E Ainda Há Quem Nos Queira Dar Lições Sobre Inclusão E Profissionalismo?

Observei como uma colega minha levou a maior parte da tarde de hoje a fazer materiais específicos para apoiar um único aluno neste arranque do ano. Esteve ali várias horas a escolher materiais, organizá-los em fichas (in)formativas ao ponto de eu lhe pedir encarecidamente para parar de estar já a desgastar-se a este ponto com a preocupação que lhe suscita esse aluno, sem que sejam necessários decretos, despachos, referenciais, manuais para a inclusão ou impressos diversos para que ela sinta este dever como imperativo seu. Ela faz aquilo, como muit@s de nós, porque é essa que sente ser a sua obrigação para com os seus alunos mais vulneráveis, para com aquele aluno em particular. Eu sei que por vezes pareço um bocado cínico em relação a tudo isto, mas é porque depois me irrita muito que apareçam luminárias diversas (lá do topo das cátedras ou gabinetes mas cada vez mais abencerragens de proximidade) a darem lições que ninguém pediu sobre “inclusão” ou a fazer juízos de valor sobre o profissionalismo docente. Sim, sei que há quem mereça críticas, mas raramente são ess@s a levar com a devida sapatada. Em regra, as críticas sobram para quem faz o seu melhor, mas falha em marketing, lambebotismo ou choraminguice.

Cigarros

(ando cada vez menos “filtrado” e com menos vontade para aturar quem pouco faz e muito fala do que não pratica. Ou da protecção dada a quem menos o merece, enquanto se queimam quem menos se sabe defender)

 

 

 

3ª Feira

2019 ficará para a minha história pessoal como o ano em que desacreditei em definitivo da possibilidade de qualquer regeneração da choldra nacional.  Bom clima e boa comida não chegam para ignorar a aragem a esgoto político.

Choldra

5ª Feira, Agosto

O mês em que os professores fazem romaria para os seus três meses de férias. As minhas começam oficialmente amanhã. Oficiosamente, no início desta semana. Cinco semanas para desligar do quotidiano do resto. Ou não. Espero que sim. O que não significa que se esqueça por completo tudo, até porque há mais tempo para pensar nas coisas sem ser pela pressão do mais imediato. Até saíram as estatísticas mais recentes da dgeec, mas isso agora não interessa nada, os números tornaram-se simulacros como as palavras, servem como ferramentas para construir uma realidade virtual sempre que oportuno ao poder que produz a sua representação.

Mas, mesmo quase em serviços mínimos, gostava de recuperar um assunto sobre o qual li ou ouvi falar com alguma regularidade nos últimos meses e que passa pelo “sucesso” exibido pela tutela e lamentado por alguns quanto às formações em “flexibilidade e autonomia”, em especial aquelas que terão terminado em ovação para os prelectores, em especial quando governantes ou seus mais directos enviados. O que é apresentado como uma adesão geral e entusiasmada às mais recentes “reformas”, justificando medidas um pouco por todo o lado no sentido do emagrecimento ou salamização curricular. Há que, por outro lado, apresente isso como uma rendição da classe docente, incapaz de reagir criticamente ao que lhe é imposto como se fosse sedução. Confesso que não sei, não assisti, não frequentei, mas não tenho razões para duvidar que assim tenha sido. Não me apetece estar a desancar quem foi em fila, por obrigação obrigatória ou mais ou menos voluntária, a tais “eventos” e achou que era “educado” aplaudir quem lhes estava a passar a mão pelo pelo em palavras enquanto na prática promovia a sua domesticação e desqualificação profissional. Cada um comporta-se de acordo com a sua consciência, ponto final, depois de tudo o que se tem passado já estou por tudo. Até acredito que entre os que mais aplaudiram estarão dos mais “indignados” na sala dos professores e redes sociais, quiçá mesmo com as quotas em dia na ortodoxia.

Chamo a tudo isso (formações em replicação da legislação, aplausos, sorrisos e pastelinhos) “formação para a sobrevivência”. Só não sei se será suficiente. Mais ou cedo ou mais tarde perceberão que não há lugar nos céus para todos os “crentes”.

ascensão

6ª Feira

Quem me conhece um pouquinho sabe que não há nada para me animar como sentir que há gente a querer desanimar-me. É uma variante de uma das leis de Newton (a 3ª, já agora). E embora eu não acredite que a verdade, qual azeite virgem em água poluída, vem sempre ao de cima, tenho a certeza que a mentira acaba, mais tarde ou cedo, por cheirar mal de um modo inconfundível.

Smiling