plano de trabalho elaborado; – disponibilização de meios tecnológicos de E@D; – apoio ao desenvolvimento de competências digitais de professores e de alunos;
– desenvolvimento de mecanismos de apoio, dirigidos aos alunos sem computador e ligação à internet em casa.

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Phosga-se! Série 2

Agora já vale um pouco tudo. Uma solução é colocar os mais pequenitos a ver a RTP 2 e os desenhos animados (desde os tempos do Speedy Gonzalez e do Coyote a levar sempre com as explosões e os pedregulhos que os acho muito educativos e lições sérias sobre o triunfo do Bem sobre o Mal) e relacioná-los com os conteúdos do 1º ciclo (e pré-escolar). O que as educadoras e professores (e educadores e professores) têm perdido ao longo destes anos…

Senhores(as) Diretores(as) / Presidentes de CAP:

Vários operadores de comunicação e produtores de conteúdos têm-se mostrado disponíveis para a difusão de conteúdos educativos. Enquanto se preparam outros instrumentos, a RTP 2, enquanto serviço público de televisão, e a Rádio Miúdos, que tem já uma tradição de parceria com as escolas começaram a disponibilizar as suas grelhas semanais.

Este forma de comunicação permite, no caso dos canais em sinal aberto, é mais um instrumento para se conseguir chegar a todos os alunos.

Trata-se, neste momento, de um conjunto de programas com diferentes fins, mas que entendemos poder ser útil divulgar, já que podem ser articulados com a planificação feita sobretudo pelos professores da educação pré-escolar e do primeiro ciclo.

Em anexo, enviamos as duas grelhas para esta semana. As seguintes irão sendo colocadas na página de apoio às escolas.

Com os melhores cumprimentos

Maria Manuela Pastor Faria

Diretora-Geral dos Estabelecimentos Escolares

A sério que o mail traz em anexo as grelhas de programação com a sua ligação ao nível de ensino adequado.

RTP2

Phosga-se! – Série 2

Recebi entretanto o material que contextualiza os materiais do post anterior, que faz parte de um segundo mails que a DGEsTE mandou para as escolas durante a tarde de ontem, 6ª feira.

Passo a transcrever o primeiro desses mails:

De: DGEstE – Sistema de Informação <dgeste.informa@dgeste.mec.pt>
Enviado: 20 de março de 2020 15:28
Assunto: Comunicado às escolas – Propostas gerais de intervenção para alunos em situação de vulnerabilidade

Assunto: Propostas gerais de intervenção para alunos em situação de vulnerabilidade

Senhores(as) Diretores(as) / Presidentes de CAP

Durante a crise de pandemia que atravessamos e tendo em conta o seu impacto, é importante relembrar que a democracia continua. Um estado democrático é aquele que garante direitos fundamentais a todos.

As escolas e os professores têm, naturalmente, sentido constrangimentos em garantir o contacto com os alunos especialmente carenciados ou vulneráveis. Estas dificuldades têm sido um dos principais focos de preocupação do Ministério da Educação. Não obstante outras medidas de larga escala a aplicar, é fundamental que se mantenha o contacto e o apoio aos alunos que se encontram com maior potencial risco de exclusão social.

Neste sentido, as Áreas Governativas da Educação e da Presidência, que tutela a Cidadania, a Igualdade e a Integração e Migrações, apresentam um conjunto de propostas de ação, convidando também todas as escolas a partilhar, através do site apoioescolas.dge.mec.pt, iniciativas, estratégias e soluções para as crianças e jovens.

Seguem também anexo os contactos de ONGs, associações e outras entidades que já se disponibilizaram. Em função das áreas de intervenção e áreas geográficas, as escolas poderão estabelecer contactos para articular apoios.

Cumprimentos,

Maria Manuela Pastor Faria

Diretora-Geral dos Estabelecimentos Escolares

A acompanhar vinham 12 (doze) anexos, um dos quais aquele que ontem publiquei, mais 9 com contactos de centenas de organizações de todo o tipo, desde Universidades a associações de apoio a minorias étnicas, e 2 com a identificação (nome, nº de telefone e mail) dos chefes regionais e chefes de núcleo do Escuteiros. A consulta dos metadados dos documentos permite perceber a rede de contactos e que as listagens começaram a ser feitas na 2ª feira.

E todas as escolas/agrupamentos do país, até prova em contrário, receberam isto, sem qualquer preocupação em seccionar ou seleccionar a informação verdadeiramente útil para cada contexto. No fundo, tomem lá isto e desenrasquem-se. Façam como as antigas listas telefónicas.

Mas tudo isto ainda seria aceitável se depois não surgissem as tais propostas de intervenção que contêm coisas absolutamente incompatíveis com as regras de um estado de emergência e que, em alguns casos, sugerem mesmo o recurso a grupos de risco para andarem de porta em porta com a missão de “entrega/recolha de fichas ao domicílio e posterior monitorização”, como docentes reformados ou os vigilantes escolares. Isto para não falar no recurso a estudantes ou a embaixadores dos países de origem dos alunos imigrantes.

Revelando a imensa desorientação, a DGEsTE manda novo mail às escolas, depois das 18 horas, com duas versões (pdf e doc) de um dos documentos já enviados anteriormente (o das propostas).

Em tempos de “guerra” e de “luta pela sobrevivência” (António Costa dixit) devemos unir-nos e esquecer divergências, sendo prioritário combater o “inimigo comum”. Certo, certo… mas ~e complicado combatermos seguindo as ordens de “generais” de um “estado-maior” que apresenta sinais evidentes de idiotice, desculpem, de falta de rumo, parecendo que lança mão a qualquer ideia que pareça vagamente passível de passar a imagem de que se está a fazer algo.

Muito disto volta-me a fazer lembrar a cena final da série Black Adder.