Há Linhas Vermelhas

E esta é, para mim, uma delas. Até porque se alguém testou positivo deve estar em casa de quarentena e não na escola ou em outro local de trabalho. E se não quiser que se saiba, não activa o seu estado.

Portanto, caro PM, vá-se lixar com ph.

Até porque, caso a Assembleia chumbe, já sei que vai aparecer a dizer que não era a sério, era apenas para dar um “abanão”. Tanta coisa que podia ter feito e agora acha que é uma app que nos salva, quando o próprio criador da coisa diz que não é exequível e pode mesmo ser contraproducente?

O Governo vai colocar todas as autoridades policiais a fiscalizar os portugueses que, tendo telemóvel, não tenham instalada a aplicação “StayAway Covid”.

A Arte E O Despudor De Se Ser Um Gualter

Afirmava ontem aquele inefável secretário de Estado da “reitora” em artigo no Público (desculpem, mas por questões de higiene deste espaço, recuso-me a colocar o link, quem quiser que procure) que:

Convém sublinhar que, se for necessário volta a contratar professores insuficientemente ou deficientemente qualificados, não se deverá a qualquer fator de crescimento inesperado ou incontrolável, mas a simples incompetência política.

E lamentamos que o senhor esteja já precocemente senil, pois parece esquecer-se que esteve um mandato inteiro (e dos longos) no governo que destruiu o Estatuto da Carreira Docente, criou a PACC (aplicada pelo ministro Crato, mas legislada originalmente em 2008) e inaugurou a época dos congelamentos. Se isso não ajudou a reduzir imenso o interesse em seguir a “carreira” docente e afastou muita gente de contratos contados à hora, não sei bem o que o terá feito.

Mas concordo em absoluto com a parte da “incompetência política” do secretário Gualter, daqueles que rodeou e que ele rodeou e ainda de outros tantos que lhe seguiram. Incluindo os falinhas mansas.

Mas O Que É Que Este Marmelo Percebe Do Assunto?

O Costa2 é daqueles que parece saber tudo sobre tudo, desde que se siga o guião do Largo do Rato. Vai chegar longe, porque se farta de dar tenças a tudo o que mexe pela órbita de uma encapotada geringonça lisboeta. Porque há muitos aljubes sob a sua alçada.

“Crianças não são um poderoso elemento de transmissão da covid-19”

Comentário de Fernando de Medina, esta segunda-feira, sobre a reabertura das escolas.

(já ele é um poderoso veículo de desinformação…)

A Impossibilidade De Um Debate (A) Sério

A “polémica” em torno da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento alastra, mas não melhora. A razão para isso, para além do atraso com que se faz e da hipocrisia reinante (ao ponto de enviar uma versão do post do outro dia para o Público), começa a deslocar-se para duas situações expectáveis, mas que nada contribuem para qualquer esclarecimento da opinião pública.

  1. A questão passou a ser apresentada como um conflito de “Direita/Esquerda”, com este ou aquele trânsfuga. O pessoal de “Esquerda” considera que a disciplina é imprescindível ao currículo da petizada, porque divulga os “valores da Democracia” (menos a verdadeira tolerância, pelo que se vai entendendo) e quem está contra ela, está contra os valores da sociedade do século XXI; da referida Democracia e é uma espécie de cripto-fascista, um beato clerical digno da Idade Média e, no fundo, uma besta. Embora estas classificações se apliquem a alguns defensores da posição em causa, parece-me “ligeiramente” excessivo”. De forma simétrica, os críticos da disciplina, apresentam-ma como se os temas estivesse na origem do declínio da sociedade ocidental, da instituição familiar e do sagrado binómio biológico que permite a reprodução da espécie e as boas maneiras no leito, considerando que quem admite que se leccionem temas como a “identidade de género” ou a “sexualidade” são um grupo de homo-lesbo-pansexuais com tendências para a bestialidade e uns “radicais” que querem transformar transformar as criancinhas numa espécie de ratinhos de laboratório de experiências socio-sexuais que as tornarão todas homossexuais ou, pior, hetero tolerantes ao conceito de “espectro” na definição das identidades e  atitudes sexuais/de género. Como no outro caso, lá haverá gente assim (que a há), mas não me parece que isso se aplique à generalidade dos docentes da disciplina. Já agora, as linhas orientadoras para a Educação para a Cidadania, que contempla a generalidade dos temas que agora levantam celeuma, são de 2012, revistas em 2013. Que, por exemplo, Passos Coelho, não saiba que foram aprovadas no seu governo, é apenas um detalhe que não admira acontecer a quem parece ter levado o cérebro lavado em rotações máximas.
  2. O debate começa a ser monopolizado por pessoal que alia a ignorância à arrogância, mas depois larga “postas de pescada” (de um lado ou outro) como se fossem pérolas ao povo que não passam de falsidades ou verdades pela metade da metade. Um caso, que vi por manifesta inépcia quando me sentei hoje no sofá em busca do final da etapa do Tour na televisão, foi o de um dos especialistas instantâneos em tudo e ainda o seu contrário que têm assento n’O Eixo do Mal, o programa mais bronco entre os que se levam a sério na análise da actualidade. O protagonista em causa era o inefável Pedro Marques Lopes, uma espécie de gajo de direita com gostos de esquerda (como o Pedro Mexia, mas em péssimo), que começou por afirmar que se tinha ido informar sobre os conteúdos da disciplina (tadinho, só agora se lembrou disso?), que achou por bem enumerar. Claro que os enumerou de forma errada e incompleta (esqueceu-se, por exemplo, talvez de modo cirúrgico, da “Literacia Financeira” na sua listagem) e daí partiu para uma “análise” que envergonharia qualquer pessoa com um mínimo de pudor e forma de ganhar a vida que não competisse com a Clara Ferreira Alves na ignorância presumida. Mas há quem possa achar que aquilo é mesmo assim e que, como ele disse, a História está repleta de temas obrigatórios de que se pode discordar como (pasme-se!!!) a leitura dos Esteiros. Que ele disse, de forma irónica, que poderia levantar reservas porque é do tempo do neo-realismo e que pode cheirar a “comuna” e tal. E só foi interrompido em tamanho disparate, pela colega CFA, não para lhe dizer que estava errado e que os Esteiros não são de leitura obrigatório, nem em Português, mas apenas para dizer que a obra em causa até é das melhores da corrente neo-realista.

Antes que devolvesse ao exterior o peixinho grelhado do almoço, desliguei e procurei não fazer a promessa de ir de joelhos a Fátima até n’O Eixo do Mal se deixar de confundir “opinião” ou “bocas giras” com o mais absoluto disparate, servido a gosto de um elenco de ignorantes armados de uma quase infinita pesporrência, garantinda por avença balsemânica.

Assim, é impossível qualquer debate vagamente racional sobre um tema já se si complicado. Mas como é na televisão que apresentou uma montagem mal amanhada da 1ª página do New York Times como se fosse real, já não espanta.

Havia A “Salsicha Pedagógica”

Agora há as “bolhas de alunos”. Têm, estão a ver, uma membrana exterior que os isola do ambiente envolvente e ficam ali todos em segurança a conviver, porque são bolhas grandes e espaçosas. E muito ventiladas.

Durante a audição na comissão, o ministro desvalorizou a polémica em torno do distanciamento físico entre alunos e professores, lembrando que as escolas vão funcionar com circuitos de circulação e “bolhas” de alunos.

These are the days of miracle and wonder
This is the long distance call
The way the camera follows us in slo-mo
The way we look to us all

picareta

(e é este tipo que ficará para a História como o ME mais tempo no cargo em Democracia…)

Homem, Calado Ainda Podes Passar Por Cientista!

No semanário do regime costista-marcelista, o ministro Tiago explica que tudo aquilo que pensavam que ia existir no próximo ano lectivo, em boa verdade, não vai. Mas o melhor é ele a explicar que a mitigação da propagação do vírus não se limita ao distanciamento. Sim, é como dizer que as pessoas não morrem apenas por serem atropeladas ou terem doenças terminais. Também podem ser atingidas por um raio na testa.

Bolhas! não, desculpem… Bolas!

E é perceptível a incredulidade de quem pergunta.

Exp4Jul20

Expresso, 4 de Julho de 2020 (imagem sacada no fbook à Helena Bastos)

É isto um cientista?

 

O Meu “Sentido Profundo De Dever Cívico”… 2

… impede-me de colocar dúvidas de carácter ético, moral ou “cívico” em, relação a classes profissionais inteiras, em especial com base no seu estado de saúde quando estão em grupos de risco de contrair a covid-19. Mas há quem tenha feito outro curso de “Educação Cívica” quando foi à escola.

pieinthe face

 

Os Marretas Ao Menos Tinham Graça

Claro que o problema teria de residir nos professores envelhecidos, atendendo a alguns dos participantes, jovens como alfaces ao amanhecer ou especialistas instantâneos em assentamento de sentenças e outras coisas “não lucrativas” (atchimmmm!).

Os professores não estão preparados para ensinar à distância

(…)

O debate, organizado pelo Expresso em parceria com a DECO Proteste, reuniu um conjunto de especialistas no sector da educação, e contou ainda com a presença de Alexandre Homem Cristo, co-fundador e presidente da QIPP, organização sem fins lucrativos que atua na área da educação, Nuno Almeida, IM B2B manager da Samsung Ibéria, Rita Coelho do Vale, professora de marketing na Católica Lisbon, e Teresa Calçada, comissária do PNL 2027 (Plano Nacional de Leitura).

pieintheface

(já sei que é “demagógico” apontar o facto destas luminárias nunca se terem visto, durante uma semana que fosse, à frente de uma meia dúzia de turmas do ensino básico público nos últimos 30 anos, à distância ou pertinho…)

Homem, Calado És Um Poeta!

Não tentes teorizar com base em guiões. Ninguém acredita que percebas mais agora do que há 5 anos. Debitas chavões. Vai para a sombra. Não chateies. Não qualifiques as atitudes e opiniões dos outros, que percebem mais disto num dedo mindinho do que tudo no corpo todo. Se tivesses algum decoro, ias-te embora, arranjavas um lugar qualquer que não fosse o de ministro durante dois mandatos graças a um imenso vazio. Já tive alguma reserva, mas quando escreves num espaço de “Direita” (de acordo com os teus maniqueísmos mentais) prosas da treta, só me apetece puxar do vernáculo.

Poupa-nos!

E o AHC poderia ter-nos poupado a isto, mas não resistiu.

Será que entendem que há toda uma geração de professores(zecos) que, de forma mais pou menos assumida, só tem vontade de vos mandar à [pi-pi-pi].

O ano em que a escola se reinventou

(…)

Termina, esta semana, o ano letivo mais dramático das últimas décadas, devido à pandemia que se espalhou por todo o mundo. É, portanto, tempo de fazer um balanço, em termos educativos, que nos ajude a preparar os próximos passos. Mas um balanço que entenda que a Educação ocorre no quadro da vida de uma comunidade e num horizonte temporal amplo, sem se compadecer com juízos especulativos, simplistas ou imediatistas.

(…)

Outra questão que esta circunstância demonstrou é que o já previsto Plano para a Transição Digital, um dos pilares do Programa do XXII Governo, constitui uma prioridade, também na Educação. Para isso, é necessária uma intervenção integrada, a par de soluções organizacionais, orientações pedagógicas e formação de professores.

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