Mas Estão A Falar De Que Professores?

Dos novos ou dos envelhecidos? Se é dos novos, calma, que têm tempo. para aprender.. porque se os velhotes não faltarem (como afirma o ministro), nem sequer têm vaga.

Cursos que formam professores têm base “sólida” de linguística, mas inconsistências no ensino da leitura e escrita

Há uns bons anos, quando disse que havia insuficiências evidentes nos cursos de formação de professores, uma figura inoxidável (mas discreta) do sistema disse-me logo que estava tudo certificado pela A3ES. Pouco tempo depois, é ver quem fez (ou faz) carreira na formação de professores, quando se transforma em “investigador@” ou “perito” (no caso da Edulog), a encontrar todas essas e muito mais falhas. Tudo depende da situação ou posição relativa em cada momento

Falta experiência de sala de aula na formação de professores do 1.º ciclo

Para quem estiver distraíd@, gostaria de chamar a atenção para o facto da divulgação deste tipo de estudos acontecer de forma curiosamente articulada com as conclusões de outro estudo, do IAVE, sobre as provas de aferição do 2º ano.

Coincidências…

Há Estudos Que Descobrem Coisas Fantásticas!

O ambiente da escola e a qualidade da gestão dos agrupamentos escolares aparecem associados ao sofrimento psicológico dos docentes, com algumas variações e agravamento com a idade e o tempo de serviço, afetando principalmente as mulheres e registando variações regionais.

Isto vem na página V. Na página VI surgem as recomendações a que daqui a pouco já me dedicarei com natural interesse 😉 Mesmo se acho a amostra muito curta (menos de 1500 docentes), para tanta instituição que aparece associada ao estudo.

As Inspecções Da “Inclusão” Já Andam Por Aí

Mas quer-me parecer que andam mais numa de ver as monitorizações em grelhas aprumadas. Embora ameacem que podem entrar pelas salas dentro, algo que sem a devida identificação, no momento oportuno, me parece uma prática algo irregular. Entretanto, já se ouve o esfregar de mãos dos “formadores inclusivos” da corte do agora ministro Costa. Há powerpoints que andam numa roda viva.

Público, 14 de Abril de 2022, artigo de Clara Viana

O curioso é que a equipa da OCDE diz que onde foi tudo é maravilhoso. No entanto, devem ter-lhes dito outras coisas e eles acreditaram. E ficamos sem perceber no que as recomendações agora publicitadas se baseiam. Na observação directa não foi, portanto… será na base do interesse do “encomendador” que se concluiu existir “segregação dos alunos imigrantes” para agora justificar medidas a preceito?

Lamento, mas conhecendo até de perto a realidade de um dos seis (6!) agrupamentos de escolas que foram visitados em 2021 e leccionando em um (a 5 minutos de carros) onde a proporção de alunos oriundos de fora de Portugal andará pelos mesmos valores, acho que estas conclusões não passam daquilo que já se sabe. Se o “cliente” pediu e pagou uma mesa com três pernas, quem são os carpinteiros para lhe dar uma com quatro?

Parece Que Finalmente Estão A Aproximar-se Do Principal

Sou um crítico muito, muito antigo, da formação de professores em aviário por gente que do ofício percebe muito pouco. Tive demasiadas experiências em tempos passados de gente que dava formação sobre Pedagogia que era uma nódoa em termos pedagógicos. Relembro sempre um emissário do ME a uma sessão na minha profissionalização em que já falava de flexibilidade, mas só aceitava que o questionassem depois das duas horas de descarga de chavões e propaganda. Conheço directamente gente que forma professores porque fez tudo para escapar a ser professor do Básico e Secundário e poder colocar “Ensino Superior” na chancela ou oráculo. Na maior parte das vezes, fingem que não ouvem, clamam que fazem o melhor que sabem, mas a verdade é que sabem pouco e nem isso, tantas vezes, conseguem ensinar. Recomendam sebentas, apresentam powerpoints e é tudo. Leram, com sorte, um punhado de livros de fio a pavio sobre a matéria em dado momento da vida e encalharam.

Há gente boa, de qualidade, dedicada, actualizada?

Há. Mas há também muita tralha pelas Universidades e Politécnicos deste país, de onde saem boas professoras e bons professores à própria custa, do seu interesse, do seu esforço, da dignidade. Desde meados dos anos 80, com as naturais excepções em termos de instituições ou de departamentos em algumas instituições, enquistaram-se mini-feudos com origem nos Ramos de Formação Educacional, onde se alapou muita gente que nem ensinar sabe. Apenas sabe produzir a papelada necessária para a certificação do curso. Até porque são inspeccionados, em muitas situações, por outros como el@s.

Estou a ser injusto? não, por acaso até acho que estou a ser meiguinho com a complacência que marcou as últimas décadas na formação inicial de professores, em que não é raro que a maior preocupação seja arranjar as cadeiras necessárias para ter os créditos indispensáveis para assegurar o lugar. Em muitos casos, para não ser recambiado para aquele inferno de onde se livraram e para o qual mandam (quando lá conseguem chegar) professores certificados por quem chegou ao lugar na base de um ou mais dos três C’s (a cunha, a cama ou o cartão).

A Universidade é assim mesmo, não apenas na formação de professores? Quiçá… mas que tal irmos tratando de uma coisa de cada vez, sendo que é esta que agora parece afligir tantas almas omissas durante tanto tempo? O que fez, por exemplo, o agora omnipresente em todos os think tanks fundaciuonais, ex-ministro David Justino quando esteve na 5 de Outubro, no CNE e arredores?

Só um terço dos docentes que formam professores tem experiência na área

Seria Muito Demorado Fazer Uma Nota Técnica?

Foi divulgado um relatório sobre O Estado da Tecnologia na Educação – 2020/21. Eu percebo que o documento que se manda para a comunicação social aposte muito nos grafismos atractivos e nos valores redondos para simplificar a mensagem. Mas existem algumas exigências “técnicas” que deveriam ser respeitadas mesmo em casos destes. Por exemplo… o número de inquiridos e a sua caracterização de forma clara. Não é que isso signifique uma alteração nas conclusões, mas um tipo fica todo baralhado quando tenta saber quem (ou quantos de cada parcela da amostra) respondeu exactamente o quê. Porque não se percebe o que são “outros representantes educativos” ou quantos deles foram inquiridos. E se esses estão incluídos nas “mais de 2580 respostas”, os números depois não batem muito certo, porque se somarmos as parcelas para os ciclos de escolaridade identificados, chegamos a um valor de 2690 respostas, teoricamente só de professores, muito acima dos 2137 referidos mesmo acima na mesma página. E incluem os directores nos professores ou não?

Isto para não falar na ausência de respostas do 1º ciclo e pré-escolar. Ou do que foi exactamente perguntado. E como foram as respostas por ciclo de escolaridade e “estatuto” (professor, director ou “outro representante educativo”).

Acredito que exista o “estudo” base onde todos esses dados estejam, mas nesta espécie de brochura, algo ficou claramente por fazer. e a “tecnologia” até podia ter ajudado.

2ª Feira

Mais uma semana, mais um estudo. Mais um estudo sobre as competências digitais dos docentes. Mais um estudo em que se detectam necessidades de formação em coisas digitais. Aguardo pela semana em que exista um estudo sobre a qualidade de certas formações que andam por aí a ser oferecidas, se fazem algum sentido atendendo aos meios técnicos disponíveis ou se sequer aquilo da “capacitação digital” está mesmo a ser levada a sério. Eu fiz, em especial em 2020-21 várias formações online sobre uma série de plataformas e “ferramentas” interessantes que, depois, não consigo implementar na sala de aula. Nem vou falar dos limites das contas “básicas” (leia-se, gratuitas), que servem de isco para pagarmos a assinatura mensal ou anual individual, porque poucas escolas escapam ao pão com manteiga que a google ou microsoft servem. Tentem colocar uma turma de 28 alunos a trabalhar com o PowToon e nem sequer conseguem “costumizar” o boneco do utilizador sem que aquilo fique às voltinhas, voltinhas, por falta de banda musical. E com o Genially vamos pelo mesmo caminho. Para quando um outro estudo sobre o material disponível nas escolas (e salas equipadas) e a avaliação do que é possível efectivamente fazer? Mesmo com estes computadores emprestados aos alunos. Se todos os levarem para a aula e ligarem e entrarmos num quizz, quantos se aguentam sem estar sempre a sair e entrar do jogo, se não for daqueles com mais “animação” e, por isso”, mais “estimulante” e “atractivo”?

Então, Porque Faltam Professores?

Tenho algumas ideias sobre as razões, mas é sempre melhor esperar pelos “especialistas” e mais um qualquer atrasado estudo prospectivo. Se possível daqueles que ainda há 2-3 anos diziam que eram em excesso. Mas que têm a distinta lata de fingir que não o disseram, para agora aparecerem com “soluções” para problemas que garantiram não existir.

Em relação ao ano lectivo de 2010/2011, houve menos 16,6% alunos no 1.º ciclo, menos 18,6% no 2.º ciclo e menos 12% no 3.º ciclo, revela o relatório do Conselho Nacional de Educação.

A Quem Interessa Esta Dramatização Claramente Excessiva?

Eu percebo a “agenda” de quem se quer perfilar como “solução”, mas há por aqui uma desnecessária hiperbolização dos problemas que vivemos. Que são graves, mas estão a ser exagerados, como se fossem inéditos. Só falta dizer que vai tudo ficar com stress pós-traumático. Parafraseando o ainda PM, “a História explica” como depois da pandemia da gripe espanhola, que surgiu ainda no contexto da Grande Guerra e da epidemia menos dramática do tifo, vieram os esfuziantes anos 20, marcados por um quase excessivo culto da vida, do lazer e da diversão. Mas acredito que quem só vê cinzento e negro, só veja cinzento e negro em tudo. E negócio da desgraça até rende…

A perda nas aprendizagens das crianças foi substancial e o país não lhe está a dar a devida atenção, segundo Susana Peralta, co-autora do relatório Portugal – Balanço Social 2021. Na leitura dos indicadores, a economista chama ainda a atenção para os jovens que a pandemia “chutou” para fora do mercado de trabalho.

Este Mês, No JL/Educação

Os textos são entregues com mais de uma semana de antecedência, portanto, não é sobre a reabertura das escolas, vacinação, etc. Ainda não encontrei a edição em papel, portanto, segue a original, versão pré-AO, com as notas de rodapé que desaparecem quase sempre na versão impressa.

Incapacidades Digitais

Quando 2021 se aproxima do fim e se fala em nova vaga pandémica, cortesia da nova variante Ómicron, volta a ser necessário considerar a hipótese, certamente indesejável, de regressar algum tempo ao ensino não-presencial ou, pelo menos, a uma modalidade híbrida, combinando aulas presenciais com trabalho (síncrono ou assíncrono) remoto.

Para que isso aconteça perturbando o mínimo possível as aprendizagens dos alunos e a equidade do acesso destes às tarefas a desenvolver, é importante que se perceba até que ponto avançámos na identificação das dificuldades verificadas nos períodos anteriores de recurso ao ensino não-presencial.

Isso passa pela disponibilização do material tecnológico e das condições para o seu uso pelos alunos, mas de igual forma pelo conhecimento das competências digitais dos docentes para desenvolverem um trabalho produtivo e consequente. Esse conhecimento deve procurar ser objectivo e servir para a adopção de medidas eficazes e a definição de políticas com alicerces na realidade existente e não obedecer a critérios de oportunidade política ou interesses particulares que resultem da necessidade de encontrar necessidades onde não existem para justificar decisões pré-definidas.

Após quase dois anos civis de pandemia que atravessam três anos lectivos, continuamos a padecer do mesmo tipo de insuficiências que se detectavam  nos primeiros meses de 2020. A escala pode ser menor, mas a sua natureza não mudou. Ou seja, não se pode falar de modo algum numa “Escola Digital” quando se adia o equipamento das escolas, alunos e professores para um ensino que integre um componente digital de qualidade e extensível a todos numa situação de alguma equidade. Não chega ter ido comprar à pressa uns “kits tecnológicos” low cost para acudir à urgência inicial. Deu para resolver tardiamente as necessidades mais básicas, mas está longe do indispensável para que as escolas estejam equipadas para um ensino remoto ou híbrido que não volte a depender muito dos meios privados das famílias dos alunos ou dos próprios docentes. Com o mês de Dezembro já avançado, foi notícia que estavam em distribuição mais 600.000 computadores para os alunos do ensino obrigatório (Jornal de Notícias, 7 de Dezembro de 2021), mas a verdade é que muito poucos terão chegado às mãos dos necessitados, caso em Janeiro se torne prudente o recurso a mais de uma semana sem aulas presenciais. A lógica do custo mínimo, o que acaba por ser, a médio prazo, uma opção errada.

Se para os alunos quase tudo tem tardado, para as escolas nem sequer chegou o que foi sendo repetidamente anunciado. A banda larga continua a ser minguada, tornando impraticável o desenvolvimento de tarefas em sala de aula com recurso síncrono a 20-25 equipamentos individuais. Mesmo as salas equipadas com computadores em tempos mais ou menos remotos não são, nem de muito longe, em quantidade e qualidade que permitam um trabalho consequente de ambientação dos alunos às plataformas mais comuns para o desenvolvimento das suas competências digitais ou para a realização de tarefas das diferentes disciplinas. No início de 2021 falou-se muito no Plano de Transição Digital para as Escolas que, entre outras coisas, prometia “conectividade móvel gratuita para alunos e professores”, mas até este momento isso não passa de uma miragem.

Exemplifico com uma situação concreta: lecciono numa escola com mais de 600 alunos que dispõe de apenas duas salas com computadores, sendo que as minhas turmas têm 28 alunos e a sala com mais equipamentos tem 14, mas que não conseguem estar online em simultâneo para a realização de um quizz. Isto se as salas estiverem disponíveis e não ocupadas nas aulas de T.I.C., uma disciplina que tem tido imensos problemas ao nível do recrutamento de docentes e que, por isso mesmo, nem sempre pode funcionar (nem a sua carga horária permite) como apoio ao trabalho dos alunos nas restantes disciplinas, nomeadamente na criação de e-portefolios.

Entretanto, foi apresentado publicamente como sendo um “estudo”, aquilo que, na sua origem, se limitou a ser o resultado das respostas dos docentes um inquérito europeu sobre “Capacitação Digital” no âmbito do projecto (de 2017, sendo anterior à pandemia) The European Framework for the Digital Competence of Educators (DigCompEdu) [i]. O questionário designado como Check-In procurava fazer uma aferição do que os próprios docentes consideravam ser as suas competências digitais em seis áreas, mas prestava-se a equívocos no modo como foi divulgado, pois não era claramente perceptível que inquiria o que os docentes conseguiriam fazer, caso dispusessem de meios para tal, pois apresentava-se como “um questionário de autorreflexão” e muitos respondentes fizeram-no a pensar no seu quotidiano concreto e não num cenário ideal.

Na introdução às secções B a G do dito questionário, podia ler-se “suponha que tem as condições adequadas no seu contexto de trabalho (disponibilidade de equipamentos eletrónicos e acesso à internet para professor e alunos) e selecione, para cada uma das afirmações, a opção que melhor reflete a prática que sente ser capaz de realizar”, mas quase tod@s @s colegas com quem falei respondeu sem atender a esse esclarecimento. Eu próprio comecei a fazer o questionário até notar nesse detalhe, sendo obrigado a reiniciar o processo de respostas de forma a corresponder ao que seria “capaz de realizar” e não apenas ao que é “possível realizar”. Em muitas questões, a diferença na pontuação final obtida estava na escolha entre as opções em que se considerava fazer “regularmente” ou “sistematicamente” determinada tarefa. Essa diferença remete mais para a frequência com que se faz algo e não necessariamente para a competência para o fazer, pelo que parte das conclusões extraídas desses resultados podem estar a basear-se num equívoco.

Isso não impediu, contudo, que a equipa da Universidade de Aveiro que tratou os dados disponibilizados pelo Ministério da Educação considerasse que tinha feito “um estudo pioneiro”, avançando com conclusões que “apontam para um nível de proficiência médio global correspondente ao nível intermédio B1, que se pode considerar baixo” [ii]. Lendo-se o estudo em si mesmo (Margarida Lucas e Pedro Bem-haja, Estudo sobre o nível de competências digitais dos docentes do ensino básico e secundário dos Agrupamentos de Escolas e das Escolas Não Agrupadas da rede pública de Portugal Continental. Aveiro: Junho de 2021), encontram-se muitos dados interessantes, mas algumas conclusões que parecem algo apressadas como aquelas sobre os grupos de recrutamento mais ou menos proficientes em competências digitais. Por exemplo, “conclui-se, ainda, haver uma heterogeneidade nos níveis de proficiência entre grupos de recrutamento, sendo os grupos 110, 260 e 310 aqueles cujos docentes apresentam níveis mais baixos de proficiência. Já os docentes que apresentam níveis de proficiência mais elevados pertencem aos grupos de recrutamento 290, 350, 540 e 550”, não se explicando as especificidades de alguns desses grupos ou sequer a sua relevância na amostra. O grupo 110 (1º ciclo) corresponde às respostas de mais de 20.200 docentes (mais de 20% da amostra), mas o grupo 310 (Latim e Grego) corresponde apenas às de 26 docentes; por outro lado, o grupo 550 (com quase 3000 respostas) corresponde aos docentes de Informática, sendo de espantar se não estivessem entre os mais competentes no uso de ferramentas digitais. Curioso é que só encontremos 54% dos docentes deste grupo nos dois níveis mais elevados de proficiência digital.

E não poderia faltar o habitual apontar de dedo aos mais velhos, afirmando-se que “parece haver um aumento da proporção de docentes nos níveis mais baixos de proficiência à medida que a faixa etária sobe”, o que é uma evidência natural, mesmo se nem sempre facilmente comprovável: dos 25 aos 29 anos há 7% dos inquiridos nos níveis mais elevados de proficiência, mas o valor desce apenas para 6% acima dos 60 anos e tem os valores mais altos entre os 40 e os 49 (10%) e os 50 e os 59 anos (9%).

Se todos estes elementos podem ser úteis para o conhecimento da realidade, seria importante que a recolha da informação fosse feita de um modo mais claro e o seu tratamento menos ditado por agendas políticas. O conhecimento não é neutro, mas poderia estar menos comprometido com os interesses dominantes dos dias que acabam por passar.


[i] Disponível em https://publications.jrc.ec.europa.eu/repository/handle/JRC107466 (consultado em 20 de Dezembro de 2021)

[ii] Notícia disponível em https://www.ua.pt/pt/noticias/9/72620?fbclid=IwAR1dT4yYv4tTF5Mwcb8r-VrUzM616HEpilBroPJmcdY6hlgVtajVO24H0QQ (consultada em 20 de Dezembro de 2021).

Mais Um “Estudo”

Desta vez é o apuramento dos resultados daquele inquérito sobre Capacitação Digital dos docentes do ensino superior que se andou a preencher e que dava pela designação estranha de “Check In”. Uma equipa da Universidade de Aveiro considera-o um “estudo pioneiro”, o que fica sempre bem, em especial quando solicitado pela DGE.

Há um par de detalhes que deveriam ser tidos em conta, antes de se passar para o principal que é o facto dos resultados dos professores portugueses até serem melhores do a média europeia.

Primeiro detalhe: os investigadores da Universidade de Aveiro traduziram o inquérito para português, não o criaram. O original está aqui. O que fizeram foi coligir os dados recebidos porque, ao que parece, os serviços do ME são incapazes de o fazer. Neste caso, não sei qual o custo, porque não detecto nada na base.gov.

Segundo detalhe: o inquérito prestava-se a dúvidas, porque colocava questões sobre as práticas dos docentes e nem todos perceberam que havia lá uma introdução a explicar que se deveria responder acerca do que se conseguiria fazer se existissem condições ideais. Grande parte respondeu com o que fazia, com os meios efectivamente disponíveis.

Terceiro detalhe: por isso, algumas conclusões que foram retiradas quando à falta de capacitação digital da maioria dos docentes talvez merecesse uma melhor caracterização, que não apenas o já cansativo e preguiçoso argumento do “envelhecimento”.

Disto isto:

Margarida Lucas aponta que os resultados “estão em linha com resultados apurados noutros países europeus” sendo que, em alguns casos e em relação a áreas específicas de competência, são até melhores. “Há vários fatores que podem ajudar a explicar os resultados, sendo um deles o facto de termos um corpo docente envelhecido que não foi preparado para esta realidade e que pode não ter optado, ao longo da sua carreira, por investir nesta área”, explica.