Ano De Eleições É Assim

Nada como “provar” a bondade das políticas e dar uma sensação de “sucesso” às “famílias”. O “autónomo” Iavé está de parabéns.

Notas nos exames de Português e Matemática melhoraram

Todas as disciplinas têm média positiva na 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário. Entre as mais concorridas, as notas são mais baixas do que no ano anterior a Física e Química e a Biologia e Geologia.

Campeão

Acabem-se Os Exames Do Secundário…

… e as Universidade contratarão empresas de recursos humanos para recrutarem o “capital humano” certo para as suas instituições, com testes de tipo ratinhos no laboratório social. Ou então farão umas entrevistas para confirmar que os apelidos e escolas de origem batem certo. Sim, haverá excepções. E até haverá aquelas instituições que aceitarão tudo, porque é o que sobrará no “mercado”. Acham que esse será um sistema de ingresso mais “inclusivo”? A sério que sois assim tão ingénuos ou apenas não conhecem, o país, a sociedade, a academia?

Nem sequer falo na bela rebaldaria em que muitos tornarão os três anos de pós-básico…

Mad doctor

Exames/Provas De Fim De Mandato

Há que apresentar resultados e dar a aparência de que se andou a aprender mais, demonstrar a bondade das políticas, quando apenas se encurtaram conteúdos e questionários. Pelo menos na área das Humanidades (Português, História, por exemplo), percebe-se que é ano de boa vontade para com a jubentude estudantil. Quer-se o povo feliz em Agosto/Setembro para votar em Outubro. É todo um “novo paradigma educacional/avaliativo”.

prophets

 

A Flexibilidade Encolhe As Aprendizagens?

A notícia de que os exames de 11º ano necessitam de se adaptar aos alunos das escolas com o pafismo educacional não me deixa espantado, pois esta seria a consequência lógica de todo o processo. No entanto, não foi isso que foi dito, pois garantiu-se que a flexibilidade costista, em conjunto com as “aprendizagens essenciais”, ao serviço do Perfil do aluno para o século XXI, seria uma estratégia para melhorar as aprendizagens, não para as “encolher”. Claro que era mentira, pois a flexibilização é uma forma de aligeirar o currículo e reduzir os conteúdos leccionados, sendo uma treta rematada que compense isso com o desenvolvimento de “competências superiores”.

Pub16Jun19

Repito-me quando digo que prefiro a sinceridade de quem assume o que faz com clareza do que a hipocrisia de quem diz que o flato não é flato e a ser não é seu. A flexibilidade e autonomia, assim como as aprendizagens ditas “essenciais” tornaram-se um “programa mínimo” que as provas finais ou exames do renovado IAVÉ se limitam a validar, demonstrando que a sua “autonomia” só chega até ao que o poder político manda fazer (e avaliar).

Claro que os alunos nas escolas que aplicam as versões mais holísticas e folclóricas do PAFC estariam em desvantagem perante os que seguiram o currículo regular caso os exames fossem feitos de acordo com o programa tal como ele é e a maioria de professores e docentes procuraram cumprir. Ou seja, teremos exames moldados aos interesses de uma minoria. Nivelando a bitola pela métrica política do senhor secretário de Estado que não quer ver demonstrado à luz do dia que anda a vender fancaria pedagógica pelo país. Mais valia apostar ainda mais na meditação e deixar-se de discursos vácuos e vitimizações patéticas quando é criticado.

Pelo Educare

Os Profissionais do Truque

Que fique claro desde já: os “profissionais” do título não são os alunos, mas sim os decisores que desenvolvem estratégias de mistificação da opinião pública, de parte dos alunos e famílias e que usam o sistema público de ensino como uma espécie de laboratório de engenharia social e de recurso para alimentar clientelas no mundo académico.

pg contradit

Pelo JL/Educação

Estava a ver que nunca mais encontrava a edição de 4ª feira. Fica apenas um excerto do texto que fiz a pedido do José Carlos Vasconcelos, porque a reprodução completa, neste caso, só se for mais tarde. Escolhi a parte de que mais ninguém fala nos testemunhos habituais sobre este assunto, mas mantenho a minha posição de que o ponto crítico, com base em dados e não em crendices, é a transição para o 3º ciclo.

Quanto à rede escolar, a solução por estender o 1º ciclo para mais anos, a par da universalização do ensino pré-escolar desde os 5 anos e tendencialmente dos 3, parece-me incomportável em muitas zonas do país. Os chamados “centros escolares”, estão longe de serem suficientes para dar resposta a um 1º ciclo de 5 ou 6 anos, se a lógica é evitar a transição precoce para uma “escola grande”. Depois da forma como foi dizimada a rede escolar do 1º ciclo, com orgulho generalizado de quem passou pela 5 de Outubro nos últimos 15 anos, não se percebe como se poderá estender esse ciclo de escolaridade com as instalações escolares em funcionamento. Em contrapartida, a junção do 2º e 3º ciclo está na matriz da construção das antigas escolas C+S que se vieram a transformas nas EB23.

Para além disso, há que resolver um problema adicional que é o do reajustamento dos grupos de recrutamento para a docência, porque o fim do 2º ciclo acarretaria a extinção dos grupos 200 a 290 (decreto-Lei 27/2006 de 10 de Fevereiro) e a necessidade de redistribuir os respectivos docentes de acordo com critérios a definir, mas que teriam de passar por uma solução que contemplasse a formação inicial e a profissionalização realizada.

Este não é trabalho para governantes preocupados em medidas de curto prazo para consumo eleitoral, porque implica anos de preparação e um leque alargado de participantes, para além das cliques académicas ou político-ideológicas no poder em dado momento. Uma reorganização dos ciclos de escolaridade deve fazer-se no contexto de uma reforma da Lei de Bases do Sistema Educativo que não aconteceu quando foi revisto o modelo de gestão escolar, quando se introduziram substanciais alterações na organização curricular ou sequer no recente processo de maior descentralização de competências na Educação para os municípios.

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