2ª Feira

Numa perspectiva de Escola Inclusiva, Flexível, Inovadora e tudo isso, até que horas é admissível – se não é admissível sempre – que os alunos se espreguicem longamente de braços esticados e boca muito escancarada por se terem deitado (ou adormecido) tardíssimo por terem estado a jogar online ou em outra actividade gostosa?

É que não aprendi isso no estágio.

espreguiçar2

6ª Feira

Avançamos com decisão e “assertividade” – e com a consolidação da municipalização o mergulho será de cabeça – num modelo de decisões em que os “projectos” s(er)ão classificados de acordo com as cores certas ou as pessoas adequadamente colaborantes com a promoção dos interesses dominantes na “comunidade educativa”. Aprendi isso, em episódios que já contei mais de uma vez, quando fui técnico superior numa câmara há 30 anos durante pouco mais de um ano. Não mudou praticamente nada. Já na altura me provocava urticária esta práxis dita democrática e de “proximidade”.

poisonivy

3ª Feira

Também adoro pessoas que acham iníquo o modelo de avaliação do desempenho, mas consideram extremamente importante desempenhar com muito rigor a sua função de avaliadores. E ficam tão contentinh@s. Vão a par daquelas que abominam grelhas, indicadores e descritores, mas depois perdem horas a debater o tempo dos verbos e a largura das colunas e as letrinhas do perfil.

Homer

6ª Feira

Um abuso que continua a existir, em especial por causa das regras dos “profissionais”, mas que se começa a estender a outras “zonas” é a de querer que pessoas que estiveram doentes ou a fazer tratamentos, com atestado e não a passear e a colocar fotos de praias dos trópicos nas redes sociais “reponham” as aulas que não deram. Ou seja, depois de terem descontado no salários os 3 dias da praxe a ainda a percentagem relativa aos dias seguintes, há quem queira que as aulas não dadas então sejam “repostas”, mas sem reposição salarial. E há escolas e agrupamentos em que me é contado que, quando se fala na “greve ao sobre-trabalho” surge a ameaça de, nesse caso, descontarem o valor correspondente, levando a uma dupla penalização por cada “falta”. E claro que há quem faça, não lhes caia em cima no ano seguinte uma horariozinho daqueles de rachar calhaus. E ainda há quem venha dizer, com aquele ar compungido do colaboracionismo hipócrita, que não adianta “criar mau ambiente”.

(mas também há os que levaram esta malta ao colo todo o mandato anterior e agora que as coisas não correm com a feição esperada, tenham súbitos acessos de apoplética indignação, funcionando como contraponto aos representantes de directores que muito “denunciam” mas nada fazem)

Entendamo-nos… se há abusos de atestados, verifiquem-nos e não façam chuveirinho (no meu caso, o último remonta a 1998, mas como não tenho “profissionais” estou mesmo com vontade de assumir a saturação que tudo isto me está a fazer chegar ao nariz e meter o primeiro deste milénio) e não andem a castigar as pessoas por causa de regras da treta de “cursos” em que os alunos são os primeiros a faltar que se desunham e a apresentar justificações do país das maravilhas que os órgãos de gestão e “chefias intermédias” aconselham muito a aceitar para que não se registe o absentismo (e quase abandono) que efectivamente existe. O primeiro caso é de mera decência (o de não forçar as pessoas a fazer aquilo pelo qual não são pagas), o segundo de mera honestidade (admitir todo e qualquer tipo de justificação de faltas para dar a ilusão de um sucesso do escafandro na “diversificação da oferta”).

É bem verdade que me lembro muito bem de muito boa gente fugir com o lombo ao trabalho e outras habilidades nos anos 80 (como aluno e professor) e 90, quando foram “professores” vultos que por aí andam, desde opinadores mediáticos a autarcas ex-responsáveis parentais (e que quase aposto que seriam dos que mais abusavam e se puseram a andar quando perceberam que a sério não aguentavam), mas isso não justifica que quem cumpre tudo o que pode, ainda a mais seja obrigado, enquanto a quem nada faz, pouco ou nada se exige.

Com a colaboração activa dos rabos sentados.

fantastic3

5ª Feira

Quem nunca deu aulas num rés-do-chão e, por ter de fechar as persianas para projectar qualquer coisa, levou com uma revoada de pancadas, boladas e pedradas que atire a primeira pedra para o 1º andar. Mas, claro, o falha é do professor por colocar ou porque a estimulação de cidadania não consegue ir além das paredes que encerram as salas como uma prisão que se fecha sobre as crianças, pobres aves a quem a escola corta as asas da imaginação, pelo que ficam obrigadas a praticar o pequeno e residual vandalismo, sempre útil para um futuro no empreendedorismo nacional.

É notório que me falta “formação” para coiso

smile