2ª Feira

Passámos semanas e dias a ver mapas de risco com Portugal pintado a vários tons, mas quando se trata das escolas parece que não há qualquer variação cromática. Seja onde for, esteja localizada onde estiver, as escolas estão prontas para reabrir na totalidade. As esplanadas só podem ter 4 ou 6 pessoas numa mesa? Ou mesmo nenhuma? Mas na escola podem estar dezenas na mesma sala de professores, que não há “risco” que mude de cor.

Domingo – Dia 70

Com a manutenção do regresso, amanhã, 2.ª feira, do Secundário ao regime de aulas presenciais, todos os humanos da casa irão para as suas escolas pela primeira vez em cerca de dois meses. O que voltará a deixar o domínio doméstico como território exclusivo da gata que até já se estava a acostumar às novas rotinas e ao som de vozes a sair de ecrãs a toda a hora, pela casa. Já no ano passado, a adaptação tinha sido feita com alguma irritação e curiosidade.

2ª Feira – Dia 64

Agora, passou a destacar-se a importância da escola para o bem-estar dos alunos e a necessidade de eles voltarem à escola para socializarem e não necessariamente para retomarem actividades predominantemente lectivas. Um especialista, em declarações ao Educare considerou que “desconfinar as crianças de casa e confiná-las na sala de aula, estando quietas, sentadas e caladas é um disparate completo”, acrescentando que deveriam ir para a escola para estar “com os seus amigos, estar em contacto físico com eles, fazer brincadeiras, de fuga, de perseguição, de lutas”.

Sábado – Dia 62

A primeira semana do regresso ao ensino presencial do 2º e 3º ciclo tem um balanço positivo, dos portões para dentro da escola, mas muito pouco satisfatório quanto ao exterior. Os alunos, em especial os mais novos, interiorizaram bem a necessidade de cumprir regras, mesmo se nem sempre o conseguem, naquele entusiasmo do reencontro com colegas, professores, com o convívio e a brincadeira. O problema são mesmo muitos adultos, que deixaram de procurar excepções às regras, para considerarem que a máscara é que já deve ser a excepção.

Regresso, Amanhã

Não sei bem com que estado de espírito, depois do que ouvi e li nesta semana. Sinto-me uma espécie de criminoso, quase mesmo sociopata, No período do E@D parece que os alunos não aprenderam nada, sendo que o “diagnóstico” feito pelos especialistas do IAVE, de tão preliminar, não aponta as razões de situação tão “dramática”, para recorrer a um termo muito usado em torno da questão. Hoje, leio que as “escolas deram notas sem contar com o trabalho feito ao longo do 2.º período”, o que me deixa a pensar que devo ser mesmo muito “estranho”, pois contei com o trabalho feito e não feito e não usei “testes” para isso. E além disso, ainda me lembro de ter dado umas boas semanas de aulas presenciais no 2º período e não ter permitido férias aos alunos (ou a mim) em Janeiro.

O ministério (só merece minúscula cada vez mais minúscula), depois de ter anunciado aos quatro ventos que as escolas tinham autonomia para definir os critérios de avaliação neste período, vem afirmar “que escolas que o fizeram [dar notas sem considerar “o trabalho feito ao longo do 2º período”] violaram os direitos dos alunos”. Nada como começar logo a sacudir a água do capote.

Em cima de tudo isto, há ainda a questão da vacinação dos professores, devido à qual parece que haverá uma hecatombe de mortes entre os mais idosos. Sobre isso nem me vou alongar, deixando apenas os dados do Perfil do Docente mais recente (2018/19), de acordo com o qual existem 17 malandros abaixo dos 30 anos no pré-escolar e 1º ciclo do ensino público.

É Mêlhórre Nom Dizêrrem Nádá À Ecónómiste Pérráltá Ou Au Sêu Côlégá Conrrrráriá

Emmanuel Macron disse ter feito tudo para adiar o regresso das medidas de confinamento, mas a situação é grave nos hospitais franceses.

(êstês gôlêsês serem stupides… ê aprés terem de contrrrrátárre les spéciálistes amigues du sécrétêre cósta e do iávê por couse dês aprrendissagens perrdues)

Sábado – Dia 48

Eu sei que não podemos estar fechados em casa o tempo todo. Eu percebo até quem acha que são os seus direitos que estão em causa, por muito que discorde dessa leitura, pois o exercício dos nossos direitos não deve colocar os outros em risco. Na notícia online do Expresso, pode ler-se que se pode “dizer que o dia 19 de março teve um índice de mobilidade de 99% da normalidade pré-pandemia”. Desculpem-me, mas 99% da mobilidade há cerca de uma semana, significa que o confinamento se tornou uma ficção. Algo que não me surpreende, quando tenho mesmo de sair e me deparo com as estradas e ruas como se estivesse tudo como dantes, mais umas máscaras de cores sortidas.

Sinto Falta

De uma carta aberta daquela malta que, mal abriram as escolas, se esqueceram logo das condições que tinham apresentado para que isso acontecesse. Ainda ontem vi muito o branco dos olhos do economista Conraria num programa de televisão, mas ouvi pouca coisa ou mesmo nada acerca disso. E a economista peralta também baixou bastante o seu nível de histrionismo acerca destas matérias, Porque será? Queriam as escolas abertas, ponto. O resto era só cenário.

Vacinar Não Fica Mais Barato?

Olá
Como tenho 5 horas no 1º ciclo, ontem à tarde também fui testado na escola sede do agrupamento.
Enviaram o resultado às 2:52 de hoje:
«Um resultado «Não Detectável» significa que não foi detectado o Antigénio do vírus SARS-CoV-2, na amostra analisada. Os testes TRAg devem ser utilizados nos primeiros 5 dias (inclusivé) de sintomas. Se a amostra não tiver sido colhida nos primeiros 5 dias (inclusivé) de sintomas, é muito provável que o antigénio do vírus não seja detectado. Este teste não deve ser utilizado em utentes assintomáticos. Um resultado «Não Detectável» deverá ser confirmado por Teste molecular de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) por RT-PCR.»
O laboratório foi muito rápido a enviar o resultado. Vou acreditar que fizeram as análises. O texto é bastante honesto. Basicamente diz que eu não devia ter feito o teste ☺. E que agora devia fazer outro mais fiável. Espero que não tenha custado muito dinheiro. Tendo em conta o procedimento (aparentemente mais caro do que a aplicação de vacinas) e a necessidade de análise microscópica, parece-me que se aplicassem logo a vacina mais cara a Moderna ficaria muito mais barato.