Não Gostam De Apontar A Suécia Como Exemplo?

Via António Rodrigues.

Já com a municipalização, tinham invertido a marcha quando ainda os homenscristos (por quem o ministro Costa nutre natural “consideração (…) enquanto analista e comentador”) andavam por cá a vender a teoria. E por “vender”, quero dizer literalmente.

S’appuyant sur l’avis de médecins, le gouvernement de centre-droit veut réduire le temps passé par les élèves devant les écrans et faire revenir les manuels scolaires dans les classes.

A Ler

Um texto muito interessante de João Marôco sobre a forma de fazer bem provas em suporte digital e o spin que tem estado a ser feito sobre os resultados (pela primeira vez menos bons) dos alunos portugueses no PIRLS.

Como o texto está em acesso reservado, transcrevo uns nacos interessantes, até porque duvido que a prosa tenha sido paga, não estando direitos autorais em causa.

No estudo PIRLS de 2021, os países participantes tiveram a opção de realizar o teste em formato digital ou em papel. Portugal foi um dos 25 países, dos 57 participantes, que escolheram o formato digital. Aos países que adotaram o digital, foi solicitado que aplicassem um teste em papel contendo apenas textos trend, a fim de estabelecer a equivalência entre os resultados obtidos no formato digital e nos testes em papel das edições anteriores. Essa análise de invariância de modo é conduzida numa subamostra de alunos que corresponde à amostra do estudo principal, com o único objetivo de garantir a validade das comparações ao longo do tempo. Só este procedimento estatístico especializado permite a comparação válida dos resultados de diferentes edições dos estudos (PIRLS, TIMSS, PISA, etc.). O estudo de invariância de modo não tem como objetivo estimar os resultados que o país teria obtido se o teste fosse realizado em formato papel em vez de digital.

(…)

O presidente do Iave, responsável pela tradução e aplicação do PIRLS — e que brevemente irá certamente disponibilizar o vídeo deste texto, com tradução portuguesa devidamente validada pelos especialistas nacionais do Iave e confirmada pelos revisores da IEA — afirma, segundo o que o ministro disse, que os alunos não conseguiam navegar no texto quando apareciam as perguntas, que a janela das perguntas tapava o texto impedindo a sua leitura, que não seria possível andar para a frente e para trás no teste digital como acontece num teste em papel. E isto — uma prova em formato digital, mal feita; não um confinamento; ou políticas educativas erradas; ou flexibilidade e metodologias obsoletas; ou a pouca valorização da leitura em ambiente familiar; ou outra coisa qualquer — explica a pioria dos resultados de 2016 (em papel) para 2021 (em digital).

Se o leitor ainda não foi a pirls2021.org, pare aqui! Esta é uma boa altura para ir ver o vídeo do texto The Empty Pot (ative a legendagem automática do YouTube) e verificar como é que o teste foi apresentado aos alunos portugueses e aos seus colegas dos 25 países participantes em formato digital.

O leitor poderá confirmar — como não poderia deixar de ser — que os alunos podem navegar nos blocos de texto, para trás e para a frente, como com as páginas de um livro; marcar passagens do texto, com um marcador amarelo, exatamente como se estivessem a fazer um teste em papel; podem ver ou esconder as perguntas para reler o texto, ou as partes marcadas a cor, antes de responder; rever as respostas e alterá-las. A IEA faz testes de avaliação educacional há mais de 60 anos. Todos os seus testes são pré-testados e validados pelos países participantes.

Coisas De Miúdos…

… qualquer aluno resolve.

Provas de aferição: “A instalação do servidor está a dar erros em imensas escolas”

Disseram-me hoje que, em termos ideais, a aplicação a instalar nos computadores da petizada, se tudo estiver a funcionar como deve, demora pelo menos 7 minutos.

Parece pouco?

Multipliquem por centenas de computadores.

E quando os computadores estão “bugados”, a coisa pode estender-se por uma hora ou mais.

É fazer as contas…

Está Tudo A Correr Béééiiimmmm

Ponto da Situação de Hoje da Prova de Aferição de TIC

Com o início da greve às provas de aferição que tem início hoje, muitos dos problemas destas provas vão ser ocultados pela não realização das mesmas.

Assim,

  • A maior parte das escolas não consegue extrair a Senha dos alunos para a realização da prova de TIC;
  • Foi enviada uma senha pelo Presidente do JNE para abertura das provas de hoje que não funciona, porque está errada.

E hoje é apenas o primeiro dia.

Assimetrias (Mas A Sério)

Como sou um tipo capacitado apenas qb para as excitações digitais, estou desde o 1.º período a tentar uma avaliação de tipo híbrido, sendo que no 2º período todas as fichas formativas foram em formato digital, com prazo alargado e possibilidade de consulta à vontade do utente, freguês ou cliente. Em posts passado já fiz alguns relatos relativos aos níveis de retorno das tarefas e respectivo desempenho.

Vou-me agora ao 3º período, no início do qual (20 de Abril) deixei uma tarefa online para ser concluída até ao final do mês, conforme imagens anexas. Deixo os relatórios das minhas 5 turmas de HGP (sobre CD um dia falaremos), 48 horas passadas sobre o prazo bastante alargado (10 dias) para as fazer. Aviso desde já que as turmas com maior taxa de conclusão da tarefa conseguiram isso, porque as levei para uma sala com computadores ou quando trouxeram o seu “kit tecnológico”.

Como rapidamente somarão, tenho 115 alunos inscritos (3 ainda nem se deram ao trabalho de aceitar o convite e mais uns 4 andam em paradeiro incerto, não sabendo se entrarão nas estatísticas do abandono escolar, se isso é chato), de quem recebi 56 respostas (48,7% do total, sendo que 34 são das tais duas turmas). As razões para a não realização são das mais variadas, mas raramente muito criativas. Em alguns casos, é mesmo porque não têm meios em casa, sem ser para jogar, e na escola sentem aquela falta de não sei quê para trabalhar.

Quem fez no prazo (incluindo as 48 horas de tolerância… que no 2º período eram mais) são @s alun@s que normalmente fazem tudo. E percebe-se pela distribuição dos resultados que, em média, até são ali a rondar o Bom, ao ponto da maior frequência de resultados ser os 100%. Como se percebe, não se trata de uma curva tradicional em forma de campânula invertida (a do Gauss, prontosss…), mas sim de uma espécie de rampa em aceleração.

O que é que isto demonstra?

A tal coisa da “assimetria” que alguém usa de forma disparatada em outros contextos.

Existe uma evidente assimetria entre quem faz (e em regra bem ou de forma satisfatória) e quem não faz, porque não pode, não quer ou nem sequer se interessa. O que só se resolve com um trabalho continuado, não apenas de motivação, mas da tal “capacitação” que não é só digital. Mas também de equipamento, acesso, apoio familiar, etc, etc. Que não se consegue em poucos meses, com portátéles de saldo e banda tão pouco larga que nem dá para música com bombos e tuba.

Por isso é que acho que, globalmente, as minhas turmas não estão em condições de fazer uma prova de aferição de HGP em suporte digital, online, offline ou outline. Deveria ser possível um sistema de realização de tipo “voluntário”. seja ao nível das escola, seja das turmas, em articulação entre o DT, o CT e os EE (pimba, e lá vão três siglas), mais ou menos PEA, PAA, PADDE (tungas, mais três) ou o diabo a sete teclas. Independentemente de haver RTP, PEI ou apenas PAPI (mais três, ripa na rapaqueca, que isto é só para “especialistas”).

Não sei se ficaria melhor com um desenho, mas eu sou canhoto dos 10 cotos que me servem de dedos.

Quando Estas Coisas São Levadas A Sério

A propósito dos equipamentos informáticos e também, acrescento, dos manuais. Mundos e realidades tão diferentes.

Trabalhei 13 anos em escolas inglesas (ilha de Jersey) e estes problemas nunca aconteceram. Nem com equipamentos informáticos, nem com manuais. 

O Estado de Jersey equipou todas as escolas públicas com computadores suficientes para todos os alunos usarem na escola. Talvez tantos, ou mais que um computador por aluno. Um professor, sempre que o pretendia, tinha uma sala disponível com um computador por aluno. Se tivessem provas de aferição digitais, só precisavam entrar numa qualquer sala e sentarem-se e trabalharem. (Felizmente, até 2017 não tinham exames ou provas digitais).

Por que razão, um país tão rico não ofereceu um portátil para cada aluno?

Por que razão optaram por equipar a escola com esses meios sempre ao dispor dos alunos e não oferecer às famílias como em Portugal?

Eu sei porquê mas nem me apetece explicar.

Com os manuais passa-se algo idêntico. Eu, todas as aulas, tenho alunos sem o manual de HGP ou português. Gastam-se milhões, oferecem os manuais aos alunos e não às escolas e depois, além da imensa burocracia no final de cada ano para entrega de manuais, é sempre confusão e mais confusão e foco-me só no desperdício estúpido de milhões.

Tão simples: oferecem os manuais às escolas, os manuais ficam nas salas de aula e um manual pode ser usado por várias turmas, tantas quantas tenha o professor duma disciplina. Porque as salas de aula de uma disciplina são só dessa disciplina.

E quantos milhões não poupam todos os anos? E nunca há um aluno sem manual na aula.

Agostinho Oliveira

O Problema É Mesmo Só De Quem Paga?

Não será de quem fica sem equipamento? E se as escolas fizessem um rastreio a sério dos kits que (ainda) estão a funcionar em pleno? Rato, router/sim, incluídos? Em vez de fingirem que está tudo bem? Ou a alinhar na fantasia de que tudo foi entregue? Claro que há quem não aceitou e quem nem sequer apareça na escola, mas agora isso não interessa nada, certo? O problema é quem paga os arranjos… que tal pedirem à câmara, que agora gere a parte dos equipamentos das escolas?

Quando será que vão admitir que em muitas zonas do país não estão reunidas as condições, nem os alunos devidamente preparados para provas, em suporte digital, feitas com equidade, de “Português”, “Matemática”, ” Estudo do Meio” ou “H.G.P.”?

Enfim…

Portáteis distribuídos aos alunos já estão a ficar sem garantia

Os Encarregados De Educação Deviam Ser Os Primeiros A Protestar

O problema é que temos uma confederação parental que é o que é e quem mais será sacrificado é quem tem menos poder mediáticos ou mesmo junto das escolas. A posição de “nim” (acha que não deveriam ser feitas, mas não toma essa iniciativa) do Filinto é pouco aceitável, pois a lei dá o poder de não realização das provas aos directores. Com fundamentação que não é muito difícil de encontrar. É só pedirem aos professores que revelem a real taxa de retorno e desempenho em tarefas digitais, não apoiadas ao vivo e em directo. Se há coisa que custa é quem quer o poder para umas coisas, mas se exime a usá-lo em outras, para não ficar fora da fotografia dos bem-aventurados pelo ministro Costa. E também me custa quem anda sempre a mandar os outros fazer coisas e, tendo oportunidade de fazer algo com consequências relevantes, encolhe-se.

Estas provas ou são feitas com “muletas” em muitas escolas, com os professores nas salas a darem indicações muito especificas aos alunos ou só irão produzir “assimetrias”, para usar uma palavra que o ministro parece ter descoberto nas últimas semanas.

E já sabemos a quem depois irão resopnsabilizar.

Professores e pais contra provas de aferição digitais. Já há apelos à “abstenção em massa”

Já, Sim Senhor@s!

Seria uma boa oportunidade para algumas pessoas fazerem alguma coisa de coerente. Não adianta concordarem, saberem que as coisas não estão prontas para ser generalizadas, mas sentirem o embaraço, a vergonha de dizer não. A fundamentação passa, desde logo, pelos próprios direitos dos alunos que irão ser espezinhados por aqueles que dizem defender os seus interesses, mas parece que por “seus” se deverá entender os da clique que continua a desgovernar a Educação.

A miudagem não pode ser carne para canhão deste tipo de experiências.

Confesso que gostava de ver quem está mesmo preocupado com as aprendizagens da petizada – com destaque para as “famílias” e para os órgãos de gestão pedagógica e executiva – assumir que isto só servirá para perder tempo e provocar semanas de confusão nas escolas.

Provas de aferição do ensino básico serão todas em formato digital, mesmo as destinadas a alunos de sete anos. Directores podem decidir pela sua não realização, desde que com razões fundamentadas.

6ª Feira

A realização de provas de aferição em formato digital para todos os alunos é um disparate, que se avoluma quanto mais novos e menor formação digital têm. Eu sei que há oásis de maravilhosa capacitação digital precoce e que haverá sempre quem diga que se conseguiram, todos conseguem. Não é bem assim. Sendo dos que defende a existência de provas finais de ciclo no 6º ano, não compreendo que os seus críticos, por as considerarem desnecessárias, apoiem de forma explícita (ou se encolham a ver se disfarçam) a realização destas pseudo-aferições, que irão aferir tudo menos as competências ou conhecimentos dos alunos nas disciplinas envolvidas, muito menos qualquer tipo de coisa vagamente relacionada com o mítico PASEO.

Por isso, apresentei a minha declaração de escusa de responsabilidade (de que já tinha falado no encontro do Pinhal Novo), que vai em anexo a este post, sendo que o Alberto Veronesi tomou a mesma iniciativa. Considero que estas provas só prejudicam uma verdadeira recuperação das aprendizagens, provocando uma perturbação inútil e indesejada ao longo de quase todo o 3º período. Estou farto das hipocrisias de uns e dos receios de outros. Há que se claro acerca de uma das meninas dos olhos do ministro Costa e da sua corte de seguidores: estas provas em suporte digital não têm a devida preparação e deveriam manter-se mais um par de anos em papel, com uma progressão prudente e voluntária para o formato digital. Não adianta andarem director@s em off a queixar-se dos problemas logísticos que vão ter de enfrentar se em on se calam ou não têm coragem para agir. Mais do que palavras, em especial, em tom sumido, que se notem as acções.

Adianta de pouco se a maioria fica nas encolhas? Ao menos, sempre se pode dizer que não se encarneirou mansamente de cabeça baixa. E acreditem que esta posição tem mais em conta o interesse dos alunos do que outra coisa qualquer.