Positividade

Duas reuniões matinais de caracterização de turma em que se gastaram pouco mais 30 minutos (dos 120 disponíveis), mesmo com alguma conversa e risota acerca de certas regras ou da ausência de recomendações para quando o civismo não for a norma. Quando o pessoal se conhece há muito, tem bom senso e sabe preparar as coisas e dosear na conversa da treta e nas questões irrelevantes ou redundantes é toda uma outra coisa. E ainda há quem diga que eu não consigo ser positivo.

Não Consigo Alinhar…

… com aquela atitude apresentada como inevitável em situação de “crise” que postula que todos nos devemos unir, numa frente comum, contra a “ameaça externa” que no presente momento é o “vírus” e a situação de pandemia. Considero de extrema demagogia a tentativa de condicionar qualquer tipo de críticas, como se fosse delito de lesa-majestade criticar esta ou aquela posição/decisão em nome de uma “unidade” que apenas serve para desresponsabilizar quem decide, através da co-responsabilização de todos por tudo e mais alguma coisa. É em situações difíceis que se torna mais importante fazer opções e essas nem sempre são consensuais. E tantas vezes as posições que prevalecem, podendo mesmo colher apoio maioritário, não são necessariamente as mais adequadas e o abafamento das críticas ou a sua qualificação como algo quase anti-patriótico é a negação de uma democracia verdadeira ou, pelo menos, que respeite o direito a discordarmos de quem tem o poder de mando. Estou cansado de quem acha que quem desalinha do discurso oficial normalizado e formatado pela maior denominador comum da vulgaridade só o faz para criar “problemas”. Assim como desgosto de quem acha que existem fórmulas ou soluções únicas para situações complexas, a partir do momento em que o debate em circuito fechado leva a uma dada decisão. situações complexas e com alto grau de imprevisibilidade obrigam a soluções “abertas” e à consideração da necessidade de se inflectirem rumos, sem que com isso venha mal ao mundo, excepto quando antes se afirmou que só podia ser daquela maneira e mais nenhuma. E estou muito farto de quem joga na erosão da memória e na justificação truncada ou desonesta de afirmações e actos praticados apenas com intuitos de oportunidade política ou conveniência pessoal.

Em resumo, estou mesmo sem paciência para a grande e pequena política, nacional ou local, praticada por quem tem escassa vergonha na cara e carácter a roçar a nulidade. Estando convidado a enfiar o barrete quem bem o sentir à medida.

Há Sempre Uma Primeira Vez

As minhas férias começam oficialmente, salvo erro, amanhã. Mas hoje já é dia de “férias”, até porque entreguei ontem o resultado de um compromisso contratual extra-escolar e sinto-me assim como que liberto de obrigações.

Em muitos anos, apesar das contrariedades e da falta de vontade nascida de tudo o que temos aguentado ao longo destes últimos 12-15 anos, sempre disse e escrevi que saberiam onde me encontrar a 1 de Setembro: na minha escola, a preparar o novo ano lectivo com as minhas turmas.

Pela primeira vez, assumo, sem hipocrisias ou discursos enjoativos de tão politicamente correctos, que não me apetece minimamente voltar a 1 de Setembro ou, na pior das hipóteses, arrancar com um novo ano ali a meio de Setembro, para fingirmos que está a tudo “normal”.

Pela primeira vez, a acumulação de sacanices a várias escalas é capaz de ter conseguido ultrapassar o que é aceitável em quem tenta levar isto a sério e que, por mais críticas que se façam, faz o melhor que sabe e lhe deixam no seu trabalho com os alunos.

E não não hesito na expressão “sacanice a várias escalas” nem não terei problemas nenhuns em justificar, demonstrando, o que afirmo nesta ou aquela instância, mais superior ou inferior.

Liberto da continuidade de trabalho com qualquer turma, não sinto nenhuma razão para fingir que tenho uma motivação especial para iniciar um ano que, por vários motivos e algumas indecências, se apresenta como o que deve cristalizar o poder de uma mediocridade mal envernizada e com as cabeças rapadas por dentro.

Só posso desejar que Agosto corra bem e que me atenue aquele ânimo que nunca perdi de confrontar, de modo explícito, a falta de dignidade e os abusos de poder disfarçados com a legitimidade mal amanhada de quem pensa ter atingido estatuto de inimputabilidade. E que se lixe quem enfiar o barrete porque, a bem dizer, se calhar serve-lhe mesmo à medida.

E eu nunca gostei de virar a cara a uma guerra que ache justa, tenha ou não grandes probabilidades de a ganhar.Alcatrao

(mas que fique bem claro que qualquer tentativa de “empurrão” acaba com a aplicação da 3ª lei de Newton…)

 

Estou Com Pouca “Disponibilidade” Mental…

… para aquele pessoal que acha que escapou à pandemia, que venceu o vírus numa espécie de corpo a corpo e, qual complexo divino, acha que está imune a críticas e pode fazer toda a asneira que lhe passa pela cabeça, que não deve nada a ninguém. Lá por isso, eu também “sobrevivi”. Já tinha testemunhado isto em pessoas que escapam a situações de saúde ou acidentes muito graves e que, em vez de alguma humildade, vão pelo caminho da arrogância e prepotência. É que não estou mesmo com pachorra…

PG 4

Alguém Que Se Mexa

Isto vem a propósito de uma troca de pensamentos com o Ricardo Silva um par de posts abaixo.

Quem me conhece sabe que adoro que alguém faça alguma coisa em vez de falar. Para isso, estou cá eu, que até falo e escrevo depressa. Mas, mais vezes do que gostaria, vi-me metido em confusões que me valeram a crítica de desejar “protagonismo”quando eu sou do mais agarradinho ao sossego que possam pensar. Nada contra apoiar e fazer o que possa para ajudar quem tem ideias, boas iniciativas e energias, mas já dei o suficiente para o peditório de dar a cabeça e o resto nos tempos da MLR e muitas vezes perceber que muita gente bate palmas, atira foguetes, mas depois deixa o lixo para os outros varrerem. Como muitos daqueles manifestantes ecologistas ou como os anti-globalistas que defendem a revolta global e vão ao starbucks para apanharem net livre enquanto bebem um latte machiatto.

Por isso, eu gostaria de explicar de forma muito sumária o que penso sobre a situação que temos, em matéria de Educação mas com potencial generalizador, exceptuando as excepções, claro está, porque há quem ache que as generalizações são coisa tão má quando as individualizações são péssimas para outros, não descontando quem desgosta de meios-termos.

  1. A situação que temos vivido, em termos de docência, carreira, quotidiano laboral, etc, tem piorado e não tem tendências para melhorar, por razões mais inválidas do que válidas, mas aquelas sendo muito mal vistas por quem produz a maioria das leis e da opinião que as apoia e estas sendo populares entre quem está e produz barreira eficaz de agit-prop, a par de distribuição de tenças aos servidores.
  2. Os professores, enquanto grupo profissional, tendem a ser apresentados, com variável justiça como sendo pouco unidos e nem sempre com a devida capacidade de resistência para manter um rumo sem que, de repente, quem os “representa” ou quem governa consiga apresentar uma razão ou factor de desmobilização que agrada a pelo menos uma parte significativa dos que antes se mobilizavam “em manada”.
  3. Apesar disso, na última dúzia de anos, a classe docente deu mais dores de cabeça ao poder político do que qualquer outra classe profissional, pelo menos em extensão do conflito, porque os enfermeiros o fizeram a dada altura com grande intensidade. Só que, como disse acima, quase sempre outros interesses levaram a acordos formais ou implícitos, entre os “actores” em presença, com ou sem “chantagens” ou “seduções”.
  4. Depois de uma ou outra subida de escalão e com a escalada da idade, há cada vez mais gente que só quer chegar ao fim da carreira e dispensa chatices próprias, mesmo se apoia que outros façam alguma coisa enquanto vão a formações/webinares com a doutora cosme, o secretário costa, o guru fernandes ou o inclusivo rodrigues para ganharem créditos para a chegada da última tranche do faseamento. E ainda há os que são mesmo crentes deste sistema porque gostam que lhes sussurrem ao ouvido com voz doce, enquanto lhes dão uns cargos e mais umas horas de redução para ficarem longe dos alunos que clamam adorar.
  5. Por tudo isto, se querem “movimento”, mexam-se que eu depois empurro, porque também eu me cansei de oportunistas a ver se apanham cargos na dgae, “submarinos” a ver se arranjam um lugar em listas do partido ou, os mais humildes, uma coordenação local qualquer que lhes transmita a sensação de que podem mandar nos pares ou, ainda melhor, monotorizá-los [sic] que é um modelo de monitorização em que predominam os monos.
  6. Ahhh… e cada vez me custa mais defender posições em que os monos são os que, no fim, mais acabam por ganhar. Ou perder menos. E ainda gozam com os outros.

Pensamentos

(anote-se que tive a “gentileza” de não nomear as pessoas em que estava a pensar, sejam as que vocês perceberam à primeira, seja as que talvez só eu conheça, se descontar quem aqui vem só para perceber se estou a falar del@s…)

(a remexer em papéis “velhos” dei com um dos recibos do pagamento de um dos pareceres que entre 2008 e 2010 pedimos ao jurista Garcia Pereira… quando comparo o dinheiro que tudo aquilo envolveu e vejo certas coisas agora, dá-me cá uma vontade de não rir com tudo aquilo que se arriscou então…)

Estou Um Bocado Farto Do “Futuro”

Há uma série de anos que me vendem um “futuro” que anunciam radioso ou bué de coiso, mas ele nunca chega. Ainda é pior do que um comboio da CP na margem sul nos anos 80 do outro século porque esse chegava tarde, mas chegava. Há mais de 20 anos que me anunciam o século XXI e, vendo bem, mais ou menos zingarelho, imposto, serviço inútil ou taxa estranha por pagar, não vejo bem onde está o point.

A menos que seja em modo FC, desapetece-me conversar sobre esse “futuro”.

Future

(se sou um passadista que quer voltar ao passado? talvez, em especial se for para um tempo em que me deixe de doer aqui o artelho esquerdo que anda do escafandro com este tempo seco…)

Maturidade Ou Apenas Cansaço?

Quando poupamos as energias do protesto perante decisões imbecis, tomadas por uma maioria de gente que nem se preocupa muito bem com as consequências do que assina de cruz para não levantar ondas ou porque não consegue ir mais além. Quando sabemos que é já tarde e por isso inútil tentar modificar a natureza de quem optou pela pesporrência aliada à prepotência, não esquecendo outras ências..

Tired

Já Se Entranhou

Há muitos anos. O hábito de ver pessoas (não) tomar posições ou (não) fazer coisas só para contrariar o que eu disse ou escrevi. Do género…. ahhh… tu queres assim? Então fazemos de outra maneira, só para provar que não tens razão… mesmo que esteja errado e corra mal. Eu acho estúpido agir desta forma, mas da proximidade ao horizonte mais ou menos longínquo acho que as pessoas só revelam a sua mesquinha pequenez quando agem meramente para contrariar. Porque parece que assim provam qualquer coisa que lhes deve aquecer qualquer parte do corpo ou da alma (se é que a têm).  Espero que o reino do Céu dos idiotas lhes guarde um lugar que eu prefiro ir para as galés ou para a parte do fogo eterno.

villageidiot

 

Um Brinde Ao Desconfinamento

Acaba por ser uma mistura entre prenda de anos ainda no trimestre certo e uma muito apropriada oferta para comemorar uma mudança de poiso. Os meus agradecimentos públicos, alfabetizando a ordem, à Ana, Cláudia, Carla, Dora, Helena, Inácia, Maria de Deus e Silvina. Livros já tenho muitos. Coisas doces e líquidas, desaparecem com rapidez, pelo que se festeja o reabastecimento. Acrescendo ainda o bom gosto do nome dos produtores.

(e não me venham os gajos dizer que é bebida de senhoras, que eu não quero saber… que estou agora mesmo a degustar um moscatel da cooperativa de Alijó…)

 

What Have We Done To Deserve This?

Penúltima sessão “síncrona” com a minha DT (8º ano). Presença de 12 alunos (dos 18 em 21 que desde o início foram participando). Uma subida em relação à semana passada (10), mas a mesma sensação de já não estarmos aqui. Para além das saudações iniciais e finais, penas 4-5 a colocarem questões sobre matrículas e computadores para o próximo ano. Mas tudo muito telegráfico. Alguns dos ausentes a serem detectados online a jogar na ps4 pelos colegas. Já perceberam há algum tempo as coisas. Estiveram quase desde o início com os olhos abertos. Por maioria de razão em todo este anómalo 3º período. mas o que se faz em on é detectado em on e é fácil saber quem não aparece por não poder e quem o faz por não querer. Mas tudo isto é mesmo um longo estertor, inexplicável em muitos aspectos, embora eu saiba que existe gente competentíssima, que consegue motivar multidões de alunos, se necessário for, dançando a macarena enquanto ensina a ascensão do liberalismo no Antigo Regime ou as propriedades dos feldspatos ao entardecer. Gente que levaria isto atém ao infinito e mais além, nem que fosse para provar que têm razão, são @s melhores e tod@s os outros uns ineptos.

To Infinity And Beyond