O Milagre Dos Horários Aconteceu!

Eu sei que não devo relembrar quem andou meses a dizer que isto deveria ser assim desde o início do ano lectivo. Porque, como sabemos, quem agora faz isto, não tinha qualquer maneira de saber antes desta semana que parte da solução passava por aqui. Porque era uma coisa perfeitamente abstrusa, própria de idiotas.

E quem ficou para trás? Que se lixe? Não há um pingo de vergonha por nova vaga de ultrapassagens pela faixa de rodagem costista?

1.2. Os horários a concurso na Reserva de Recrutamento 32 correspondem aos horários
pedidos pelos Agrupamentos de Escolas e Escolas não Agrupadas, podendo os mesmos ter
sido convertidos em anuais e completos.
Sempre que tal se tenha verificado as horas
aditadas devem ser rentabilizadas em medidas de compensação para os alunos mais
afetados pela falta de professores, como o reforço de cargas horárias da disciplina,
atividades de recuperação de aprendizagens ou atividades de apoio a alunos de outras
turmas.

A Descoberta Do Milénio

Pode andar-se anos a escrever que a escola pública anda a três velocidades e que as condições são muito desiguais, tendo tudo ficado mais grave desde a “festa” da Parque Escolar. Não se acredita, porque não se passa de um professorzeco, muito básico. Mas não há nada como uma pandemia, para haver especialistas a descobrir o tema. A análise pode estar muito certa, mas chega, no mínimo, com uma década de atraso. É por isso que continuo a achar que a Economia, para ser rigorosa, é mais História e descrição do passado do que outra coisa, muito menos uma disciplina com especial potencial preditivo, com base em torcionismos estatísticos.

A Explicação!

Eram 15.55 quando recebi o AvisoPROCIV a anunciar o “dever geral de recolhimento domiciliário”. E fui o primeiro a receber cá em casa, talvez por ser o único que mantém um télélé samsung-pedra como a petizada lhe chama quando o vê. E eles (os da Protecção Civil, não os petizes) devem ter mandado o aviso primeiro para “os mais desfavorecidos“.

Ora.. como a larguíssima maioria dos tugas tem smartphones de gama média-alta só devem receber mais tarde. E como só acreditam no que lhes chega através dos zingarelhos, ainda ninguém sabe que é para “recolher“.

5ª Feira – Dia 0 Do Pseudo-Confinamento

Ontem lia um dos principais membros da corte costista, ainda antes do anúncio das decisões que até a ele provocaram algum espanto (hélas! não é caso completamente perdido), a dizer que as pessoas estavam muito ligadas aos seus contextos “locais” na análise de tudo isto. Trata-se de uma das luminárias da “territorialização” das opções curriculares e das próprias abordagens pedagógicas. Assim como da municipalização da Educação e do desenvolvimento de políticas educativas locais. Mas agora quem levanta problemas é porque só vê o “local”. Ora bem… o meu “local” diz-me que alunos de 10 anos percebem com a clareza que o cinismo e a hipocrisia ainda não toldaram, o que adultos parecem não entender ou submeter a lógicas instrumentais. O meu “local” transmite-me que as “famílias” estão mais preocupadas do que as cúpulas das associações consultadas por António Costa. O meu “local”, apesar de todos os pecadilhos e de saber que no nosso caso cá estaríamos de qualquer forma, compreende que isto não é um confinamento “como em Março e Abril”.

A bem dizer este é um confinamento quase exclusivo do comércio “não essencial” (será que posso, pelo menos, comprar livros no supermercado?) e das actividades culturais (como bem dizia o Bruno Nogueira de manhã, uma missa não é um espectáculo com alguém no palco a falar para uma audiência?). Haverá efeitos no controle dos contágios? Sim, mas muito mais lentos do que se fossem 15 dias a sério. Ou o mês daqui até ao Carnaval. “Como em Março e Abril”.

Já agora, como ideia matinal fica a proposta de transformar parte dos recintos escolares em hospitais de campanha porque, como ficámos a saber, as escolas são espaços de “contágio zero”, o que dá imenso jeito, porque os hospitais se estão a tornar caóticos e desta maneira se evitariam os surtos e cadeias de transmissão entre enfermeiros e médicos.

Mais De Seis Meses Das Doutoras Graça E Marta Para Os “Especialistas” Perceberem Isso?

Podia ser um anúncio de emprego. O Governo português e a Direcção-Geral da Saúde não souberam falar com os portugueses e isso teve impacto na pandemia. É preciso mudar rapidamente, defendem especialistas.

As conferências de imprensa da DGS são actos de legitimação política, e não acções de comunicação de risco. Precisa-se de outra coisa, dizem especialistas.

Teria Graça (Não É A Senhora Da DGS, Porque A Essa, Enfim… Escasseia-lhe A Dita Mesmo Quando Se Esforça) Se Não Fosse Tão Estúpido

Aquilo de mandar para casa só os alunos que estão perto na sala de aula de algum@ colega que teste positivo. Já os que estiveram agarrados a el@ no corredor, à porta da sala, no caminho de entrada e saída da escola, não vale a pena, porque o pensamento mágico tudo protege.