A Explicação!

Eram 15.55 quando recebi o AvisoPROCIV a anunciar o “dever geral de recolhimento domiciliário”. E fui o primeiro a receber cá em casa, talvez por ser o único que mantém um télélé samsung-pedra como a petizada lhe chama quando o vê. E eles (os da Protecção Civil, não os petizes) devem ter mandado o aviso primeiro para “os mais desfavorecidos“.

Ora.. como a larguíssima maioria dos tugas tem smartphones de gama média-alta só devem receber mais tarde. E como só acreditam no que lhes chega através dos zingarelhos, ainda ninguém sabe que é para “recolher“.

5ª Feira – Dia 0 Do Pseudo-Confinamento

Ontem lia um dos principais membros da corte costista, ainda antes do anúncio das decisões que até a ele provocaram algum espanto (hélas! não é caso completamente perdido), a dizer que as pessoas estavam muito ligadas aos seus contextos “locais” na análise de tudo isto. Trata-se de uma das luminárias da “territorialização” das opções curriculares e das próprias abordagens pedagógicas. Assim como da municipalização da Educação e do desenvolvimento de políticas educativas locais. Mas agora quem levanta problemas é porque só vê o “local”. Ora bem… o meu “local” diz-me que alunos de 10 anos percebem com a clareza que o cinismo e a hipocrisia ainda não toldaram, o que adultos parecem não entender ou submeter a lógicas instrumentais. O meu “local” transmite-me que as “famílias” estão mais preocupadas do que as cúpulas das associações consultadas por António Costa. O meu “local”, apesar de todos os pecadilhos e de saber que no nosso caso cá estaríamos de qualquer forma, compreende que isto não é um confinamento “como em Março e Abril”.

A bem dizer este é um confinamento quase exclusivo do comércio “não essencial” (será que posso, pelo menos, comprar livros no supermercado?) e das actividades culturais (como bem dizia o Bruno Nogueira de manhã, uma missa não é um espectáculo com alguém no palco a falar para uma audiência?). Haverá efeitos no controle dos contágios? Sim, mas muito mais lentos do que se fossem 15 dias a sério. Ou o mês daqui até ao Carnaval. “Como em Março e Abril”.

Já agora, como ideia matinal fica a proposta de transformar parte dos recintos escolares em hospitais de campanha porque, como ficámos a saber, as escolas são espaços de “contágio zero”, o que dá imenso jeito, porque os hospitais se estão a tornar caóticos e desta maneira se evitariam os surtos e cadeias de transmissão entre enfermeiros e médicos.

Mais De Seis Meses Das Doutoras Graça E Marta Para Os “Especialistas” Perceberem Isso?

Podia ser um anúncio de emprego. O Governo português e a Direcção-Geral da Saúde não souberam falar com os portugueses e isso teve impacto na pandemia. É preciso mudar rapidamente, defendem especialistas.

As conferências de imprensa da DGS são actos de legitimação política, e não acções de comunicação de risco. Precisa-se de outra coisa, dizem especialistas.

Teria Graça (Não É A Senhora Da DGS, Porque A Essa, Enfim… Escasseia-lhe A Dita Mesmo Quando Se Esforça) Se Não Fosse Tão Estúpido

Aquilo de mandar para casa só os alunos que estão perto na sala de aula de algum@ colega que teste positivo. Já os que estiveram agarrados a el@ no corredor, à porta da sala, no caminho de entrada e saída da escola, não vale a pena, porque o pensamento mágico tudo protege.

A Grande Qualidade De António Costa…

… é conseguir enfiar barretes em todos os quadrantes, convencendo o Bloco que sem eles não há OE, enquanto acerta com o PR e Rui Rio (embora chegue a ser penoso este a explicar a sua posição sobre o Tribunal de Contas, dizendo que concordou com aquilo de que discorda) os negócios maiores do regime e as nomeações para as “controlar”, embolsando as oposições à esquerda e direita (e com mais uns tostões embolsa o PAN). Ao menos, parece que o velho Jerónimo está a acordar do torpor em que caiu há uns anos, embora saiba que se bater muito o pé, as suas autarquias sofrerão.

Uma Enorme “Positividade”

Globalmente, o prémio terá de ser dividido entre o Filinto Lima e o ministro da Educação.

O primeiro porque, com um discurso que até conseguiu fugir à total demagogia de outros, se multiplicou em declarações para tranquilizar a opinião pública quanto à segurança dos espaços escolares (mesmo se já se tentou explicar que o maior problema não é esse); foi curioso o encontro de amigos junto à sua escola-sede com o João Dias da Silva (que até disse que os alunos que vamos receber esta semana não são os mesmos que deixámos em Março, como se ele tivesse deixado alguns ou fosse receber seja quais foram) e o pai Ascenção da Confap.

.O segundo porque em mini-entrevista à TVI, numa bem escolhida sala com carteiras individuais para os alunos, parecia uma picareta falante, a despejar todo o guião a cada pergunta, mesmo quando respondia completamente ao lado da pergunta, como quando disse que tinham uma lista ordenada de professores para assegurar substituições. Sim, homem, tens uma lista. E se a lista não tiver gente suficiente ou se a maior parte de declarar indisponível para passear pelo país nas actuais condições? Por outro lado, a máscara pareceu melhorar-lhe o discurso e não pisca-piscou tanto como é habitual. Já agora, o “regime excepcional” de protecção com que encheu tanto a boca é aquele que ao 31º dia deixa de pagar salário aos trabalhadores de risco, certo?

O prémio “estou aqui, mas não queria” vai para o SE Costa que, na generalidade dos instantâneos televisivos, apareceu ali mais na linha de fundo, fora de grandes ajuntamentos, não vá o bichinho tecê-las.

Por fim, quanto ao PM, realmente o lugar dele é mesmo a tirar fotos na final da Champions no camarote dourado da Luz, porque cada vez é mais difícil ouvi-lo sem um enorme enfado com aquele ar de quem sabe que está garantido no lugar, enquanto garantirem que o psd está reduzido a minions e a esquerda espera por aljubes e outras coutadas.