Assim Sendo, Como Fica A Semestralização?

Desculpem lá, mas há coisas que necessitam de mais do que uma reacção epidérmica. No casos das escolas que optaram pela semestralização… as classificações finais são as de Janeiro? Ou em quatro semanas de aulas (o Carnaval meteu-se pelo meio) justifica-se uma alteração?

E as disciplinas semestrais? As do 2º semestre, adeus! A juntar às que já vinham sem nota por falta de professores há turmas com 20-25% do currículo por avaliar.

Não é que avaliação seja a minha maior prioridade (ou sequer chegue ao top 3), no contexto educativo que vivemos, mas há que começar a ter uma visão mais ampla e de conjunto – quase diria holística – disto tudo.

Lamento se estou a colocar dúvidas em tempo útil, em vez de me congratular por, ao fim de três dias de emergência, ainda ter água a correr nos canos e luz nas lâmpadas, como se isso tivesse deixado de acontecer na Itália ou Espanha, que estão a atravessar uma fase bem pior do que a nossa.

Nutty

 

O Que Está A Faltar…

… é a equipa da Educação se deixar de telefonemas emanados dos serviços com instruções que não deixam rasto e passar a colocar no papel orientações claras e corajosas acerca do que deve ser feito nas próximas semanas. O ministro fala muito em manter “a cabeça fria” e evitar os “excessos”, mas isso não significa a apatia e inacção que se parece verificar na 5 de Outubro.

Não sendo para já, há decisões a tomar acerca da realização ou não das provas de aferição e de eventuais alterações do calendários de provas finais do Básico e exames do Secundário.

Para já, é importante colocar algumas balizas ao que deve entender por “trabalho à distância” e do que pode ser entendido como “ensino à distância” para que não seja, em nome da “autonomia”, cada cor, seu sabor. E não incentivar práticas que possam ter irregularidades nos recursos usados ou nas metodologias de “partilha” de informações e estabelecimento de contactos. Assim como explicar com clareza aos órgãos de gestão das escolas como podem ser tomadas decisões e com que limites, porque me parece que a deriva napoleónica é uma ameaça séria em alguns locais.

Questões relacionadas com métodos de trabalho à distância e avaliação dos alunos (ninguém fala da questão específica dos semestres, que não têm a avaliação da Páscoa) são competência dos Conselhos Pedagógicos e a articulação com a comunidade, no caso de uma interrupção longa, deve ser discutida e ratificada pelos Conselhos Gerais, por muito que os achem inúteis.

Seria ainda importante perceber se, por exemplo, os secretários de Estado estão de quarentena ou se estão a aplicar o princípio do tele-trabalho. E se há capacidade para ir além dos lugares-comuns dos dias de governação em velocidade de cruzeiro.

alerta

A Que Costa Teremos Direito Hoje?

Costa, o Grande Mitigador? – aquele das meias-tintas, sempre a tentar que nada seja com ele, a ser que seja pouco e se não puder escapar, resolver a coisa pela metade? Pelo que as escolas só se encerrarão se coiso e tal, não perturbarem a economia, as empresas ou os hábitos das famílias com horários desregulados e empregos precários?

Costa, o Analista da Quadratura? – o homem sempre com uma opinião, uma solução, uma crítica para quem então governava, o homem que se queria ao leme quando o leme não era dele? E então teremos as escolas encerradas, se até os serviços do ME se recusam a atender utentes? Afinal, da Dinamarca à Ucrânia, parece que optaram por isso e o caos ainda não se intalou.

Costa, o Homem do Bluff? – o líder que ameaçou que se demitia se a oposição cedesse aos professores? Nesse caso, fará um ultimato ao covid-19 e ou o “bicho” fica na raia de Castela ou ele larga-lhe uma praga de porfírios e um volume com as intervenções parlamentares e mediáticas do carloscésar (e a Humanidade ficará salva, pois o vírus preferirá a auto-destruição a tão má sorte. E o ano lectivo continuará sem perturbações.

Costa Cartoon

O Que Me Está Aqui A Escapar?

De: direção **** <*****@gmail.com>
Date: quarta, 11/03/2020 à(s) 14:56
Subject: Esclarecimento sobre Assistente Operacional da ****

A toda a comunidade educativa

Hoje, dia 11 de março fomos informados por uma Assistente Operacional da Escola Básica (…) que o seu educando se encontra infetado pelo vírus Covid 19.

Esclarece-se que o aluno em causa não é aluno da nossa Escola, frequenta a Escola Básica (…) e pertencia ao grupo de turmas que há uma semana atrás foi colocado em isolamento profilático porque uma das suas professoras foi confirmada com Covid 19.

Nesse mesmo dia a Assistente Operacional foi para casa acompanhar o seu educando não estando por isso ao serviço desde o dia 4 de março.

Face ao exposto entrámos em contacto com a Senhora Delegada de Saúde Coordenadora do ACES Lisboa Norte que nos esclareceu através do email que a seguir se transcreve:

Exma Senhora Directora

Agrupamento de Escolas *****

“Respondendo ao seu email cumpre-me informar que a situação descrita referente à funcionária, mãe de aluno da escola da Amadora, não oferece risco para a vossa comunidade escolar tendo em conta que a mãe do aluno é um contacto de um contacto de um caso de doença. O contacto com a pessoa doente foi estabelecido pelo aluno, logo a mãe não oferece risco.

Há ainda a ter em conta o facto da funcionária da vossa escola estar em casa desde o dia 4 de Março, dia em que foram suspensas as aulas das turmas que estiveram em contacto com a professora doente”.

Fico ao dispôr

Cordiais cumprimentos

Teresa Pestana Gonçalves

Coordenadora da Unidade de Saúde Pública Francisco George

Delegada de Saúde Coordenadora do ACES Lisboa Norte

Esta situação levanta-me três dúvidas:

  1. No mail da direcção não se refere que o aluno está “infetado”? Eu não leio “suspeita de infecção”. Foi alguma imprecisão?
  2. Não sendo imprecisão, o que significa exactamente que não há risco por ser “um contacto de um contacto”?
  3. Uma “cadeia de transmissão” não se baseia em “contactos de contactos”?

pluto-scratching

Sobre A Proibição Das Visitas De Estudo

Embora pareça um medida cheia de bom senso, há alguns aspectos que eu gostaria de sublinhar só para pensarmos um pouco mais sobre isto.

  1. Se muitos dos destinos das visitas (não falo das viagens de finalistas para fora do país) até são frequentados por muita gente, a verdade é que a maioria das escolas com 500, 1000 ou 1500 alunos são espaços potencialmente muito mais favoráveis a eventuais contágios.
  2. Existiu algum cuidado em fazer uma espécie de despiste prévio quanto às deslocações de professores e alunos na altura do Carnaval? As r3edes sociais podem ajudar.
  3. O que se faz com alunos que andam a chegar em quase catadupa nos últimos meses a algumas escolas, em especial de países onde o rastreio deste tipo de doenças é pouco mais do que nulo?

Tudo isto parece algo desproporcionado mas, em especial, algo fora do tempo certo, por muito que o ministro chientista apareça a dizer que está tudo chob controle.

Virus

Isto É Só Um Par De Dúvidas…

… que me ocorreu ao escrever um texto sobre a actual vulnerabilidade dos dados dos alunos (e professores) e depois de uma troca de impressões com um colega que sabe muito mais do que eu sobre isto.

  1. Alguém assinou um papelito a ceder os dados que estão na plataforma online que a vossa escola usa para gerir muito mais do que os sumários e as pautas?
  2. Alguém conhece o contrato feito pela vossa escola/agrupamento para usar essa plataforma? Porque eu fui ao base.gov e não aparece quase nada a esse respeito e o que aparece é um bocado escasso de garantias.

Duvida