Precisamos De Um Tino De Rans Em Cada Paróquia

Do site da DGE (que se afirma em permanente actualização, pelo que ainda poderemos esperar pelo recurso ao apoio divino). Um ponto a favor, parece terem percebido que a banda é estreita e que sessões síncronas funcionam bem, mas para uma certa elite. Eu vejo por aí muitas propostas e ferramentas, mas insisto que não temos um país à imagem de certos nichos de excelência. Infelizmente.

Numa primeira fase, todas as escolas devem manter o contacto diário com os alunos e iniciar uma dinâmica em que, gradualmente, poderão introduzir processos e ferramentas mais complexas de interação. Todas estas novas formas de aprender e de ensinar implicam uma curva de aprendizagem, tanto para os professores como para os alunos.

Deverão ser privilegiadas atividades assíncronas, menos exigentes em largura de banda e que não requeiram dispositivos de última geração. No caso em que os destinatários são crianças ou alunos mais novos, da Educação Pré-escolar e dos 1.º e 2.º ciclos, as atividades deverão, sempre que possível, ser intermediadas pelos encarregados de educação.

Nesta fase inicial, é fundamental que sejam desenvolvidas formas simples para não se perder o contacto com os alunos, em particular aqueles que não têm ainda acesso a internet ou equipamento. Um contacto estabelecido através de organizações e associações locais ou da Junta de Freguesia poderá assegurar que estes alunos também recebem materiais e tarefas para fazer.

TinoTinoTinoTino

Nem Sempre Gostamos Do Que Os Espelhos Reflectem

Há um discurso anti-redes sociais com uma fortíssima componente demagógica e uma muito pouco menor de hipocrisia. E não falo apenas de ser gente que lá passa muito mais tempo do que eu a dizer mal do que lá se passa. É mais daquele género de postura “ética” a dizer que as redes sociais são uma espécie de antro do pior que existe na natureza humana e nisto incluo pessoas que até estimo bastante à distância, mas que me parecem desligadas da vida do país e que confundem o seu casulo particular com a Humanidade em geral. Ou então também não frequentam, por pouco que seja, cafés ou outros espaços públicos de convívio, o que inclui filas nos postos de correios, serviços públicos ou supermercados. A única diferença é, no essencial, a impossibilidade de se verem memes a partir do que as pessoas dizem, embora eu consiga vê-los nas suas caras.

Sim, há muita estupidez nas redes sociais, porque também há muita estupidez à solta por aí, mas, curiosamente, não foi nelas que nasceu a falsa notícia da primeira morte por covid-19 em Portugal. Foi num canal alegadamente noticioso e nem sequer a tão criticada CMTV. Assim como foram canais noticiosos tidos por fidedignos que multiplicaram a notícia de um inexistente estado de coma do escritor Luís Sepúlveda.

Claro… há as palermices em torno do mau uso de lixívias ou vinagre para matar o vírus ou tantas outras coisas da ordem das velhas mézinhas de outros tempos (poderia contar-vos uma de uma avó minha para resolver a obstipação que envolvia um talo de couve e… bem, fiquemos por aqui, restando dizer que só a ideia da concretização me faria ficar curado de qualquer pandemia). Mas não me parece que sejam coisas específicas das redes sociais, as quais são feitas do que as pessoas lá colocam.

As redes sociais são um espelho dos seus utilizadores, gente com banda larga, smartphone e nem sempre com apenas o 4º ou 6º ano de habilitações. Por observação directa, garanto que há gente bem certificada e mesmo com posições relevantes na sociedade que propaga mentiras de forma consciente em plataformas de que depois diz mal em conversas “inteligentes”. Nos últimos dias, foi um rodopio de candidatos a spin doctors ou a spinners, já não sei. E as ânsias censórias partem de muitas direcções, baseando-se tanto na ignorância como na sapiência mais sapiente. Num caso, ainda podemos explicar as coisas pela falta de (in)formação; mas no outro, apenas pela falta de carácter ou, hipótese muito válida, por ser muito incómodo o retrato/reflexo que as redes sociais fazem do que a sociedade é, pós-moderna no verniz, mas tacanha ali logo uns milímetros abaixo.

espelho

Da Evidência Da Erosão Da Memória Docente

O preenchimento/validação do “recenseamento docente” tem causado, em certos ambientes de “proximidade social” (ou em espaços desesperadamente em busca de audiências distraídas) uma agitação equivalente à motivada pelo covid-19.  E depois ainda temos uns “espertos” por aí a fazer observações que só demonstram que vale a pena ser velho e memória. Nem vou falar do facto de, antes da “Idade do Gelo” o pessoal ir assinar o registo biográfico em papel e verificar a causa da colocação (no meu caso muitos anos com alíneas variadas conforme o motivo da substituição), o tempo de serviço e os cargos ocupados. Depois, passou a ser quase irrelevante, excepto a contagem do tempo de serviço para quem concorria. Com o mitigado “degelo”, quando foi preciso verificar tudo isso, por causa de reposicionamentos, faseamentos e outros divertimentos, muita gente parece ter-se esquecido por completo do que se passou. Como se a criogenia tivesse paralisado as sinapses.

Este modelo de recenseamento nasce de uma coisa chamada “E-Bio”. Eu recebi às 22.10 do dia 29 de Novembro de 2012 um mail que publiquei poucos minutos depois. Semanas depois andava-se a discutir a obrigatoriedade da coisa, porque entretanto o discurso da dgae mudara perante a indiferença que se verificava e o facto de alguns sindicatos dizerem que não era obrigatório o preenchimento. Em Janeiro de 2013, a FNE estenderia a mão ao MEC para apoiar o preenchimento da coisa, ao mesmo tempo que surgia o esclarecimento abaixo reproduzido.

Em Março (após relembrar o mail de Novembro com a data errada) anunciava-se o fim do prazo do preenchimento e “nova funcionalidades”.:

Na sequência do mail de 30 de Novembro de 2012 (e-Bio/Registo Biográfico) e com o aproximar do início dos processos concursais e de mobilidade, vimos informar que a aplicação vai ser fechada no próximo dia 28 de Março de 2013, pelas 18 horas. Esta será disponibilizada após esta fase e já com novas funcionalidades.

Em Abril a ideia parecia querer estender-se ao resto da Administração Pública.

ebio

Sim, eu sei que o meu estatuto de ancião docente – aliado à “base de dados” do Umbigo – me permite verificar tudo isto e não ficar excitado com a “novidade” (desde 2017 que o “recenseamento docente” existe nesta modalidade”) ou algo agitado por perceber que isto pouco nos interessa, mas que também não é (agora que está preenchido) o que mais nos ocupa o tempo.