Pelo Público

O triunfo da demagogia na Educação

Tal como o mandato de 2015 começou com a eliminação demagógica das provas finais de 4.º e 6.º ano, o mandato de 2019 começa com a promessa demagógica de um plano de não-retenções que só fará sentido se, como culminar do processo, forem eliminadas as provas finais do 9.º ano.

PG PB

O Expresso De Sexta Quase À Meia Noite

Onde se podem tirar dúvidas sobre o que foi dito efectivamente. E onde, como disse quando recebi o inesperado convite, iria estar quase sempre numa proporção de 1 para 3. Mas antes isso do que todos a empurrar para o lado da demagogia.

Do ME ninguém aceitou ir, deixando de forma pouco corajosa para a presidente do CNE o ónus de defender o que outros assumem apenas pela metade; já a recusa do ex-presidente do CNE, David Justino, se compreende à luz do que ele defende e do que foi a intervenção do líder do seu partido no Parlamento. Ou foram só mesmo questões de agenda, claro.

Redução dos chumbos escolares

ExpMeiaNoite

Há Quem Acredite Piamente Que Bastará Saber Achar Uns Vídeos “Motivacionais”

Precisam os professores de Matemática de saber Matemática?

(…)

Importa uma formação que promova e aprofunde o desenvolvimento do conhecimento matemático nos futuros professores, mas também a experiência e a cultura matemáticas — que promova assim o saber Matemática, o saber-fazer Matemática, o saber sobre a Matemática. É este o sentido amplo de saber — conhecimento, experiência, cultura — que interessa a quem vai ser professor. E sobre o desenvolvimento do interesse, do gosto, da capacidade de apreciar e valorizar a Matemática, não posso aqui senão fazer mera menção à importância que têm que estas dimensões na formação do futuro professor.

O problema é que esta visão multiforme sobre a formação de professores não é a de quem acha que basta uma formação generalista com foco praticamente só nos mais básicos conhecimentos, enquanto se valorizam técnicas comunicaçionais e motivacionais que não chegam para um professor, a dada altura, sequer conseguir acompanhar os seus alunos mais dotados. Há quem parece considerar que o “conhecimento matemático” (ou de outras disciplinas) nem sequer é fundamental.

O problema não é o recurso a metodologias “pró-activas”, que incentivem o aluno a “descobrir o saber”. O problema é acreditar que os professores podem desenvolver isso e verificar o seu progresso sem eles mesmos terem um domínio que lhes permita corrigir rumos, abrir novas perspectivas, acompanhar até mais além quem o consegue. Quando impera a noção de que bastam umas “generalidades” para se ser professor de Matemática é porque se acha que ele não é um matemático a sério.

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Havendo Eleições Todos Os Anos, O Milagre Das Rosas Seria Permanente

A pequena descida a Português (mantendo-se acima dos 50) é a excepção que confirma a norma.

Provas finais do 9.º ano: média a Matemática sobe e volta à positiva

Resultados das provas finais de Português e Matemática foram divulgados nesta segunda-feira. Houve menos chumbos.

Alguém se esquece de algo exactamente igual há cerca de uma década durante aquele miraculoso mandato de MLR em que até quem não tinha beneficiado do PAM melhorou resultados por causa dele?

Acho que no 10 de Junho o novo senhor do Iavé merece uma condecoração pelo contributo para o “sucesso” do regime flexível e autónomo.

 

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Pois… Por Cá Vamos Nesse Caminho… Cantando E Rindo…

Mas é complicado que gente intolerante e ensimesmada se dê ao trabalho de tentar compreender os erros evidentes que outros já detectaram. Os “perfis” e “competências” para o “século XXI” podem estar apenas a prejudicar mais exactamente aqueles que se diz querer beneficiar com as pedagogias pretensamente “inclusivas” das soft skills.

Elementary Education Has Gone Terribly Wrong

In the early grades, U.S. schools value reading-comprehension skills over knowledge. The results are devastating, especially for poor kids.

(…)

All of which raises a disturbing question: What if the medicine we have been prescribing is only making matters worse, particularly for poor children? What if the best way to boost reading comprehension is not to drill kids on discrete skills but to teach them, as early as possible, the very things we’ve marginalized—including history, science, and other content that could build the knowledge and vocabulary they need to understand both written texts and the world around them?

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Exames/Provas De Fim De Mandato

Há que apresentar resultados e dar a aparência de que se andou a aprender mais, demonstrar a bondade das políticas, quando apenas se encurtaram conteúdos e questionários. Pelo menos na área das Humanidades (Português, História, por exemplo), percebe-se que é ano de boa vontade para com a jubentude estudantil. Quer-se o povo feliz em Agosto/Setembro para votar em Outubro. É todo um “novo paradigma educacional/avaliativo”.

prophets

 

A Contracção Da História

Não é, como disse recentemente em entrevista o presidente da APH, um problema dos últimos “cinco anos”. É mais antigo e remonta a 2001, mas não “aos anos 90 do século passado”. Curiosamente, não foi quem se esperaria que amputou a boa e velha Clio. Porque há demasiados mitos e ideias feitas baseadas em preconceitos e escassa informação. Ou as pessoas são ignorantes ou não estão de muito boa fé nisto. É complicado quando falham na História aqueles que dizem querer defendê-la ou que dela fazem teórico ofício.

Esta análise vai apenas até 2012, mas dá para perceber que a reorganização curricular generalizada em 2001/2002 é aquela que serve de matriz à actual.

A história no ensino básico em Portugal no último quartel: perspectiva curricular

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