Dois Mundos

Leio no Público o presidente da ANDE a afirmar que “a situação está muito melhor do que em Março” referindo-se aos meios ao dispor de escolas e alunos para o ensino à distância. Diz que na escola dele já só há 15% (contra 30% em Março) de alunos sem equipamentos. Ainda bem que ele acha que Sanfins chegou ao 1º mundo. Azar meu, andar pela cauda da coisa, o que me provoca a “prevalência” de uma “percepção” claramente errada da situação.novil

Phosga-se – Série “As Presenciais” – 2

Confesso que há situações que me fazem pensar que há quem não entenda mesmo nada disto da “Transição Digital”, nem que é possível o preenchimento de documentos online, sem ser necessário ficar tudo para o DT. Alguém informe quem de direito, mas infoexcluíd@, que mesmo durante a reunião, por exemplo com o Teams, cada participante pode editar documentos que estejam na plataforma. Ou podem preencher com antecedência. É fabuloso que existam situações do tipo:

“No Agrupamento de Escolas (…) as reuniões serão presenciais. Não sei exatamente qual é a fundamentação, mas acho que se prende com a quantidade de documentos a produzir na reunião que, no caso desta ser online, ficariam apenas a cargo do DT…

Já de outra natureza são as decisões em que sai convocatória e nem se explica o porque sim ou porque não. É assim e mai’nada. Dois exemplos, um a norte, outro a sul.

Tendo em conta que o concelho de (…) e os concelhos limítrofes, devido ao número elevado de casos covid, estão categorizados como de risco muito ou extremamente elevado, não me parece minimamente razoável a marcação de reuniões presenciais, colocando desnecessariamente em risco os professores. Até ao momento não houve qualquer justificação para as reuniões seres presenciais.

No Agrupamento (…), TODAS, as reuniões são presenciais. Sem fundamento conhecido. Saiu convocatória, ponto final.

Phosga-se – Série “As Presenciais”

Vou recebendo respostas, reservando a identificação dos locais para outra ocasião, preferindo por agora seleccionar apenas algumas das situações descritas, destacando aquelas que acontecem em zonas de risco extremo ou muito elevado de acordo com a lista oficial em vigor à data de hoje. E chamo a atenção para os casos em que se realizam por pressão de colegas que acham que nada como fingir normalidade.

Caso 1 (concelho com risco extremo) – Então e a Transição Digital?

“No agrupamento(…) as reuniões estavam inicialmente marcadas para serem online, contudo, houve um levantamento considerável contra as reuniões online, por vários motivos, a internet em casa é lenta, o computador é velho, se o computador avariar não tem tempo para arranjar, não se sentem confiantes com a reunião online, não percebem nada de transição digital, etc,etc… Resumindo, todas as reuniões do pré ao 9 ano serão presenciais.

Caso 2 (concelho com risco muito elevado) – Tau-tau n@s menin@s rabin@s!

“Vamos ter reuniões presenciais porque, durante as intercalares, tivemos colegas a fazer as vídeoconferências a partir dos telemóveis, durante as viagens de regresso a casa. Reuniões de avaliação presenciais são o puxão de orelhas da nossa diretora! Relembro que estamos a falar (…), que está há semanas no risco muito elevado!”

Caso 3 (concelho com risco “apenas” elevado) – As meninas e meninos queriam ficar à roda da fogueira!

“(…) na minha escola (…) finalmente decidiram fazer as reuniões on-line. Sempre propus isso mas nunca acontecia. O que mais me espantou foi que vários colegas ficaram muito contrariados porque, já que damos aulas no meio dos alunos todos… e o melhor : as reuniões presenciais são muito mais “solidárias “ e “ coletivas”, porque os “os papéis vão passando entre todos”…enfim, envio- lhe esta curiosidade.”

Caso 4 (concelho com risco muito elevado) – Dizem que é ilegal!

“Na Escola Secundária (…), os conselhos de turma de final de período (como todas as reuniões na escola, desde junho) serão presenciais. A Diretora segue à risca o que a tutela sugeriu, porque a convenceram de que é ilegal convocar reuniões ‘on-line’ (justificação dada em Conselho Pedagógico aos conselheiros que sugeriram reuniões por videoconferência).

“Essa É Uma Óptima Pergunta!”

Ou é “muito interessante”. Como nas conferências de imprensa dos políticos.

As regras da cortesia “positiva” obrigam a que se cumprimente deste modo toda e qualquer questão (ou comunicação) que seja apresentada nos “debates” que se seguem a sessões de “formação”. Mesmo que sejam de uma inanidade assinalável ou a bilionésima vez que se enuncia um chavão com um cheiro imenso a falta de leituras ou simplesmente de atenção à vida.

Não, muitas questões são apenas uma forma de ocupar tempo e marcar presença sem conteúdo substancial nenhum e ainda menos (se possível) interesse para avançar seja o que for no assunto em discussão.

Universos Paralelos

Há o das escolas das reportagens televisivas que, num espírito de admirável cooperação como governo no sentido de uma mensagem de “confiança”, que assegure ao país que os espaços escolares são seguros, no qual aparecem salas bem iluminadas e arejadas, com carteiras individuais, bem espaçadas e grupos de 12-15 alunos e tudo o que parece próprio de um país do 1º mundo em tempos de pandemia e há o de muitas outras escolas que se debatem com problemas de gestão de espaço e condições ligeiramente menos próprias para a mensagem oficial nas parcerias Governo/SIC ou Governo /TVI.

Hoje, uma turma já com 27 alunos (apareceram 25, mais uma que não sabia onde estava e acabou por ir em busca da turma certa), em mesas duplas, numa sala que até é das maiores da escola, mas no máximo consegue ter 30 lugares. Se algum “vizinho” recusar mais transferências ou alguém chegar de fora, já sei que ficarei a caminho dos 30, mesmo com 1 PEI à mistura e mais tudo aquilo que vou agora descobrindo. Com a chuva e ventania matinal, janelas quase todas fechadas… porta aberta para corredor interior de passagem para outras salas.

Ora bem… eu até lido com isto com a “resignação”/compreensão mínima indispensável, mas o que dirão os encarregados de educação que vêem na televisão uma coisa e os seus educandos lhe descrevem outra completamente diferente? A culpa é das “escolas”, dos “professores”, que não se souberam “organizar” devidamente com tanta “autonomia” que lhes foi dada? Pois… quase se entende essa tentação.

Como também sou encarregado de educação e a turma da petiza vai em 29, até posso pensar que é um complot. Para mais porque a DT da cara-metade vai em 27, também em circunstâncias físicas similares. Que me enviaram para o “planeta mau”, tipo bes falido, e que os outros estão todos no universo goldman sachcs do durão.

Era bom que a “informação” fosse menos propaganda oficial mal disfarçada, porque algum jornalismo desacredita-se a si mesmo ao apresentar campos floridos quando há quem olhe em redor e muito além e só veja poeira no ar.

E não me venham com a necessidade de ser “positivo”, de a encarar tudo como uma oportunidade, porque ainda lhes digo que, nesse caso, falecer é uma belíssima oportunidade de fugir ao fisco.

E Aulas Take Away?

Porque esta das refeições para levar e ir comer algures é assim uma ideia que é capaz de parecer muito gira e tal, mas o que fazem os alunos sem ninguém em casa? Comem no passeio? Nas escadas? Em especial se as aulas chegaram ao tempo invernoso, para quem não more junto à escola, será que me podem dizer como serão as coisas? Sim, a situação é difícil, não o nego. Mas…

Os alunos andarão em “bolhas” até casa ou ao atl? E se forem no autocarro do atl, ali todos juntinhos, podem fazer partilha de lanches e almoços?

É para evitar contactos? De quem? Dos 25-28 alunos que estavam numa sala a dois palmos uns dos outros e saíram todos ao mesmo tempo em correria para a comida? E as filas, são do lado de dentro ou de fora? E a comidinha que já agora muitas vezes chegava morna-fria ao prato, como vai estar quando a petizada a for comer? Será que sabem o que é o funcionamento de uma cantina que tenha umas centenas largas de refeições por servir por dia?

Isto são só críticas de bota-abaixo? Nem por isso, mas mesmo se assim fosse, há quem não mereça melhor.

clown

 

Exames “Estilo 2020”

Pode não haver máscaras para todos ao final da primeira semana, mas há “espaço”. Foto do Gonçalo Barata, numa escola na Capital do Ex-Império do Turismo. Podia ser na China, mas não é. Podia ser um exame de Educação Física, mas não é.

Relembro a quem afirma que o espaço é amplo e arejado, que estão suspensas as provas desportivas em recintos fechados. E mesmo o futebol ao ar livre é sem público.

ExamePavilhão

Com A Força Telecinética Da Mente, Portantossss….

Nadadores-salvadores devem “tentar salvar sem entrar na água”, dizem regras

Baywatch

(não… não é um recurso gratuito às jovens garbosas do Baywatch, mas apenas a demonstração de como pelo menos com este método, a maioria dos gajos sairia logo da água, mesmo antes de pensar em afogar-se…)