3ª Feira

Se as eleições antecipadas só interessam ao PS, porque anda tanta barata tonta na área mediática cor de rosa a espernear contra as ditas. Não me venham dizer que é por causa de uma atitude de “responsabilidade”, porque a maioria dest@s menin@s o que teme é outra coisa, ter de aumentar o nível de partilha do bolo. Parece que o PCP deixou de achar que um par de arquivos históricos não vale um punhado de câmaras.

(a grande novidade é que, mesmo com a imensa apatia de Cavaco durante o primeiro mandato de Sócrates, nenhum Governo teve um amigo tão afável na Presidência)

Domingo

Compra em modo de piloto automático do Astérix e o Grifo. Como os últimos, não é mau, mas também não é propriamente bom, porque continua o problema dos guiões, apenas suportáveis q.b. Quanto ao desenho, nada de especial a assinalar. Se olharmos, sem ler, podemos pensar que estamos no período áureo do Uderzo (embora em algumas páginas, surja quase em esboço o segundo plano, como quando os centuriões estão a levar tareia em série). Compra-se por nostalgia e para continuar a ter a colecção completa. A aposta no revivalismo franco-belga continua, porque agora foi a vez de repescarem o Bob Morane, juntando-o ao Ric Hochet. Michel Vaillant, Bruno Brazil, Corto Maltese e os já mais antigos Blake e Mortimer. Matam apenas algumas saudades.

Sábado

Uma das palavras agora em voga é “transição”. Transição digital, transição energética, transição seja o que for. O que significa que estamos em trânsito de um ponto para outro. Mas isso estamos sempre, queiramos ou não, porque faz parte da ordem natural das coisas. De forma mais rápida ou mais lenta. O problema é que ouvimos e lemos muito sobre transição, mas raramente a que sentimos é a anunciada. Eu senti, por exemplo, uma transição fiscal bem forte e nem por isso gostei. Muito menos que sinto que essa transição é regressiva, no sentido da perda de direitos ou capacidades. “Transição digital” é um dos chavões que agora se aplica a tudo e nada. Nas escolas até se fazem planos, mesmo que não existam meios para a assegurar. Fora delas, não se explica que muitos dos avanços na circulação da informação se baseiam em tecnologias pouco amigáveis com a Natureza. Já no caso da energética, receio muito que a deriva para a “descarbonização”, se for feita na base da destruição da cobertura vegetal para colocar painéis solares em todo o lado e mais algum, não acabe muito bem. Como aconteceu a desflorestação no Brasil para produzir etanol. Usa-se o termo como se significasse progresso, para cativar apoios e adesões. Mas em alguns casos, talvez fosse bom esclarecer que talvez signifique um regresso. Ou as suas verdadeiras implicações a médio e longo prazo, para além da propaganda e de novas áreas de negócio.

6ª Feira

(versão revista e desgralhada)

O sindicalismo docente está nos dias de hoje mais ou menos no mesmo ponto que estava há 15-20 anos, só que com um acréscimo de ineficácia perante o poder político. Após alguma agitação entre 2008-2012, tudo acabou por voltar ao remanso habitual, conveniente a quase todos, excepto os mais interessados, ou seja, a maioria dos professores, do quadro ou contratados. As cúpulas conseguiram resistir à agitação mantendo o essencial do que queriam, que era deixar o status quo quase inalterado. A generalidade dos contestatários “inorgânicos” daquele período (onde me incluo) nunca os quiseram substituir e as “alternativas” como o S.TO.P. chocaram com a aliança de conveniências entre a tutela e o a ortodoxia sindical, mais amarelo-alaranjada, rosa ou vermelha. Com o aparecimento da geringonça, alguns apocalípticos de direita acharam que o Super-Mário tinha tomado conta da 5 de Outubro (agora 24 de Julho), não percebendo que se estava a passar exactamente o contrário. Os ferozes “radicais” foram amansados para lá de qualquer ponto antes imaginável durante o tempo suficiente para ficarem ainda com menor credibilidade junto das bases, ao mesmo tempo que deram margem de manobra para que uma série de reversões não ocorressem ou nem pela metade ficassem.

O que resta? O folclore tradicional e greves à 6ª feira como dantes, só que sem quaisquer compensações pela oferta do dia de salário dos crentes. O sindicalismo só tem a força que os sindicalizados (ou os representados, por extensão) lhe dão? Não é bem assim, pois esse é o argumento dos que fizeram o buraco ou o ajudaram a fazer, por acção parva ou inacção displicente. Não foi por falta de avisos dos que gostavam de tratar como fdp sempre que podiam. Fizeram tudo por eliminar o “ruído” a partir de 2015, em alegre conluio com o António, o Tiago, o João e a benção do Jerónimo e da Catarina. Conseguiram o vosso objectivo quase por completo e muitos acabarão a carreira em gabinete aquecido, sem ver uma sala de aula de novo, apesar das repetidas garantias do amor pela docência. Com jeitinho, ainda são convidados pela “reitora” ou equivalente para orientar teses de doutoramento.

Se em 2008 não me sentia representado por esta malta (falo das cúpulas, não de muita gente boa nas bases), agora estou num outro nível de indiferença e absoluto desdém pelo que considero um feudo de oportunistas e demagogos, que nada fizeram para reformar um modelo ultrapassado de sindicalismo quando este deveria ter compreendido que a sua importância no actual contexto e não ter pensado que ela depende essencialmente de lugares à mesa, como se fossem “pares” do poder político. Ninguém os acha assim e, pelo caminho, preferiram deixar de ser “pares” daqueles que representam. E não venham com ladaínhas e acusações de anti-sindicalismo que isso já farta e faz lembrar o vosso amigo secretário que, sempre que é criticado, se arma em vítima sensível e engomadinha.

Soluções para a situação? Vocês sabem que nós sabemos que vocês sabem quais são 😀 . Não vale a pena voltar a chorar no lenço molhado onde vocês se assoaram sem pudor.

5ª Feira

Leio notícias e muitas opiniões sobre as negociações em torno do Orçamento. Em alguns casos não passo do primeiro ou segundo parágrafo, porque aquilo é escrito em circuito fechado, em modo de recado, aviso, tentativa de condicionamento da opinião pública. Pouco ou nada do que se diz ou escreve se relaciona com a vida quotidiana da maioria da população sem cartão partidário, mesmo se o que está em causa é até certo ponto muito relevante para essa vida. O problema é que é raro o escriba que consigo ler ou palrador televisivo que consigo ver e ouvir, sem notar que tem uma camisola vestida e que, no fundo, não está ali para informar ou analisar, mas a defender uma causa própria, mais ou menos implícita. Cansa gramar com tantas talking heads sem talento.

4ª Feira

Há umas semanas para o Jornal de Letras escrevi um texto em que questionava se continua a valer ir à escola e para mais tantos anos. “Que disparate!” foi a reacção de alguns cortesãos do costismo educacional. O problema é que os factos e as “evidências” estão por aí: “Prémio salarial da escolaridade está a cair para os mais jovens”. E muitos dos que trabalham, são empurrados para ocupações abaixo das suas qualificações, porque o nosso mercado de trabalho é mais para caixas de supermercado e empregados de lojas de telemóveis, sem desprimor para quem faz isso com profissionalismo. A escolaridade obrigatória de doze anos seria um progresso mais notório, se muita gente pudesse ver nisso algo de útil para a sua vida e não apenas uma estratégia para diferir inconseguimentos em tantas áreas da governação que nem com bazuca se libertarão dos velhos vícios de dar de comer sempre aos do costume, mais ou menos rotativismo, maior ou menor arco da governabilidade.

2ª Feira

Tenho de arranjar maneira de aparecer aí uma proposta de lei que defenda que os professores actualmente no grupo 200, mas que em Março de 1987 começaram a leccionar no velho 10º A em horário nocturno, possam passar imediatamente à situação de pré-reforma, com direito a 100% da remuneração calculada com base no escalão previsível a que chegaria se ficasse na carreira até aos 67 anos, com a classificação de Excelente em todas as avaliações.

Domingo

Não é extrema novidade desconfiar de quem, partir de fora, tece loas aos professores. Há casos singulares de sinceridade mas, em regra, quando alguém começa, assim de repente, a elogiar os professores tem um de dois objectivos: a) conseguir o seu apoio para chegar ou manter-se no poder e, então, limitar os direitos profissionais e laborais da classe docente; b) vender-lhe qualquer coisa como se lhe fosse muito útil para o seu desenvolvimento profissional (formações, guias de boas práticas, manuais).

Temos o azar de ultimamente termos quem acumula .os dois tipos de objectivos.

(o Crato elogiava, mas nada fazia de positivo, a “reitora” não elogiava e ainda destratava, portanto…)

Sábado

Tem a sua graça ler contra-alegações de SADD’s a esmifrarem-se por demonstrar que determinad@ colega não teve um “desempenho de excelência” quando a sua classificação foi de 9,2, 9,3 ou mesmo 9,6 ou 9,7. Que digam que houve classificações mais altas e o sistema de vagas é perverso até à medula, eu entendo. Agora dizer que alguém com 9,3 ou 9,6 não é Excelente ou sequer Muito Bom é ainda mais ridículo do que ter a dizê-lo gente que o mais certo é não conseguir chegar aos calcanhares do razoável.

Para quando, uma SADD que tenha a humildade de admitir que se limita a fazer o que lhe é mandado. Ou alguém que tenha a coerência de fazer um voto de vencido a declarar oficialmente que discorda daquilo de que, oficiosamente, garante discordar. Será precisa assim tanta coragem?