Dia 68 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 1

(esta semana vou ser muito construtivo… para não dizerem que não há proposta ou alternativas)

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Há opções a tomar que têm implicações profundas no modo de conceber e praticar o ensino e promover as aprendizagens, não se limitando a discutir que plataforma é melhor para simular uma aula presencial à distância ou que ferramentas tem cada plataforma para apresentar um powerpoint aos alunos numa sessão síncrona ou partilhá-lo de forma assíncrona. Enquanto andamos por estas “águas”, nada de muito novo se passa, porque continuamos (por muito que se negue) no “velho paradigma”, seja ele behaviourista, cognitivista ou construtivista, Mas é o que tem acontecido, porque é neste caldo cultural que os decisores e conselheiros próximos se sentem confortáveis.

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Dia 67 – Não Chegam Rótulos

O ministro da Educação deu uma entrevista há um par de dias em que disse muitas coisas óbvias, mas muito pouco de concreto sobre o próximo ano lectivo. Afirmar que temos de avaliar “ tudo aquilo que não foi consolidado ou tão bem ensinado” ou que “a recuperação das aprendizagens tem de ser um dos pilares fundamentais no regresso às aulas” são evidências que se impõem desde dia 16 de Março. Por acaso, ao ministro faltou falar no que não terá sido “aprendido”, pois só referiu “consolidado” ou “ensinado”, o que é redutor.

Por outro lado, também é evidente que temos de nos preparar para vários cenários, pelo que quando afirma que “temos de nos preparar para uma conjugação entre ensino à distância e presencial” é como dizer que temos de nos preparar para a possibilidade de sol ou chuva, frio ou calor, vento ou calmaria. Sim, temos de nos preparar para quase todas as eventualidades perante a incerteza que nos rodeia.

Por isso mesmo é que é tão importante uma avaliação rigorosa, desapaixonada e não política ou demagógica do que se está passar durante estes meses. É fulcral que a análise do que se está a viver seja feita com rigor e não numa modalidade de ficção embelezada para efeitos de aproveitamento político. É tempo de ter a coragem de não se encomendarem estudos para gastar verba com cliques académicas que já sabem que conclusões devem tirar logo que conhecem o caderno de encargos. É muito importante que, já que se tornaram os quase exclusivos representantes das “escolas”, os directores optem por não querer apenas ficar bem na fotografia ou nas graças do poder, à espera de não comprometerem o futuro. E é decisivo que os encarregados de educação não oscilem entre o mais completo colaboracionismo sejam com quem for (através dos “parceiros” oficiais para estas matérias) e a reclamação descabelada e excessivamente emocional.

Porque já se percebeu que o ministro da Educação se aprendeu algo nestes anos foi a entrar no “jogo político” e a enunciar fórmulas vagas e números sem grande sustentação. Quando, na mesma entrevista, declara que se afirmou “dos cerca de 1,2 milhões de alunos, 50 mil não teriam acesso a computador ou meios de acesso, o que acontece é que esse número foi sendo reduzido”, percebe-se que ou descolou da realidade ou está a mistificar a opinião pública. Os estudos disponíveis indicavam-nos, de forma consistente, no início da pandemia, que cerca de 20% das famílias não estavam em condições de assegurar aos alunos condições para um ensino à distância em condições mínimas. Se é verdade que as autarquias (mais do que umas parcerias privadas que surgiram para consumo mediático) fizerem em certas regiões um trabalho muito meritório na aquisição e fornecimento de equipamentos, isso terá dado quase só para compensar o crescimento das bolsas de pobreza que resultaram dos despedimentos e quebra de rendimentos. A maior parte dos testemunhos indica-nos que, neste momento, o ensino remoto não passa de um remendo, que a “telescola” é um complemento muito fraco em termos pedagógicos, pois a partir do 1º ciclo são “aulas” tradicionais em que se tenta dar matéria a rodos em meia hora, e que o número de alunos “desaparecidos” ou “intermitentes” aumentou em relação às aulas presenciais.

Seria bom que tudo isso fosse avaliado, antes de nos quererem fazer acreditar que é possível, a começar pelo Ensino Básico, implementar um modelo credível de blended learning.

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Dia 66 – A História Repete-se?

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Boa parte de quem não regressa às aulas presenciais, não o faz só por questões de segurança, mas porque irá manter apoio em casa, com ou sem ensino remoto da rede pública. Basta pensar em todos aqueles alunos que nas aulas regulares se mostravam displicentes e não negavam que o seu maior investimento era no par de horas de explicações privadas.

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Dia 65 – S@D (Sucesso A Distância)

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De garantir o “sucesso”, não com qualquer reformulação dos métodos de avaliação (como outro governante deu a entender em recomendações recentes, tiradas directamente de um manual de avaliação formativa de há 30 anos), mas sim de fazer uma série de avisos aos professores para a necessidade de atenderem às circunstâncias anómalas que se vivem.

Não havia necessidade. Nós sabemos.

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Dia 63 – Miúdos E Graúdos

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O que foi dito acerca do regresso dos “mais velhos” ser mais seguro, porque compreenderão melhor as regras de distanciamento social e estarão em melhores condições de as cumprir do que a petizada pequena, não resiste à observação da descontraída proximidade que se verificou nos espaços envolventes dos portões escolares. Até podem ter mesas a 2 metros de distância nas salas e trajectos que minimizam os contactos, mas cá fora foi business as usual, mais ou menos máscaras fashion.

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Dia 62 – Um Estudo Pela Manhã

O dia começa com a divulgação pública de um estudo da O.M.S., essa mesma que tem estado em todos os noticiários por causa da pandemia e das teimosias entre Trump e a China. De acordo com o dito, os nossos jovens com 15 anos são, ao que parece, dos que menos gostam da escola, ficando em 38% lugar (entre 45) na tabela da satisfação neste aspecto. O valor de 9,5%, obtido a partir de alguns milhares de inquéritos realizados em 2018, é uma queda muito acentuada em relação aos 29% (2.º lugar) verificados em 1998.

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Sim, estamos mais infelizes nas escolas e é bom que os alunos o digam, porque aos professores ninguém toma a sério.

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