Desconfiai…

… de quem andou meses a dizer-nos que a maioria absoluta estava ao virar da esquina e numa semana a afastam por completo do horizonte. O caso de Tancos não teve assim tanto impacto, pelo que ou antes estavam a tentar criar um efeito de bola de neve no sentido de levar cada vez mais gente a saltar para o comboio vencedor e agora travaram ou então estão a tentar atemorizar algum eleitorado que não queira ver o PS a governar com o apoio de quem teve todo um mandato para perceber que, mesmo com 10% do eleitorado, se limitou às migalhas. Seja como for, mesmo num país em que isso é quase uma especialidade, é de desconfiar de tão rápida mudança de casaca.

Seja como for, uma não maioria absoluta, depois de tudo o que assistimos ao longo do tempo, será sempre um ganho.

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Confesso Que Me Senti Algo Constrangido…

… ao ver o Santana Lopes há um par de dias, naquele debate dos “pequenitos” na RTP. Não por serem “pequenos” partidos, mas porque havia ali gente que se poderia classificar como doida varrida sem exagero. Afinal, bom ou mau, já foi PM do país. Mas justiça lhe seja feita, revelou mais “espírito democrático” do que muita outra gente toda junta.

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(foto do site da TSF)

“Vocês Sabem Que Estivemos Sempre Do Vosso Lado”

Isto foi dito numa sala de professores por parte de alguém que se candidata por um partido que, no momento da verdade, preferiu Centeno aos professores, colaborando na inviabilização no Parlamento da ILC para a recuperação integral do tempo de serviço docente. Um partido que, já agora, não se coibiu de lançar suspeitas sobre as minhas intenções, como membro da comissão promotora da coisa, e de estar ao serviço “da Direita”. Como pessoa ocasionalmente educada permiti que deixassem a propaganda na mesa do computador onde estava a trabalhar, de costas para quem tem poderia ao menos ter algum decoro.

Já agora, discordo que seja permitida propaganda política, mesmo em tempos de campanha eleitoral, no interior das escolas. Concordo com debates sobre questões relevantes em outros momentos… agora com visitas dos senhores de cada feudo (que os há do PSD, do PS, da CDU) nesta altura, lamento, mas… acho que deveriam ficar para lá do portão, mesmo que existam favores a retribuir ou a assegurar.

Debate

A Semiótica Da Coisa – 4

O Iniciativa Liberal é o partido que Santana Lopes não fundou nos anos 90. Assim como é o partido que algum do pessoal do Independente gostaria de ter fundado. Até o azul-cueca de beto é parecido com o do Aliança e com o triângulo invertido (cruzes!) do logo do Indy.

Em termos gráficos e de mensagem tem os melhores cartazes da campanha, porque são variados, bem pensados e divertidos, mesmo se nunca conseguem afastar a ideia que se definem por oposição. Todas as razões para não funcionarem por cá, porque é aquele tipo de coisa que funciona bem num think tank da Católica ou na esplanada de um sunset da moda da linha ou da Foz, mas que no país real faz lembrar apenas uma espécie de vinhetas de banda desenhada.

Por mim, tudo bem, discordo da maior parte da mensagem (até porque será o único líder partidário com quem troquei forte e azeda adjectivação nos tempos do Umbigo, quando o seu jovem liberalismo significava participar em contratos de consultoria com estados de matriz autoritária), mas gosto bastante de apreciar o resto, aquela forma de querer exibir virtuosismo e trocadilhos à MEC.

Claro que só terão votos em Lisboa e no Porto (o único distrito em que a acreditar nas pesquisas do google o candidato é vagamente conhecido), porque são uma espécie de Livre de Direita, mas o que interessa isso quando a vaidade não é pequena?

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Tendências E Curiosidades – 3

Sim, isto torna-se um pequeno vício. Neste caso, a comparação entre os 5 principais líderes políticos (não dá para 6, mas eu confirmei que o líder do PAN perde por muito em confronto directo com os restantes).

Ao longo dos últimos 12 meses, António Costa, Rui Rio e Catarina Martins dominaram as pesquisas, com Jerónimo de Sousa destacado em último lugar, o que se pode explicar pela percepção pública da sua previsibilidade e, logo, da desnecessidade de o googlar em busca de novidades. Subida forte de Rio e Catarina no final do período, que mais adiante se verá em maior detalhe.

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Ao longo dos últimos 30 dias, percebe-se que sobre António Costa há menos pesquisas, subindo Assunção Cristas, curiosamente muito pesquisada em Beja e Setúbal, assim como em Coimbra. Catarina Martins com destaque no final da primeira semana de Setembro, enquanto Rio sobe em meados do mês.

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Na última semana permanece a descida de António Costa, enquanto Assunção Cristas praticamente atinge os valores de Catarina Martins, com destaque para os dias 26 e 27 de Setembro, alargando-se o âmbito geográfico da sua influência. Rui Rio destaca-se como o nome mais procurado, mesmo em zonas com menor implantação habitual do PSD.

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Tendências E Curiosidades

Usando a metodologia mais básica do Google Trends, o que obtemos quando se comparam as pesquisas feitas sobre António Costa e Rui Rio.

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O que percebe é que o interesse em ambos aumentou em tempo de campanha (natural), mas que Rio conseguiu, apenas pela segunda vez, suplantar Costa.

Um detalhe interessante é verificar os temas mais pesquisados em associação a ambos.

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No caso de Costa, para além das pesquisas associadas ao debate com Rui Rio destacam-se as pesquisas sobre familiares seus (irmão, mulher). No caso de Rio, aparece a busca do seu twitter e as suas posições sobre a questão dos professores. Algo em tudo isto voz parece estranho. A mim, nem por isso. Claro que desagregando o último ano por meses os dados serão mais curiosos. Ou por semanas, ficando aqui os dados dos últimos 7 dias, em que as consultas sobre Costa dispararam desde a acusação do caso de Tancos e se equilibrou a distribuição geográfica das pesquisas dos internautas.

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Em termos globais, nos últimos 12 meses, o interesse em Rio só em algumas zonas do interior e nos Açores é que atingiu níveis próximos dos de Costa.

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A Semiótica Da Coisa – 3

Falha minha. O Partido Aliança é mais conhecido (?) apenas por Aliança, pelo que eu deveria ter começado pela letra A com ele, mas estava convencido que era o Partido do Santava assim como o Livre sempre me pareceu o Partido do Tavares. Nem é bom falar no Partido do Ventura.

Mas voltemos ao Aliança. No site oficial, népias, é preciso ir à rede social dos menos novos para se arranjar um cartaz em condições. A não ser nas cores, parece um cartaz da JSD em 2016, com o trio de bichos-papões a tentar assustar o eleitorado.

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O problema básico é: mas se “acordarmos”, queremos acordar em 2004? E passar por tudo aquilo em que Pedro nos lançou com o seu amadorismo, enquanto gozava os seus meses de sonhos como PM?

A sério que queremos isso de volta e tudo o resto?

Santana está mais experiente» Aprendeu alguma coisa? Não se sabe, apenas que se percebe bem que está mais velho e criou o seu próprio clube de fãs, não percebendo que isto dos partidos unipessoais tem os seus limites e um tempo de validade muito curtinho.

A realidade é que o Aliança é apenas a forma do Santana tentar ser eleito sem prestar satisfações a ninguém. Talvez por isso mesmo é que os cartazes a apelar ao voto não tenham conteúdo perceptível. “Por um país como deve ser!”? A sério? Será que Santana não percebe que, por muito que lhe achemos graça, por isso mesmo, nunca conseguiria que levássemos a sério um país governado por ele?

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