Bicicletas

Aguardo com curiosidade a sua chegada em massa às escolas, esperando que não seja como com os computadores. Acho bem e tal. Até me ofereço para ajudar, apesar de envelhecido. Entretanto, como estamos de procedimentos e verbas relativas ao seguro escolar? Ainda é preciso fazer consultas prévias em casos de acidentes que impliquem tratamentos? Pode ser por ajuste directo? Haverá pessoal não docente em quantidade suficiente para o devido acompanhamento a eventuais tratamentos? Não, não estou a ser negativo. Apenas estou a pensar que ainda bem que já não sou encarregado de educação do Básico.

Por fim, só há mesmo 259 estabelecimentos com 5º e 6º ano?

Bazuquinha

Parece muito dinheiro, mas comparado com o que disseram que vinha por aí, nem por isso. Não percebi se professores e outros funcionários também são “cidadãos”. Caso sejam, o tal suplemento de 125 euros aplica-se a quem esteja até ao 7º escalão (se estamos a falar de rendimentos brutos, pré-esbulho fiscal)? E é one shot, nem sequer chega ao Natal.

Pagamento extraordinário no valor de 125 euros a cada cidadão não pensionista e com rendimento até 2700 euros mensais;

Mais Alguém Deu Com Isto?

De um mail recebido há um par de dias. Confesso não ter meios para confirmar ou infirmar o que é relatado.

Adenda: já me explicaram que está bem, mas vou deixar aqui o post por enquanto.

Trago ao seu conhecimento uma situação caricata, que eu não sei se acontece em todo o país ou só em alguns agrupamentos. Não tenho forma de comparar, porque não conheço colegas de outras regiões/concelhos.

Em algumas escolas de Lisboa tem se verificado a tendência de os alunos anularem a matrícula às línguas estrangeiras no secundário (10/11ºAnos) porque “o exame é mais fácil”. Ora, esta ideia tem provocado uma sangria nas turmas. Isto aconteceu a partir do momento em que os exames da língua estrangeira, que eram PEFs, passaram a ser substituídos por exame nacional, há cerca de 2 anos, salvo melhor memória. Nos anos covid a coisa passou despercebida, mas este ano, foi possível fazer uma análise mais fina às pautas. O caso do Inglês (prova 550) é mais notório, porque tem mais alunos. Já no ano passado isso aconteceu, mas ninguém topou. Até porque sempre foi uma prova com poucos inscritos porque só servia para prova de ingresso a um grupo muito restrito de cursos. Este ano, pelo contrário foi um boom, que já vinha a crescer desde há 2 anos.

Nas línguas estrangeiras a prova tem duas componentes, oral e escrita. A oral vale 160 pontos em 200 (80%) e a escrita 40 em 200 (20%). Ora, se analisar a pauta (retirei um exemplo, abaixo), verifica-se que a nota da escrita, aparentemente, é convertida no peso correto, mas a nota da oral não. Então o que acontece? As somas dão origem a notas inflacionadas e irrealistas, com a agravante de serem arredondadas. Isto faz com que tenhamos alunos que não sabem escrever um parágrafo escorreito com notas de 12, etc.!

Alunos com 128 pontos na escrita que terminam com 17 valores.

Alunos com 73 pontos na escrita que terminam com 10 valores.

Alunos com 147 pontos que terminam com 19 valores. 

E assim por diante…

Ou seja a coluna da oral não está a converter os 40 pontos em 20%.

E agora? Quando já foram emitidas fichas ENES e o concurso começa na semana que vem? E os que usaram esta prova no concurso do ano passado?

Claro que o objetivo da maioria dos alunos que realizam estas provas é melhorar a classificação interna e subir a média. O número dos que se inscrevem nas provas para aprovação às disciplinas é diminuto.

Se o problema acontece nas pautas das línguas de todo o país, apesar de erro, pelo menos os alunos estarão em igualdade de circunstâncias e não serão prejudicados. Todavia, se isto acontece só em alguns agrupamentos por erro de quem formatou a pauta, então temos uma situação grave.

Tem forma de comparar as pautas das línguas estrangeiras de várias escolas do país?

Temo que isto tenha sido topado, mas abafado. A maior parte dos colegas não ligam. Já estão velhos e cansados. Só quem está “com as mãos na massa” (agrupamentos e enes) poderão dar conta, se tiverem o mínimo de atenção e interesse, o que também já não grassa.

Obrigado.

Saudações

PS: Poderei enviar-lhe mais exemplos. Só conheço as pautas de duas escolas em Lisboa e acontece o mesmo. São do mesmo agrupamento.

Quais Doutorados?

Por uma vez, tenho interesse em puxar dos galões. Estou farto de ler por aí malta a queixar-se que ganha pouco e foi quase uma década à escola menos do que eu, que foi tudo pré-Bolonha (e posso contar, como adicional, com o ano do mestrado em Descobrimentos que não cheguei a acabar?). Também quero. Ou é só para a malta do “aparelho”?

A reformulação da tabela salarial dos assistentes técnicos, dos técnicos superiores e dos doutorados tem efeitos desde 1 de Janeiro de 2022 e custará 40 milhões de euros.

Explicações Municipais?

Será exagero achar que isto revela uma certa e determinada desconfiança em relação aos professores locais? Quem vai assegurar esta “formação de apoio”? Em que termos paga como e por quem?

É isto que a municipalização “oferece”? Se é para fazer concorrência às “explicações” em modo privado, tem interesse saber a resposta a estas questões.

Iniciativa “Português em foco”, que irá vigorar desde 19 de abril a 16 de junho, pretende apoiar os alunos de 12º ano que irão estar em preparação para o Exame Nacional de Português.

Em Tempos De Pandemia…

… parece que, afinal, os alunos estiveram cada vez mais presentes, mesmo no regime não-presencial, durante o qual tanto se disse sobre o “desaparecimento” de tantos. A evolução é de médio/longo prazo, mas talvez, apenas talvez, tenha existido alguma sub-avaliação do abandono, atendendo ao contexto complicado que muitas famílias viviam.

Abandono escolar inferior a 6% no ano passado. Indicador nunca foi tão baixo

Quem Quer Atravessar O Deserto Durante Quase 5 Anos?

É a questão que se coloca à agora chamada “direita tradicional” (PSD+CDS). Será que quem antes tanto lutou pelo poder tem mesmo esse espírito de sacrifício, para mais sabendo que nem deverão conseguir chegar ao fim da “seca”, por tantos exemplos anteriores? O Expresso tem por ali umas notícias a relançar Rangel e Melo, mas penso que é um daqueles empurrões envenenados, a menos que seja com a garantia de uns quantos lugares em administrações quando tiverem de ser afastados para dar lugar aos que irão verdadeiramente herdar os ossos que o PS deixar por roer daqui até quase ao final de 2026.

Outros Problemas

Um colega pergunta-me o que acontece quando, pela 2ª vez, a eleição para representantes do pessoal docente no Conselho Geral fica sem listas. No entendimento dele, o CG fica sem poder ser constituído por falta de um dos seus corpos. Outra leitura é que, havendo quórum, se um corpo desiste de estar representado, o órgão pode funcionar na mesma. Eu sei que a maioria acha que o CG nem deveria existir (mesmo se é onde resta a última eleição aberta e directa de professores nas escolas), mas esta é uma situação não prevista na lei e aceitam-se opiniões.