(Muitas) Palavras Para Quê?

Como não concordo com ele, centro-me por vezes em pessoas não propriamente por me importarem, mas porque têm poder para interferir na minha vida profissional e, indirectamente, por condicionarem as minhas opções pessoais. Até pela forma como foi usado para embolsar os sindicatos durante quase três anos (um belo bluff), o ministro Tiago merece-me a atenção q.b. para que a sua prosápia não passe impune. Já agora, pisca-pisca e poker face descombinam.

TiagoPoker

“Debates” Que Chateiam Na Quadra Natalícia – 2

O da carga fiscal, do peso fiscal, do não-sei-quê fiscal, feito por especialistas na “ciência” com mais peneiras de falsa exactidão, ou seja, a Economia, capaz de descrever o passado como a História, mas em mais pobre e com equivalente poder de previsão (ou pior). Não quero saber se é o Mamede de esquerda ou o Arroja de direita quando se trata de ver, de forma clara e objectiva, o que, de forma directa me é retirado do salário nominal em cada mês.

Podemos usar Dezembro e recuar ao início da década.

Em Dezembro de 2010, entre salário nominal e subsídio de refeição o valor ilíquido da minha remuneração era de 2222,40€ dos quais recebi 1560,64€, o que correspondeu a um total de descontos de 661,76€. Ou seja 29,8% ficaram logo, à partida, em diversos cofres do Estado (IRS, CGA, ADSE).

Em Dezembro de 2019, a soma ilíquida passou para uns astronómicos 2323,33€, recebendo eu uns generosos 1461,28€. Mesmo para alunos muito maus em Matemática (a generalidade dos economistas que clicam nas fórmulas do Excel) percebe-se que a mais 100 euros brutos correspondem menos 100 líquidos. Hom’essa que coisa estranha. Pois… a ADSE passou de 32 para quase 78€, a CGA de 213,7 para 245€ e no total levaram-me em descontos diversos 862,05€, ou seja, 37% da remuneração.

(posso estar enganado mas parece-me que a “pancada” foi de 10% do salário nominal e em temros de impacto “real” com a inflação nem é bom falarmos, dispensando eu a sapiência de cronistas marrecos e nem falo dos camilos e dos gomesfewrreiras que esses só com um pau de vassoura entre as pernas… para voarem sobre a terra que os viu partir)

Claro, eu sei que existiu a troika e que não devemos fazer comparações assim tão distantes como o último ano descongelado que a precedeu.

Mas podemos ir a Dezembro de 2013, quando nominalmente eu tinha direito a 2130,48€ e recebi 1301,34 porque me descontaram um dia de subsídio de refeição e outro de greve num total a rondar os 50€. Tivesse eu recebido os 1350€ que eram então a norma e eram 36,6% a menos. Com a greve da FP em cima (que nem fiz) foram 38,9% em plena troika.

Mas podemos ir a 2016: nominal de 2222,40€ (regresso a 2010), mas descontos no total de 834,87€, o que dá 37,5%.

Os impostos directos à cabeça, de 2016 para 2019 diminuíram 0,5%, não sendo bom falar no que cresceram os indirectos e taxinhas diversas, a começar pelo que pago para me poder deslocar todos os dias, visto não existirem transportes públicos entre o meu domicílio e o local de trabalho, por muito que baixem o preço do passe social.

Sim, isto dá para todas as interpretações, mas a verdade é que depende da forma como usarmos os números para dizer a cada um o que deve pensar que recebeu. Só assim se entende que o Centeno de Harvard y Eurogrupo diga que o salário dos trabalhadores do Estado aumentou 8% sem lhe crescer o nariz de São Bento até Freixo de Espada à Cinta.

Sim, eu sei… devemos ver “o grande cenário”, os indicadores “macro” e sairmos do nosso “quintal” e deixarmos de olhar para o nosso “umbigo”, tudo expressões de uma interessante e sempre refrescante originalidade.

Pinoquios

Li Há Pouco Um Livro…

… em que a alguém que está prestes a morrer aparece o Diabo a sugerir uma “troca”: por mais um dia de vida fazer desaparecer qualquer coisa do mundo. Parece ideia do Woody Allen, mas é de um tipo japonês com algum talento para a coisa, mas com menos humor do que a ideia requereria.

Mas adiante… a verdade é que o narrador acaba por perceber que o outro lado do que lhe é oferecido não compensa a extensão da própria vida. Depois de prescindir dos telefones, dos filmes e dos relógios, recusa-se a sacrificar os gatos e a viver mais um dia se isso significa sacrificar os bichanos.

Se ele não tivesse meios para o comprar, acho que mandaria de oferta para um certo secretário de Estado que parece estar em permanente estado de laboratório intelectual, assim a produzir “ideias inovadoras” (agora sem disciplinas, agora sem aulas, agora sem portas, agora sem paredes, agora sem notas, agora sem exames, agora sem professores, agora sem directores de turma, agora sem o raio que nos parta) como uma chaminé da velha cuf cuspia fumarada tóxica.

Que raios… porque falhou esta gente as tripes maradas dos anos 60?

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(a ver se nos entendemos… eu não recuso a mudança, tenho é muitas reservas acerca da transformação do sistema de ensino público no recreio onde brincam meia dúzia de maduros armados em “inovadores”…)

Quando Se Perde O Pé, Tende-se Para Distorcer As Posições Contrárias Na Falta De Melhor

Percebe-se agora como, afinal, era essencial que o SE Costa continuasse ao leme da sua grade reforma educativa, aquela que promete uma Escola Pública de 2ª escolha e que ilude quem nela fica com um sucesso e uma “igualdade de oportunidades” que não passa do nome, como bem demonstrou a sua antiga colega e actual ministra Leitão ao justificar a sua opção, como encarregada de educação, por colégios privados de elite.

A herança na Educação dos Costas (António e João) será visível daqui a uma década, para não dizer antes (se contarmos a partir de 2015), quando tivermos um dos sistemas de ensino mais desiguais da Europa e uma completa clivagem entre “ricos” e “pobres”, porque a promessa de sucesso a qualquer custo, desde que custe pouco, é demagógica e a maior mistificação que se pode fazer aos tais grupos desfavorecidos que se diz querer defender, mas de quem se quer apenas o voto em troca de miragens.

João Costa já é um demagogo experiente, que procura apelar a adesões emocionais, através da demonização das posições contrárias, chegando a qualificar quem com ele discorda de recusar a Educação como direito universal. De acordo com o senhor secretário de Estado da Educação, quem não salta para a sua caravana só pode ser insensível e querer o pior para os alunos. Pelo contrário, quem respeita os alunos dificilmente pode estar de acordo com “planos” que se limitam a burocratizar o insucesso e a implementar medidas perfeitamente ineficazes em tempo real como as actuais EMAEI ou o modelo de tutorias ao molho. Quem quer uma Escola Pública de qualidade e conhece a realidade para além das visitas em modelo vip, sorrisos e florzinhas, não pode aceitar como boas tiradas que se baseiam num raciocínio maniqueísta e simplista que nos quer passar a todos um atestado de simplórios.

Rejeitar o plano do SE Costa não é rejeitar “esforço” algum. Como aquela do “fácil é chumbá-los”, ele apresenta as coisas de forma popularucha. Rejeitar o seu querido plano (que há pouco dizia não existir) não é rejeitar o desejo de um sucesso pleno para os alunos. É rejeitar a batota, o truque burocrático, a mal disfarçada imposição administrativa. É ser honesto com os alunos e rejeitar as teses que colocam o ónus de todo o insucesso em professores do século XX, incapazes de entenderem as imensas profundezas das teses aprendidas por alguns nos anos de estágios feitos… no século XX, com teorias do século XX, nascidas de problemas do século XX.

O artigo da Visão de hoje (pelo menos deu agora a cara e não mandou enviados de uma fragilidade assustadora), com o apropriado destaque, é apenas mais uma peça no seu “legado” que provavelmente justificará em futura obra sobre o tema do “Sucesso vs Insucesso – Uma Dicotomia Disparatada na Educação”..

E já agora… isto não é uma disputa entre a boa Esquerda e a má Direita porque, que me lembre, politicamente, o actual SE Costa foi um imenso vazio político em períodos bem delicados da nossa vida colectiva e só meteu a cabeça de fora quando já era seguro. Nos anos de chumbo primou por tratar da vidinha.

Se isto é, de certa forma, dar a ler um pouco do próprio remédio ao SE Costa? Espero que sim, c’um caneco, que eu cá não sou de sonsices e nunca fui à catequese.

Visão21Nov19

Cada Vez Me Parecem Mais Uma Variante Da Cientologia

Refiro-me aos directores pipp’s, com um dos quais tive ontem um encontro imediato de primeiro grau. Repetem as mesmas coisas de há 25 anos (quando fizeram “estágio”) como se fossem novidade ou, em alternativa, dizem que nada mudou e parecem ter-lhes enfiado no corpinho uma sabedoria extrema acerca de como ouvir as crianças e perceber o que elas gostam, ao contrário da “escola” que destrói a criatividade e espírito crítico dos alunos. Elogiam de forma oportunista os professores, mas no fundo acham que sem a sua esclarecida liderança só “dariam aulas” de que os alunos não gostam e que não lhes servem para a vida. A visão pobre e mesmo medíocre de que na escola só se deve aprender o que é “útil” para a vida é o testemunho de que se quer alinhar por uma visão redutora da Educação, em especial para os alunos mais desfavorecidos.

Já agora, dois reparos acerca de duas declarações dos outros dois intervenientes no debate: não existe qualquer “consenso científico” acerca do efeito negativo das retenções, mesmo que seja “por si só” como o Alexandre H. Cristo ressalvou; o que existe é o acordo acerca de ser uma medida cara e é isso mesmo que diz a parte final do estudo que a presidente do CNE insistia em dizer afirmar o contrário do que eu citara. O que lá está é que a repetição de ano tem um efeito positivo estatisticamente baixo e que, por ter custos financeiros, se deve investir em medidas adicionais. Ou seja, o argumento para a não-retenção nesse estudo é de ordem puramente economicista.

(já agora, acho de uma enorme falta de coragem política colocarem-na sob os holofotes a defender, porque acredita mesmo nisso há 40 anos, e não se chegarem à frente os mentores actuais do novo anti-intelectualismo disfarçado de demagógica – e falsa – preocupação com os desfavorecidos…)

The results suggest that repeating the 4th grade increases students’ scores on the subsequent 6th grade national exams of Portuguese and Mathematics by 0.08 and 0.10 for the sample (on a scale of 1 to 5). For the sub-sample the impact of retention is not statistically significant. Also, students with no previous retentions obtain better scores on both exams; being a male or having a mother with a primary education level decreases the scores in Portuguese but does not affect the scores in Mathematics.

(…)

In summary, the main finding of this paper is that the impact of early retention is either not statistically significant or of a small positive magnitude. Taking into account the high costs of maintaining students in school for one extra year, the small benefit from retention we obtained suggests that repetition is an ineffective tool to deal with under-achievement at early stages. Thus it would be interesting to implement experiments to evaluate and compare the impact of alternative measures to promote the success of low-achieving students, such as extra hours of teacher support, mentoring, summer schools, and preferential assignment to high performing teachers. These results are especially important for countries with high retention rates that are considering alternative educational policies to promote students’ success.

No estudo do Banco de Portugal, as conclusões sobre os efeitos da retenção, em especial no 2º e 3º ciclo, são similares:

The effects of short-term repetition at ISCED 2 in Portugal are positive albeit small. Therefore, despite the uncertainty about the long-term effects, our results do not call into question the practice of retention for higher levels of schooling. In addition, there is an alignment between selection for treatment and treatment benefits, both in regard to observable and unobservable characteristics of students.

Ou seja, as retenções podem traduzir-se em melhorias, desde que sejam colocadas em práticas as adequadas medidas compensatórias. Há quem diga que não funcionam, mas se calhar é porque são encaradas como remendos e não são levadas muito a sério, como aquela de 45 minutos de tutoria para meia dúzia de alunos ao molho.

É isto uma defesa pura e dura da prática da retenção? Não, é a defesa pura e dura da liberdade dos professores fazerem o seu trabalho e não serem obrigados por teses pipis a transitar todos os alunos, só porque alguém ainda ficou agarrado às sebentas do “estágio” dos anos 90 do século passado. Seria bom ideia que desencravassem do vosso oásis mental em que aos alunos só se deve dar o que faz falta à sua vida quotidiana. Como respondi a quem isso afirmou, “ainda bem” que aprendemos muita coisa que pode parecer pouco útil a curto prazo. Eu aprendi coisas sobre os planetas e o sistema solar e não fui para astronauta. Gostei muito de saber como funcionam as placas tectónicas ou se desenvolvem as plantas e, num sentido restrito, isso não tem qualquer interesse evidente para a minha vida quotidiana. Como para a maioria das pessoas não terá saber como se desenvolveu o espírito crítico e científico a partir do Renascimento e o que levou a que um homem como Leonardo da Vinci imaginasse, desenhasse e planeasse imensas coisas que não tinha meios para concretizar.

Mas seremos pessoas menos completas se optarmos por um currículo do que apenas “agrada”, do que apenas é “fácil de entender”, do que é “útil”. Se apenas aprendermos o que precisamos para o dia a dia a Humanidade estupidifica e estagna. É esse o grande plano para a Educação do século XXI da nova clique de líderes educacionais? Porque se parece muito com o contrário do que afirmam acerca da criação de cidadãos críticos e interventivos. Pela forma como agem e falam, espírito crítico e informado é do que menos gostam.

Seita1

(o meu tio-avô Mário, sapateiro, e o meu pai, operário,  adoravam poesia… e não era a das quadras populares… o que raio lhes adiantava isso para a sua vida na perspectiva destes senhores? quase toda a poesia que tenho pelas estantes, herdei-a dele porque já eu, bárbaro, sou bem limitado em termos de poética)

Um Interessante Case-Study Para O Irmão

E @s director@s comem e calam ou piam baixinho como é costume? Filinto, amigo, passada a oportunidade, que tal começares a meter o miúdo na ordem?

Ministro responsabiliza algumas escolas por atraso no processo de contratação de funcionários

Contratação de mais de 1000 assistentes operacionais demorou a ser iniciada, lembra Tiago Brandão Rodrigues: “Chegámos a pôr em causa se eles tinham necessidade real de os contratar”.

Burros

Eu Venho De Longe

De tão longe que a maioria das luminárias que por aí andam armadas em Corte Inclusiva nem uma aula tinha dado a uma criança ou jovem com as mais diversas problemáticas quando foi publicado o DL 319/91, conhecido coloquialmente como “o 319”. E não aceito que digam que sem o contributo de tão doutas criaturas eu tenha andado a “entreter” crianças e jovens.

A substituição da classificação em diferentes categorias, baseada em decisões de foro médico, pelo conceito de «alunos com necessidades educativas especiais», baseado em critérios pedagógicos;

A crescente responsabilização da escola regular pelos problemas dos alunos com deficiência ou com dificuldades de aprendizagem;

A abertura da escola a alunos com necessidades educativas especiais, numa perspectiva de «escolas para todos»;

Um mais explícito reconhecimento do papel dos pais na orientação educativa dos seus filhos;

A consagração, por fim, de um conjunto de medidas cuja aplicação deve ser ponderada de acordo com o princípio de que a educação dos alunos com necessidades educativas especiais deve processar-se no meio menos restritivo possível, pelo que cada uma das medidas só deve ser adoptada quando se revele indispensável para atingir os objectivos educacionais definidos.

Assim:

No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido pela Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro (Lei de Bases do Sistema Educativo), e nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 201.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

Artigo 1.º

Âmbito de aplicação

As disposições constantes do presente diploma aplicam-se aos alunos com necessidades educativas especiais que frequentam os estabelecimentos públicos de ensino dos níveis básico e secundário.

Artigo 2.º

Regime educativo especial

1 – O regime educativo especial consiste na adaptação das condições em que se processa o ensino-aprendizagem dos alunos com necessidades educativas especiais.

2 – As adaptações previstas no número anterior podem traduzir-se nas seguintes medidas:

a) Equipamentos especiais de compensação;

b) Adaptações materiais;

c) Adaptações curriculares;

d) Condições especiais de matrícula;

e) Condições especiais de frequência;

f) Condições especiais de avaliação;

g) Adequação na organização de classes ou turmas;

h) Apoio pedagógico acrescido;

Deixem-se de m€rd@s porque em relação a isto os avanços avultam mais nas digressões terminológicas do que nos mecanismos da agora régia “inclusão” com que enchem a boca os especialistas na exegese de decretos-lei. Mas que raramente se viram numa sala de aula, todos os dias, com uma mão cheia de casos que não se podem dizer “especiais” e deles procurar tirar tudo o que é possível. E mais além.

Velho