Opiniões – Maria Barros

A Propósito de Mínimos e Atentados ao Direito à Greve

Então, agora que foram impostos os serviços mínimos, os diretores  não lutam também pela qualidade da escola?

Acham que isto agora está uma “bandalheira” para eles resolverem?!

Os diretores prestaram-se a ser pau para toda a obra desde o tempo de Maria de Lurdes Rodrigues.

Estiveram na linha da frente ao longo de anos a vergar professores: vergonhosamente, tantas vezes!

Não vale a desculpa de que alguém tinha de gerir… Era óbvia, desde o início, a vossa função.

Gostaram do cheiro a poder e de dominar os Zecos, não foi? Vá, sejam francos e confessem-no de uma vez!

Agora apenas se abriu os olhos e com força se está a fazer aquilo que vocês nunca tiveram coragem de fazer: mostrar o que está errado e lutar para repor a dignidade que um professor merece.

Isto não é bandalheira,  os professores estão numa acção terapeutica urgente e salvadora!

Um professor tem que ter autonomia e precisa de ser um livre pensador para ensinar com esperança e fora de formatações!

Não somos esparguete demolhado, mas também tivemos algumas culpas, apesar de a máquina trituradora de professores ser demasiado pesada para quem diariamente ensina, faz grelhas e anda a toque de campainha!

Deixamos que nos colocassem a ser polícias uns dos outros, quando quebraram a cumplicidade professor aluno. Deixamos que substituíssem arte, história e filosofia por coisa nenhuma e que cortassem as asas a quem quer aprender a pensar. Deixamos que nos obrigassem a fazer de conta que os alunos sabiam  (para estatístico ver). Deixamos que nos demovessem de fazer conselhos disciplinares sempre que necessários. Deixamo-nos entrar na farsa inclusiva. Deixamos que o autarca, o talhante e o amigo mandassem na escola. Deixamos diretores à rédea solta e agora como controladores de serviços mínimos, ou ainda serão professores?

Deixamos que os ideólogos Maia, flexibilização e pseudo inclusão nos fizessem lavagem cerebral e enchessem os bolsos vendendo cartilhas para totós, pagando com os nossos impostos o tempo de antena para Arianas, Domingos Fernandes e todas a Santíssimas Trindades de governos desgovernantes. Deixamos que ministras e ministros nos sujassem e que a opinião pública nos transformasse em meros guardadores de gado prontos a ser espremidos.

Deixamos que nos desconsiderassem tanto ao ponto de, com laivos totalitários, nos imporem serviços mínimos  a tentar esmagar o historicamente e sofridamente conquistado Direito à Greve. Deixamo-nos enganar por linguarejar jurídico e falácias mentirosas. Felizmente ainda tivemos lucidez suficiente para afastar categoricamente os extremistas que até se foram infiltrando pontualmente nas forças de segurança!

Portanto, estamos vivos e 

É tempo de dizer com orgulho e liberdade: – Eu sou professor, eu sou o futuro!

Vamos fazê-lo com persistência, organização e método, como é suposto num Professor!

Maria Barros

Se Isto Não É A (Inter)Municipalização…

… não sei o que será. Formalmente, os concursos poderão não ser feitos pelas CIM, mas tudo o resto, incluindo o que definirá a oferta educativa e as necessidades de recursos humanos, vai passar por estes órgãos.

Até mantive o título do documento original, para se ver claramente de onde foi enviado para as escolas.

O Debate Em Directo

(isto foi escrito “ao vivo”, sem revisões, por isso perdoem algumas gralhas e inconseguimentos… porque amanhã toda a gente se levanta cedo e eu tenho uma coisa para preparar para 5ª feira e um texto para um dia que já passou e.. fica assim, pelo menos por agora)

Começa pelo testemunho de uma colega de Gaia. Começa pela burocracia. Fala na falta de liberdade, o que é uma boa ideia.

Agora passa o colega mais jovem, Guilherme Farias, que já ouvi há uns tempos, muito estruturado no discurso. Por ele, pelos professores que teve e pelos alunos.

Passa à colega do 1º ciclo, muito sorridente, que não arriscou sair de perto da família, algo com que me identifico, mesmo se optei por isso, mesmo antes de ter filhos. Fala na união dos professores.

Passa ao Ricardo. Um pouco mais tenso do que o costume. Não vale a pena. A concorrência é fraca, mesmo se for pretensiosa ou arrogante. Fala na erosão do papel do professor. Faz bem em voltar a Sócrates/MLRodrigues. Faz bem em negar que a opinião pública se tenha virado contra os professores. Carlos Daniel acerca da imagem dos professores com as greves… muito bem ao reforçar que os professores também são pais e têm filhos.

A senhora da Confap diz que compreende, mas… os pais, os pais, os pais, muitos dos pais,… e as mães? Tem imensas queixas, tem uma visão nacional… até nas ilhas…já está toda baralhada com as greves distritais. Tem “vários relatos”, “muito críticos”, “riscos de segurança”, mas nunca dá o raio de um exemplo concreto. Não tenho saudades dos pais anteriores da Confap, mas esta senhora é mesmo fraquinha.

Boa reacção do Ricardo. Muito bem. Acerca do comunicado da Confap.

Quanto à senhora, não me chega “carinho”.

Nem quero ninguém do ME em regime de proximidade.

Passa para o presidente do CNE, que pensa que os professores chegaram a uma situação em que se sentiram cansados,, exaustos, por um conjunto de factores. A sociedade e tal. Entrou na “cultura do país”. Do que é que ele está a falar? A questão é de há 20 e tal anos? de quando ele foi governante? E fala no tempo de serviço, mas não tem dados. Aliás, se há pessoa que não consegue ter dados é o presidente do CNE. As palavras do jovem “calaram” nele. Podemos estar num momento histórico, porque o governo “encara os verdadeiros problemas que afectam os professores”. Pronto, já mostraste ao que vieste.

Os professores são pessoas sensatas? Mas quem quer coisas resolvidas de um dia para o outro? Uma carreira de professores estável? Mas não era antes dos congelamentos iniciados em 2005? Conversa de “patamares” na Educação. O CNE está mesmo mal entregue.

E vem a economista da Educação.

Sobre a viabilidade financeira da recuperação do tempo de serviço. E lá vem o “peso orçamental”. Mas desde quando é que essa é a única questão em discussão?

Mas não se sabia dos contratos sucessivos? Eu levei os anos 90 todos nisso, passei por umas 6-7 escolas só nessa altura, mas a doutora Balcão Reis e os “pais” deveriam estar a viver noutro mundo.

A senhora acha que é “destrutivo” da Escola Pública haver greves. Mas é para isso que ela veio ao debate? O que acrescentou como directora do não sei quê da Nova SBE? Ò senhora, aqui o meu qzp fica com o mesmo tamanho. E até parece que os professores contratados andam nas fronteiras de um qzp. Que ignorância. A voz está a começar a ficar estridente. A senhora doutora parece ser a verdadeira representante da Confap.

O Ricardo discorda da boa fé e faz bem. Está a soltar-se e ainda bem. Muito bem sobre os encargos da recuperação do tempo de serviço. Muito bem sobre os dois congelamentos. E a questão da equidade com os arquipélagos. Respira, Ricardo. deixa-os a eles estenderem-se.

Aí vem o homem que ensinou as inovações ao ministro a dizer que há um “entendimento” no pais de que a Educação é fundamental. Platitudes em cascata. “A Educação é um grande benefício para os países”… quem diria… Se o sistema está “dramaticamente melhor”, porque andam a querer mudar tudo…

Agora surgem as estatísticas… e lá vem a evidência de que por menos alunos que existam, as aposentações são em maior proporção e não parecem ter sido previstas. Há menos alunos nos cursos para professores? O problema não é só o salário inicial, mas uma carreira estraçalhada.

O aumento das percentagens nas quotas não passa e um truque estatístico.

Quanto à vinculação, é apenas aplicar a lei geral na Administração Pública. Não deixes passar esta em claro, Ricardo. Os índices remuneratórios para contratados é imposição europeia. Quanto aos qzp, isso apenas se aplica aos professores… de qzp. Não aos contratados.

Quais são as reivindicações do André Pestana? Está bem, quer o pessoal não docente representado… esquecendo-se que é ele que os representa… e passa para a adjectivação… “fantástica”, “gloriosa”. Vamos à substância… quais são as reivindicações concretas… especificamente… não engonhes… não se pode te tudo de uma só vez, mas o que achas prioritário… a questão da “igualdade” no país. Vá lá… a “equidade”. Certo. Não adiantam as bicadas sindicais… mas os não docentes vão decidir pela recuperação do tempo de serviço dos docentes? E passámos para o pessoal não docente, com conquistas para “todos”. Sobre o entendimento sindical… fala em transmissões online das negociações, o que me parece um disparate. E parte para a propaganda da manifestação de dia 28.

Carlos Daniel provoca o Mário Nogueira sobre o sindicalismo “democrático”. Algo que era desnecessário estar a discutir neste momento, descentrando o debate. E lá vem mais um dia D. Fala bem nos alunos sem professores, muito antes de quaisquer greves. E o que é fundamental para um entendimento? Seriedade e transparência. Pois, seria um bom começo. E fala nas potenciais ultrapassagens que a proposta do ME pode causar. E refere, bem, o facto de existir a legislação europeia que há muito obrigaria a esta vinculação, A desmontagem da estatística é mesmo para quem está por dentro. Destaca bem as questões mais técnicas, sendo nisso melhor do que o Pestana, pois abdicou de fazer propaganda à “sua” manifestação.

INTERVALO.

Balanço intermédio em forma de feedback… a senhora da Confap faria um belo par com o ex-ministro Tiago. O CNE está entregue aos chavões da treta e a doutora da Nova parece que coiso.

2ª PARTE

Começa exactamente pela doutora economista, sobre a “boa gestão”. E diz que vai responder a outra questão e lá vai para a “paixão” e começa a validar as propostas do ME. Mas ela foi como investigadora ou como fã do governo? E passa ao recrutamento dos professores, não percebendo que se existe falta de professores, políticas de exclusão, só agravam esse fenómeno. E lá vai parar à “avaliação e mérito”… como se não existisse add… e lá vem com o professor do filho dela… e ainda dizem que ´nós é que temos um visão limitada da realidade.

Ricardo relembra o papel dos destacamento e requisições. E passa para a “instabilidade legislativa” com reflexos nas escolas. Sobre “pactos de regime..”, enfim. E passa para a burocracia. Venham as siglas e acrónimos. Boa! Bela lista… e ainda temos tempo para dar aulas. A melhor intervenção até agora.

Domingos Fernandes sobre a burocracia… fala em “gestão mais eficiente”… “nós, ao nível do ensino superior” e tal… e de repente fala em “descentralização”? O que falhou no raciocínio? E agora fala que mudamos pouco? Nacionalidades, desigualdades? Não dá números exactos? Livra… que o presidente do CNE tenha números seria de espantar… “reprovam ainda uma percentagem”. Brilhante! Rigoroso! “nós” fazemos análise das políticas públicas, “não podemos negar o que acontece”, não pode negar acontecimentos e passa para “documentos curriculares” como nunca tivemos. E lá vêm com os planos de “inovação”. Ricardo interrompe, antes que o chorrilho de vacuidades continue. O presidente do CNE diz que não consegue ir às “questões fundamentais”, como se ele tivesse dito mais do que superficialidades. Todas as organizações internacionais credíveis nos elogiam. E passa a elogiar o seu discípulo, o ministro Costa, em matérias pedagógicas. Não dá exemplos concretos, por causa do “tempo da televisão” ou porque nem sequer se preparou.

E passa para o “perfil” depois ziguezagueia para números que não concretiza nenhum caso. Consegue dizer oitenta e tal por cento e depois volta ao “perfil” nos une a todos. Todos, quais? O homem estará em défice do quê?

Vem Dias da Siva. A ver se sai qualquer coisa nova. Até agora, nem por isso. Muitas “situações”, alguns “aindas”. E Carlos Daniel vem com o “poucochinho”, que poderia resumir algumas intervenções que tenho ouvido. Carlos Daniel vem com a vinculação de metade dos contratados, parecendo ainda não ter percebido que isso não chega e que a vinculação resulta de imposições legais. Nesta parte, Dias da Silva responde bem sobre a necessidade das escolas terem a possibilidade de comunicar atempadamente as suas faltas de professores.

A figura de cera no canto superior direito do ecrã mantém-se piedosamente em silêncio.

Olha, vai falar… Carlos Daniel tentou ser “criativo” na pergunta e falhou. A senhora não quer o foco nos pais, as crianças, não sei quê, o foco são as negociações entre o ministério e os professores, podem mediar, tudo o que ouvem, tosos os professores são individuais, todos iriam ficar satisfeitos, e quer acreditar que vão encontrar aqui [sic] solução ou medidas que não percebo o quê. Tentou “isentar-se” da greve dos professores. Mas o comunicado que fez foi para a “operacionalização” das queixas. Há determinadas crianças que não têm onde almoçar. Mas que grande embrulhada. Como é que ela veio parar a este cargo? Que confusão mental.

Intervenções finais.

Balcão Reis diz que estamos melhor… vá lá que diz que só olhar para os “chumbos” não chega. Fala em positivas e negativas em provas de aferição. Como? Se em 2019 nem sequer tinham quantificação? Ahhh… afinal as provas de aferição não permitem comparar nada. e volta à forma de recrutamento, como se isso multiplicasse o número de professores e vai buscar o estudo da SEDES do amigo Homem Cristo, que ninguém leu.

Ricardo Silva fala nos professores em greve com foco nos alunos. E fala na necessidade de confiança no trabalho dos professores. Têm de confiar no trabalho dos professores. E ainda consegue ir à indisciplina e falta de respeito. E pede confiança aos pais e pede para darem as mãos. Com a senhora da Confap?

Domingos Fernandes fala na qualificação dos professores e elogia a “formação dos professores”, como se não estivesse completamente afunilada para “áreas prioritárias”. Ele vai dizer qualquer coisa baseada em números que não consegue explicitar. Ai os “meninos e as meninas de meios deprimidos”. Amanhã de manhã estarei lá, mas o senhor presidente do CNE sabe mais do que os números, não concretizados, sobre o assunto.

ACABOU.

Soube a pouco. Nada sobre gestão escolar e como rever a avaliação docente, por exemplo ou explicar que, em vez de soluções “intermédias” para recuperar o tempo de serviço, pode existir faseamento. Debate muito fragmentado, apressado, sem grande sequência, disperso, com muita coisa vaga.

Mas… as coisa são o que são e não as podemos negar, lá diria a excelentíssima vacuidade que apareceu do lado esquerdo do ecrã. Em estúdio. Ou como o CNE não passa de uma prateleira para comissários políticos que recebem especialistas finlandesas.

Esta Noite

O ministro, ao que consta, esquivou-se ao convite, que é de escassa frontalidade em público alargado e fraco em contraditório directo. Mandou o seu mentor, mais experiente e truculento, mas que não deve conhecer o Ricardo. A senhora da Confap, enfim, não adianta muito, está lá só para repetir o que lhe mandaram. Quanto à nova área de negócios no estudo da Educação, tem como representante a Ana Balcão Reis, que parece ter tudo alinhadinho, só que algumas premissas são um bocado erradas.

Basicamente, é um combate numericamente desequilibrado, o que nunca preocupou qualquer gaulês irredutível, muito menos quando é professor de História e não contador de estórinhas.

O Protesto dos Professores

Há muito que não se assistia a um protesto assim. Os professores saíram da sala de aula para as ruas de todo o país, dizendo que não aguentam mais.
Há escolas fechadas, alunos sem aulas e pais sem saber o que fazer, mas os professores insistem em que não pode mesmo… ficar tudo na mesma.
O governo já fez algumas propostas para combater a precariedade e favorecer a vinculação, mas os sindicatos dizem que não chega e garantem que a greve é para manter até fevereiro.

3ª Feira

As coisas estão claras, mas podem sempre inventar.

Colégio arbitral já está constituído. Na educação, a obrigação de serviços mínimos está fixada por lei apenas para o caso de avaliações nacionais, como os exames.

Quanto a ir atrás do PR, depois de algumas intervenções sobre esta matéria, será mesmo algo mais ao nível do simbólico e das relações públicas. Sobre a petição que está em circulação, percebe-se que quem a escreveu, não tem o poder da síntese focada no essencial. A dispersão é contrária à eficácia,porque parece estar tudo no mesmo plano. Mas transmite a sensação do “sempre em movimento”.

Entretanto, o Ricardo Silva estará hoje à noite, na RTP1, no “É ou não é?”, certamente focado e directo ao que importa. Não sei ainda quem são os outros participantes.