4ª Feira

Há exactamente duas semanas, anunciava-se que os computadores negociados com a NOS, Altice e Vodafone “começam esta semana a chegar às escolas portuguesas”… aqueles que em Outubro o ministro Tiago anunciara para a primeira quinzena de Novembro.

E aqui estamos todos nós, duas semanas depois, com cada vez mais alunos (e professores) em casa, de novo, a acreditar em magia. Dizem que já chegaram cerca de 25.000 para o Secundário, mas gostava de saber do resto. Aviso desde já que este pobre coitado onde estou já está mais exausto e desmemoriado do que eu. Portantossss….

Domingo

Enquanto regressava de passeio matinal desanuviador, ouvia o noticiário do meio- dia na TSF.

Pergunta da jornalista ao presidente da ANDE acerca das “pontes” das próximas semanas: “o governo consultou-o antes de tomar a medida?

Resposta de Manuel Pereira (cito de memória, em versão curta); “sim, o senhor ministro falou comigo depois do Conselho de Ministros a comunicar-me a decisão.

A sério que me divirto muito com estas coisas e têm razão os que depois não gostam de mim porque não as deixo passar sem anotação.

Sábado

Da reunião no Infarmed, entre outras informações, ficámos a saber que muitos números que são apresentados para “desenhar” as políticas são uma triste ficção. A verdade é que em 80% ou mais dos casos de contágio, não se sabe a sua origem e mesmo desse só em 60% se consegue estabelecer com algum rigor o “paciente zero” ou algo similar. O que significa que se dizer que 70% dos casos (com origem conhecida e rastreio completo) tem origem aqui ou ali (tem sido usado um valor próximo para os contágios em ambiente familiar), é uma mistificação que esconde o facto de esse valor ser 7-8% de todos os casos “positivos”. O que é muito pouco, pois o rastreio de casos com transmissão familiar é mais fácil de determinar do que o verificado em outros ambientes.

E tudo isso ajuda a explicar que o que aparece na boca de políticos, como o actual PM ou o PR, seja tão desconforme ao que se observa no dia a dia. E ao que estudos internacionais feitos com outro tipo de amostras (na quantidade e qualidade) demonstram.

6ª Feira

Falam em “antecipar” as férias escolares por causa do “pico”. Em boa verdade, a “antecipação” consiste em colocá-las onde normalmente estão, mais ou menos um par de dias. E se é verdade que o teletrabalho é mesmo obrigatório (“sempre quer possível”) em concelhos que representam 85% da população, a petizada nem ficará ao abandono (espera-se…). E sempre se poderiam evitar reuniões até praticamente à véspera de Natal, o que para alguns idiotas parece lógico, pois os “professores não devem estar de férias nestas alturas, porque parece mal”. Por “idiotas” entendam-se especialmente professor@s que dizem isto, com um ar que nos deixa sem dúvidas acerca do vazio que deve ser o resto da sua vida, portões fora.

(claro que criaturas maledicentes como eu, poderão inquirir se, sendo verdade que não existe relação entre as actividades escolares e o aumento dos contágios, porque será necessária tal medida… será porque assim poderão fazer algo sem perder a face de modo muito evidente?)

5ª Feira

De quem é a responsabilidade – se é que há – por manter algum decoro no espaço envolvente das escolas, em matéria de regras básicas de “contacto social”? E é bom que se note que não me estou a referir à “dimensão dos afectos”, mas apenas ao decoro mínimo exigível nas circunstâncias actuais. Porque quem está nos portões diz que o que se passa é “fora” e se alguém diz algo quanto aos ajuntamentos ainda as coisas acabam mal.

4ª Feira

No contexto actual de agravamento das medidas restritivas em muitos concelhos e em que se sugere – ou impõe – a redução de “convívios” sociais ou familiares e das deslocações ao mínimo essencial, merece especial adjectivação vernácula quem anda a convocar reuniões de avaliação presenciais para o final do 1º período. Cheira logo a mando de quem ou não tem reuniões dessas ou acha que não deve ficar na escola sem companhia alargada, mesmo que isso signifique desnecessários riscos acrescidos para os ex-pares. É nestas alturas que custa imenso não partir para uma escalada verborreica, porque realmente há gente que não merece tal esforço de contenção.