Já Se Entranhou

Há muitos anos. O hábito de ver pessoas (não) tomar posições ou (não) fazer coisas só para contrariar o que eu disse ou escrevi. Do género…. ahhh… tu queres assim? Então fazemos de outra maneira, só para provar que não tens razão… mesmo que esteja errado e corra mal. Eu acho estúpido agir desta forma, mas da proximidade ao horizonte mais ou menos longínquo acho que as pessoas só revelam a sua mesquinha pequenez quando agem meramente para contrariar. Porque parece que assim provam qualquer coisa que lhes deve aquecer qualquer parte do corpo ou da alma (se é que a têm).  Espero que o reino do Céu dos idiotas lhes guarde um lugar que eu prefiro ir para as galés ou para a parte do fogo eterno.

villageidiot

 

Um Brinde Ao Desconfinamento

Acaba por ser uma mistura entre prenda de anos ainda no trimestre certo e uma muito apropriada oferta para comemorar uma mudança de poiso. Os meus agradecimentos públicos, alfabetizando a ordem, à Ana, Cláudia, Carla, Dora, Helena, Inácia, Maria de Deus e Silvina. Livros já tenho muitos. Coisas doces e líquidas, desaparecem com rapidez, pelo que se festeja o reabastecimento. Acrescendo ainda o bom gosto do nome dos produtores.

(e não me venham os gajos dizer que é bebida de senhoras, que eu não quero saber… que estou agora mesmo a degustar um moscatel da cooperativa de Alijó…)

 

What Have We Done To Deserve This?

Penúltima sessão “síncrona” com a minha DT (8º ano). Presença de 12 alunos (dos 18 em 21 que desde o início foram participando). Uma subida em relação à semana passada (10), mas a mesma sensação de já não estarmos aqui. Para além das saudações iniciais e finais, penas 4-5 a colocarem questões sobre matrículas e computadores para o próximo ano. Mas tudo muito telegráfico. Alguns dos ausentes a serem detectados online a jogar na ps4 pelos colegas. Já perceberam há algum tempo as coisas. Estiveram quase desde o início com os olhos abertos. Por maioria de razão em todo este anómalo 3º período. mas o que se faz em on é detectado em on e é fácil saber quem não aparece por não poder e quem o faz por não querer. Mas tudo isto é mesmo um longo estertor, inexplicável em muitos aspectos, embora eu saiba que existe gente competentíssima, que consegue motivar multidões de alunos, se necessário for, dançando a macarena enquanto ensina a ascensão do liberalismo no Antigo Regime ou as propriedades dos feldspatos ao entardecer. Gente que levaria isto atém ao infinito e mais além, nem que fosse para provar que têm razão, são @s melhores e tod@s os outros uns ineptos.

To Infinity And Beyond

Pensamentos Da Pandemia – 23

Não é que tenha assim tanto tempo, mas estou a ter de rearrumar pertences, decidir o que vale a pena manter e o que que não merece isso ou, no máximo, ir parar à garagem. Percebo que não tenho jóias, ouros, acções valiosas ou coisas assim. Tenho uns milhares de livros e outros milhares de revistas e  (ainda, garanto que sim) jornais. E se é verdade que encontro outras razões para esta mania, também é evidente que este gosto por livros resulta de uma ânsia (e prazer) por saber ou aprender (ficção ou não ficção) o que outras pessoas têm para ensinar ou comunicar. E espanta-me sempre quem prescinde disso e acha que a conversa fiada pode servir como substituto.

livros

Pensamentos Da Pandemia – 17

Começaram, claro que começaram, os primeiros “murmúrios” acerca da possibilidade de haver cortes nos vencimentos ou alguma forma de congelamento de progressões. O “clima de afectos” entre o PM e o PR é de assumida troca de favores e engana-se quem procurar achar uma fissura na muralha d’aço que constituem. Pelo menos até às presidenciais. Claro que “ajuda” termos uma especialista em quebrar contratos na tutela das carreiras da administração pública (sim, procurem na sua produção “científica”), nada será de espantar. Mas – e eu seu que da “esquerda” à direita direita dirão que isto é demagogia, mas é mentira – a verdade é que isto se discute quando não há dúvidas nas transferências para o Novo Banco (o “banco bom”, relembre-se) ou há uma encenação de polémica para injectar mil milhões de euros na TAP privatizada.

Então é assim e que fique desde já muito claro… se me voltarem a cortar vencimento ou a congelar a progressão, enquanto financiam empresas que privatizaram ou pagam compensações a parcerias, se quiserem que eu continue a pagar do meu bolso o ensino à distância (quando dão milhões para o desenvolvimento, aperfeiçoamento e actualização de plataformas 360 que não servem para um chavelho de cernelha) garanto que entrarei em situação de stress profissional e burnout financeiro-emocional. E mandem quem bem entenderem, de preferência alguém novo e dinâmico, para me substituir. Porque eu já não tenho reservas de pachorra para gente sem um pingo de vergonha nas fuças.

Sim, a terminologia começa a vernaculizar.

Palavra de não escuteiro.

Haddock

Dia 74 – Saturação

Agora já com o link para o Educare.

Na última conversa síncrona com os alunos da minha direcção de turma, foi notório o cansaço de todos com este modelo de E@D, não um cansaço físico ou intelectual com o excesso de tarefas, mas um cansaço nascido do que se tornou uma rotina que perdeu novidade, interesse e capacidade de os cativar. A pergunta feita mais vezes foi “quando é que são as matrículas?” ou “como são as matrículas para o ano?”, porque a cabeça da maioria já deixou este ano lectivo para trás.

Não é caso único, pois cá em casa existem três canais de informação em primeira mão sobre o que se passa nas escolas, para além de todas as conversas que se vão mantendo pelos canais digitais. E começam a acumular-se as evidências de que este “modelo”, que a alguns entusiasma, aos alunos nem por isso. E não há rap telescolar para os petizes ou gamificação das aprendizagens para os mais velhos que salve a sensação geral de desgaste. Sim, o ensino de base quase exclusivamente tecnológica e digital pode tornar-se tão ou mais aborrecido do que o presencial de recorte “tradicional” e talvez esta seja a conclusão que muita gente não terá coragem de assumir.

Depois das primeiras semanas de descoberta (apara quem já não as usava) de algumas novas ferramentas de trabalho, começou a instalar-se um efeito de repetição em que até o espaço da sala de aula começa a ser recordado com saudade pelos alunos que antes diziam detestá-la. Sim, o digital é menos interactivo do que o humano e essa é uma outra conclusão que poderiam fazer por não encobrir. Não há plataforma que chegue aos calcanhares de um professor mediano. E nem @ mais criativ@ d@s docentes em meios digitais consegue impedir que se instale uma evidente saturação com uma solução que poderá ser uma “alternativa” em tempos de crise, mas dificilmente o “novo paradigma” que melhorará o gosto dos alunos pela escola ou o seu desempenho.

É verdade que funciona bem como “tempero”, mas não satisfaz como prato principal.

Temos ainda mais quatro semanas para cumprir, em especial no Ensino Básico, num tempo cada vez mais penoso, pois todos sabem que, salvo excepções, para o ano teremos – se for possível o regresso em segurança ao modelo presencial – de fazer novamente boa parte deste caminho. O prolongamento do ano lectivo foi uma decisão que se revelou mais errada a cada nova semana que foi passando. Agora já só podemos mitigar s situação e fazer os possíveis por transmitir a esperança, que nem sempre temos, aos alunos de que para o ano será diferente. “Mas será melhor?” perguntam-me os mais perspicazes. E eu que nem conheço o emoji certo para o encolher de ombros com ar de quem não faz a mínima ideia, não tenho resposta.

diario

Outro Desabafo

A IMPOSIÇÃO DAS AULAS PRESENCIAIS E A INEXISTENTE SALVAGUARDA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO MEU EDUCANDO

Assente na legislação em vigor, e sem contemplações de “Orientações” e “Recomendações”, que não são leis, solicita-se que se atenda ao exposto.

Tendo comunicado que o meu educando, por motivos de saúde pública e individual, não frequentaria as aulas presenciais a partir de 18 de maio, agradecia informações sobre a atuação da escola em garantir os direitos à educação do mesmo.

Aluno assíduo, pontual, trabalhador e cumpridor, vê-se, nas atuais contingências,  colocado numa situação à qual é alheia. Assim, pergunto:

1. Como estão a garantir que ele usufrua de um ensino/educação de qualidade em condições de efetiva igualdade de oportunidades (art.o 7.o, ponto 1, alínea b), Lei no 51/2012, de 5 de setembro) e a garantir o cumprimento da própria Constituição Portuguesa (no seu artigo n.o 74)?

2. Como estão a reconhecer e a valorizar o mérito, a dedicação, a assiduidade (recorde-se que as faltas estão justificadas) e o esforço no trabalho e no empenho escolar? (art.o 7.o, ponto 1, alínea d), Lei no 51/2012, de 5 de setembro)?

3. Que horário e planificação estão a ser implementados, em garantia da sua adequação ao ano em curso e às contingências atuais? (art.o 7.o, ponto 1, alínea f), Lei no 51/2012, de 5 de setembro)?

4. Como está a ser garantido o direito à participação no seu processo de avaliação? (art.o 7.o, ponto 1, alínea s), Lei no 51/2012, de 5 de setembro)?

5. Que medidas estão previstas para que o meu educando beneficie de medidas adequadas à recuperação de aprendizagens nas situações de ausência devidamente justificada às atividades escolares? (art.o 7.o, ponto 1, alínea t), Lei no 51/2012, de 5 de setembro)?

6. Como podem garantir a aquisição dos conhecimentos e desenvolvimento das competências, atitudes e valores previstos no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória? (art.o 4.o, alínea a), Dec. – Lei no 55/2018, de 6 de julho)?

7. Que medidas estão previstas para consolidar a avaliação do meu educando à luz do art.o 24.o, do Dec. – Lei no 55/2018, de 6 de julho, cuja essência é a avaliação formativa?

8. Que medidas estão previstas para proceder à avaliação do meu educando segundo o art.o 18.o, da Portaria no 226-A/2018, de 3 de agosto, que assume o caráter contínuo e sistemático das aprendizagens do meu educando?

9. Que critérios de avaliação foram definidos, pela escola, para avaliar o meu educando nesta situação de exceção?

O contexto de pandemia da doença COVID-19, não pode ser impeditivo da garantia dos direitos do meu educando, enquanto aluno, pela não frequência das aulas presenciais. A opção tomada, enquanto Pai/Encarregado de Educação é legítima, uma vez que as muitas incertezas em relação ao risco de transmissibilidade do vírus persistem, continuando a gerar grande instabilidade psicológica e familiar.

Relembro que o regime de exceção que nos retirou alguns direitos (associado ao Estado de Emergência) deixou de estar em vigor desde 3 maio e, por isso, a partir dessa data, todos os direitos/leis estão em vigor sem exceção.

Deste modo, solicito e aguardo resposta às nove questões aqui expostas, respeitando o prazo legal.

Com os melhores cumprimentos,

Bragança, 29 de maio de 2020
Helena Goulão

Finger

Pensamentos Da Pandemia – 15

Estou a começar a sentir alguma falta dos alunos em regime presencial. Aquele em que somos o que somos na cara uns dos outros. Em que me sinto no meu elemento. Estou a ficar sem pachorra para as tretas de adultos que falam muito do ensino à distância, mas o praticam pouco. Ou melhor… praticam muito a distância do ensino.

shin

 

Pensamentos Do Desconfinamento – 2

Eu nem sei como o povo do bronze vai poder viver se não puder ir à praia como é seu direito constitucionalíssimo. E o desgosto que por aí deve andar com a necessidade de se ficar a uma distância socialmente incompatível com a exibição da esbeltura fit mantida a muito custo mesmo em confinamento. Se repararem há mais debate e polémica sobre a abertura das praias do que sobre a das escolas. Porque há que atender à sensibilidade de quem sente a injustiça de não poder partilhar as selfies do areal em liberdade.

Calimero