O Grande Ancião Da Economia Para Totós Da SICN Já Está A Panicar

Alguém explique à dona Gertrudes dos Anjos Caídos, desculpem, ao José Gomes Ferreira que se a “massa salarial” dos funcionários públicos aumenta, também aumentam as suas contribuições fiscais, para a C.G.A. e/ou a Segurança Social. Não é preciso estar já todo agitado com os encargos dos aumentos e das “progressões”, que parecem ser uma espécie de assombração para esta malta, tipo reduções do 79 para os pseudo-jovens ou cultores da “boa governança”.

O Tédio Como Defesa Da Saúde Mental

Estava a ler mais uma prosa de outro economista transformando em especialista instantâneo em Educação e “aprendizagens perdidas” por causa da pandemia. É o bostoniano hifenado Aguiar-Conraria, que faz uma espécie de reflexo no Expresso da economista Peralta, ambos subitamente compungidos com os imensos males que as pausas escolares fazem nas crianças mais desfavorecidas. O texto contém diversos disparates e afirmações carentes de demonstração, mas ele já afirmou que não receia dizê-los (aos disparates), pelo que me passou logo parte da vontade de contraditar aquelas certezas formatadas pelos preconceitos. Por outro lado, muito daquilo não é novo e já me entedia tentar explicar o bê-á-bá das coisas a gente que alia a pesporrência a uma arrogância académica nascida de se ser do “superior”. Falam em estudos, mas raramente os dados confirmam realmente as conclusões que apresentam e há momentos em que tentar contraditar quem assim argumenta chega a ser um atentado à nossa saúde mental e eu já tive a minha conta a esse respeito nos últimos 15 anos (para falar apenas em anos-blogue), parecendo-me escusado voltar a martirizar-me a tentar fazer entender algo que vai contra as crendices de quem já decidiu o que está certo e errado.

(basta ver que há quem fale em meses a fio de escolas fechadas, quando em 2020 fomos dos que tivemos as escolas fechadas abaixo da média; entretanto, a situação actual está representada aqui, com Portugal a fazer parte dos países que se considera não terem ainda tomado quaisquer medidas restritivas ao contrário de boa parte da Europa Ocidental)

Há muitos anos que há quem se lamente que os alunos podem fazer um percurso de “sucesso” com imensas “aprendizagens por realizar” em variadíssimas disciplinas. Mesmo naquelas em que atingem a “positiva”, pode haver o caso de até nem ter feito mais de 50% das aprendizagens previstas e/ou desejáveis que, graças às “atitudes” e ao emaranhado das justificações burocráticas, passam de ano. E não me venham com tretas, que não é assim, que se assim é a culpa é dos professores que não se esforçaram. Não se esforçaram uma m€rd@, ok, que o ónus da prova e da culpa não poem ser só dos malandros que um dia decidiram passar de alunos a professores “não-superiores”, tendo perdido praticamente toda a muito exaltada presunção de inocência ou o benefício da dúvida quando algo corre mal. O sistema está montado para fingirmos sucesso, fabricarmos sucesso, quantificarmos sucesso. Mas, mesmo se muita coisa melhorou nos PISA (e quer-me parecer que anda por aí muita tentativa de pré-justificar potenciais derrapagens futuras), a verdade é que as “aprendizagens” realizadas efectivamente estão longe de ser satisfatórias ou boas. Portanto… a pandemia piorou as coisas? Sim, piorou o que já não estava bem. Podia ser de outra maneira? Não sei. Mas é por causa de algumas semanas sem aulas presenciais que é o descalabro? Não propriamente, porque esse descalabro resulta em boa parte das políticas dos últimos anos e da falta da devida preparação desde 2020 para as novas vagas pandémicas.

Portanto, em defesa da minha saúde mental, ainda bem que o tédio me desencorajou a réplica mais detalhada e específica sobre os preconceitos que alguns economistas estrangeirados apresentam como evidências certificadas sobre as aprendizagens “perdidas” das criancinhas em Portugal, branqueando dessa forma o falhanço das políticas sociais da governação dos últimos 5-10-15 anos. A realidade das “desigualdades” tem origens bem mais profundas e endémicas do que esta ou aquela interrupção do ensino presencial.

O Centeno De Harvard Y Eurogrupo Continua Entre Nós

Em trânsito, ligo a TSF para ouvir o noticiário da uma e levo com o Centeno a fechar umas conferências do Global Media Group ou algo parecido (o grupo que tem o DN, o JN, a TSF). Não sei o que estava a dizer, antes, mas apanhei-o num rasgadíssimo elogio à “banca”, não sabendo eu se está a incluir todos os bancos que nos andam a sacar dinheiro a sangue frio há uns 15 anos, entre imparidades e impurezas.

Mas como ele é um tipo bem disposto, disse que ia acabar a intervenção com uns números muito giros e jeitosos sobre a retoma económica e assim demonstrou o quanto valeu todo aquele tempo que andou na Ivy league em termos de análise económico-financeira.

Então é assim: com base em três semanas de pagamentos por cartão bancário no sector da hotelaria e restauração, o excelentíssimo governador do Banco de Portugal extraiu as seguintes constatações/conclusões:

  1. Se o ritmo de crescimento destes pagamentos se mantiver (como tem acontecido desde o fim do confinamento) até final do ano, atingir-se-á um nível de actividade ligeiramente superior ao equivalente em 2019.
  2. A retoma está poderosa e a actividade num sector tão crítico ainda tem margem para maior crescimento, porque há subsectores que ainda não arrancaram por completo.

O que é que o homem parece não ter constatado:

  1. Os pagamentos com cartão bancário aumentaram significativamente desde o início da pandemia e assim se tem mantido, havendo pouco dinheiro fresco a trocar de mãos, mesmo quando se trata de uma bica e um bagaço ou uma bica e um pastel de nata (muito uso da MBWay nestes casos de pagamentos mais baixos).
  2. Parte da actividade da restauração continua a ser feita através de serviços de comida ao domicílio (Globo, Über Eats, etc), a qual também é feita exclusivamente na base das transferências digitais.
  3. Quando se parte de uma base muito baixa, o crescimento é inicialmente muito significativo, reduzindo-se o ritmo de crescimento de forma progressiva, pelo que extrapolar seja o que for a partir daquela amostra equivale a acreditar que um carro consegue aumentar de velocidade de forma constante, com base na aceleração dos 0 aos 50 ou 100 km/hora.
  4. Ou seja, pode concluir-se que há um aumento do valor das operações que envolvem o uso dos cartões, mas nada se pode dizer de verdadeiramente rigoroso, pelo menos com base nos dados que o doutor de Harvard Y Eurogrupo refere, acerca da efetiva facturação do sector em causa.

Mas o mais certo é eu estar errado, equivocado, ignorante de tantas outras variáveis, ppis não passo e um zeco com um arcaico curso de História e uma mera cadeira de Metodologia de História Económica num mestrado pré-bolonhês, sem qualificações ou competência para ser pago para produzir propaganda a partir de um cargo que só ocasionalmente é tratado com o respeito e dignidade que deveria merecer.

A Descoberta Do Milénio

Pode andar-se anos a escrever que a escola pública anda a três velocidades e que as condições são muito desiguais, tendo tudo ficado mais grave desde a “festa” da Parque Escolar. Não se acredita, porque não se passa de um professorzeco, muito básico. Mas não há nada como uma pandemia, para haver especialistas a descobrir o tema. A análise pode estar muito certa, mas chega, no mínimo, com uma década de atraso. É por isso que continuo a achar que a Economia, para ser rigorosa, é mais História e descrição do passado do que outra coisa, muito menos uma disciplina com especial potencial preditivo, com base em torcionismos estatísticos.

Falácias – 2

Uma economista muito na moda e grande activista das escolas abertas no matter what (desde Janeiro é lê-la de forma repetida sobre o assunto) produziu há umas semanas uns cálculos que agora não consigo achar e que citarei de memória, até porque os valores em si não são o mais importante, mas sim a tentativa da autora transmitir uma sensação de enorme catástrofe. De acordo com esses cálculos – cuja solidez metodológica não vou contestar, porque é inútil contestar previsões de economistas, até porque o tempo se encarrega de tratar disso na maioria dos casos – dois meses de escolas fechadas implicam uma porrada de milhões de euros de prejuízos que, acumulados ao longo dos anos, dão um porradão a uma escala brutal de milhões de euros de prejuízos ao fim de duas ou três décadas,

Como disse, nem me vou dar ao trabalho de desmontar a lógica inicial da coisa, mas apenas a evidente falta de – como é que hei-de colocar a coisa sem ser ofensivo ou arrogante, eu que da Economia só dei a História? – falta de, escrevia eu, “cuidado” em integrar outras varáveis no seu cálculo cumulativo. Porque os cálculos calamitosos que a dita economista apresenta, não têm em conta medidas que, após a reabertura das escolas, são desenvolvidas para minorar ou mesmo reverter parte das perdas verificadas. E que impedem que as perdas se acumulem e aumentem como se fossem uma bola de neve sempre em crescendo. Claro que apresentar as coisas assim, de forma truncada e irrealista, tem a “vantagem” de produzir um efeito comunicacional dramático, mesmo se mistificador.

As 10, 20 ou 30 aulas (conforme as disciplinas) que os meus alunos eventualmente deixem de ter em regime presencial, por muito que produzam efeitos negativos, não os produzem num efeito cascata interminável, década após década, por muito que esta visão das coisas sirva de fundamentação para um qualquer ataque de histrionismo do Daniel Oliveira frente ao seu microfone novinho em folha, em pleno Eixo da Treta ou para artigos eruditos e muito reflexivos do Alexandre Homem Cristo (uma “carta aberta” que inclua os dois só pode ser obra de génio). Não é verdade que estejam em causa perdas de centenas de milhões de euros e a ruína de gerações, só porque se fecharam as escolas um par de meses. Calma aí, pessoal!

Se Portugal está na cauda da Europa em termos económicos há muito tempo não é por causa do encerramento de actividades lectivas mas, se calhar, em grande parte por termos elites governativas com prioridades muito próprias e muitos economistas de uma qualidade teórica tão impecável quanto a falibilidade das suas propostas em termos práticos para o país. E lembremo-nos de quantos acumularam cargos importantes de decisão política e uma formação em Economia e Finanças (e não estou apenas a falar do “bom aluno” Cavaco). Ou ainda daqueles economistas que se especializaram em “fretes” ao poder, produzindo números consoantes os interesses políticos de cada momento.

No caso desta economista com tendências catastrofistas e um muito recente interesse pela Educação, eu não tenho elementos suficientes para saber se esta atitude resulta do que me parece ser um problema geracional de alguma parentalidade que andará ali na casa dos quarentas e qualquer coisa e precisará de uma certa “formação” em paciência e caldos de galinha.

Expliquem-me A Diferença…

… para as finanças públicas entre a TAP pública e esta TAP privada. É que eu não sou letrado e certificado em Económico-Vassoureiras como o Centeno que é o Ronaldo das Finanças ou aquele senhor que é Duque e atribui um doutoramento honoris causa ao Salgado e ainda tem cara para aparecer na televisão a explicar-nos coisas como se fosse uma versão com cabelo do Camilo.

Mais Uma Teoria Da Treta Pela Janela Fora

A de que estratégias como a da Suécia não agravavam muito a questão sanitária ao mesmo tempo que defendiam a economia. Claro que por cá (e não só) os defensores desta tese, vão agora assobiar para o lado ou dizer que não é bem assim.

PIB sueco cai 8,2% no segundo trimestre

A Suécia foi dos países mais brandos a combater a pandemia de covid-19, não tendo parado por completo a sua economia. Ainda assim, sofreu a pior contracção económica desde que há registo.

swedish chef

A Vida Está Difícil?

Depende. De obra vasta e desconhecida, por exemplo. Longe vai o tempo em que para se chegar a cargos destes era preciso mais do que micro-estudos para algoritmo ver.

Diretor da Nova SBE tem exclusividade mas ganha 143 mil euros no Santander

Direção da faculdade de Economia da Universidade Nova implica exclusividade mas Daniel Traça é administrador do Banco Santander, um dos mecenas da escola, tendo auferido 143 mil euros em 2019. Reitor permitiu acumulação, mas anuncia agora comissão para avaliar relação com patrocinadores.

Animalfarm

Previsões Para A Crise

A União Europeia prevê uma crise na economia portuguesa com valores a rondar os 10%, enquanto antes se falava em menos de 7%. Principal causa? A queda do turismo. E voltamos ao velho problema nacional de pequenos surtos de aparente prosperidade com causas exógenas. Um modelo de “desenvolvimento” que depende fortemente dos humores de fenómenos sazonais ou de procura externa é sempre algo frágil. A aposta no mercado externo funciona quando se tem uma boa base no consumo interno. Já lia isso nos idos dos anos 80, quando os livrinhos (aqueles dois volumes, um amarelo e o outro verde de formato pequeno do Indústria e Império, publicados pela Presença) do Eric Hobsbawm explicavam isso mesmo sobre o arranque industrial. Pode parecer ultrapassado, mas não. Apenas mudou as roupagens. E os “impérios”. E os economistas de algibeira, mesmo se agora cacarejam muito bem em inglês.

galinhas