Sábado

A Autoridade Tributária é um serviço especialmente eficiente e chato desde que nos apanhe o mail. Mas o Março começou, avisou-me que tenho de pagar o IUC, um imposto particularmente abusivo e estúpido num país onde eles abundam. Um carro com 3 anos, com 1,6 a gasóleo, tem de pagar quase 150 aérios pelos vistos para poder “circular”, sendo que para o comprar já paguei um IA do caraças e para o abastecer mais de metade do dinheiro do combustível vai em taxas e impostos e se quero usar uma estradita melhor pago portagem. Quanto a “circulação” estamos falados. E para o ano tenho de ir fazer aquela inspecção em que me arrisco a não passar, enquanto alguns jeitosos andam aí a largar nuvens de fumo e ninguém os pára. Há quem diga que só assim o “Estado” tem dinheiro para nos prestar os imensos e privilegiados serviços de que dispomos. Que se não queremos pagar impostos temos de prescindir do “Estado Social”! A sério? Acabam-se escolas e centros de saúde, mais os tribunais e as reformas se quem compra um carro não tiver de pagar um iuc completamente disparatado?

E não me venham com o recurso aos transportes públicos. Aqui em casa não há qualquer possibilidade de deslocação para os locais de trabalho (qualquer deles a cerca de 20 km) através de transporte público, sem ser com um mínimo de duas ligações e perto de uma hora e meia (acrescendo o trajecto a penantes da estação de destino mais próxima), sendo que no meu caso o horário dos dois autocarros matinais é completamente incompatível com a minha entrada na escola e para regressar seria igualmente o bom e o bonito. Não uso transportes públicos porque os mesmos são uma lástima em termos de acesso e horários de/para onde vivo, não por capricho.

E já agora… em relação a este tipo de impostos, não encontro diferença entre esquerda e direita, por muitos que uns digam que querem aumentar o rendimento das famílias e os outros que querem diminuir a carga fiscal das famílias. A verdade é que uns tiram com uma mão e bastante rapidez aquilo que dão devagarinho com a outra. E os outros preocupam-se mais com a tsu dos patrões e o irc do que com os impostos sobre o mexilhão, dos quais o iuc ou o imi são uma espécie de amarras permanentes.

Choque en dibujo

O Carisma de um Buraco Negro

A CGD sempre foi uma prateleira dourada para políticos em pousio se transformarem em administradores, executivos ou não, de escassas qualidades no sector bancário. Muitos foram-no apenas para serem facilitadores ou transmissores de agendas políticas e para subsidiarem negócios das redes clientelares. A pouco e pouco vai-se sabendo a desgraça de uma gestão política do banco público, embora dificilmente eu veja a possibilidade de alguém ser responsabilizado criminalmente por uma série de crimes financeiros praticados contra o interesse público. Porque quem os fez deixou daqueles rastos ténues que se percebem, mas raramente se aguentam em tribunal por causa de umas tecnicalidades que a seu tempo foram introduzidas no nosso “ordenamento jurídico” por forma a complicar a vida a quem quisesse ir atrás desta maralha (e de outras, não sejamos pouco generosos, porque muita gente andou por ali a encher muitos bolsos directa ou indirectamente). O caso das conexões espanholas do engenheiro e do sapateiro interessa-me, porém, menos do que o sublinhado a vermelho e que se explica em poucas palavras: o BCP não faliu porque a CGD serviu de almofada à custa da sua própria instabilidade e agora vamos ter de pagar para a sua recapitalização porque, há uns anos, era uma carga de trabalhos o BCP ir de pantanas logo em cima do BPN, revelando até que ponto a nossa classe de eméritos gestores privados é globalmente um fiasco total. O resto é conversa.

pub2nov16

Público, 2 de Novembro de 2016

A Sério! – 2

Vou transcrever aqui uma publicação do Lopo Lencastre de Almeida no fbook, porque pouco poderia adiantar ao que ele escreveu:

E ficamos assim a saber que a surrealidade afinal já vinha do Governo anterior e desde 2014. É só génios!

E é curioso perceber que “localização e operacionalidade relativas” (deve ser o sol e o cemitério) passa de 0,05 para 0,20 mas ter piscina (0.03) ou court de ténis (0.03), e outras mordomias de gente bem, mantém-se exactamente NA MESMA.

Taxar com IMI os que nada ou quase nada pagam mas podem.. tipo Fundos, Fundações, etc. Ah! Não. Isso é que não, que ia incomodar muita gente… e com gente queremos dizer da gente que conta, claro.

Assim a solução brilhante é agravar a coisa a quem não consegue fugir de pagar e tem pouco poder de “ajeitar”. Brilhante geringonça. Brilhante! Aplausos! Continuem que não tarda nada não vos diferenciamos da cena anterior.

IMI

A Sério!

Não abdiquem da vossa inteligência – já nem digo da independência, esse conceito com práxis mítica – só para defender uma situação política conjuntural. O que se passa com o IMI é de uma estupidez tal que me custa imenso ver as piruetas que fazem pessoas que estimo só para tentarem justifia-la, transformando-se em galambas voluntariamente. Não me afligem os aparelhistas de serviço, os que só sobrevivem na base do lambe-botismo e do cartão da cor certa, porque esses são o estrato mais baixo de uma mediocridade extrema, não há que esperar diferente. Agora andar gente séria a justificar o que está proposto pelo governo com as malfeitorias do cherne ou do passos coelho é nivelarem-se por esse patamar. Se querem ser iguais, sejam-no (há quem seja assim… não resista a justificar a porcaria que fazem com a dos outros), mas não tentem iludir-nos com malabarismos retóricos e spin jurídico ou sequer com aquela de “se eles querem privatizar a águia também podemos taxar o sol”. Phosga-se, ao menos respeitem quem ainda usa o único neurónio sobrevivente a estes quinze anos de purgatório.

Não nos lixem (ainda mais).

Turd

 

O Fisco à Mesa

Não há almoços grátis. Nem jantares, nem lanches, nem ceias, nem pequenos-almoços, nem merendas.

A ideia de colocar impostos adicionais em “bebidas açucaradas” faz-me lembrar a dos sacos de plástico. O pretexto é um, mas a finalidade é obter mais dinheirinho ao pessoal. Se querem disciplinar a circulação de bebidas com alto teor de açúcar que tal taxarem os lucros dessas empresas conforme a proporção da oferta de bebidas desse tipo em vez de colocarem mais impostos aos consumidores finais?

E o que dizer do total emaranhado em que querem transformar o iva da restauração, por incapacidade de manterem claramente uma promessa eleitoral? O frango no prato tem um iva, mas se for em embalagem para casa tem outro? Uma garrafa de vinho tem um iva se for comprado em supermercado e outro se for consumido em restaurante? Passamos a ter menus arrumados por taxas de iva conforme os ingredientes?

Se querem ser “justos” que tal taxarem lagosta e caviar a 40% e carapau e frango a 6%?

O mais certo é muito ser mudado e tudo isto ser barro atirado à parede para ver as reacções, mas é triste, muito triste, quando se quer sacrificar o consumo de quem já consome bem abaixo da média.

ThinMint

Quase Como Gente Crescida

O irs entregue a três dias do fim do prazo? Phosga-se, como aquilo me irrita. Têm tudo validade e certificado, mas obrigam-me a ter de confirmar a casa onde moro todos os anos? E para que colocam vários quadros a necessitar de ser preenchidos com os mesmos valores? Ao preenchermos um não poderia ficar o outro automaticamente preenchido? E aquela de exigir que se coloquem zeros obrigatoriamente onde nada há a preencher? Sim, foi o ano com menos erros na altura da validação, mas foi porque cada vez eu me rendo mais e digo que sim a tudo o que está pré-preenchido e nem se fala mais nisso.

bean