O Objectivo Tem Anos E É Precarizar E Proletarizar Enfermeiros E Professores, Entre Outros

Voltamos a um tempo em que se fala de “estabilidade”, mas há gente com 40 anos ou mais que precisa de andar a correr entre três escolas para conseguir um horário completo, porque assim se poupam uns tostões.

Definem-se como “os mais precários” dos professores e dizem que estão a ser “lesados” há anos

Nova petição foi entregue nesta sexta-feira no Parlamento. Em causa está o modo como os contratos em horários incompletos são encarados para efeitos de descontos, levando a que “vinte anos de trabalho diário sejam convertidos em apenas entre cinco a dez anos de carreira contributiva”.

O plano é que, mesmo deixando no ECD a possibilidade de chegar ao topo quem agora está abaixo do 7º escalão, ninguém o consiga com um sistema mais apertado do que o dos titulares. Só mesmo os fanáticos da geringonça podem negar isso – e foi vê-los desaparecer de comentários dos meus posts no fbook, por onde andaram de peito feito até há um par de anos – e dizer que a “reversão” é uma realidade, desafiando que alguém me mostre um recibo em que alguém com o mesmo índice salarial ganhe mais agora do que há 10 anos. Eu subi dois índices (do 218 para o 245) e recebo menos.

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Expresso, 9 de Março de 2019

 

Alguém Pedirá Desculpas Pelas Insinuações?

Ficou para a última página do Expresso de ontem que, depois de tantas insinuações que por aí andaram com direito a primeira página, deu espaço central na edição da semana passada ao assunto e este sábado ao mestrado do engenheiro. Algum governante, opinador militante ou político (nem falo das ramificações de operacionais pelas redes sociais) terá agora a dignidade de admitir que esteve mal?

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No Público, Impresso, Também Fica Giro

Mesmo se teve de levar uma edição de 500 caracteres para caber no espaço. Retirei a identificação directa de partidos e a pata presidencial, mas ficou o afecto, de maneira a não ferir tantas susceptibilidades como na versão original. Estou a ficar velho, é o que é. Um dia destes até encomendo pizzas para a ceia.

A escalada enfermeiros/Governo

O que a contestação dos professores não conseguiu levar adiante, para além de uma ou outra iniciativa mais heterodoxa, está a acontecer com os enfermeiros.

PG PB

Ora Bem…

A greve dos enfermeiros não está enquadrada nas organizações que detêm a tutela quase exclusiva da prática do sindicalismo. E isso incomoda os incumbentes. Ninguém gosta de perder o seu monopólio.

(…)

As estatísticas dizem que em Portugal se realizaram 106 greves em 2017, uma média de duas por semana. No ano passado, só entre Janeiro e Outubro houve pré-aviso para mais de 500 greves. A maior parte não terá acontecido – ainda não há dados oficiais fechados – mas o número final não deverá ser inferior ao do ano anterior. Nenhuma destas greves foi tão discutida e levantou tanta polémica como a que está em curso feita pelos enfermeiros. Porquê?

Porque põe em causa um dos direitos mais importantes dos cidadãos, o dos cuidados de saúde? Não, não será por isso. Se fosse, as greves feitas pelos médicos em Maio de 2017 e Maio de 2018 teriam gerado a mesma discussão, porque também elas levaram ao adiamento de muitas centenas de cirurgias e de consultas em cada um desses protestos. E dessa vez não se discutiu o tremendo impacto ou eventual falta de ética no adiamento de tratamentos em milhares de doentes.

Também não será pelo envolvimento da Ordem nestas matérias sindicais porque as greves dos médicos e de outras classes profissionais costumam ter, por regra, o apoio dessas estruturas, quando elas existem.

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(greves dos médicos quando a actual ministra exercia? claro que não colocavam ninguém em risco!)

A Escalada Enfermeiros/Governo

O conflito entre os enfermeiros e o Governo assumiu uma faceta inédita entre nós nos últimos 40 anos. Com raríssimas excepções, a conflitualidade laboral foi enquadrada numa lógica herdada do marxismo, mais ou menos leninista, mas sempre com uma dose suficiente de boas maneiras e pragmatismo, mesmo quando o tom das declarações públicas parecia muito exaltado. No fundo, o esquema dicotómico com os mesmos actores e o mesmo tipo de acções dominou sempre a acção sindical, com os sindicatos a enquadrarem com punho firme qualquer tentativa de escapar à coreografia habitual, colaborando nesse aspecto com o poder político, independentemente das sucessivas inclinações políticas. Mais ou menos “radical” o nosso sindicalismo tem sido sempre convencional e conservador. Mesmo quando se afirma de linhagem revolucionária, tem horror a tudo o que perturbe a ordem dos autocarros e bandeirinhas.

O que a contestação dos professores não conseguiu levar adiante, para além desta ou aquela iniciativa mais heterodoxa, está a acontecer com os enfermeiros que, goste-se ou não, estão a levar a sua luta a sério, para além das conveniências dos acordos de cavalheiros de bastidores que sempre acabaram por resolver todas as disputas no passado mais ou menos recente. A exploração até aos limites da via jurídica é apenas um exemplo. Assim como a forma de se financiar uma greve entrou de forma decidida nos mecanismos disponíveis no século XXI, pois não me parece “ilegal” que qualquer cidadão se disponha a apoiar uma causa que considere justa.

Contra isso, mobilizou-se a apatia de uns e a militância de outros. A “Direita” perdeu a capacidade de apelar a qualquer tipo de espírito de “maria da fonte”, a menos que estejam em causa subsídios aos privados (na Educação ou Saúde) e a “Esquerda” revelou até que ponto define a sua aprovação política e moral das lutas laborais à conformidade com o seu guião.

É lastimável que o conflito tenha derrapado para uma campanha de maledicência pura e dura, como em outros tempos foi dirigida aos professores, com a conivência da tal “esquerda radical” que aproveitou para mostrar como ainda não desaprendeu das velhas tácticas de agit-prop. É embaraçoso ver representantes do PCP e do Bloco a dirigir críticas sem qualquer prova concreta a apoiá-las (seja a das “mortes” por causa das greves, seja a das tenebrosas fontes de “financiamento”, como se tivesse a mínima moralidade nesse aspecto quem por exemplo, não quer que se conheça quem financia as suas festas), a atacar uma classe a partir de este ou aquele “rosto” seleccionado para a demonizar e a ampliar uma estratégia de instrumentalização do aparelho de Estado por parte do Governo para combater uma classe profissional que não alinha em passeatas e cantorias à porta dos ministérios. Ainda não percebi se acham que os enfermeiros são uma cambada de idiotas instrumentalizados por uma teia de interesse privados tenebrosos, se o acesso à profissão é apenas permitido a quem seja de “extrema-direita”. Não são os enfermeiros que estão a degradar o SNS, como não foram os professores a degradar uma Escola Pública que, de excesso de oferta, passou a não ter professores disponíveis para os alunos que existem, em virtude da campanha desenvolvida para amesquinhar a profissão nos últimos 15 anos.

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No meio disto, o PR meteu a sua pata afectuosa na poça ao dizer algo sem qualquer sentido, ou seja, que as greves só podem ser financiadas por fundos dos sindicatos que as convocam e que não poderão ser apoiadas externamente, o que, de certa forma, significa que a “sociedade civil” não pode manifestar o seu apoio a uma dada causa. Ora… em tantos anos, tirando o aluguer de autocarros e distribuição de panfletos e bandeirinhas, nunca assisti a qualquer greve que, no caso dos professores, tenha tido qualquer apoio financeiro dos respectivos sindicatos. Os “fundos de greve” são dinamizados localmente, com sindicalizados ou não a contribuir por igual para uma repartição equitativa, independentemente de quotas pagas.

Sim, o “sistema” não vai ter quaisquer contemplações com os enfermeiros e a campanha irá tornar-se ainda mais negra/suja porque se percebe que, depois dos professores, é a vez dos enfermeiros serem domesticados. Com aqueles, a colaboração dos sindicatos tem sido preciosa, bastando ver como os façanhudos da Fenprof tiram o apoio a qualquer iniciativa independente para recuperar o tempo de serviço no Parlamento, centro da democracia representativa, com estes, parece-me que as coisas vão entrar mesmo num nível completamente novo, com as máquinas do governo e dos operacionais da geringonça unidas numa mesma luta para que os enfermeiros “percam o apoio da opinião pública”. Entre nós, as fake news são isso, notícias e boatos colocados a circular a partir de fontes oficiais que se escondem no anonimato. Ou são fake opinions como a do inimputável articulista do semanário do regime, que pode dizer todos os disparates e mentiras que ainda lhe dão palmadinhas nas costas.

Para que tudo continue como dantes.

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Expresso, 9 de Fevereiro de 2019

 

É Impressão Minha Ou A Ordem Dos Médicos Funcionou Nisto Quase Como A Confap Quanto Se Trata Dos Professores?

Governo aprova requisição civil de enfermeiros

Conselho de Ministros aprova medida para fazer face à greve dos enfermeiros, depois de vários responsáveis hospitalares terem dito que os serviços mínimos não estavam a ser cumpridos. Requisição tem efeitos imediatos.

exclama

(quanto à parte dos donativos anónimos é só para greves ou é para estender a outro tipo de “iniciativas”?)

6ª Feira

O aparato ideológico e controlador do Estado continua a virar-se para os enfermeiros e nota-se que a artilharia vai começando a pesar. Já começaram a aparecer cálculos de muitos milhões, já começam a aparecer do lado dos médicos e directores de hospitais sinais de perigos de proximidade, a sic já começa a fazer uma interessante selecção de comentadores sobre o tema, só faltam umas primeiras páginas do Expresso e aparecer-lhes alguém parecido com aquele da confap a defender “o interesse maior de…”.

Misseis