A Descoberta Do Milénio

Pode andar-se anos a escrever que a escola pública anda a três velocidades e que as condições são muito desiguais, tendo tudo ficado mais grave desde a “festa” da Parque Escolar. Não se acredita, porque não se passa de um professorzeco, muito básico. Mas não há nada como uma pandemia, para haver especialistas a descobrir o tema. A análise pode estar muito certa, mas chega, no mínimo, com uma década de atraso. É por isso que continuo a achar que a Economia, para ser rigorosa, é mais História e descrição do passado do que outra coisa, muito menos uma disciplina com especial potencial preditivo, com base em torcionismos estatísticos.

A Explicação!

Eram 15.55 quando recebi o AvisoPROCIV a anunciar o “dever geral de recolhimento domiciliário”. E fui o primeiro a receber cá em casa, talvez por ser o único que mantém um télélé samsung-pedra como a petizada lhe chama quando o vê. E eles (os da Protecção Civil, não os petizes) devem ter mandado o aviso primeiro para “os mais desfavorecidos“.

Ora.. como a larguíssima maioria dos tugas tem smartphones de gama média-alta só devem receber mais tarde. E como só acreditam no que lhes chega através dos zingarelhos, ainda ninguém sabe que é para “recolher“.

5ª Feira – Dia 0 Do Pseudo-Confinamento

Ontem lia um dos principais membros da corte costista, ainda antes do anúncio das decisões que até a ele provocaram algum espanto (hélas! não é caso completamente perdido), a dizer que as pessoas estavam muito ligadas aos seus contextos “locais” na análise de tudo isto. Trata-se de uma das luminárias da “territorialização” das opções curriculares e das próprias abordagens pedagógicas. Assim como da municipalização da Educação e do desenvolvimento de políticas educativas locais. Mas agora quem levanta problemas é porque só vê o “local”. Ora bem… o meu “local” diz-me que alunos de 10 anos percebem com a clareza que o cinismo e a hipocrisia ainda não toldaram, o que adultos parecem não entender ou submeter a lógicas instrumentais. O meu “local” transmite-me que as “famílias” estão mais preocupadas do que as cúpulas das associações consultadas por António Costa. O meu “local”, apesar de todos os pecadilhos e de saber que no nosso caso cá estaríamos de qualquer forma, compreende que isto não é um confinamento “como em Março e Abril”.

A bem dizer este é um confinamento quase exclusivo do comércio “não essencial” (será que posso, pelo menos, comprar livros no supermercado?) e das actividades culturais (como bem dizia o Bruno Nogueira de manhã, uma missa não é um espectáculo com alguém no palco a falar para uma audiência?). Haverá efeitos no controle dos contágios? Sim, mas muito mais lentos do que se fossem 15 dias a sério. Ou o mês daqui até ao Carnaval. “Como em Março e Abril”.

Já agora, como ideia matinal fica a proposta de transformar parte dos recintos escolares em hospitais de campanha porque, como ficámos a saber, as escolas são espaços de “contágio zero”, o que dá imenso jeito, porque os hospitais se estão a tornar caóticos e desta maneira se evitariam os surtos e cadeias de transmissão entre enfermeiros e médicos.

Mais De Seis Meses Das Doutoras Graça E Marta Para Os “Especialistas” Perceberem Isso?

Podia ser um anúncio de emprego. O Governo português e a Direcção-Geral da Saúde não souberam falar com os portugueses e isso teve impacto na pandemia. É preciso mudar rapidamente, defendem especialistas.

As conferências de imprensa da DGS são actos de legitimação política, e não acções de comunicação de risco. Precisa-se de outra coisa, dizem especialistas.

Teria Graça (Não É A Senhora Da DGS, Porque A Essa, Enfim… Escasseia-lhe A Dita Mesmo Quando Se Esforça) Se Não Fosse Tão Estúpido

Aquilo de mandar para casa só os alunos que estão perto na sala de aula de algum@ colega que teste positivo. Já os que estiveram agarrados a el@ no corredor, à porta da sala, no caminho de entrada e saída da escola, não vale a pena, porque o pensamento mágico tudo protege.