Enganei-me Em Toda A Escala, Confesso!

Esperava que pelo menos um d@s secretários de Estado da área da Educação (aquilo do Desporto é um feudo quase inexpugnável com o qual não me meto com previsões) viesse do eixo Gaia-Porto-Braga. Na volta continua a bússola educativa muito sulista. Num dos casos, tenho desculpa, pois a secretária nova é daqueles nomes que nem escavacando todo o baú dos nomes possíveis me ocorreria (mas já deveria estar prevenido com a que saiu). Quanto ao velho secretário que fica, sempre pensei que quereria poisos mais distantes. É verdade que ali no fim da campanha, espreitando alguns murais do fbook, se via uma espécie de “ondinha” por parte de quem receia que o que foi “conquistado” possa vir a ser “perdido” ou “desbaratado”. Ficando o pai do reformismo flexibilizador está garantido que a corte continuará mais ou menos imutável e que é desta que entramos com tudo na pedagogia dos anos 70 e 80 do século XX. Quanto ao resto, nada devemos esperar do que se desejava em matéria de administração escolar. A municipalização atropelará toda e qualquer pretensão de autonomia e as negociatas com consultores e grupos de estudos continuarão com nulo controle e muita “oferta de formação” para o 54, 55 e coisas assim que metam grelhas e monitorização pelos ímpares. Há quem goste… pois tem algo a ganhar com a manutenção do modelo hierárquico de gestão. E quanto a preocupações, há com tudo menos com a destruição da carreira docente. As “lideranças” tornaram-se numa década correias de transmissão, na generalidade dos casos. Com as indicações da dgae, quem está tem mais mandato e meio para fazer a festa antes de sair e, depois, a nova geração já virá formatada para o novo modelo.

Resta saber se – com o apoio do Bloco e do PCP – o Secundário se tornará um prolongamento patusco do Básico, sem exames e, quiçá, com provas de aferição para a malta se rir muito e depois as Universidades ficarem com as mãos livres para fazerem uma selecção com muito menos regulação externa do que agora.

Paz às nossas almas!

RIP

(logo eu que cresci em terra de videntes e cartomantes que deu, por exemplo, o mais famoso oráculo de belline nacional, rapaz que se pode dizer da minha geração)

Pelo Jornal de Letras – O Triunfo da Lógica Feudal nas Escolas

Dois anos depois de começar a colaboração permanente com o JL/Educação, comecei a colocar alguns dos textos mais antigos (2017, mas irei em breve acrescentar os de 2018), ali a partir da ligação sob o título do blogue. Como é a única colaboração paga, procuro não divulgar os textos na íntegra, mas já é tempo de os ir deixando arquivados para “memória futura”.

O desta semana é sobre a fase final de instalação da lógica feudo-vassálica no sistema educativo e nas escolas. Por amanhã ser 25 de Abril deixo um excerto mais longo do que o habitual.

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No sistema educativo e no interior das escolas passou a predominar um modelo feudal, em que o suserano distribui os seus favores aos vassalos, mas que os pode retirar a qualquer momento. Os directores e todos os órgãos internos de administração das escolas e agrupamentos podem a qualquer momento ser exonerados das suas funções por parte da tutela, assim como os directores podem exonerar dos seus cargos os elementos escolhidos numa eleição restrita para coordenadores de departamento. Em que o Conselho Geral tem uma lógica de Câmara Corporativa, mesmo se os representantes do pessoal docente e não docente (ainda) são escolhidos por voto directo.

Estando no quarto ano de um governo apoiado por uma maioria parlamentar de “Esquerda”, incluindo as forças partidárias onde se concentra a larga maioria daqueles que se declaram como os mais legítimos herdeiros do “espírito de Abril”, nada, absolutamente nada, foi feito na área do modelo de gestão escolar para recuperar os mecanismos democráticos que foram sendo perdidos. Pelo contrário, aprofundaram-se medidas que são completamente incompatíveis com um regresso da Democracia às escolas, como seja a sua colocação na dependência de estruturas autárquicas que, embora eleitas, não o foram para se sobreporem, no agravamento de uma lógica de hierarquização, aos órgãos internos das escolas.

O que a chamada “descentralização de competências” trouxe foi apenas mais um degrau na estrutura da hierarquia feudo-vassálica que tem o Ministério da Educação no topo como “suserano dos suseranos” e os professores como meros súbditos, que se querem arregimentados sem discussão, uma espécie de vavassalos dos directores que são suseranos no seu domínio, mas ao mesmo tempo vassalos, se desobedecerem às indicações do seu suserano (que em crescentes partes do território começa a ser o presidente da câmara ou em quem ele delegue as questões da Educação).

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Uma Meia Novidade (Que É Como Agora O Pessoal Do ME Quer Fazer Passar A Ideia De Serem Novas As Coisas Velhas)

Nada impedia as inspecções de assistir a aulas quando se deslocava às escolas. Posso mesmo exemplificar com a ida a salas de aula na mais recente avaliação feita no meu agrupamento. Não estiveram lá o tempo todo, mas isso também era capaz de ser chato. O que é mais preocupante neste anúncio não é, portanto, a “observação de aulas por parte de elementos exteriores à escola”, mas sim a seguinte parte:

As equipas de avaliação integrarão dois inspectores da IGEC e dois “peritos externos”, que serão seleccionados por instituições do ensino superior. Na descrição sobre a metodologia a seguir no novo ciclo, que já se encontra disponível na página da IGEC, refere-se que a observação incidirá, “preferencialmente, na interacção pedagógica, nas competências trabalhadas e na inclusão de todos os alunos”.

A definição de “perito externo” não existe, pelo que pode ser qualquer pessoa de fidelidade costista, arianista ou verdasqueira que seja seleccionado num qualquer departamento de educação de uma ese ou universidade às moscas. Pode sempre ser alguém como aquel@s professor@s dos tempos da minha profissionalização, em que num caso tinha menos habilitações do que eu e no outro dava aulas por igual desde malta de Informática e Música a Inglês e História, passando pelo que calhasse. Por vezes fala-se em “reconhecido mérito”, mas eu dava tudo para me aparecer um daqueles cromos que só sabe a sebenta que ensina e nada mais, parecendo uma rtestemunha de jeová a patinar se começarmos a questioná-los a sério sobre as sagradas escrituras.

Nuno Crato falou na IGE dos tempos de Sócrates/MLR como “comissários políticos” enviados às escolas. Nos tempos de Costa&Costa (o Tiago desconta tudo na equação, nem chega a elemento absorvente) termos “comissários pedagógicos” ou “comissários da inclusão” que, a avaliar pelas formações que por aí andam, têm a flexibilidade e abertura de espírito de um muro do trump.

Mas vou repetir… isto já podia ser assim. Agora apenas mudará o facto de ser obrigatório, modelo único para que a palavra de Costa, Cosme & Rodrigues se faça Verbo em todas as Salas de Aula da Nação.

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