A Confap Nunca Deixa De Nos Surpreender

Mas raramente (nunca?) é pela positiva. É verdade que os documentos andam melhor escritos do que no tempo do pai Albino, mas no mandato do pai Ascenção, a lógica do frete ao Poder continua inabalável.

No recente parecer (se é que assim se pode considerar esta comunicação) relativo a uma petição para a redução do número de alunos por turma, uma das grandes preocupações é que isso poderia implicara construção de novas escolas. Já conhecia a posição, mas não a rqieuza e singularidade do argumentário.

Um tipo lê e não quer acreditar, mas é memso obrigado a reconhecer que há quem nunca fiquem aquém das nossas mais baixas expectativas.

Aquilo Do Limite Do Número De Alunos Por Turma?

Deve ser como os horários dos comboios da CP na margem sul nos anos 80. Servem para dar uma ideia da coisa, nunca para retratar a realidade. Com a chegada em barda nos últimos meses de malta dos PALOP e do Brasil, não interessa se tem vários ex-NEE/ actuais 54’s com RTP/CEI ou o que for. Se é turma “regular” ou “especial”. Então as turmas com PLNM é só rir. As mesas e cadeiras acabaram. Agora só no balcão. Ou em camarote. A “autonomia” é uma miragem, porque os serviços centrais mandam matricular de qualquer maneira, exista vaga nas turmas ou não.

Cadeiras

Um Número Como Outro Qualquer

A redução do número de alunos por turma para os valores existentes antes da aplicação do programa de austeridade vai custar 83 milhões de euros por ano. O montante foi anunciado nesta quarta-feira pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, durante uma audição parlamentar. A ideia é reduzir, em média, dois alunos por turma

O acréscimo orçamental anual de 83 milhões será atingido quando a redução do número de alunos por turma estiver totalmente implementada, abrangendo todos os anos de escolaridade e todas as escolas. O ministro não avançou quando será atingido esse patamar. O objectivo inicial do Governo era que a reversão da medida negociada com a troika fosse concretizada no ano lectivo 2020/21.

E quem fez o estudo inicial? O amigo Capucha da nossa velha amiga Maria de Lurdes. Custou 60.000 euritos (sem contar o IVA).

O número agora anunciado é muito semelhante àquele que tinha sido apresentado, há cerca de um ano e meio, como conclusão de um estudo, encomendado pelo Ministério da Educação ao Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, com o objectivo de avaliar os impactos financeiros e pedagógicos da generalização da redução do número de alunos por turma para os níveis em vigor antes do programa de austeridade. Apontava-se então para um acréscimo orçamental de 84 milhões de euros.

Surprise

É Mentira!

Convinha fazer um escrutínio mais cuidadoso do spin do ME em matérias importantes, mas é capaz de dar muito trabalho. O ministro leu o memorando que lhe deram e anda pelo país (como outros elementos da sua equipa) a dizer que a medida de redução dos alunos por turma atinge 200.000 alunos e aproveitam para dizer que atinge quase um milhar de escolar.

É mentira a primeira afirmação e uma verdade manhosa a segunda.

A verdade é que a medida se aplica a 137 agrupamentos e escolas não agrupadas que, no total, atingirão esses números totais de alunos e escolas. No caso das escolas, até pode ser que sejam todas atingidas, mas como a medida se aplica apenas às turmas do ano inicial de cada ciclo de escolaridade, o número de alunos atingido é muito menor. Repare-se que no 1º ciclo serão abrangidas apenas as turmas do 1º ano e não as do 2º ao 4º. Num cálculo generoso andarão pelos 70-80.000 alunos, nunca atingindo metade do valor adiantado pela propaganda comunicacional do governo.  Que pouca gente pareça interessada em desmontá-la nos tempos que correm, mesmo em espaços de análise, é algo interessante e que poderia ser, por sua vez, objecto de interpretação.

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Mais Vale Pouco do que Nada?

Diz-se que a redução mitigada dos alunos por turma avança nas “escolas mais pobres”, argumento demagógico, porque há escolas TEIP em zonas menos desfavorecidas do que outras escolas “regulares”. A verdade é que, não querendo avançar com a medida de forma generalizada, o ME optou por um grupo de escolas com um estatuto particular relacionado com os níveis de insucesso e atirou com o spin de “mais pobres”. E apenas para os anos iniciais de ciclo.

Seja como for, chegará para afirmarem que estão a cumprir promessas e aos seus apoiantes extra-PS para dizerem que alguma coisa se fez e se reverteram medidas de Nuno Crato.

É melhor do que nada? É!

É suficiente? Não!

É curioso como as pessoas que antes não aceitavam medidas laborais restritivas nos tempos em que a troika estava mesmo cá, agora não se queixam com a sua manutenção e agravamento (devido aos efeitos cumulativos passagem do tempo) quando se afirma que esses tempos já se foram e que Portugal é um case-study de recuperação e de sucesso. É curioso como amanhã se irá fazer uma acção de rua sindical que teve um grau de mobilização a roçar o zero nas escolas. É curioso, ainda, como esta equipa ministerial parece mesmo não perceber o esgotamento a que está a chegar o corpo docente da grande generalidade das escolas e não apenas das TEIP. Preferem chamar-lhe “envelhecimento” e reclamar por um “rejuvenescimento” medido ao milímetro em vagas excepcionais que trarão para as escolas professores já muito massacrados por anos de deriva pelos país e precariedade contínua.

Serão esses poucos melhor do que nenhuns? Sim!

Será suficientes? Não!

A mim enfurece particularmente a hipocrisia dos que acham que este tipo de medidas, contadas à gota ao contrário do que é prática em outras áreas da governança, chegam para melhorar qualquer coisa de significativo na vida das escolas e nas condições de trabalho dos professores. Bem como me enfurece aquele estribilho acusador do “corporativismo”, em especial quando vindo de dentro, por quem parece achar-se mais do que o do lado só porque tem o seu nicho assegurado.

Como enfurece a percepção cada vez mais clara da captura do ME não por sindicatos mas por grupos específicos de professores, ligados a um leque restrito de áreas disciplinares, que vão conseguindo concessões específicas, por vezes à conta da continuação do sacrifício da maioria. Basta verificar a “filiação” de alguns nomes da “estrutura” e perceber quem se chega muito à frente a defender a bondade de coisas que a generalidade dos professores, estúpida que é, por certo, não consegue vislumbrar, mesmo se opta por já nem contestar em voz alta.

Roma já não é o que era e as trinta moedas só dão para alguns.

pingue pongue

Será que Adianta Explicar-lhe?

O presidente do CNE assumiu uma missão de Grande Líder da Revolução Educacional (só não ganhou o posto porque o Vital Moreira vota na MLR e o Guilherme Valente no Nuno Crato e os seus votos são de qualidade) e a verdade é que acho inútil tentar-lhe demonstrar que algumas das suas fés inabaláveis deveriam ter alguns matizes e não apenas arrogância (ele dirá o mesmo das minhas críticas, só que eu falo de baixo e não chego aos céus e os meus pergaminhos são escassos para produzir “estudos” sem espaço para contestação). As “turmas mistas” não são “chaga social” nenhuma, podendo ser mesmo uma bela oportunidade para aplicar a tal diferenciação pedagógica e um ensino colaborativo inter-pares que se enuncia e aconselha mas não se quer praticar se sair caro. Quanto à necessidade de ensinar de outras formas para melhorar resultados, não poderia estar mais de acordo. Reduzir o número de alunos por turma (não apenas de forma marginal como se anda a debater) destina-se a isso mesmo… ter condições para melhorar e diversificar o trabalho em sala de aula (também aceito o mesmo número de alunos por turma com divisão por turmas ou coiadjuvação), mas acredito que David Justino não confie que a maioria dos professores (e não apenas os 10-15% que ele assume em público) saibam fazê-lo.

Isto é cansativo, tornou-se uma ladaínha impossível de contrariar e nem o liberalismo teórico serve para explicar que se deve dar liberdade e não modelos únicos à Educação, muito menos os ditados pelas poupanças necessárias para pagar os desfalques dos banqueiros laranjas, prefaciados ou não. Parafraseando um livro que teve a gentileza de me mandar oferecer… em Portugal há quem muito proclame o liberalismo numa educação que querem iliberal no seu funcionamento.

carpideiras

O Tamanho Interessa

Ao contrário de “estudos”, artigos e bitaites avulsos (neste caso, do Reitor de serviço ao domingo, conforme comentário no post abaixo), não é verdade que a dimensão das turmas seja um factor irrelevante para a qualidade das aprendizagens dos alunos ou que as “evidências sejam contraditórias” ou qualquer variante desta falácia muitas vezes repetida por muita gente. É mentira. Por muito que venham com exemplos asiáticos de 1265 alunos numa sala de aula, todos geniais em Matemática. É mentira, repito.

O problema é que a redução de 1 ou 2 alunos por turma, em especial com a escolaridade já adiantada, tem efeitos efeitos que não são estatisticamente extraordinários em termos de desempenho, em especial se soubermos escolher o que comparar, como acontece com muitos estudiosos comprometidos com a eficácia financeira.

A verdade é que o número dos alunos por turma deve obedecer a dois princípios essenciais: o das turmas serem pequenas nos primeiros anos de aprendizagem e o de, mais tarde, o número de alunos se manter baixo por turma.

Claro que podemos sempre sacar de imensas citações, mas eu vou ficar por poucas, umas mais distantes e outra mais recente. De estudos que, em regra, certos investigadores nunca lêem ou, se lêem, fazem por nunca citar. Mesmo se forem do Brookings Institute…

The most influential and credible study of CSR is the Student Teacher Achievement Ratio, or STAR, study which was conducted in Tennessee during the late 1980s.  In this study, students and teachers were randomly assigned to a small class, with an average of 15 students, or a regular class, with an average of 22 students.  This large reduction in class size (7 students, or 32 percent) was found to increase student achievement by an amount equivalent to about 3 additional months of schooling four years later.

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Restructuring classes

Small classes may vary in other ways, in addition to student-teacher ratio, depending upon school leadership, facilities, and teaching staff, as well as official policy. The typical model is one teacher in one classroom teaching an assigned number of students, but other models have been implemented.

Project STAR defined two categories of reduced size classes:

  • Classes of 13 to 17 students taught by one teacher; and
  • Classes of 22-26 taught by a teacher and a teacher’s aide.

Project STAR defined large classes as 22-26 students taught by one teacher.

Wisconsin’s SAGE had four categories of classrooms, all intended to achieve the mandated 15:1 ratio (Molnar, 1999):

  • Regular classroom (15 or fewer students with one teacher);

  • Team-teachers classroom (30 or fewer students in a classroom with two teachers);

  • Shared-space classroom (a regular classroom divided by a temporary wall with one teacher and 15 students on either side of the divider); and

  • Floating teacher classroom (30 students with one teacher plus an additional teacher during reading, language arts, and mathematics).

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Recommendations

The academic literature strongly supports the common-sense notion that class size is an important determinant of student outcomes. Class-size reduction has been shown to improve a variety of measures, ranging from contemporaneous test scores to later-life outcomes such as college completion.

Based on the research literature, I offer the following policy recommendations:

 Class size is an important determinant of student outcomes and one that can be directly influenced by policy. All else being equal, increasing class sizes will harm student outcomes.

 The evidence suggests that increasing class size will harm not only children’s test scores in the short run but also their long-term human capital formation. Money saved today by increasing class sizes will be offset by more substantial social and educational costs in the future.

 The payoff from class-size reduction is larger for low-income and minority children, while any increases in class size will likely be most harmful to these populations.

 Policymakers should carefully weigh the efficacy of class-size-reduction policy against other potential uses of funds. While lower class size has a demonstrable cost, it may prove the more cost-effective policy overall.

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