Afinal… De Quem É A Culpa Da Falta De Informação E Fiscalização?

O ME gosta muito de lançar anátemas sobre alguns temas ou “problemas” (já o fez com a falta de professores, algumas mobilidades), mas a verdade é que foge às suas responsabilidades de regulação do sistema. Em vez de enviar “comissários pedagógicos” às escolas verificar se o MAIA anda a ser aplicado, que tal usar a minguada IGEC de um modo mais útil para o interesse público?

A “culpa” é mesmo (só) dos rankings?

4ª Feira

Grande medida de “descentralização” do Estado: há três secretarias de Estado que passam a funcionar no “interior”, curiosamente nas cidades (ou muito perto) onde vivem ou já trabalhavam quem as vai ocupar. Há notícias sobre isto que se lêem como se fosse a sério, mas há outras em que é impossível não notar o aroma, mesmo que involuntário, da ironia. Acho que muitos professores não se incomodariam de “descentralizar” assim.

Dumber

Um 79 “Bem” Aproveitado

Uma colega de um agrupamento entre o pipi e o pipp foi colocada nas suas horas de redução a ler actas diversas e a fazer uma variante de análise de conteúdo para preencher uma espécie de grelhas. Será apenas impressão minha ou existem órgãos de gestão (incluindo pedagógicos) a aproveitar a liberalização do consumo de certas e determinadas substâncias?

Fica Bem Recompensar Os Amigos Fiéis

Só com muita dose de ingenuidade se leva com isto e não se desconfia do bodo… 🙂 Há quem à custa disto leve metade da semana a olhar para ontem e, como é natural, esteja fresquinho que nem alface para criticar os outros. Por isso é que há malta com a minha idade que dá 10 horas de aulas e o resto são “projectos” e “clubes” daqueles que se desenvolvem grande parte do ano em grelhas de computador e uns quantos fins de semana que servem para encher a boca meses a fio. E olhem que há quem, há não muito tempo, no próprio grupo de EF, tenha ficado de olhos em bico quando lhe expliquei certos “arranjos” que por aí há.

Que não me desculpem os interessados que poderão voltar a vergastar-me com os seus “argumentos” habituais, mas são mais de 1000 horários completos que, dependendo dos micro-lobbys de proximidade, criam situações absolutamente caricatas e grupos disciplinares de 1ª e 2ª em matéria de horários nas escolas e agrupamentos.

Ou ainda pior… consolidam-se práticas que alimentam guardas pretorianas dos poderes instalados em troca de… E olhem que não escrevo só por ouvir dizer, porque estas lentes acrílicas que a terra há-de infelizmente demorar a reciclar já viram mais coisas do que gostariam.

Créditos horários no Desporto Escolar vão aumentar

Desenvolvimento de modalidades nos estabelecimentos de ensino mobiliza o equivalente a 1000 professores.

ginastica

(força, pessoal, que venha o grupo do costume zurzir-me e negar que passaram a existir dt’s com quatro horas para duas turmas a cargo, como já começa a acontecer em algumas escolas, enquanto há quem tenha 6, 8 ou mais horas para diversas variantes destes créditos específicos e intransmissíveis…)

Se O Referendo Der “Não” Prometem Calar-se Uns Anos?

Porque uma comissão que recomenda um referendo ao mesmo tempo que apresenta uma das respostas como a única que “permite responder de forma integrada a objectivos como racionalizar o processo de tomada de decisões organizativas e aprofundar a democracia” é porque parece considerar que apenas o “sim” é aceitável. Ora, se algo nos tem ensinado os últimos anos (se não ensinara antes) é que a existência de mais níveis de decisão só ajudam à confusão, ineficiência, desculpabilização e promoção da incompetência. Se no Estado Central temos ex-padeiros a tomar decisões na área da protecção civil e os filhos de secretários de Estado a mamar alarvemente nas verbas do Portugal 2020, onde chegaremos no “Estado Regional”?

Basta observarmos o funcionamento de algumas autarquias “modelo” como começam a funcionar algumas “comunidades intermunicipais” que avançam, com a conivência alargada do PS-PSD-PCP com uma regionalização encoberta sem sequer pedirem licença a um referendo. Se essa consulta tivesse uma resposta negativa, o que lhes aconteceria? Em respeito pela democracia deveriam dissolver-se correcto?

Vaca

 

4ª Feira

É preciso notar que eu cresci numa terra onde, após 1974, o PS era o partido mais à direita que ousava apresentar candidatos às eleições autárquicas de 1976, a FEPU (social-fascista na terminologia de então) chegava perto dos 70% na freguesia e os GDUP (ide à wikipédia ou à ephemera do JPP para se relembrarem do que eram) eram a terceira força política já depois do 25 de Novembro. PSD e CDS nem concorriam e comícios só para serem cercados em 1980. Em que os meus amigos ou malta um pouco mais velha oscilava (tirando o núcleo duro dos anarcas-contra-tudo-e-todos, mais dedicados à banda desenhada, a jogar à lerpa e a ouvir ramones e talking heads) entre o mrpp e a udp, andando em pancadaria de morte quando os matraquilhos estavam ocupados.

Portanto, a minha “cultura política” foi claramente enviesada e marcada por uma visão da “Direita” que a apresentava como aqueles que não se incomodavam com as desigualdades, as quais explicavam por uma meritocracia “genética”, consolidada com o capital familiar ou com a aceitação do sistema de “exploração do homem pelo homem”, sendo contra convulsões e confusões que visassem combatê-las a partir da acção “das massas” ou do Estado “revolucionário”. Já a “Esquerda” apresentava-se como combatente acérrima das desigualdades, como crente e lutadora pela possibilidade de uma sociedade mais justa, tendo o poder político e o Estado um papel fundamental no alcançar dessa utopia

Ou seja, à luz dos conceitos de 1974-78, o nosso espectro político deslocou-se completamente para a Direita e o mais “radical de esquerda” que agora se arranja são umas versões mitigadas da social-democracia burguesa, coberta com retórica pseudo-revolucionária em alguns quadrantes. E sim, estou a pensar em todos os partidos com assento parlamentar. E sim de novo, o PS com as suas práticas de controlo do aparelho de Estado no interesse dos subsídios próprios, volta a estar firme e hirto no quadrante da Direita mainstream, apesar de alguns floreados demagógicos em prol de uma justiça social de papel.

Pelo que, não tendo companheiros suficientes para um quarteto de lerpa e chegando-me sessões esporádicas de revivalismo musical, passei a ser de novo mais banda desenhada.

i-smile-because-i-have-no-idea-whats-going-on

 

Pois… Por Cá Vamos Nesse Caminho… Cantando E Rindo…

Mas é complicado que gente intolerante e ensimesmada se dê ao trabalho de tentar compreender os erros evidentes que outros já detectaram. Os “perfis” e “competências” para o “século XXI” podem estar apenas a prejudicar mais exactamente aqueles que se diz querer beneficiar com as pedagogias pretensamente “inclusivas” das soft skills.

Elementary Education Has Gone Terribly Wrong

In the early grades, U.S. schools value reading-comprehension skills over knowledge. The results are devastating, especially for poor kids.

(…)

All of which raises a disturbing question: What if the medicine we have been prescribing is only making matters worse, particularly for poor children? What if the best way to boost reading comprehension is not to drill kids on discrete skills but to teach them, as early as possible, the very things we’ve marginalized—including history, science, and other content that could build the knowledge and vocabulary they need to understand both written texts and the world around them?

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As Contas De Sumir Que O Centeno Y Sus Muchachos Nunca Apresentam Quando Falam Nos Salários Dos Professores (E Não Só)

Em 2018, a carga fiscal aumentou 6,5% em termos nominais, diz o Instituto Nacional de Estatística. Representou 35,4% do PIB, o valor mais alto desde 1995.

Mas o génio vive sempre numa realidade alternativa, portanto…

Centeno sugere carga fiscal alternativa: esta, ao contrário da outra, desce