São Remendos Curriculares Muito Bem Pensados

Embora confesse que a aritmética dos horários me esteja a escapar… como é que de 38 se chega aos 200.

Em finais de janeiro deste ano, quatro meses depois do início das aulas, havia ainda 38 horários por preencher, o correspondente a 200 professores de Informática em falta nas escolas. Para resolver o problema, o Ministério da Educação decidiu que as escolas podiam contratar quem tenha participado numa ação de formação na área das tecnologias.

Porque isto anda tudo ao contrário…

As regiões mais afetadas pela falta de professores são Lisboa e o Algarve. A questão da Informática é a mais preocupante, mas há já falta de professores também noutras disciplinas como o Português, Geografia e Inglês.

Perante este cenário, o ministério da educação diz à Renascençque está a estudar com detalhe as necessidades da falta de professores, estando a ser criado um grupo de trabalho com as universidades para verificar quais são as necessidades de formação procurando aumentar a atratividade da profissão.

Ora bem:

  1. Introduzem-se disciplinas no plano curricular sem estudo prévio da viabilidade em termos de meios humanos (nem falemos das condições técnicas em algumas escolas).
  2. Quando dá asneira, é que se vão verificar as “necessidades de formação” que, a serem cumpridas devidamente, só terão efeitos a 5 anos.
  3. Não se percebe bem com quem (e em que termos) se vai discutir o aumento da “atratividade da profissão”.

Já agora… não se acanhem que há outros grupos que estão também em pré-ruptura.

eu-sou-o-burro

 

 

2ª Feira

É um alívio  (embora não seja pelas melhores razões, claro), saber que não é só da Educação que existem governantes com evidentes inconseguimentos verbais como bem revela a conversa sobre cházinho e bolinhos do secretário de Estado da Saúde.

crazy donald

E nas escolas, passa a existir uma mesinha com pastéis de nata e café acabadinho de moer no átrio para quem chegar mais nervoso?

Estou A Modos Que Coiso…

A situação tem o seu quê de caricato, confesso, mas quem acha que se pode dar TIC apenas com uma qualquer acção de formação feita (e nem sequer uma medalha olímpica) está pronto para tudo.

Professores de Educação Física indignados pela funcionária municipal Manuela Machado dar ‘aulas’ de atletismo!

O que também me incomoda mesmo muito é o medo demonstrado em assumir as coisas. O que receiam? Perder o apoio para certas atividades?

Os signatários, que solicitaram a confidencialidade das suas identificações, afirmam que «estamos a entrar no segundo período do ano letivo e seria uma enorme insensatez da nossa parte permitir que os próximos voltem a funcionar nos mesmos moldes. Nem nesta, nem, eventualmente, noutras regiões do País».

Aguardem pelo avanço da municipalização e aposto que até o sobrinho do vizinho do senhor autarca poderá dar música a todos.

Não sei se ria, se chore.

LAughing

Dança Inclusiva? Não Seria Melhor Flexível?

Aparece sempre de tudo na minha caixa de correio.

WORKSHOP DANÇA INCLUSIVA
A formação será orientada pela CiM – Companhia de Dança

O workshop procura explorar diferentes metodologias da dança contemporânea através da prática de técnicas que configuram o movimento como extensão do corpo, e desenvolvem a consciência do mesmo por parte de cada participante.
O workshop consiste numa abordagem aos conceitos base da improvisação, assente em experiências de comunicação através do movimento partilhadas entre todos, sendo o corpo o principal instrumento de observação e trabalho.
Pretende-se criar um espaço de pesquisa de uma linguagem de movimento comum aos participantes e de percepção e integração das potencialidades de cada um, no sentido de trabalhar sobre os limites do corpo como inspiração para a criação.

Público-alvo | Aberto a todos os participantes com ou sem deficiência, com ou sem experiência anterior em dança, interessados em explorar e partilhar práticas de movimento no cruzamento entre dança inclusiva e dança contemporânea.

Entrada livre, mediante inscrição prévia.

Danca

O Verdadeiro Artista…

… é aquele que exalta a necessidade de conhecimentos para fruir as Artes, mas em matéria de Expressões manteve, durante quatro anos de mandato, a redução do peso das expressões artísticas no currículo (nesse aspecto não se distinguindo em nada da “direita” da troika), enquanto multiplicava o espaço exclusivo da Educação Física. A separação no 2º ciclo da Educação Visual e Tecnológica em duas disciplinas sem par pedagógico manteve-se, fragmentando uma abordagem de técnicas que estão fatiadas a 90 minutos semanais. Tal como a Educação Musical. No 3º ciclo, a presença das Artes é residual, pelo que é de uma muito particular falta de decoro que se escreva o que a seguir coloco (p. 33), de forma a que se perceba que não é feita qualquer manipulação do texto pensado e assim escrito.

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Alguém me explique, devagarinho e com factos concretos, porque é que um dos autores desta longa passagem – com a qual concordo na formulação e substância – pouco ou mais exactamente nada fez para que fosse possível concretizar uma efectiva educação artística nas escolas públicas, investindo nessa componente do currículo em vez de transversalidades do tipo “Literacia Financeira” ou mesmo “Educação para o Empreendedorismo”. Que podem ter o seu lugar e sentido, mas não num contexto de completa erosão ou apagamento das Artes no currículo do Ensino Básico. Houve muita preocupação em demonstrar, por vias de provas de aferição no 2º ano, que os alunos não sabiam dar cambalhotas ou fazer determinados movimentos de Expressão Física, mas nenhuma em que eles (ou os de 5º ou 8º) revelassem se compreendiam a diferença entre uma pintura e uma escultura ou se têm alguns hábitos regulares de consumo cultural.

Já sei… é tudo uma questão de aplicação da “autonomia” por parte das “escolas”.