Dia 18 – Quem Está A Preparar Reuniões Para 2ª Feira?

São várias as escolas que convocaram para amanhã (e dias seguintes) uma sucessão de reuniões de formatos diversos (grupos disciplinares, departamentos, conselhos de turma, equipas disto ou aquilo) para delinearem os seus planos E@D conforme instruções da tutela.

E tal como a tutela primeiro mandou fazer o que fosse possível para dar a aparência do 2.º período terminar com alguma “normalidade” e só depois traçou a custo um rumo, também a nível local se avançou primeiro com a pressa de apresentar as soluções no mais curto espaço de tempo e só agora vão surgir os “planos”.

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Dia 17 – A Maioria Dos Alunos Já Quer Voltar

(entretanto já foi publicado no Educare)

De acordo com os resultados de um questionário colocado online pelo Observatório das Políticas de Educação e Formação divulgado ontem à noite, perto de dois terços dos alunos que responderam revelam que já querem regressar à escola. Nas notícias que li ou ouvi, este valor, como outros sobre a satisfação dos encarregados de educação com as medidas já praticadas ou a mudança de hábitos de estudo ou no quotidiano, são “preliminares” e baseiam-se em cerca de 1200 respostas. Vou ultrapassar as reservas metodológicas que me levantam o inquérito, que entretanto preenchi, constatando que não existe qualquer forma de verificar a veracidade da situação dos respondentes (poderia ter declarado que era aluno e respondido na mesma, sem qualquer tipo de controlo). Vou crer que todas as pessoas responderam de forma séria e que os dados não se encontram de forma alguma afectados por essa opção pela facilidade da recolha dos dados em detrimento da sua fiabilidade.

A corresponder ao sentir da maioria dos alunos, isto demonstra que, afinal, a escola é um local que eles apreciam e do qual ao fim de duas ou três semanas já sentem saudades. O que contraria a ideia preconceituosa de alguma opinião publicada e mesmo de “estudos” acerca da insatisfação dos alunos com o seu quotidiano escolar. Eu sei que há quem separe o gosto pelo espaço de socialização e o desgosto com as aulas. Mas eu acho que essas fronteiras são mais artificiais e operatórias para alguma sociologia simplista da educação do que a realidade. As alunas e alunos, na sua maioria, gostam da escola e mesmo das aulas, embora com naturais assimetrias. E basta uma minoria mais vocal para conseguir perturbar o quotidiano de colegas e professores (no actual ambiente de complacência com esses comportamentos) e para justificar conclusões apressadas acerca das atitudes da maioria dos alunos em relação à Educação. Ainda há esperança, apesar de tudo que tem sido feito para em nome do “sucesso para todos”.

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Dia 16 – Uma Aparência De Normalidade

Embora eu saiba que há quem ande numa roda de reuniões virtuais, sem quaresma que lhes valha.

(…)

Passada a febre do armazenamento de frescos, meio-frescos, congelados e papéis diversos, já é possível entrar num supermercado e trazer o essencial sem grande luta, em especial se tiver o cuidado de ir na hora em que a maioria está a almoçar, que eu não tenho paciência para ir ao abrir da loja para comprar a primeira carcaça da fornada.

Arruma-se a papelada que serviu de suporte às teletarefas das últimas semanas, mas sem a afastar muito da mesa onde o computador, finalmente, sente algum descanso durante a luz do dia. Os mails baixaram para um décimo do que foram há uns dias. O telefone já só toca quando é mesmo necessário. Há a esperança de, pelo menos por uns dias, as exigências baixarem de urgência. A incerteza quanto ao que se irá passar no 3.º período deve ser colocada em modo de pausa. 

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Dia 15 – Tempo Para Pensar (Com Tempo)

E prometo que agora vou ler em vez de escrever.

É o momento certo para todos respirarmos um pouco, de alunos aplicados a professores diligentes, não esquecendo encarregados de educação à beira de um ataque de nervos, e encararmos nem que seja uma semana de reflexão acerca do caminho a tomar, do rumo que é necessário ter coragem de assumir, sejam quais forem as opções, em vez de se andar numa espécie de chuveirinho de sugestões ou ideias mal trabalhadas, do plano central ao local.

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Dia 14 – A Mentalidade Presencial

É impossível dar qualquer salto quando não se compreende que as ferramentas digitais e o ensino à distância não representa qualquer avanço em termos metodológicos se o que se pretende é replicar o mais fielmente possível o que se passava em modo de proximidade, perdendo o aspecto fulcral desta, que é o contacto humano e a dimensão empática da relação pedagógica com os alunos ou de trabalho com os colegas.

O ensino/aprendizagem à distância e o teletrabalho docente não pode basear-se em fórmulas fechadas e rígidas, como aquelas que pretendem que tudo seja realizado do mesmo modo e de forma síncrona. Uma das vantagens do modelo de ensino à distância e talvez a única que permite alguma aplicação dos princípios da diferenciação pedagógica é a de permitir aos alunos irem avançando nas tarefas e aprendizagens no seu ritmo, adequando os materiais que lhe são facultados às suas capacidades. 

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