2ª Feira

A noite de muitas surpresas trouxe lições que nem todos gostarão e que quase outros tantos farão por ignorar. Em Lisboa, as bengalas já se alinham para manter uma geringonça qualquer, apesar da estrondosa derrota do delfim, alimentado a análise política semanal televisiva. A “coligação” com o Livre não passou de uma anedota, mas o Livre é uma anedota mantida para que o seu criador se mantenha como alguém relevante na vida política, mesmo se poucos sabem que é fora de Lisboa. Afinal, ainda há alguma justiça eleitoral? Para Carlos Moedas ganhar a capital do reino, algo está mesmo estranho. Pelo país, as tais bengalas afundaram-se porque a percepção geral é que só servem para isso mesmo, aguentar o actual PM no lugar. Podem gritar que foi graças a elas que as coisas não foram piores, mas isso é curto e ninguém se convence muito que não fazem os fretes em busca de migalhas do orçamento e umas colocações de quadros no aparelho dirigente do Estado. O PCP perde 2-3 câmaras por cada Orçamento que aprova “contra a Direita” e o Bloco parece regressar às origens urbanitas sempre que há eleições locais. Uma espécie de irmão mais velho da Iniciativa Liberal que, com o PAN ficam com um redondo zero de vereadores, por muito emproados que se apresentem uns e animadinhas as outras. O Chega também fica curto, mas consegue ser o 4º partido formal com mais vereadores. São apenas 19 mas quase quintuplicam os do Bloco, a quem ganharam por quase 1,5% no campeonato dos pitorrinhos.

Contra muitas expectativas, Santana tem mais vidas do que qualquer gato.

A abstenção aumentou, pelo que os encolhimentos e as expansões se terão devido à deslocação de votos e não tanto à atracção de novos eleitores pelos “novos” partidos.

Não sei se isto foi uma viragem ou apenas um aviso à navegação. Contra a arrogância do costismo e o servilismo dos outrora facínoras convertidos em assinantes de cruz de orçamentos em que se trocam amendoins por caviar.

Trumpices

The abrupt withdrawal overnight is a blow to the president’s efforts to overturn the result of the vote in court,

  • State and federal officials confirm no evidence of voter fraud
  • Trump continues to refuse to accept defeat by Joe Biden

A Ler

The U.S. election proves that this divisive style of politics is still viable.

It should not take the largest voter turnout in U.S. history to guarantee that a president rejected by the majority of the American people actually stops being president.

A narrow Biden victory offers four years of gridlock—and that’s the best-case scenario.

The President has survived one impeachment, twenty-six accusations of sexual misconduct, and an estimated four thousand lawsuits. That run of good luck may well end, perhaps brutally, if Joe Biden wins.

4ª Feira

Uma América que ainda não conseguiu afastar de forma clara um Trump é uma América que parece continuar agarrada ao pior de uma aliança entre a arrogância do “sucesso” e a ignorância dos motivos do seu insucesso. A vitória por uma margem curta arrastará isto por meses e com um Supremo todo inclinado para um lado, a Constituição é o que dela fizerem um par de delegados políticos sem especial currículo, a começar pela última juíza nomeada que nem sequer quis responder à maioria das questões colocadas nas audiências do Senado.

Justifica Mais Do Que Os Óscares Ficar Acordado (Ou Meter O Despertador) Até Quase De Madrugada

Mesmo se acho que em 2016 é que teria sido o momento ideal para a candidatura de Biden, Por muitas piadas que possa gerar, um mundo com Trump na presidência é um mundo mais perigoso para quase toda a gente.

Eu sei que a facção luso-tropicalista se preocupa muito com o Bolsonaro, mas a capacidade de ele instabilizar todo o mundo é relativamente reduzida. Fico mais aterrado com as derivas autoritárias e xenófobas em alguns países do antigo bloco de Leste. E quanto ao Boris, já se percebeu que é um populista demagogo, mas não ameaça o funcionamento da democracia, com tentativas de transformação do sistema político e jurídico numa coutada para os seus interesses empresariais e familiares.

Claro que no íntimo queria ver o Bernie a dar uma coça ao Donaldo e é igualmente verdade que prefiro o Biden desbocado e menos “normalizado”, mas pelo menos ficou a Kamala como vice.

2020 Election: Live Coverage

3ª Feira

Na falta de assuntos importantes, o PR decide sugerir uma revisão constitucional para antecipar as eleições legislativas uns meses porque em Outubro dificultam um Orçamento de Estado a tempo e horas. Como se isso fosse um grande problema, agora que vivemos de cativação em cativação. E se existem planos plurianuais, nem se percebe muito bem o grande problema.

Quanto à abstenção, no fórum da TSF claro que teria de aparecer alguém a sugerir que só se desenvolvem “ferramentas cognitivas” nos futuros cidadãos se a escola fizer esse trabalho e, como seria de esperar, lá sugeriu a ideia de uma disciplina para o efeito. O que iria ser bonito. Eu já não tive aquela de Organização Política e Administrativa da Nação, mas ainda tive Introdução à Política no 9º ano. Não tenho especial memória de ter contribuído muito para a minha cidadania activa. E gostava de ver a coisa regressar e ser dada conforme os venturas ou joacines deste país. Um nacionalizava tudo, a outra descolonizava logo os conteúdos.

Mas… com o Perfil do Aluno para o século XXI e a disciplina de Educação e Cidadania eu pensava que já estávamos bem servidos de “ferramentas” para levarmos os alunos à utopia e mais além.

Surdez