A Boa E Velha Chico-Espertice

O Polígrafo era uma boa ideia, mas cedo se percebeu que era capaz de ser mais uma oportunidade de negócio com a sua incorporação no universo balsemânico. Que o seu criador se considere “negligente” nesta matéria é apenas um detalhe adicional.

Durante vários anos, o diretor do jornal Polígrafo, Fernando Esteves, acumulou a função de jornalista e editor de política na Sábado com uma quota numa empresa que, entre outras matérias, tinha no seu objeto social a “consultoria em comunicação”, uma atividade incompatível com a profissão de jornalista.

A revelação consta da acusação do Ministério Público no processo Máfia do Sangue, na qual se adianta ainda que a empresa em causa, a Alter Ego, chegou a trabalhar para a Octapharma e para Paulo Lalanda e Castro, o principal arguido. Fernando Esteves foi jornalista da Sábado entre 2005 e abril de 2017, noticiou esse mesmo órgão na terça-feira.

Money

Formação Para O Sucesso

Estado celebrou dezenas de contratos com consultora coordenada por vice do IEFP

Ministério Público está a investigar contratos entre a Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional e a consultora Quaternaire, de que Paulo Feliciano é coordenador. Está actualmente de licença sem vencimento. Ao longo dos anos foi entrando e saindo de diferentes organismos do Estado.

E querem apostar que se consegue provar que nada é ilegal? Qual “educação financeira”, qual “educação para o  empreendedorismo”… o segredo é o cartão de jota em novinho e  a partir daí é estabelecer “relações” e subir na cadeia alimentar dos predadores do Estado… sem necessidade de outro mérito, sem quotas, sem filtros… etc. Acaba-se em secretarias de Estado ou em coisas ainda mais apetecíveis. Nada de novo. Apenas cansa, cansa muito, ver esta m€rd@ multiplicada a cada novo mandato rotativo, com ou sem bengalas “radicais” (basta uns convites maneirinhos para “colaborar”…).

Desde os tempos do FSE que a “formação” é um oleoduto financeiro que pouco tem a ver com a qualificação da mão-de-obra nacional.

Lama

Gratuitidades

Discordo bastante de práticas de angariação de verbas à custa dos alunos. Mais do que o que é exposto nesta notícia em título (acho que quem estraga impressos ou cadernetas deve pagar as segundas vias) choca-me que em certas escolas se limitem as requisições de fotocópias aos professores, em especial em matéria de enunciados de testes, por forma a não terem linhas e obrigarem os miúdos a pagar por folhas de teste com o carimbo da escola/agrupamento. Mesmo que seja no Secundário, sendo na escolaridade obrigatória, essa é uma prática que me desgosta profundamente.

pluto-scratching

O Que Resta?

Da empreendedora banca privada nacional? Há algum banco relevante que não tenha sido vendido a espanhóis, chineses ou angolanos? Os ulricos&salgados não passaram de um epifenómeno de presunção e imensa água benzida pelo poder político em busca de lugares em administrações.

Resta a CGD pública, mas não é por falta de tentativas para a afundar.

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Parece que…

o Expresso deu espaço ao tipo da Padaria Portuguesa para explicar melhor a sua mundivisão sobre o mundo do trabalho, como se não se tivesse percebido ao que anda o espécime logo na peça da SIC. Consta que ele aproveitou bem a oportunidade e não deixa quaisquer dúvidas sobre o modelo de servidão que defende para o pessoal da empresa. Tudo com a benção do humor condescendente e ambíguo do senador informativo-opinativo Henrique Monteiro, o gajo que está sempre à frente da rectaguarda da pilhéria. Já do António Costa jornalista ninguém espera grande coisa, excepto que a benção da ocêdêé legitima tudo, talvez mesmo a forma como o Económico sobreviveu até morrer, ali por alturas dos papéis de um canal e do fim dos patrocínios publicitários.

O problema do tipo da PP não é mais nada do que ser apenas mais um daqueles que fazem a corte ex-pafista do pseudo-empreendedorismo-tuga. Não tem nada a ver com padeiros, pessoas altamente estimáveis e com um saber de pão feito que aquele paposseco nunca terá, por muito que se queira armar em brioche. Fosse ele um padeiro a sério e não estaria tão interessado em ficar com a massa só para ele.

mafra

Padaria Portuguesa

Estabelecimento a fechar por todo o país, por ser anacrónica e pouco modernaça, a menos que seja explorada por uma figura bem relacionada na imprensa da capital, com espaço reservado todos os meses num suplemento de jornal, criadagem a trabalhar em regime de quase servidão e brioches a preços de maria antoinette, de maneira à pessoa sentir-se muito diferenciada. Sendo assim, até um qualquer pacóvio aparece na televisão a desenvolver verbo sobre economia e gestão empresarial liberal.

(sim, há ali uma PP em Carnaxide, do outro lado da rotunda da SIC…)

mafra