Domingo

Depois de levar o ministro Tiago ao colo durante mais de dois anos, a Fenprof despertou do seu torpor e tem clamado, nos últimos dois, contra o mesmo ministro, alegando que ele é uma inexistência. Não cobro direitos de autor em relação à ideia, pelo que lanço outra: tirando a corte do secretário João que muito se afadiga para tornar o currículo e a avaliação dos alunos o espelho dos seus preconceitos e inconseguimentos intelectuais, o Ministério da Educação não existe, parecendo que a implosão prometida pelo ministro Crato atingiu os seus objectivos ao longo dos últimos seis anos. A menos que seja para recrutar amig@s para dar formações ou lhe manter as costas quentes para os mais diversos desmandos, os serviços ministeriais vão primando pela inutilidade ou completa incoerência. Em matéria de gestão escolar, fecham os olhos a tudo; em matéria de avaliação do desempenho, aceitam quase tudo, a menos que seja asneira daquela bem grossa.

E produzem remendo sobre remendos em pano que já não era de grande qualidade pelo que agora ainda se nota mais a miséria completa que por aí vai em termos de procedimentos e a enorme incompetência em tosos os níveis do processo. Não antecipando que a recuperação faseada ou completa do tempo de serviço, em especial quando associada a alguma menção de “mérito” faria com muita gente mal tivesse tempo para estar num escalão (afinal, gamaram-nos ainda mais escalão e meio ou dois se incluir o 5º, apesar da “recuperação”), agora fazem todos os anos “notas” a explicar como se deve fazer (mal) para ultrapassar o que foi (mal) legislado.

A mais recente nota da dgae é um completo desastre (assim como os esclarecimento via E72 desde o início de Setembro), porque optaram por um vale tudo, Os prazos da lei são “ordenadores”, é possível “mobilizar” avaliações feitas há mais de 10 anos feitas com um modelo diferente até na estrutura da carreira (podem ir buscar-se avaliações de 2007/09, quando não existiam quotas no 4º escalão e não era necessário ter o MBom!). O que pode ser bom, porque talvez alguns de nós ainda não tivessem tão rebentados e/ou fartos de tanto asneirame. Vou fazer uma transcrição extensa de uma parte da nota, para que se perceba o quanto é parvo tudo isto:

Mobilizar uma Avaliação do Desempenho Docente (ADD), nos termos do n.º 7 do artigo 40.º do ECD desde que a mesma corresponda à avaliação de 2007/2009, 2009/2011 ou à contemplada no DR n.º 26/2012, de 21 de fevereiro, ou outra legislação aplicável.
Esclarece-se que:
a) A mobilização da ADD pode ser efetuada mais do que uma vez, caso as duas progressões se verifiquem com um intervalo temporal que não permita a realização efetiva deste requisito;
b) O suprimento da avaliação atribuído pela Lei do Orçamento de Estado para 2018 não pode ser considerado para efeitos de mobilização;
c) A mobilização de uma ADD é entendida igualmente como um suprimento, pelo que não isenta de vaga para os 5.º/7.º escalões nem bonifica no escalão seguinte;
d) A isenção de vaga para acesso aos 5.º e 7.º escalões tem de corresponder a uma ADD efetivamente realizada de Muito Bom/Excelente nos 4.º/6.º escalões;

Repare-se agora em mais esta passagem, que até pode facilitar a vida algumas pessoas, mas significa o completo abastardamento de qualquer lógica ou coerência, pois pode juntar-se uma avaliação de 2009 a aulas realizadas em 2022.

g) Caso o docente mobilize a ADD realizada em escalões anteriores e se encontre posicionado em escalão em que é obrigatória a observação de aulas, deverá requerê-la, ao diretor, até dia 30 de setembro*. Esta observação de aulas é unicamente para cumprimento de requisito e a respetiva avaliação não tem qualquer efeito para isenção de vaga para os 5.º/7.º escalões. Após a realização das aulas observadas, este requisito considera-se cumprido à data do requerimento.
*No ano letivo 2021/2022, e a título excecional, os docentes que se encontrem na situação prevista na alínea anterior, podem requerer a observação de aulas até 31 de dezembro de 2021.

Como esta gente pensa muito bem em tudo isto, nem parece reparar que ao fazerem este remendo e criando possibilidades que não existiam exactamente nestes termos até agora, criam novas situações de iniquidade e injustiça em relação a quem teve de andar a fazer formações e tudo o mais nos prazos legais e agora vê que há quem não precise de o fazer.

Vão-se todos tratar.

Até porque sabe-se lá quem depois fica a apanhar as canas…

Secção “Maravilhas Da ADD”

É o total desnorte. Um@ colega recebe a resposta à sua reclamação, com as contra-alegações da SADD com a data de dia X (o que é confirmado em envelope carimbado pelos correios e tudo). Requerida a ata da reunião onde foram aprovadas as ditas contra-alegações, verifica-se que foi realizada no dia X+3.

Einstein sorri no seu túmulo e não apenas por causa da relatividade espacio-temporal.

Felicidade

Uma provocação curta para o Jorge Humberto Dias: se aprender a “felicidade” e a ser-se feliz é uma técnica e uma “ferramenta” que pode aprender-se em formações, no que se distingue – sem ser em demorar mais tempo a fazer efeito – de um químico euforizante? Ou de um produto natural e orgânico com propriedades equiparadas? A sério que o efeito dura mais?

Fica Confirmado, Acima De Qualquer Dúvida, Que Esta Malta Entrou Em Desvario…

… quando o senhor director-geral da Educação manda para as escolas ao início da tarde de hoje, depois de uma manhã em que já existiram reuniões de avaliação dos 9º e 12º anos, que são os terminais do Básico e do Secundário (embora estes ainda com exames), este tipo de esclarecimento (que ao que parece alguém pediu) acerca de um assunto que é muito caro ao senhor secretário de Estado, seu superior hierárquico, ou seja, a certificação da participação em projectos relacionados com a “componente de Cidadania e Desenvolvimento” (que no Secundário nem é disciplina).

Isto parece-me demasiado caricato, para merecer prosa mais alongada. Fica aqui o ofício e acho que chega como prova provada de que entrámos na estratosfera da idiotice certificadora.

A Oeste, Algo De Novo

Em matéria de ADD, há escolas/agrupamentos que começam a destacar-se pela forma como querem definir a excelência, com níveis inauditos de exigência. O que até seria compreensível, se depois a verificação de tais níveis não se tornasse, para além de pouco exequível, claramente ilegal. Eu percebo que a legislação é má nesta matéria e nunca me cansarei de o dizer, mas daí até queremos que a tal excelência de cada docente tenha de ser validada, de forma unânime, por “pares”, “órgãos de gestão intermédia envolvidos” e EMAEI – e só vamos ainda na preparação e organização das actividades lectivas – vai uma passada de gigantone carnavalesco.

Que os descritores para 2020/21 só sejam dados a conhecer aos avaliados em Maio de 2021 é só a cereja em cima do belo bolo.

Phosga-se! Série “Absolutamente Inaceitável”

Os tempos andam muito maus para o mais leve resquício de preocupação com a legalidade. Ou de mera decência. Isto é um exercício de controlo absolutamente inaceitável tanto para os visados quanto para o “agente” que é induzido a fazer algo que pode “parecer” lógico do ponto de vista do “registo”, mas é de um desrespeito atroz pelos direitos à imagem e à privacidade.

Numa escola perto de si, em especial se morar em Braga.

Autonomia E Flexibilidade Digital

Estive a ler um plano de trabalho semanal que contempla as seguintes modalidades de comunicação entre docentes e alunos, para realização das aulas e distribuição/entrega de tarefas.

Vou colocar por ordem alfabética, porque não percebi se existe ordem de prioridade ou se é cada disciplina seu sabor.

  • Escola Virtual
  • Google Classroom + Meet
  • Mail (gmail ou outro)
  • Moodle
  • WhatsApp
  • Zoom

Faltou a minha plataforma favorita, a Phosga-se!

(a minha proposta é que cada alun@/professor@ ande com uma espécie de hub em forma de garfo espetado na parte que lhe aprouver da sua anatom #Somos Confusão)

O Horror! O Horror!! É O Apocalipse!!! AiJazuze!!!

Bastam duas semanas em aulas e o homem entra em colapso mental.

E este novo #ficaremcasa não representa só a destruição do futuro de uma geração de alunos pobres; também representa a destruição dos sonhos profissionais de muitas mulheres de todas as classes, porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos.

Este texto é escrito a sério, mas parece arrancado à melhor (?) comédia de costumes, em tons de dramatismo milenarista. Quinze dias em casa e a uma geração de alunos pobres (para dar um toque “social” ao delírio) é destruída, assim como os “sonhos profissionais de muitas mulheres” (a demagogia a galope) “porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos” (acho que ele não percebe bem quantos disparates concentra nesta frase, embora eu destaque o do “sacrifício”).

O Henrique Raposo já pareceu novo, mas agora parece daqueles velhos sempre a anunciar o fim do mundo. E isto digo eu, que em regra sou considerado assim para o velho do restelo, sempre a apontar “problemas”.

Mas o que me custa mais – e nesse caso, não sei se consigo sequer achar graça – é o escriba achar que é por causa de dois anos lectivos interrompidos que “nunca mais o sistema conseguirá agarrar e salvar milhares de jovens da pobreza material e cultural em que vivem”. E eu que pensa – mas sou um inconsciente – que essa pobreza material e cultural é o resultado de muitas décadas de governança em interesse próprio. Que tanto que agora sofrem pelos “pobrezinhos”. Que enorme falta de decoro. Embora há uns anos o mesmo autor tenha ganho muito saber nestas matérias, pois até terminou prosa (não muito diferente do discurso actual do Ventura sobre as “pessoas de bem”) dando a entender que se aprende muita coisa, fazendo “antropologia suburbana durante quinze dias”.

O que direi eu que lá dou aulas há décadas. Tenho muito a aprender com o Raposo, que não gosta que lhe chamem betinho.

E O Prémio “A Primeira Criatura A Chegar-se À Frente Para Uma Comenda – Versão Pandemia” Vai Para…

Margarida Marrucho Mota Amador, coach e ex-directora do Colégio do Sagrado Coração de Maria e do Externato O Beiral com a seguinte argumentação de cariz profundamente humanista e claramente centrada no interesse maior do país e das crianças. Deve ter batido o JMTavares ou o Baldaia por umas horas.

Além de possibilitar a actividade económica de todos os seus fornecedores, e são muitos, desde o sector alimentar, aos produtos de limpeza e higiene, permite que as famílias que se encontram em teletrabalho, desenvolvam a sua actividade profissional a horas de expediente e com a devida concentração.