Missiva De Um Grupo De Directores Ao SE Costa

As respostas devem chegar em reunião agendada para amanhã, dia 12, embora algumas já tenham sido antecipadas no final da passada semana, pelo menos para a comunicação social.

“A 6 de maio, os diretores de 13 agrupamento/escolas não agrupadas do concelho de Lisboa (Agrupamento de Escolas de Alvalade, Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre, Agrupamento de Escolas das Laranjeiras, Agrupamento de Escolas Gil Vicente, Agrupamento de Escolas Manuel da Maia, Agrupamento de Escolas Passos Manuel, Agrupamento de Escolas Rainha D.ª Leonor, Agrupamento de Escolas Vergílio Ferreira, Escola Secundária António Arroio, Escola Secundária de Camões, Escola Secundária Pedro Nunes, Escola Secundária Rainha Dona Amélia) reuniram-se de urgência. Nessa reunião, decidiu-se pedir, mais uma vez, esclarecimentos à tutela sobre alguns pontos do documento que nos pareceram menos claros.”

Exmo. Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação

Doutor João Costa,

No seguimento das orientações relativas ao regresso às aulas em regime presencial (11º e 12º anos de escolaridade e 2.º e 3.º anos dos cursos de dupla certificação do ensino secundário), enviadas às escolas pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, dia 5 de maio de 2020, achamos por bem reunir um grupo de Diretores de Agrupamentos de Escolas/Escolas não Agrupadas do concelho de Lisboa, de forma a cruzarmos as diferentes leituras do referido documento e a expressarmos os problemas mais difíceis de resolver, ou mesmo insolúveis, para que este novo regime de ensino presencial seja efetivamente promotor de uma mais valia pedagógica em relação ao atual E@D. Podendo já avançar o que ficou claro da reunião que mantivemos: só faz sentido retomar o ensino presencial se insofismavelmente os alunos melhorarem a aquisição de aprendizagens essenciais. É para isso que devemos todos trabalhar.

Assim, vimos, da forma mais objetiva possível (e gostaríamos que objetivassem também o mais possível a vossa resposta), expor um conjunto de dúvidas relativamente comuns a todos os signatários desta missiva:

  1. Os alunos do 11.º ano terão de ter também aulas presenciais nas disciplinas com exame nacional apenas no 12.º ano (português e trienal específica)? Se assim for, isso, na maioria das escolas, impossibilita o cumprimento de muitas das regras sanitárias em vigor e condiciona muito a implementação do regime presencial.
  2. Ainda em relação às disciplinas com aulas presenciais no 11.º ano, a filosofia e o inglês incluem-se nesse conjunto?
  3. Em relação aos alunos dos cursos profissionais e recorrente, visto que na origem não são cursos de “prosseguimento de estudos”, participarão nas aulas presenciais todos os alunos dos 2.º e 3.º anos ou apenas os que manifestaram intenção de realizar exames nacionais (recorda-se que o regresso do regime presencial tem que ver com o acesso ao ensino superior)? Relembramos que no plano original não estavam previstas aulas presenciais para estes alunos, justamente porque isso, nalgumas escolas, impossibilita a implementação coerente e consequente do regime de aulas presenciais.
  4. É plausível pensarmos que as Informações-Prova originais dos exames nacionais serão alteradas?
  5. Junto do documento com as orientações, recebemos outro sobre limpeza e desinfeção de superfícies em ambiente escolar no contexto da pandemia COVID-19 que elenca material e procedimentos a ter em conta para o cumprimento das boas práticas sanitárias. A questão essencial para nós agora é saber quando chegará às escolas esse mesmo material, bem como as máscaras de uso individual e a solução antissética de base alcoólica.

Percebemos que as orientações que nos foram dadas respeitam a autonomia e assumem que há constrangimentos de contexto, não poderia ser, aliás, de outra forma. No entanto, as dúvidas que acabámos de expressar constituem preocupações comuns que necessitam de uma resposta também ela comum.

Por outro lado, tem sido evidente, mesmo para a opinião pública mais distante da realidade escolar, que o E@D tem corrido bem, salvaguardando quer a aquisição de competências importantes, quer uma bastante boa equidade entre os alunos das escolas públicas. Acresce a isto que de um momento para o outro os professores terão de se relocalizar parcialmente, agora de forma um pouco ubíqua: aulas à distância e aulas presenciais. Sentimos alguma perplexidade e receio por quase no final do ano letivo muita coisa ser novamente alterada de forma profunda.

Com estima,

Os/As Diretores/as:

Lickstamps

Dia 52 – Há Direcções Sensatas

(…)

Hoje apetece-me elogiar @s director@s e respectivas equipas que decidiram ou vão decidindo, de modo muito sensato, interpretar as indicações superiores de uma forma imaginativamente literal para conseguir que os seus alunos estejam expostos aos menores riscos que é possível e, desse modo, reduzirem o seu potencial de agentes transmissores para os seus agregados.

(…)

diario

Não Quero Acreditar, Mas…

… o mais certo é ser verdade o que acabei de ouvir sobre a avaliação d@s senhor@s director@s no passado ano, em particular dos que estavam no 4º e 6º escalão e não teriam quota para o Muito Bom/Excelente. Vou recolher mais informação, mas parece que (sem nada escrito) foi uma espécie de bodo aos afortunados e todos os que reclamaram (por não chegarem ao patamar dos 9,750), tiveram um raro deferimento. Até parece que (em período pré-eleitoral) as ameaças de demissão funcionaram.

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Alguém Que Se Chegue À Frente

Não sei se é estratégia do governo no seu todo, se apenas da equipa do ME, mas o sector da Educação ficou entregue e telefonemas das técnicas de serviço no fim de semana, com uma evidente falta de liderança política. Ao menos o Filinto dá a cara e que me desculpem os que não gostam dele, mas merece aplauso por isso.

Orgulhosamente Escola Pública!!!

Thumbs

Recomendações Sensatas Da ANDAEP

Porque o bom senso deve imperar e por muito que eu goste de me meter com o Filinto, sei que ele percebe qual é a atitude certa e que, neste momento, @s director@s devem ter um papel de liderança a sério. Eu acrescentaria ali um terceiro ponto, mas não sou associado, portanto…

O comunicado acaba de chegar, é fresquinho.

ANDAEP

Comunicado Conjunto ANDE/Andaep De Ontem

E vai perceber-se onde estará a “justificação” para algumas interpretações mais “papistas”, em nome da “autonomia”. Mesmo se lá está que se devem privilegiar os “contactos não presenciais”.

Consta-me, porém, que ainda hoje teremos algumas recomendações mais “claras”. Até porque há mais exemplos da série “Phosga-se”!

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A Lei Ainda Funciona? Ou Roma Cansa-se, A Dada Altura, De Tanto Proselitismo?

Director de escola de referência pede reforma “magoado” com o ministério

Uma greve de professores, marcada para um dia de exames nacionais, valeu-lhe um processo disciplinar por ter excedido os serviços mínimos que tinham sido decretados. “Os alunos tinham de ter garantidas todas as condições para poderem realizar os exames”, diz Manuel Esperança, director do Agrupamento de Escolas de Benfica. Foi dado com culpado.

Bigorna

(Esperança, pá, garanto que merecerias alguma compreensão se, em vez de te aposentares, fosses dar aulas nesse último ano de carreira…)

Autonomia Para Quem?

Discordo, por exemplo, daquela ideia de poderem contratar 25-30% do corpo docente, porque se qualquer professor”zeco” tem a obrigação de motivar os 100-150-200 alunos que lhe entram pela porta dentro, também @s ilustres senhor@s director@s deverão mostrar o que valem com o material humano de que dispõem.

Quanto à “autonomia” perdida para o poder local, têm algo a dizer?

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) pediu hoje coragem ao ministro da Educação para renovar a escola pública e devolver-lhe “alguma da autonomia perdida”.

Burnout

Aos(Às) Camaradas, Colegas (?), Senhor@s Director@s (E Cargos Afins, Mesmo Que Menores Na Cadeia Alimentar)…

… que acham que trabalham mais do que os professores “lectivos” e que são uns escravos da função, deixo-vos dois pensamentos, sublinhando que até há quem possa ter a sua razão:

  • Ninguém vos obrigou a irem para esse(s) cargo(s). Pelo que sei da lei, é preciso candidatarem-se e, consta-me, são poucos os que não se recandidatam ou não pedem recondução. E nos que são por nomeação, é porque aceitaram.
  • Se acham mesmo que é injusto o que se passa convosco e que vida boa e descansada é dos “lectivos”, nada vos impede de pedirem a demissão e voltarem a dar aulas. Descansem que o mundo não acabará e não será o caos no dia seguinte. Há uma série de gente mesmo importante que faleceu e a Humanidade continuou.

A todos os outros que desempenham a sua função com dedicação e sentido ético, desculpem-me pelo desabafo, pois não se vos aplica. Aplica-se apenas a quem não dá quaisquer aulas e parece achar que essa é, numa escola, função de esforço e responsabilidade menor. E a quem diz que os professores “lectivos” não podem apenas estar preocupados com a remuneração, mas depois não “deslargam” da sua e ainda querem mais.

Sim, entre 2021 e 2025 irão existir muitos lugares a vagar e ocupar e é possível que @s “nov@s” candidat@s (quiçá já em alguma posição estratégica para serem promovid@s) estejam ainda atrapalhad@s a meio da carreira e queiram ver se conseguem melhorar a sua condição. Mas isto é apenas um suponhamos…

Muit’agradecido pela atenção e disponibilidade.

Bigorna