“Atendendo Ao Número De Chamadas Em Espera, Esperamos Atendê-lo Em Cerca De Dois Minutos”

Cerca de 35 depois, desliguei, porque as músicas que colocam nestes casos são quase sempre irritantes para estarem em alta voz, enquanto esperamos. Mais de dois minutos foi apenas para me explicarem todas as opções que tenho para os contactar e que teclas usar. A mim, bastava clicar no 1 desde o início. E é isto o mundo da “economia digital” de – claro – uma grande empresa de comunicações à distância, net, fibra com olhos e tudo o mais.

O século XXI começou há 20 anos, mas não consta dos registos.

KeepCalor

O Texto Deste Mês Para O JL/Educação

Não conseguindo achar a edição em papel nem nos pontos habituais em que o conseguia comprar antes do confinamento, tive de o encomendar online, pelo que deixo aqui o texto, pois quer-me parecer que de outra forma será difícil lerem-no.

Foi escrito há uns 10 dias por questões de programação da edição e agora até é mais consensual do que seria há umas semanas. Não faço ideia do que outros escribas por lá deixaram, mas pelos nomes da douta gente convidada (como Domingos Fernandes ou David Rodrigues), dificilmente o meu não será o único texto pouco convergente com a Situação na Educação.

O fugaz apogeu de um fraco remendo

Numa peça recente (5 de Junho) do Wall Street Journal [i] fazia-se o balanço do recurso ao ensino à distância nos Estados Unidos da América, após o encerramento de dezenas de milhar de escolas que atingiu cerca de 25 milhões de estudantes do ensino não-superior, e as conclusões não são estranhas a quem acompanho este processo por cá: muitos alunos sem meios tecnológicos (computadores e acesso regular à net), professores a fazerem uma reconversão do seu trabalho num prazo curtíssimo, mesmo sem terem uma formação específica em ferramentas digitais para o ensino à distância e encarregados de educação sem capacidade ou tempo para apoiarem os seus educandos.

Em termos globais o “ensino remoto” (remote learning) foi considerado um falhanço, com muitos distritos escolares a, perante as dificuldades e desigualdades verificadas, comunicarem aos alunos para deixarem de desenvolver as tarefas que lhes eram solicitadas. Uma professora dum liceu de Brooklin é citada a afirmar aquilo que parecia uma evidência, mas estava longe de o ser: o facto de vermos muitos alunos agarrados imenso tempo aos seus dispositivos digitais fez com que se confundisse isso com a capacidade de acompanhar um ensino à distância com suporte nas novas tecnologias. Mas, como é sublinhado, “ser um consumidor digital e ser um aluno digital são coisas muito diferentes”. E isso é mesmo assim e bastaria um pouco mais de atenção para se ter percebido que é muito diferente fazer directos para redes sociais ou aplicar filtros pré-definidos a fotos e saber anexar no formato adequado e no separador certo um qualquer ficheiro com um trabalho solicitado numa plataforma com fins educativos.

Mesmo quando se pede apenas, e falo neste caso em primeira mão, que um trabalho manuscrito seja fotografado e anexado no espaço certo de uma “sala virtual”, em grande parte dos casos a imagem surge desfocada ao ponto de ser ilegível, está anexada da forma que calha ou, no limite, nem aparece, porque o aluno se esqueceu de guardar o anexo e mandou entregar o trabalho sem qualquer documento. E este tipo de situação não melhorou, infelizmente, com o passar do tempo, apesar de sucessivas tentativas para explicar o processo. A literacia digital para o lazer e diversão é uma coisa bem diversa da necessária para aceder a conteúdos educacionais e usá-los como base para desenvolver novas aprendizagens.

Isto já era sabido, mas sucederam-se semanas em que parecia que estávamos a entrar num admirável mundo novo, cheio de “oportunidades” e não num caminho com um enorme potencial distópico e multiplicador das desigualdades. E quem o afirmava é porque não queria colaborar nas soluções e avançar para os novos tempos.

Elogiou-se muito a “Telescola”, mas está por perceber se não foi mais uma forma de ocupar o tempo e uma curiosidade para os avós do que uma ferramenta eficaz para as aprendizagens dos alunos. Em sinal aberto, permitiria “chegar a todos”. Resta saber a quem se chegou verdadeiramente e se foi aos que mais necessitariam de um acompanhamento. Assim como diversas soluções adoptadas foram, em termos curriculares, de didática e de pedagogia, as mais adequadas. A quebra brutal das audiências ao fim de uma semana ou duas é apenas uma pista a ser analisada sem conclusões determinadas por quem encomende um necessário estudo sobre a experiência.

Por outro lado, o nível de retorno de trabalhos solicitados no chamado E@D, mesmo com prazos alargados, seguiu uma tendência de subida nas primeiras semanas do 3ºperíodo, a que se seguiu um progressivo declínio, à medida que a solução perdeu novidade e se instalou o cansaço e a saturação com este modelo de aprendizagem à distância que só terá viabilidade como complemento do ensino presencial, ao contrário de quem achou que estava encontrado o “novo paradigma” da Educação. O ensino remoto é tão mais desadequado quanto os alunos forem mais novos, pois é com os mais pequenos que a proximidade de educador@s e professor@s é essencial e o principal factor de adesão às tarefas e ao sucesso das aprendizagens. E ficamos sem saber até que ponto é fiável a qualidade do retorno, pois o fenómeno dos backchannels não funciona apenas como veículo para o debate paralelo entre os alunos sobre determinada tarefa e partilha de ideias, mas também para adulterar o seu desempenho, mesmo durante sessões síncronas.

O debate em torno das sessões síncronas ou assíncronas, das ferramentas a usar para as videoconferências, como fazer (ou não) o registo das presenças, o modelo de tarefas a solicitar, as metodologias de avaliação a aplicar, foram questões que serviram para ocupar muito tempo em discussões raramente produtivas e dar uma aparência de “inovação”, mas passou ao lado do que era mais importante. E o mais importante era perceber que a realidade não se transformava com empréstimos apressados de equipamentos a alunos ou “formações” para professores em regime intensivo. E a realidade é a de uma sociedade profundamente desigual que as exigências do confinamento e das novas formas de trabalho agravaram ainda mais.

Enquanto por cá se ficou pela produção de uma torrente de artigos e proclamações a favor de tudo o que ia sendo feito, criticando-se severamente quem ousasse colocar “problemas” para as “soluções” apresentadas, em outras paragens tentou-se desde cedo compreender o que estava a acontecer. Uma pesquisa realizada logo em Abril pelo Centre for Economic Policy Research[ii] dava a conhecer o impacto diferenciado do teletrabalho conforme as ocupações e respectivo nível de rendimentos, demonstrando como eram os mais desfavorecidos que, a acrescentar aos problemas pré-existentes, se viam em maiores dificuldades para acompanhar os seus educandos no ensino remoto. Porque muitos dos empregos pior pagos são exactamente os que não podem recorrer ao teletrabalho, por estarem ligados aos transportes, à recolha do lixo, à manutenção de infraestruturas básicas ou à venda de bens de primeira necessidade. Ou seja, os trabalhadores definidos como “essenciais” (à excepção dos profissionais de saúde) fazem parte dos mais mal pagos. E grande parte continuou a trabalhar com os filhos em casa. De acordo com o estudo, os trabalhadores com mais de 70.000 dólares de rendimentos conseguiam realizar mais de 60% das suas tarefas a partir de casa, enquanto aqueles com menos de 40.000 dólares só conseguiam assegurar menos de 40%.

Até o The Economist (“Many poor Americans can’t afford to isolate themselves”, peça de 24 de Abril)[iii] reconhecia que o impacto da pandemia era muito mais dramático para os blue collar workers do que para as ocupações com maior estatuto remuneratório. Não apenas porque eram obrigados a trabalhar, mas porque o tinham de fazer em situações de maior risco. Enquanto os seus filhos ficavam em casa, uns sem meios sequer para acompanhar o ensino remoto, enquanto outros ficavam sem uma orientação que o fim do ensino presencial cortou.

Mas em Portugal o que verificámos foi um fenómeno inverso, pelo menos em termos de ocupação do espaço mediático. Em vez de queixas dos mais desfavorecidos por não terem tempo apara acompanhar os seus filhos nas tarefas escolares, tivemos lamentos de gente bem posicionada no mercado de trabalho a lamentar-se por terem de estar em casa com os filhos e de os ajudar nos seus trabalhos. Os contributos dados tiveram alguma utilidade para além do registo dos humores individuais ou familiares.

São bem vindas as recentes declarações de alguns responsáveis pelas actuais soluções, ao reconhecerem que este não pode ser um caminho a prosseguir no futuro, mesmo que o regresso ao ensino presencial apresente problemas no próximo ano letivo. O ensino remoto pode ser uma solução para situações de emergência, mas é bom que seja assumido que são muitas as suas insuficiências e que está muito distante de ser desejável como modelo para o futuro da Educação não-superior.

Assim como seriam bem vindas todas as soluções que consigam libertar-se das suas amarras ideológicas ou de agendas políticas pessoais ou de facção. Como professor e encarregado de educação gostaria que o “novo paradigma” fosse o de uma Educação mesmo ao serviço dos alunos.

[i] https://www.wsj.com/articles/schools-coronavirus-remote-learning-lockdown-tech-11591375078

[ii] https://voxeu.org/article/large-and-unequal-impact-covid-19-workers

[iii] https://www.economist.com/graphic-detail/2020/04/24/many-poor-americans-cant-afford-to-isolate-themselves?fsrc=scn/tw/te/bl/ed/dailychartmanypooramericanscantaffordtoisolatethemselvesgraphicdetail

PG Verde

Eyes Wide Shut

O Índice de Digitalização da Economia e da Sociedade para 2019 (IDES2019) demonstra a verdadeira escala da nossa entrada no tal mundo digital que muitos parecem avaliar pelo seu próprio quintal (ou escola). Somo 10ºs a contar do fim e muito longe daqueles que em certos dias queremos emular. Mais de 20% da população sem terem alguma vez acedido à net, preços elevados e fortes assimetrias na cobertura. Mas os indicadores quantitativos não esgotam o que é evidente: o verniz da modernidade ensaiada nos tempos do engenheiro, com a ajuda do seu secretário para a energia e inovação Zorrinho, não passou disso mesmo e em termos de qualidade há muitos serviços, teoricamente disponíveis, que funcionam em modo de lástima. E em alguns casos em grandes empresas agora privadas com milhões e milhões de lucros. Foi uma modernidade para europeu ver que não entrou em profundidade na sociedade e muito menos se consolidou, tendo decaído, por falta de manutenção e investimento, em muitas das zonas mais periféricas e necessitadas.

Quem desconhece o país, acha que se pode erguer uma Educação Digital desta forma, acaso sonhando que são empréstimos ou ofertas de equipamentos a descontinuar que chegarão para minorar as desigualdades (ou “diferenças” como a novilíngua costista manda agora dizer que é) de acesso, literacia e muito mais. Para variar, querem ensaiar uma representação de “sucesso” e “inovação” a partir da Educação, porque são incapazes de transformar a realidade de um mercado de trabalho frágil e precário. Quando a única medida que têm para elevar os que estão pior é ir sacar aos que estão “remediados”, que aos que estão mesmo bem não se deve chegar, pois todos podem ser amigos de amigos ou conhecidos de conhecidos.

Quem conhece o país a partir do funil das tabelas de excel e das fórmulas da ciência oculta da adivinhação económica pode delirar com os arrojas, os duques, os camilos, senadores da treta instalada, a que se seguem os petizes que escrevem para o observador porque o tio conhece alguém na administração ou andaram na escola com o filho ou sobrinho de outro alguém com apelidos fidalgos, se possível com copulativa a ligá-los, duplas consoantes ou sonoridade além-pirenaica. E proclamar a enésima “oportunidade” para o país se refundar. Da esquerda à direita, passando pelos assis e tantos outros da terceira via e meia, há demasiada gente que parece uma caricatura das elites estrangeiradas queirosianas. Queixam-se da piolheira, mas negam ter piolhos. Porque compraram o último galaxy ou aifone com 27 câmaras e a possibilidade de se dobrar e caber numa mala de viagem.

Piolheira

A Questão Da Fiabilidade

How to Prevent Contract Cheating in Remote Learning

(…)

Remote learning is a powerful platform for learning under many circumstances, affording increased flexibility for students with challenging schedules, access anywhere and anytime, and yes, access during a pandemic.

However, when undertaken under emergency circumstances such as the COVID-19 pandemic, the transition to remote learning can be stressful. And when students are stressed, lack connection to learning and to their teachers, and are struggling, they are more tempted to take short cut solutions like cheating (Park et al, 2013).

Paranoia about cheating is making online education terrible for everyone

A sudden switch to online learning reveals a slew of challenges for educators.

Batota

No Público De Hoje

É a recuperação de um texto aqui divulgado há quase duas semanas, antes da reconversão de ideias e/ou inversão de rumo de algum costismo digital educacional.

Que Educação para o século XXI?

Uma “comunidade de aprendizagem” adaptada ao século XXI tem exigências complexas a vários níveis que vão para além das alterações cosméticas das “salas do futuro”.

PG PB

Excitações Digitais

Vai ser tão giro ver isto a (não) acontecer. Há pessoas que me divertem com estes entusiasmos que acabam com cemitérios de equipamentos obsoletos ou que não houve dinheiro para assegurar a manutenção. Até pode ser que exista uma chuva de dinheiro para gastar nas marcas certas (e nas formações adequadas), mas duvido mesmo muito que exista qualquer “aceleração” significativa. Mesmo se aceito de bom grado que me emprestem o material, se é que querem que eu continue as telecoisas.

Escola digital já no próximo ano letivo? O Governo diz que sim

O Plano de Educação Digital tem de ser acelerado no próximo ano letivo. O ministro Pedro Siza Vieira diz que o projecto está já em curso e não pode esperar mais, até para precaver uma eventual segunda vaga da pandemia de Covid-19.

Homer

A Ler

Divulgo, tardiamente, mas divulgo:

A nova ditadura: o digital na educação (1.ª parte)

Quando um dia nos disserem que os alunos terão aulas com computadores e os professores são dispensáveis, então, nessa altura, será tarde – demasiado tarde – para defendermos a nossa profissão. Catastrofista? Aceito. Mas lembrem-se de Bertold Brecht.

Thumbs

Material Escrito Para Reflexão

Se é que queremos mesmo discutir métodos de ensino e aprendizagem ou uma Pedagogia para o século XXI que descole das teses do século XX. Há muito mais, mas hoje parece ser dia de lazer e praia, pelo que ficam aqui apenas umas pistas para futuras discussões. Entre nós, George Siemens é ainda um quase completo desconhecido.

Rapidamente: a favor, o facto de ser mesmo uma forma diferente de encarar a aprendizagem no século XXI; contra, a necessidade de termos uma sociedade com um nível de desigualdade baixo no acesso às “conexões”, se queremos mesmo o tal “novo paradigma”.

Special Issue – Connectivism: Design and Delivery of Social Networked Learning

Conectivismo: Uma teoria da aprendizagem para a era digital

Connectivism as a Digital Age Learning Theory

Conectivismo Pedagógico: novas formas de ensinar e aprender no século XXI

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Sobre A Literacia Digital

Depoimento para a peça do Educare sobre o tema, embora esteja lá a transcrição praticamente total.

Antes de mais, dizer que toda esta situação é inédita, não tanto pelo ensino à distância (que existe no formato MOOC e e-learning ou mesmo b-learning há vários anos com resultados interessantes), mas pelo motivo que obrigou ao seu recurso generalizado nos moldes em que aconteceu e as faixas etárias que está a envolver.
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Quanto às questões “centrais”.
Os alunos estão ou não preparados e focados para este ensino à distância que requer a utilização de tecnologias e novas plataformas?
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A resposta é tão variada quanto são diversas as situações desde os meios disponíveis à motivação, passando pelos equipamentos disponíveis. É muitas vezes dito que as gerações mais novas “já trazem o chip” dos suportes digitais e que são nativos de um mundo já dominado pela tecnologia quando nasceram. Isso só é parcialmente verdade, por duas razões principais: a primeira é que uma competência para determinados procedimentos não nasce do facto de convivermos com eles em nosso redor. A sua aprendizagem é necessária e mesmo que seja mais rápida entre quem já nasce rodeado por aparatos tecnológicos não significa que tenha sempre sucesso ou que se transforme em verdadeira mestria. A segunda razão é que o acesso aos meios tecnológicos é muito desigual na sociedade, como sempre aconteceu com a generalidade das inovações ao longo dos tempos. A História ensina-nos que os grandes avanços tiveram sempre “vencedores” e “perdedores”. Os que ficaram na vanguarda graças ao domínio das novas técnicas (do fogo ou da roda à imprensa, à máquina a vapor, à biotecnologia) e os que foram deixados para trás. Veja-se o caso da vacinação que há mais de meio século se generalizou no mundo desenvolvido, mas ainda hoje tem dificuldades em impor-se em várias zonas do mundo. E o mesmo é válido para as novas tecnologias.
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Por outro lado, os alunos até podem ter acesso a alguns equipamentos, mas nem sempre têm a capacidade ou a disciplina necessárias para gerir uma nova situação que vai além do uso de redes sociais ou a exploração de jogos na perspectiva do utilizador. Algo tão simples como regras de segurança para gerir os nomes de utilizador e palavras-passe em diferentes equipamentos pode tornar-se um quebra-cabeças. Mesmo no Ensino Secundário, algo tão elementar como um registo na Escola Virtual pode provocar um avalanche de mails ou mensagens por incapacidade em perceber procedimentos muito simples. E em reter as informações para a sua exploração.
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Pelo que a literacia digital (e não é caso exclusivo português) é muito heterogénea, desigual e muitas vezes superficial.
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E os professores?  
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Aos professores aplica-se parte do que foi dito para os alunos, mas não necessariamente pelas mesmas razões. A adaptação às novas tecnologias foi gradual, foi uma imersão progressiva desde, como no meu caso, os finais dos anos 80 e por vezes o problema é a capacidade para acumular mais informação nova e ir acompanhando a sucessão de ferramentas, dos suportes físicos (eu continuo a desgostar dos formatos miniaturizados ao máximo, mesmo se muito portáveis) às plataformas. Para quem nasceu no tempo do trabalho manuscrito ou da tecla batida e da tira correctora, o que mudou em cerca de três décadas foi imenso e nem sempre é fácil acompanhar o “estado da arte” em matérias digitais.
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A isso acresce o facto de existir uma enorme pressão por parte de alguns grupos mais dedicados a estas novas ferramentas para que todos adiram a elas, embora nem sempre com as melhores metodologias. Ou seja, os suportes digitais deveriam servir para um aligeiramento dos procedimentos, para a chamada “desmaterialização” da burocracia e da documentação e não para a sua replicação. E isso não tem acontecido. Em muitas escolas, as ferramentas digitais não substituem as analógicas, apenas se sobrepondo a elas e criando uma nova camada de trabalho hiper-burocrático. E com isso, os problemas têm tido dificuldade em lidar. E não necessariamente apenas os mais velhos. Também os mais novos protestam com a irracionalidade de múltiplas grelhas de monitorização e registo de actividades que replicam o que as próprias plataformas já fazem de forma automática.
Computer2

A Ler

Mesmo se tenho uma ou outra discordância pontual.

Que Educação para a Era Pós-Covid-19?

(…)

Em resumo, são estes os desafios que se colocam à educação em Portugal a partir do próximo mês de setembro:

  1. Reforçar radicalmente a autonomia nas escolas. 

  2. Assegurar que cada escola ou agrupamento constitui uma infraestrutura tecnológica sustentável e um padrão de práticas que a prolongue de forma permanente para o espaço online.

  3. Desenvolver de forma gradual a competência dos professores para a educação online.

  4. Iniciar um percurso gradual de apropriação cultural do telemóvel para a prática pedagógica.

  5. Manter um serviço público, pedagógico, televisivo de alta qualidade para as populações que pretendam aprender mas não têm alternativas. Assegurar, desde já, através desse serviço, um programa de alfabetização e de literacia digital.

Finger