Havendo Eleições Todos Os Anos, O Milagre Das Rosas Seria Permanente

A pequena descida a Português (mantendo-se acima dos 50) é a excepção que confirma a norma.

Provas finais do 9.º ano: média a Matemática sobe e volta à positiva

Resultados das provas finais de Português e Matemática foram divulgados nesta segunda-feira. Houve menos chumbos.

Alguém se esquece de algo exactamente igual há cerca de uma década durante aquele miraculoso mandato de MLR em que até quem não tinha beneficiado do PAM melhorou resultados por causa dele?

Acho que no 10 de Junho o novo senhor do Iavé merece uma condecoração pelo contributo para o “sucesso” do regime flexível e autónomo.

 

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Pois… Por Cá Vamos Nesse Caminho… Cantando E Rindo…

Mas é complicado que gente intolerante e ensimesmada se dê ao trabalho de tentar compreender os erros evidentes que outros já detectaram. Os “perfis” e “competências” para o “século XXI” podem estar apenas a prejudicar mais exactamente aqueles que se diz querer beneficiar com as pedagogias pretensamente “inclusivas” das soft skills.

Elementary Education Has Gone Terribly Wrong

In the early grades, U.S. schools value reading-comprehension skills over knowledge. The results are devastating, especially for poor kids.

(…)

All of which raises a disturbing question: What if the medicine we have been prescribing is only making matters worse, particularly for poor children? What if the best way to boost reading comprehension is not to drill kids on discrete skills but to teach them, as early as possible, the very things we’ve marginalized—including history, science, and other content that could build the knowledge and vocabulary they need to understand both written texts and the world around them?

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Exames/Provas De Fim De Mandato

Há que apresentar resultados e dar a aparência de que se andou a aprender mais, demonstrar a bondade das políticas, quando apenas se encurtaram conteúdos e questionários. Pelo menos na área das Humanidades (Português, História, por exemplo), percebe-se que é ano de boa vontade para com a jubentude estudantil. Quer-se o povo feliz em Agosto/Setembro para votar em Outubro. É todo um “novo paradigma educacional/avaliativo”.

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A Contracção Da História

Não é, como disse recentemente em entrevista o presidente da APH, um problema dos últimos “cinco anos”. É mais antigo e remonta a 2001, mas não “aos anos 90 do século passado”. Curiosamente, não foi quem se esperaria que amputou a boa e velha Clio. Porque há demasiados mitos e ideias feitas baseadas em preconceitos e escassa informação. Ou as pessoas são ignorantes ou não estão de muito boa fé nisto. É complicado quando falham na História aqueles que dizem querer defendê-la ou que dela fazem teórico ofício.

Esta análise vai apenas até 2012, mas dá para perceber que a reorganização curricular generalizada em 2001/2002 é aquela que serve de matriz à actual.

A história no ensino básico em Portugal no último quartel: perspectiva curricular

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Pelo JL/Educação

Estava a ver que nunca mais encontrava a edição de 4ª feira. Fica apenas um excerto do texto que fiz a pedido do José Carlos Vasconcelos, porque a reprodução completa, neste caso, só se for mais tarde. Escolhi a parte de que mais ninguém fala nos testemunhos habituais sobre este assunto, mas mantenho a minha posição de que o ponto crítico, com base em dados e não em crendices, é a transição para o 3º ciclo.

Quanto à rede escolar, a solução por estender o 1º ciclo para mais anos, a par da universalização do ensino pré-escolar desde os 5 anos e tendencialmente dos 3, parece-me incomportável em muitas zonas do país. Os chamados “centros escolares”, estão longe de serem suficientes para dar resposta a um 1º ciclo de 5 ou 6 anos, se a lógica é evitar a transição precoce para uma “escola grande”. Depois da forma como foi dizimada a rede escolar do 1º ciclo, com orgulho generalizado de quem passou pela 5 de Outubro nos últimos 15 anos, não se percebe como se poderá estender esse ciclo de escolaridade com as instalações escolares em funcionamento. Em contrapartida, a junção do 2º e 3º ciclo está na matriz da construção das antigas escolas C+S que se vieram a transformas nas EB23.

Para além disso, há que resolver um problema adicional que é o do reajustamento dos grupos de recrutamento para a docência, porque o fim do 2º ciclo acarretaria a extinção dos grupos 200 a 290 (decreto-Lei 27/2006 de 10 de Fevereiro) e a necessidade de redistribuir os respectivos docentes de acordo com critérios a definir, mas que teriam de passar por uma solução que contemplasse a formação inicial e a profissionalização realizada.

Este não é trabalho para governantes preocupados em medidas de curto prazo para consumo eleitoral, porque implica anos de preparação e um leque alargado de participantes, para além das cliques académicas ou político-ideológicas no poder em dado momento. Uma reorganização dos ciclos de escolaridade deve fazer-se no contexto de uma reforma da Lei de Bases do Sistema Educativo que não aconteceu quando foi revisto o modelo de gestão escolar, quando se introduziram substanciais alterações na organização curricular ou sequer no recente processo de maior descentralização de competências na Educação para os municípios.

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Reorganização Dos Ciclos De Ensino

Continua a discutir-se, com os “actores” a dizerem uma coisa e a praticarem outra. Os “especialistas” próximos do PS e não só, sempre gostaram de criticar o choque da transição da monodocência para a pluridocência entre o 4º e o 5º ano. Mas mal chegaram ao poder atomizaram ainda mais o currículo. No 2º ciclo, Um Conselho de Turma podia ser formado por 6-7 professores de 9 disciplinas. Agora podemos chegar às 11-12 disciplinas ou áreas, quantas vezes com 10 docentes. Já o 1º ciclo, embora formalmente em monodocência, chega a ter 3-4 professores ou mais, devido à fragmentação de áreas e expressões. O 3º ciclo entrou num total delírio que pode chegar às 14 disciplinas.

A incoerência é total, entre discurso e prática, em especial quando se trata de modas ou de alimentar clientelas. Se é necessário mudar uma escolaridade obrigatória de 12 anos que tem 4 ciclos distintos? Sim, mas receio muito que a tendência seja para o agravamento da infantilização dos conteúdos de um primeiro ciclo de estudos mais alargado (e incluindo um ano de pré-escolar), em nome de “competências” que se definem a gosto. Em que saltar à corda vale tanto ou mais do que saber a tabuada ou ler com fluência, porque agora tudo se equivale e quem ousar ir contra este estado de coisas é porque é um elitista que ficou parado num século qualquer e não percebe que aprender é brincar, se possível só com esforço se for para atingir os parâmetros dos testes do FITescola (sim, continuo a embirrar com a tomada de assalto do currículo pelos pseudo-salvadores do futuro da saúde nacional).

E quando me exemplificam com os casos de alguns países estrangeiros, fica sempre aquela questão: e o resto?

Violino