2ª Feira

Deve ser da humidade. Tal como com o calor parece que há uma certa aceleração das partículas da parvoíce.

Acelerador

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A Grande Prova Da Necessidade De Investimento Na Educação…

… está na evidente iliteracia funcional de muitos adultos qualificados quando são incapazes de perceber o que está escrito em frases curtas ou pequenos textos, desde que pareçam desagradar-lhes no que qualificam como “tom”. E já agora, justifica-se o investimento na promoção de uma Cidadania em que a Intolerância não seja a imagem de marca dos que advogam a “tolerância”.

O que muitos chamam “fascismo” (sem entenderem do que falam) é uma forma de exercer o poder de modo autoritário, impondo agendas políticas de forma agressiva através do controlo do aparelho de Estado, procurando limitar a expressão pública do que pensam ser divergências por meios intimidatórios, verbais ou físicos, visando a menorização ou aniquilação daqueles que encaram como “inimigos”, esteja isso certo ou seja apenas um fantasma pessoal, reforçado por crenças ideológicas.

Ora… eles andarem por aí…  prontos para amordaçar quem fuja ao guião do politicamente correcto. Quem ache que pode reprimir porque se sentiu reprimido. Quem ameace porque se sentiu ameaçado. Há demasiados órfãos de revoluções culturais. Ou do Antigo Testamento e daquela história das lentes por próteses e próteses por lentes.

Censura

Quanto A Reuniões…

… eu gostava mesmo era de fazer greve a quem parece ter um especial prazer em conduzi-las de forma atroz, prolongando-as para além do razoável e de qualquer horário admissível. Há uns bons anos (ainda era qzp fresquinho), saí pela porta fora depois de se ter esgotado o tempo previsto oficialmente para a realização de uma “intercalar”; o dt ficou a olhar para a porta, porque comigo saíram mais duas colegas e ele ficou sem quórum. E convidei-o a marcar-me falta.

Então e reuniões em regime pós-laboral conduzidas por pessoas sem uma vida pessoal e apenas imbuídas de uma extrema dedicação à causa da discussão estéril, pela enésima vez, das mesmas coisas e  preocupadíssimas como os procedimentos, analisados até ao detalhe próprio de quem desconhece verdadeiramente os normativos? Quanto a maior parte das coisas se poderia resolver de vorma virtual, usando os meios digitais? E não é raro que ainda se armem em melhores profissionais do que os outros.

E, entretanto, apaguei dois parágrafos demasiado acutilantes em relação a quem acha que “justo” é espalhar pelo máximo de pessoas, o máximo de tempo possível, o sofrimento. Porque ando assim um bocado, como direi…, farto de certas presunções e incompetências cobertas com um manto de “rigor e responsabilidade”.

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6ª Feira

Prestes a terminar o primeiro mês. Já existem baixas e alguns regressos perfeitamente impensáveis. Não são poucas as pessoas que começam a considerar quanto tempo aguentarão. Dará para chegar ao Natal? Entretanto, recrudescem as exigências porque a cada nova investida de normativos corresponde nova camada burrocrática. O exercício da docência já contempla há uns bons anos uma componente de representação do acto pedagógico para justificar qualquer opção que não seja de sucesso garantido. Mas essa componente continua num crescendo imparável. A anunciada greve a “reuniões para as quais os professores forem convocados, caso não se encontrem previstas na componente não letiva de estabelecimento do seu horário” e mais umas outras chatices tem sido algo pedido por algumas pessoas (ou pelo menos ameaça-se vagamente com o incumprimento das tais burrocracias redundantes) mas fico sem perceber como isto funcionará: sendo “greve” como se serão contabilizadas as faltas, em especial se as reuniões forem sucessivamente convocadas por inexistência de quórum. Na base das 35 semanais? E o pessoal que der todas as suas aulas durante este período verá o valor dessas faltas desaparecer do salário? A sério que esperam mesmo uma grande adesão a este tipo de greve que, apesar de estimável e compreensível, é mais do domínio da conversa de café? Não conseguiriam antes fazer convocatórias de plenários de professores para as datas de eventuais reuniões intercalares? Em especial quando acontecem em horário pós-laboral?

Sim, já sei que sou um “guinote do restelo” que para o ex-pai albino e cortesãs do SE Costa, assim como para muitos indefectíveis do sindicalismo ortodoxo, mas isto parece-me uma coisa um bocado inconsequente atendendo a todo o contexto vivido. Até porque com as regras existentes sobre reuniões ao abrigo do CPA quase tudo vai acabar por ser feito e só se irão lixar materialmente os mesmos do costume, porque os mandantes vivem em pleno as suas “dispensas”, enquanto anunciam que já podiam ser professores “superiores” ou mesmo coisas mais importantes para a Nação.

Este é um discurso divisionista, será uma das críticas evidentes. Só que para se “dividir” há que existir uma “união” qualquer que eu não vislumbro depois da greve da outra semana (e que uma colega sindiclaista qualificou no meu mural do fbook como “óptima” [sic]) e da manifestação que se lhe seguiu e que teve um impacto de menos que zero no Governo, a menos que se considere que o “Temos Pena!” do actual PM não é pura e simplesmente um gozo total, a pedir mais que eles até agradecem os contributos para o Orçamento.

Estamos num beco sem saída? Há quem ache que só com o próximo governo se conseguirá algo, mas sem dizerem que tipo de governo estão a prever. Há quem diga também que as lutas não atingem os seus objectivos sem grandes esforços e muito tempo. Sim, pois, mas há coisas que se conseguem de um momento para o outro, basta ver a rapidez com certas pessoas arrumaram a sua vidinha às cavalitas dos contratados e como outros conseguem estar décadas a lutar das 9 à meia-noite (excluindo a época dos banhos). E sem qualquer avaliação do desempenho.

É altura de baixar os braços?

Não, pelo contrário. E nem vou falar muito sobre as vantagens da ILC em relação a petições da treta.

Falo da denúncia clara dos abusos – com exemplos e sem receio de ferir susceptibilidades pseudo-amigas – que estiveram na base da concepção e implementação dos decretos 54 e 55/2018 que parecem ser considerados maravilhas legislativas por mais gente do que seria razoável esperar, atirando-se para as escolas e professores eventuais falhas na sua “operacionalização”. Há muita coisa que poderia e deveria ser denunciada, mas, infelizmente, há quem tenha preferido vender-se por muito pouco ao “sistema”. Basta ver como se replicam “formações” da treta com powerpoints da maria-cachucha sobre a Educação Inclusiva.

O polvo dos interesses, favores e tenças mais ou menos disfarçadas em troca de apoios públicos está em amplo crescimento e bem alimentado. Sou obrigado a reconhecer: o costismo está de parabéns e bem ancorado nas “redes sociais” e outros espaços digitais que, mesmo quando criticam o ME, protegem devidamente quem deve ser mantido longe das críticas, enquanto não ruma em definitivo para paragens mais elevadas. Há demasiadas cumplicidades em forma de muralha d’aço.

O pântano tresanda e, voltando ao princípio, cada vez existe mais gente no terreno incapaz de respirar em condições. Mas a falta de ar puro também diminui o ânimo para reagir. E el@s sabem isso.

Stink

A Sério Que Adoro!

Aquelas pessoas que andam sempre a dizer que detestam certos cargos e funções, mas depois não se calam quando são nomeados, tamanho o orgulho que não conseguem esconder. Até porque quando se lhes diz que podem pedir escusa com base numa série de argumentos, arranjam logo maneira de dizer que “ahhh… não vale a pena, isso é complicado e mais vale ser eu que sempre [incluir auto-elogio a gosto]…”.

Frade

Casos

Testemunho de um colega – bem mais novo do que eu – que não chegou a tempo de entrar no artigo deste mês para o JL com o título Educação Hiper-Realista. Entretanto já sofreu uma “edição” depois da publicação inicial, para evitar detalhes mais específicos que revelassem a autoria. Os tempos andam complicados…

Colega,

Escrevo-lhe para denunciar, tentar perceber, desabafar…. Nem sei! Trabalho numa TEIP super conhecida (pelas piores razões, diga-se) onde, diariamente, travo lutas inglórias!

Trabalho no grupo 220, tento (sim…tento), lecionar português a turmas de 5º e 6º…. A turma de 5º, composta exclusivamente por alunos de etnia, totalmente desinteressados, dizem os entendidos, por questões culturais, absentistas, indisciplinados, sem bases mínimas…

Dividir palavras em sílabas, por exemplo, é um drama! Outra turma, 6º ano, quase exclusivamente frequentada por alunos com retenções, que acham “a escola uma seca”, que escrevem (copiam) dois parágrafos e se cansam….. Que proferem, sem o mínimo pudor, que não escrevem para não gastar cadernos…

A realidade é esta! Perante queixas, sugestões, ouvimos apenas que “é tudo para passar, ordens do ME e do Ministro!” Pergunto: e as turmas (poucas) que não se deixam contagiar por esta negligência total??? Mais: fiz licenciatura, pós graduação, mestrado, na área da educação/aprendizagem/desenvolvimento para…..????

São os docentes animadores, palhaços??? Quem põe travão nisto? De que forma???

Grato!

(professor devidamente identificado, bem como o agrupamento onde lecciona)

Burnout